Versículo em destaque
Ezequiel 9:5 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E aos outros disse ele, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais. "
Ezequiel 9:5
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
3 E a glória do Deus de Israel se levantou de sobre o querubim, sobre o qual estava, indo até a entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que tinha o tinteiro de escrivão à sua cintura.
4 E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela.
5 E aos outros disse ele, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais.
6 Matai velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, até exterminá-los; mas a todo o homem que tiver o sinal não vos chegueis; e começai pelo meu santuário. E começaram pelos homens mais velhos que estavam diante da casa.
7 E disse-lhes: Contaminai a casa e enchei os átrios de mortos; saí. E saíram, e feriram na cidade.
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Nesses versículos, vemos primeiro uma ordem dada aos destruidores para cumprirem a missão que lhes foi confiada. Eles estavam junto ao altar de bronze, esperando instruções, e agora essas instruções são dadas. Devem cortar e destruir todos os que eram culpados dos pecados de Jerusalém, ou haviam colaborado com eles, e todos os que não gemiam nem choravam por causa desses pecados. Quando Deus recolhe o seu trigo no celeiro, o que resta é queimar a palha (Mateus 3:12).
Eles recebem ordem de destruir a todos, sem exceção. Devem passar pela cidade ferindo, matando por completo. Não devem fazer distinção entre velhos e jovens, nem entre homens e mulheres. Nem a formosura das moças nem a aparente inocência dos bebês os protegeriam. Isso se cumpriu quando muitos morreram pela fome e pela peste, e especialmente à espada dos caldeus, até onde os soldados levaram a juízo a sentença de Deus. Em certas ocasiões, até uma obra tão terrível tem sido obra de Deus. Mas isso mostra quão maligno é o pecado, por ser capaz de mover o Deus de infinita misericórdia a tal severidade.
Eles também são advertidos a não tocar naqueles que haviam sido marcados para a salvação. “Não vos chegueis a qualquer homem sobre quem estiver o sinal”, isto é, nem sequer devem ameaçá‑los ou aterrorizá‑los. Deus havia prometido que mal nenhum se aproximaria deles, portanto os destruidores deviam mantê‑los à distância. O rei da Babilônia deu ordens especiais para poupar Jeremias. Baruque e Ebede-Meleque foram preservados, e provavelmente alguns outros amigos de Jeremias também foram guardados por causa dele. Deus havia prometido que iria bem com o seu remanescente e que eles seriam tratados com clemência (Jeremias 15:11). Há boas razões para crer que nenhum dos que gemiam e oravam, pertencentes ao remanescente fiel, caiu pela espada dos caldeus, mas que Deus encontrou meios de proteger a todos. Na última destruição de Jerusalém pelos romanos, todos os cristãos foram preservados em uma cidade chamada Pela, e nenhum deles pereceu com os judeus incrédulos. Nenhum daqueles que Deus marca para a vida e salvação se perderá, pois o fundamento de Deus permanece firme.
Eles são instruídos a começar pelo santuário, o próprio lugar onde Ezequiel acabara de ver profanações espantosas. Devem iniciar ali porque ali começou o pecado que trouxe esses juízos. A corrupção moral dos sacerdotes havia envenenado toda a fonte, e toda a contaminação dos ribeiros vinha daí. O pecado no santuário era especialmente ofensivo a Deus; por isso, a matança devia começar ali. Era como se Deus dissesse: “Começai aqui, para que o povo tome advertência quando vir o juízo cair sobre os sacerdotes e se arrependa e se corrija.” Começai ali, para que o mundo inteiro veja que o Senhor, cujo nome é Zeloso, é um Deus zeloso que mais odeia o pecado naqueles que estão mais perto dele. Quando os juízos saem, costumam começar pela casa de Deus (1 Pedro 4:17). “A vós somente conheci”, diz Deus, “portanto, eu vos punirei” (Amós 3:2).
O templo de Deus é refúgio para pecadores arrependidos, mas não é abrigo para quem persiste na rebeldia. Nem a santidade do lugar, nem a alta posição dos que ali estão os protegerão. Parece que os destruidores hesitaram em matar dentro do templo, mas Deus lhes diz para não recuarem. “Profanai a casa, e enchei de mortos os seus átrios.” Eles não seriam tirados de junto do altar, como a lei exigira em outro caso (Êxodo 21:14). Antes, como haviam tentado tornar‑se seguros agarrando‑se aos chifres do altar, como fez Joabe, assim também, como ele, deviam morrer ali (1 Reis 2:30, 1 Reis 2:31). Ali já havia sido derramado o sangue de um dos profetas de Deus (Mateus 23:35), e por isso o sangue deles também seria derramado naquele lugar. Se os servos da casa de Deus a contaminam com idolatria, com justiça Deus pode permitir que seus inimigos a contaminem com violência (Salmo 79:1). Contudo, esses atos de justiça necessária, qualquer que fosse o seu efeito cerimonial, eram na realidade uma purificação, não uma poluição. Eram a remoção do mal do meio deles.
Eles são também enviados à cidade. O pecado vai adiante do juízo, e o juízo vem logo atrás. Embora o juízo comece pela casa de Deus, não termina ali. A cidade santa não seria mais proteção para o povo ímpio do que a casa santa o fora para os sacerdotes ímpios.
Em segundo lugar, o juízo é executado exatamente como foi ordenado. Os destruidores obedecem às instruções. Começam pelos anciãos, os homens mais velhos que estavam diante da casa, e os matam primeiro. Eram ou os setenta anciãos que adoravam ídolos em seus aposentos (Ezequiel 8:12), ou os vinte e cinco que adoravam o sol entre o pórtico e o altar, que mais naturalmente podiam ser chamados de os que estavam diante da casa. Os que levam outros ao pecado podem esperar que os juízos de Deus os alcancem primeiro. Os pecados de homens que ocupam cargos mais altos e públicos pedem as punições mais claras e severas.
Depois eles passam ao povo em geral. Saem e ferem na cidade. Uma vez que o decreto de Deus é publicado, não há demora. Se Deus começa, ele também concluirá.
Em terceiro lugar, vemos a oração do profeta pedindo algum alívio nesse juízo e um adiamento para alguns. Enquanto eles feriam, e eu ficava só, diz Ezequiel, prostrei-me sobre o meu rosto. Observe como ele percebe profundamente a misericórdia de Deus em ser poupado quando tantos ao redor eram destruídos. Mil caíam à sua direita e à sua esquerda, e, no entanto, a destruição não chegou até ele. Ele via isso como pura misericórdia, não como algo que tivesse merecido. Mesmo os melhores santos devem reconhecer que vivem de misericórdia poupadora; de outro modo, já teriam sido consumidos. Quando juízos devastadores se espalham, e multidões caem, é uma grande misericórdia se a nossa vida nos é restituída como despojo arrancado do inimigo, pois com justiça poderíamos ter morrido com os que morreram.
Ele também faz bom uso dessa misericórdia. Entende que foi deixado com vida para se colocar na brecha e desviar a ira de Deus. Assim também devemos pensar. Se somos poupados, é para fazermos o bem onde Deus nos pôs, e especialmente para fazermos o bem pela oração. Ezequiel não se alegrou com a matança. A sua carne tremia de temor diante de Deus, como a de Davi (Salmo 119:120). Ele se prostrou e clamou, não por temer por si mesmo, pois estava entre os que tinham o sinal de proteção, mas por compaixão para com seus semelhantes.
Os que suspiram e choram pelos pecados dos pecadores não podem deixar de suspirar e chorar também por seus sofrimentos. Contudo, vem o dia em que toda essa tristeza será totalmente absorvida em uma única alegria: a de ver Deus plenamente honrado. Então, os que agora caem sobre o rosto clamando: “Ah! Senhor Deus”, levantarão a cabeça e cantarão: “Aleluia” (Apocalipse 19:1, Apocalipse 19:3).
O profeta suplica humildemente a Deus, perguntando se ele destruirá todo o restante de Israel, de modo que fiquem apenas os poucos que foram marcados. Será o povo de Deus totalmente consumido? Se restarem apenas alguns, também estes serão cortados, embora pudessem ser a semente de outra geração? E o Deus de Israel se tornará o seu destruidor? Agora ele destruiria Israel, a quem tantas vezes protegera e livrara? Derramaria a sua indignação sobre Jerusalém de tal forma que todo o país também ficasse arruinado? Certamente, diz o profeta, isso não acontecerá.
Devemos notar isto: mesmo reconhecendo que Deus é justo, ainda temos permissão de rogar diante dele a respeito de seus juízos (Jeremias 12:1).
Em quarto lugar, Deus recusa o pedido do profeta para suavizar o juízo e, ao fazê‑lo, explica a razão (Ezequiel 9:9, Ezequiel 9:10). Nada podia ser dito para diminuir a gravidade daquele pecado. Deus estava disposto a exercer misericórdia até onde o profeta ousava pedir. Ele sempre está pronto a mostrar misericórdia. Mas, neste caso, a situação não permitia. A misericórdia não podia ser concedida sem prejudicar a justiça, e não é correto defender um aspecto da glória de Deus à custa de outro. Não é do agrado do Todo-Poderoso destruir, especialmente destruir Israel. Mas seus pecados eram tão manifestos e tão graves que permitir que continuassem seria o mesmo que fazer vista grossa ao pecado.
A culpa da casa de Judá e de Israel era muito grande. Eles não podiam ser deixados vivendo como viviam. A terra estava cheia de sangue inocente, e quando o povo recorria aos tribunais da cidade em busca de socorro, o remédio era tão mau quanto a doença. A cidade estava cheia de distorção da justiça. E a mesma ideia incrédula e irreverente que sustentava a idolatria também sustentava as injustiças, como em (Ezequiel 8:12). Diziam: “O Senhor abandonou a terra. Ele a entregou em nossas mãos. Não se envolve. Não vê o que fazemos, ou, se vê, não nos pedirá contas.”
Como as pessoas podem esperar misericórdia de Deus quando desafiam abertamente a sua justiça? Ninguém pode defender crimes tão graves enquanto o pecador tenta se justificar com esse tipo de desculpa. Assim, nada pode ser feito para diminuir a sentença (Ezequiel 9:10). Deus declara: quanto a mim, meu olho não poupará, nem terei piedade. Eu os suporte até o limite do que se pode suportar de pecadores tão sem vergonha. Agora eu os recompensarei segundo as suas obras.
Os pecadores caem e perecem debaixo do peso dos próprios pecados. É o seu próprio caminho, o caminho que escolheram em vez do caminho de Deus, e no qual perseveraram, rejeitando teimosamente a palavra do Senhor, que recai sobre suas cabeças. Grande maldade justifica grande severidade. Deus está pronto para justificar a si mesmo, como faz aqui com o profeta, porque será reconhecido como justo quando julgar.
Em quinto lugar, o homem vestido de linho volta com o relatório sobre a ordem de proteção dada para guardar aqueles que lamentavam em Sião (Ezequiel 9:11). Ele prestou contas do que fizera ao cumprir a sua missão. Havia encontrado todos os que choravam em secreto por causa dos pecados da terra e que também davam testemunho público contra eles, e os havia marcado na testa. “Senhor, fiz conforme me ordenaste.”
Não lemos que os homens enviados para destruir tenham relatado a ruína que causaram, mas o que foi designado para proteger, esse prestou relatório de sua obra. Isso aconteceu porque seria mais agradável a Deus e ao profeta ouvir falar dos que foram salvos do que dos que se perderam. Ou este relatório foi apresentado agora porque a obra dele já estava concluída, enquanto a obra de destruição levaria tempo, e quando estivesse terminada, então também poderia ser relatada.
Vê-se aqui quão fiel é Cristo ao encargo que lhe foi confiado. Foi-lhe ordenado assegurar a vida eterna para o remanescente escolhido. Ele cumpriu o que lhe foi ordenado. De todos os que me deste, nenhum deles perdi.
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Deste capítulo
Ezequiel 9:1
"Então me gritou aos ouvidos com grande voz, dizendo: Fazei chegar os intendentes da cidade, cada um com as suas armas destruidoras na mão."
Ezequiel 9:2
"E eis que vinham seis homens a caminho da porta superior, que olha para o norte, e cada um com a sua arma destruidora na mão, e entre eles um homem vestido de linho, com um tinteiro de escrivão à sua cintura; e entraram, e se puseram junto ao altar de bronze."
Ezequiel 9:3
"E a glória do Deus de Israel se levantou de sobre o querubim, sobre o qual estava, indo até a entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que tinha o tinteiro de escrivão à sua cintura."
Ezequiel 9:4
"E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela."
Ezequiel 9:6
"Matai velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, até exterminá-los; mas a todo o homem que tiver o sinal não vos chegueis; e começai pelo meu santuário. E começaram pelos homens mais velhos que estavam diante da casa."
Ezequiel 9:7
"E disse-lhes: Contaminai a casa e enchei os átrios de mortos; saí. E saíram, e feriram na cidade."
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