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Ezequiel 9:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então me gritou aos ouvidos com grande voz, dizendo: Fazei chegar os intendentes da cidade, cada um com as suas armas destruidoras na mão. "

Ezequiel 9:1

menu_book Versículo no contexto

1 Então me gritou aos ouvidos com grande voz, dizendo: Fazei chegar os intendentes da cidade, cada um com as suas armas destruidoras na mão.

2 E eis que vinham seis homens a caminho da porta superior, que olha para o norte, e cada um com a sua arma destruidora na mão, e entre eles um homem vestido de linho, com um tinteiro de escrivão à sua cintura; e entraram, e se puseram junto ao altar de bronze.

3 E a glória do Deus de Israel se levantou de sobre o querubim, sobre o qual estava, indo até a entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que tinha o tinteiro de escrivão à sua cintura.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesses versículos vemos a convocação dos destruidores de Jerusalém. Aquele mesmo que apareceu ao profeta, que o trouxe a Jerusalém e lhe mostrou a maldade que havia ali, agora clama: “Fazei chegar os intendentes da cidade” (Ezequiel 9:1). O sentido pode ser também: “Os que têm o encargo da cidade estão se aproximando.” Deus acabara de dizer: “Eu os tratarei com furor” (Ezequiel 8:18), e agora mostra ao profeta quem executaria essa ira.

O profeta ouve isso “com grande voz”, o que mostra a intensidade de quem fala. Quando as pessoas são profundamente provocadas, levantam a voz. Os que não dão ouvidos aos avisos mansos de Deus às vezes são forçados a escutar suas ameaças. O profeta parece até relutar em ouvir, como quem recebe uma notícia que o entristece. Mas não há como evitar: o pecado deles não deixa desculpa, e o juízo não será adiado.

Esses não são simplesmente os exércitos da Babilônia. Eles seriam usados na destruição, mas eram apenas instrumentos. Os verdadeiros “visitantes” são os anjos de Deus, agora encarregados de devastar a cidade. Esses anjos antes tinham guardado e vigiado Jerusalém, mas agora vêm como agentes de juízo. Deus sempre tem ministros de ira prontos à sua ordem, poderes invisíveis pelos quais executa seus propósitos. O profeta vê isso em visão para que possa anunciar esses juízos com maior segurança.

A chegada deles é então descrita. Imediatamente vêm seis homens, um para cada um dos principais portões de Jerusalém (Ezequiel 9:2). Dois anjos destruidores foram enviados contra Sodoma, mas seis são enviados contra Jerusalém, mostrando como o juízo sobre Jerusalém será severo. Um anjo destruiu os primogênitos do Egito e outro feriu o arraial assírio, mas aqui o número é maior. Em Apocalipse, sete anjos derramam as taças da ira de Deus (Apocalipse 16:1). Cada um desses seis vem com uma arma de destruição na mão, pronto para a obra que lhe foi designada.

Eles vêm pelo caminho da porta alta, que olha para o norte (Ezequiel 9:2). Isso pode apontar para o fato de que os babilônios vinham do norte (Jeremias 1:14), ou para o ídolo de ciúmes que havia sido levantado junto à porta do norte do templo (Ezequiel 8:3, 8:5). Os anjos destrutores entram por ali, mostrando que foi por essa abertura que o juízo foi convidado a entrar. Muitas vezes o pecado marca exatamente o caminho por onde o juízo depois vem.

Eles também se colocam junto ao altar de bronze, onde eram oferecidos os sacrifícios e feita a expiação. De certo modo, atuam ao mesmo tempo como destruidores e como sacerdotes, não por ódio pessoal, mas por zelo pela honra e justiça de Deus. Aqueles que eles matam são tratados como vítimas oferecidas ao juízo divino. Ficam junto ao altar como se o defendessem e falassem em sua causa, porque Jerusalém o havia profanado terrivelmente. Ali recebem sua ordem, mostrando que a culpa de Jerusalém, como a casa de Eli, não podia ser expiada por sacrifícios (1 Samuel 3:14).

Um dos personagens se destaca dos outros por causa de suas vestes. Ele está vestido de linho, como um sacerdote, e traz à cintura um tinteiro de escrivão. Enquanto os outros seis usam armas, ele usa a pena. Muitos dos melhores intérpretes entendem que ele representa Cristo como Mediador, aquele que salva seu povo da espada da justiça divina. Um mediador é aquele que se coloca entre duas partes para trazer socorro e paz. Ele é também nosso sumo sacerdote, revestido de santidade, o que é simbolizado pelo fino linho (Apocalipse 19:8).

Como profeta, ele traz o tinteiro de escrivão. O livro da vida pertence ao Cordeiro, e as grandes verdades da lei e do evangelho são a sua escrita. O Espírito de Cristo fala por meio dos autores das Escrituras, de modo que a Bíblia é a revelação de Jesus Cristo. Isso é grande consolo para todos os verdadeiros crentes, porque, em meio a todos os destruidores e toda a destruição, ainda há um Mediador, um grande sumo sacerdote, que tem acesso no céu e é precioso para o seu povo na terra.

A visão então mostra a retirada da glória de Deus de sobre os querubins. Alguns entendem que se trata da manifestação habitual da glória de Deus entre os querubins, sobre o propiciatório no santo dos santos, que agora se afasta e não volta mais. Outros pensam que é a glória que o profeta já tinha visto em visão acima dos querubins, o que é mais provável. É chamada de a glória do Deus de Israel (Ezequiel 8:4), e ela se move para o limiar da casa, como se chamasse os servos para fora e os enviasse em sua missão.

Esse afastamento também mostrava que Deus os estava deixando. Quando Deus se retira, todo o bem se vai com ele. Ele não abandona um povo antes que eles primeiro o tenham expulsado.

Ele para primeiro no limiar, mostrando quão relutante está em ir embora. Também lhes dá tempo e motivo para o buscarem, para pedirem que volte e permaneça com eles. A retirada de Deus de um povo é gradual, mas as almas fiéis percebem logo o primeiro passo de seu afastamento. Ezequiel então viu que a glória do Deus de Israel se havia levantado de sobre o querubim; e o que é uma visão de anjos se Deus já se foi?

A parte seguinte é a ordem dada ao homem vestido de linho para proteger o remanescente fiel da ruína que se aproxima. Não lemos que esse Salvador tenha sido chamado e enviado como foram os destruidores, porque ele está sempre pronto, sempre aparecendo diante de Deus por nós. A ele, como o mais adequado, é confiado o cuidado daqueles que serão marcados para a salvação (Ezequiel 9:4).

Observe primeiro a marca desse remanescente que será salvo. São pessoas que suspiram e gemem. Suspiram dentro de si, como quem está em dor e aflição, e clamam a Deus em oração, com grande insistência, por causa de todas as abominações que se cometem em Jerusalém. Não eram só os ídolos que eram malignos; todos os outros pecados eram abomináveis a Deus. Esses poucos piedosos haviam falado contra tais pecados e feito o que podiam para detê-los, mas, quando todo esforço para reformar a vida e os costumes falhou, sentaram-se para suspirar e gemer, choraram em segredo e se queixaram a Deus. Entristeciam-se pela desonra feita ao nome de Deus pela maldade e pela ruína que isso trazia sobre sua igreja e sua nação.

Não basta que não nos agrademos dos pecados dos outros ou que não participemos deles. Devemos lamentá-los e tomá-los a peito. Devemos nos entristecer pelo que não conseguimos impedir, como quem odeia o pecado por aquilo que ele é e se importa profundamente com outras almas, como Davi (Salmo 119:136) e Ló, que se afligia em sua alma justa com o procedimento libertino dos seus vizinhos. Os pecados cometidos em Jerusalém eram particularmente dignos de lamento, porque eram particularmente ofensivos a Deus.

Observe agora o cuidado especial tomado com essas pessoas. É dada a ordem de procurar todos os que têm esse espírito piedoso: “Passa pela cidade à procura deles e, ainda que estejam espalhados e escondidos da fúria de seus inimigos, certifica-te de encontrá-los e pôr um sinal em suas testas.” Esse sinal significava várias coisas. Primeiro, mostrava que Deus os reivindicava como seus, e ele os reconhecerá no último dia. Uma obra de graça na alma é, para Deus, como um sinal na testa, que ele reconhecerá como seu.

Segundo, o sinal lhes dava certeza do favor de Deus, para que soubessem disso por si mesmos. O consolo dessa certeza seria grande auxílio em tempos difíceis. Por que nos angustiar tanto com esta vida breve, se sabemos, pelo sinal, que temos a vida eterna? Terceiro, guiava os destruidores quanto a quem deveriam poupar, assim como o sangue nos umbrais das portas mostrava quais casas pertenciam a Israel e onde o primogênito não deveria ser ferido. Os que se conservam puros em tempos de pecado generalizado, Deus guardará em tempos de calamidade generalizada. Os que se separam serão separados por Deus. Os que choram pelos pecados alheios não precisarão chorar por suas próprias desgraças, porque ou serão livrados delas, ou consolados nelas.

Deus colocará um sinal sobre os que se afligem por ele, registrará seus suspiros e recolherá suas lágrimas em seu odre. O selo na testa dos servos de Deus em (Apocalipse 7:3) é o mesmo sinal do cuidado de Deus por seu povo que vemos aqui. A única diferença é que aqui o sinal os protegeu da destruição, enquanto lá os protege de serem enganados, o que, no fim, dá no mesmo.

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