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Ezequiel 7:16 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E escaparão os que fugirem deles, mas estarão pelos montes, como pombas dos vales, todos gemendo, cada um por causa da sua iniqüidade. "

Ezequiel 7:16

menu_book Versículo no contexto

14 Já tocaram a trombeta, e tudo prepararam, mas não há quem vá à peleja, porque a minha ardente ira está sobre toda a sua multidão.

15 Fora está a espada, e dentro a peste e a fome; o que estiver no campo morrerá à espada, e o que estiver na cidade a fome e a peste o consumirão.

16 E escaparão os que fugirem deles, mas estarão pelos montes, como pombas dos vales, todos gemendo, cada um por causa da sua iniqüidade.

17 Todas as mãos se enfraquecerão, e todos os joelhos serão débeis como água.

18 E cingir-se-ão de sacos, e o terror os cobrirá; e sobre todos os rostos haverá vergonha, e sobre todas as suas cabeças, calva.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Já vimos o destino dos que foram mortos. Agora chegamos aos que tiveram uma chance de escapar do perigo. Alguns conseguirão fugir (Ezequiel 7:16), mas de que lhes adiantará? Será como se morressem de uma vez só, em vez de viverem uma vida miserável e morrerem mil mortes. Escaparão apenas como Caim, o primeiro homicida, que se tornou um fugitivo e errante, com medo de que qualquer um que o encontrasse o matasse.

Não terão paz nem consolo em seus próprios pensamentos. Viverão em medo constante e tristeza contínua, porque levarão consigo a consciência culpada para onde forem. Uma consciência culpada torna a própria pessoa um peso para si mesma. Viverão solitários e profundamente abatidos. Não permanecerão nas cidades nem em lugares de ajuntamento, mas se esconderão nos montes, como quem se envergonha do estado de miséria ao qual desceu e deseja evitar o convívio com os outros.

Estarão também em constante lamento. Os que vivem debaixo do desagrado de Deus têm bons motivos para chorar, e Deus sabe humilhar até aqueles que antes viviam ousados e descuidados. Os que se julgavam leões fortes e destemidos sobre os outeiros se tornarão como pombas tímidas nos vales. Tremerão ao menor alarme, prontos a fugir mesmo quando ninguém os persegue. Todos gemem, não com a tristeza segundo Deus que produz arrependimento, mas com a tristeza do mundo que produz morte. Cada um geme por causa da sua própria iniquidade, porque vê claramente que sua maldade trouxe sobre si esses males. Terão de reconhecer não só a culpa da nação, mas também a parte que cada um acrescentou a ela.

O pecado sempre traz tristeza, mais cedo ou mais tarde. Se as pessoas não se arrependem do pecado, podem ser justamente deixadas a definhar dentro dele. Se não choram o pecado por ser ofensa a Deus, acabarão chorando por ele quando se tornar sua vergonha e sua ruína. Vão se angustiar por fim, quando o corpo e o vigor já se tiverem ido, e então dirão: “Como aborreci a correção!” (Provérbios 5:11, 12).

Perderão também todas as forças, tanto do corpo quanto da mente (Ezequiel 7:17). Toda mão se enfraquecerá, de modo que já não conseguirão guerrear nem se defender. Todo joelho será fraco como água, de modo que não conseguirão fugir nem permanecer firmes. Toda a sua força desabará. Isso deveria ensinar os fortes a não se gloriarem na sua força, pois Deus pode tirá-la em um instante.

Perderão ainda toda esperança e se entregarão ao desespero (Ezequiel 7:18). Não terão nada que eleve seu ânimo. A aparência exterior refletirá a miséria interior. Vestirão pano de saco, a roupa áspera do luto, porque já não esperam usar roupas boas outra vez. Pavor, vergonha e calvície os cobrirão, sinais de uma tristeza extrema (Isaías 17:11). Os que não quiseram ser contidos do pecado pelo temor e pela vergonha serão castigados com temor e vergonha. Esse é o opróbrio em que o pecado termina.

Não tirarão proveito algum de sua riqueza e de seus bens, mas sentirão por eles profundo desgosto (Ezequiel 7:19). Esses homens tinham prata, ouro, dinheiro, utensílios finos, joias e outros bens valiosos. Em tempos de aperto, esperavam ser socorridos por essas coisas. Imaginavam que suas riquezas seriam para eles uma cidade forte. Pensavam poder subornar inimigos, comprar amigos, resgatar a própria vida e nunca passar fome enquanto tivessem dinheiro. Criam que o dinheiro resolveria tudo. Mas ele os deixará completamente na mão.

Suas riquezas já tinham sido um laço nos dias de prosperidade. Eles puseram o coração nelas e confiaram nelas. A corrida ansiosa atrás dos bens os levou ao pecado, e o gozo cheio desses bens os endureceu no pecado. Assim, as riquezas se tornaram o tropeço da sua iniquidade, aquilo que os fez cair e os impediu de voltar-se para Deus. Muitos têm sido arruinados por causa de suas riquezas. Ganhar o mundo lhes custou a alma. A riqueza pode tornar as pessoas orgulhosas, descuidadas, gananciosas, duras e entregues ao prazer. Aquilo que poderia ter sido ajuda para a devoção a Deus, se bem usado, transforma-se em ruína quando é abusado.

Agora, na angústia, seu ouro e sua prata não podem livrá-los dos juízos de Deus. Não podem livrá-los no dia do furor do Senhor. Não podem satisfazer a justiça de Deus nem desviar a sua ira. As riquezas de nada aproveitam no dia da ira (Provérbios 11:4). O dinheiro não pode colocar ninguém tão alto que os juízos de Deus não o alcancem, nem torná-lo tão forte que o juízo não o vença. Chegará um dia em que ficará claro que o dinheiro nada pode fazer para resgatar alguém. De que valeram os celeiros cheios para o rico, quando sua alma lhe foi exigida? De que valeram as roupas de púrpura e as iguarias ao outro rico, quando nem uma gota de água lhe foi concedida no inferno para refrescar a língua? O dinheiro não oferece defesa contra a morte, nem alívio na miséria dos condenados.

Seu ouro e sua prata também não lhes darão consolo em meio ao sofrimento. Não podem encher o estômago. Quando não houver mais pão na cidade, e nada puder ser comprado, nem por amor nem por dinheiro, as riquezas não podem matar a fome nem garantir uma única refeição. Podemos viver melhor sem minas de ouro do que sem campos de trigo. Os frutos da terra, que se colhem da superfície do solo, são bênção muito maior para os homens do que os tesouros que precisam ser escavados com tanto trabalho e risco. Se Deus nos dá o pão de cada dia, temos grande motivo para ser agradecidos, ainda que não tenhamos prata nem ouro.

Suas riquezas tampouco podem satisfazer a alma nem dar qualquer consolo interior. Os bens deste mundo não contêm o que a alma realmente deseja e não podem satisfazê-la em dia de angústia. Quem ama a prata nunca se fartará de prata, muito menos quando a perde.

Seu ouro e sua prata serão lançados nas ruas, quer pelas mãos do inimigo, quer pelas deles mesmos. Os invasores terão mais despojo do que conseguem levar, por isso a prata será tratada como coisa sem valor e jogada fora. O ouro, por ser mais precioso, pode ser levado a Babilônia. Ou o próprio povo lançará fora o ouro e a prata, porque só lhes atrapalham a fuga, os tornam alvo mais fácil ou os enchem de ira ao ver que todo o esforço de poupar e juntar não lhes aproveitou em nada.

É uma figura clara de como o mundo passa, e a sua concupiscência (1 João 2:17). Pode chegar um tempo em que os mundanos se cansem de suas riquezas, do mesmo modo que hoje se agarram a elas. E então os que tiverem menos poderão estar em posição mais segura.

Nem mesmo o templo de Deus lhes servirá de proteção (Ezequiel 7:20-22). Eles se gloriavam nele e esperavam que ele os mantivesse seguros (Jeremias 7:4; Miquéias 3:11), mas essa confiança cairá por terra. Deus havia honrado grandemente aquela nação, colocando seu santuário no meio dela. Ezequiel o chama de “a beleza do seu ornamento”, aquela casa santa e formosa em que seus pais louvavam a Deus (Isaías 64:11). Era belo porque era santo, e era ricamente adornado com ouro e ofertas. Deus o estabeleceu em esplendor, e tudo nele foi disposto para torná-lo glorioso, a fim de que Israel fosse tido em alta conta entre as nações vizinhas. Ele edificou o seu santuário como um grande palácio (Salmo 78:69). Desde o princípio era um trono glorioso (Jeremias 17:12).

Mas eles desonraram grandemente a Deus, contaminando o seu santuário. Colocaram ali imagens de deuses falsos, em aberta concorrência com o Deus verdadeiro. O texto as chama de suas abominações e coisas detestáveis, porque assim são aos olhos de Deus e assim deveriam ter sido também para o povo. Colocá-las no templo do Senhor foi um insulto chocante. Por isso Deus diz que afastará o templo deles, isto é, serão lançados para longe dele e perderão tanto os serviços quanto a bênção que ali havia.

Os mandamentos de Deus e os privilégios de pertencer ao seu povo, com toda razão, são tirados daqueles que os desprezam e profanam. E não só serão afastados do templo, mas o próprio templo entrará na ruína comum (Ezequiel 7:21). Os caldeus, invasores babilônios, são estrangeiros que não o respeitam, e ímpios que não o amam. Tomarão o templo como saque, junto com todos os seus enfeites e tesouros. Não farão diferença entre o templo e qualquer outro despojo.

Isso foi motivo de grande dor para os fiéis em Sião, que mais se queixavam das maldades cometidas no santuário (Salmo 74:3). Mas foi também o castigo dos pecadores em Sião. Eles haviam profanado o templo com falsos deuses, por isso Deus permitiu que fosse profanado por nações estrangeiras. Ele desviou o rosto tanto daqueles que praticavam tal obra, como se não visse nem a eles nem aos seus pecados, quanto daqueles que oravam contra isso, como se não ouvisse nem a eles nem às suas súplicas. Que os soldados façam o que quiserem, ainda que entrem no santo dos santos como ladrões. Que o despojem e o contaminem. Sua proteção se foi, e, com isso, toda a sua glória também se foi.

Os que não querem viver sob o poder da verdadeira piedade não são dignos de ser honrados com a aparência externa dela. Quem recusa a realidade interior do temor de Deus, da obediência e do arrependimento, não é apto a conservar, sem juízo, os sinais visíveis de devoção ou de privilégio espiritual.

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