Versículo em destaque
Ezequiel 37:15 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E outra vez veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "
Ezequiel 37:15
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
13 E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.
14 E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR.
15 E outra vez veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
16 Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e pelos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, vara de Efraim, e por toda a casa de Israel, seus companheiros.
17 E ajunta um ao outro, para que se unam, e se tornem uma só vara na tua mão.
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Aqui temos mais promessas grandíssimas e preciosas sobre o estado feliz dos judeus depois que voltassem para a sua própria terra. Mas essas promessas também apontam além disso, para o reino do Messias e para a glória dos tempos do evangelho.
Em primeiro lugar, é prometido que Efraim e Judá seriam unidos em amor fraternal e em serviço mútuo. Desde os dias em que as dez tribos se separaram da casa de Davi sob Jeroboão, havia contendas contínuas e amargura entre os reinos de Israel e de Judá. É bem possível que parte dessa hostilidade tenha continuado mesmo no cativeiro, com Efraim invejando Judá e Judá provocando Efraim. Isso chegaria ao fim. Eles se tornariam um só povo, e as divisões antigas dariam lugar ao amor e à bondade.
Isso é mostrado por um sinal. O profeta devia pegar dois pedaços de madeira e escrever em um: “Para Judá”, incluindo Benjamim e os outros israelitas que ficaram com Judá; e, no outro: “Para José”, isto é, para o restante das tribos (Ezequiel 37:16). Esses dois pedaços deveriam então ser ajuntados de modo que se tornassem um só em sua mão (Ezequiel 37:17). O povo notou isso e lhe perguntou o que significava, porque sabia que ele não estava apenas “brincando de pauzinhos” como crianças.
Os que querem entender devem perguntar pelo sentido da palavra de Deus quando a leem ou ouvem, e também pelo significado dos sinais e ações que Deus usa para mostrar verdades espirituais. Os lábios do ministro devem guardar o conhecimento, e o povo deve buscar a instrução por meio dele (Malaquias 2:7). Essa é uma pergunta necessária tanto para adultos quanto para crianças: O que significa este serviço, este sinal? (Êxodo 12:26). O sentido aqui era que Judá e Israel se tornariam um só na mão de Deus (Ezequiel 37:19).
Eles seriam uma só nação (Ezequiel 37:22). Já não teriam interesses separados, e assim já não teriam corações divididos. Não haveria mais ciúme, nem ira, nem lembrança persistente das velhas contendas. Em vez disso, haveria plena harmonia, bom entendimento, boa vontade e prontidão em ajudar uns aos outros para honra e consolo mútuos. Antes, tinham sido como dois pedaços de madeira se cruzando, atrapalhando-se e até ferindo-se. Agora seriam um só, sustentando-se e fortalecendo-se mutuamente. É algo muito bom quando pessoas que por muito tempo estiveram em desavença passam a viver juntas em unidade.
Eles também seriam um na mão de Deus. Pelo seu poder, ele os juntaria, e pela mesma mão os manteria unidos para que não se separassem outra vez. A glória de Deus seria o centro da sua unidade, e a sua graça seria o laço que os prenderia. Nele, e na dedicação a ele, eles se uniriam e assim se tornariam um só. De ambos os lados concordariam em colocar-se na mão dele, e isso os tornaria um só povo. Aqueles que concordam em um terceiro ponto concordam entre si. A melhor unidade é a dos que são um na mão de Deus, porque a união que têm uns com os outros provém da união com Cristo e da comunhão com Deus por meio dele (Efésios 1:10). Eles são um em Deus (João 17:21).
Eles também seriam um no retorno do cativeiro (Ezequiel 37:21). Deus diz: “Eu os tirarei dentre as nações, os ajuntarei de todas as terras e os trarei à sua terra”. Eles seriam um ao deixarem as nações entre as quais se misturaram. Todos concordariam em afastar-se delas, tirar delas o coração e deixar de seguir os seus costumes. Assim, logo estariam prontos a andar juntos pela regra da palavra de Deus. Os sofrimentos compartilhados ajudariam a produzir essa unidade. Quando as pessoas começam a voltar em si e a pensar com sobriedade, as aflições podem amolecer seus corações umas para com as outras. Se muitos pedaços de metal são lançados à fornalha e fundidos, todos correm juntos, se unindo.
Era hora de se fortalecerem mutuamente, já que seus opressores trabalhavam com tanto empenho para enfraquecer e destruir a todos. As bênçãos comuns também contribuiriam para uni-los. Todos participariam do favor de Deus e do grande livramento que ele operaria por eles. O amor de Deus por todos eles era forte motivo para que se amassem entre si. Tempos de alegria compartilhada, assim como tempos de sofrimento comum, devem ser tempos de cura e de união entre as pessoas.
Eles também estariam todos debaixo de um só rei, e assim se tornariam um. Depois do retorno do exílio, os judeus ficaram sob um único governo, sem a antiga divisão. Mas isso aponta ainda mais para frente, para o reino de Cristo. Ele é aquele único Rei em quem todo o Israel espiritual de Deus se une com alegria e sob cuja proteção é reunido. Todos os crentes são unidos em um só Senhor, uma só fé e um só batismo. A união de judeus e gentios na igreja do evangelho, tornando-se um só rebanho sob Cristo, o grande e único Pastor, é certamente o principal alvo para o qual essa profecia aponta. Por meio de Cristo, a parede de separação entre eles foi derrubada, a inimizade foi morta e os dois foram feitos um só novo homem (Efésios 2:14-15).
Em segundo lugar, é prometido que os judeus seriam curados do seu amor aos ídolos por meio do cativeiro. Essa aflição produziria um bom resultado: a remoção do pecado deles (Ezequiel 37:23). “Eles não se contaminarão mais com os seus ídolos”, essas coisas odiosas e poluidoras, “nem com qualquer das suas outras transgressões”. Quando alguém realmente se converte de um pecado, converte-se de todo pecado, porque quem odeia o pecado como pecado há de odiar todo pecado. Os que são curados da idolatria espiritual, de colocar amor excessivo no mundo ou na carne, e que já não fazem um deus do dinheiro ou dos apetites, têm a raiz de todos os outros pecados atingida.
Deus usará dois meios para curá-los da idolatria. Primeiro, ele os tirará dos lugares onde a tentação os prendeu: “Eu os salvarei de todas as suas habitações em que pecaram”. Ali eles encontravam as ocasiões de pecado e a atração para ele. É sábio evitar os lugares onde frequentemente fomos vencidos pela tentação, e não permanecer nem voltar a eles. Devemos sair deles como quem foge de um lugar infectado (Zacarias 2:7; Apocalipse 18:4). É grande misericórdia quando Deus, pela sua providência, nos tira dos lugares onde pecamos e nos livra do mal, mantendo-nos afastados dos caminhos do mal, em resposta à nossa oração: “Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”.
Em segundo lugar, mudando a disposição interior deles, Deus diz: “Eu os purificarei” (Ezequiel 37:28). Isso quer dizer que ele os santificará, separando-os para si. Ele operará neles ódio à imundícia do pecado e verdadeiro prazer na santidade. Então, certamente deixarão de se contaminar com os seus ídolos. Aqueles que Deus purificou, ele também manterá puros.
Em terceiro lugar, é prometido que eles serão o povo de Deus, e ele será o seu Deus, tendo Davi, servo de Deus, por seu rei e pastor. Essas promessas já haviam sido dadas antes, e são repetidas aqui para encorajar a fé de Israel (Ezequiel 37:23, Ezequiel 37:24). Eles serão o seu povo, servindo-o, e ele será o seu Deus, salvando-os e tornando-os felizes. Davi, o servo de Deus, será rei sobre eles, lutando as suas batalhas, protegendo-os do mal e governando todas as coisas para o bem deles. Ele será o seu pastor, guiando-os e provendo por eles. Cristo é esse Davi, o antigo Rei de Israel; e aqueles que ele traz para debaixo do seu governo, tornando-os voluntários no dia do seu poder, ele também os ensina a andar nos seus juízos e a guardar os seus mandamentos.
Em quarto lugar, é prometido que habitarão em paz e conforto (Ezequiel 37:25, Ezequiel 37:26). Viverão na terra de Israel, pois onde mais deveriam viver os israelitas? Muitas coisas tornarão agradável a sua morada ali. Possuirão a terra por aliança, voltando a ela sob o antigo título, pela concessão feita a Jacó, servo de Deus. Assim como Cristo é Davi, o servo de Deus, a igreja também é Jacó, seu servo, e os membros da igreja recebem sua parte como aqueles que nascem na casa de Deus. Ele fará com eles uma aliança de paz (Ezequiel 37:26) e, em fidelidade a essa aliança, os firmará e os multiplicará. As bênçãos temporais são duplamente doces quando vêm da promessa da aliança, e não apenas da providência comum.
Eles também voltarão à terra por herança. É a terra em que seus pais habitaram e, portanto, naturalmente a amam de modo especial, e Deus bondosamente concederá esse desejo. Era a herança de seus antepassados, e assim será deles. Eles são amados por causa de seus pais. Terão também a terra transmitida a seus filhos e netos, com suas famílias sendo edificadas de modo que a terra não se perca por falta de herdeiros. Viverão ali todos os seus dias e nunca mais serão expulsos. Deixarão a terra como herança para seus filhos e netos para sempre, que a desfrutarão depois deles, e essa esperança será para eles um grande consolo.
Eles também viverão debaixo de um bom governo, e isso acrescentará muito à sua paz. “Meu servo Davi será seu príncipe para sempre.” Isso não pode se referir a outro senão a Cristo, sobre quem foi dito em seu nascimento que ele reinaria eternamente sobre a casa de Jacó (Lucas 1:33). É grande consolo para todo o povo fiel de Cristo saber que o seu reino dura para sempre, e que ele é um Rei eterno. Ele vive para reinar para sempre, e, com a mesma certeza e pelo mesmo tempo que ele vive e reina, eles também viverão e reinarão com ele. A “carta” pela qual eles recebem todas essas bênçãos é firme e não pode ser quebrada. A aliança de Deus com eles será uma aliança eterna, como é a aliança da graça, porque garante para nós uma felicidade eterna.
Em quinto lugar, é prometido que Deus habitará entre eles, e isso tornará a sua vida verdadeiramente consoladora. “Porei o meu santuário no meio deles para sempre, e o meu tabernáculo estará com eles” (Ezequiel 37:26, Ezequiel 37:27). Eles terão os sinais da presença especial de Deus e de sua permanência graciosa entre eles. Deus de fato habitará com eles na terra, pois onde está o seu santuário, ali ele está. Quando eles profanaram o seu santuário, ele o tirou do meio deles (Isaías 64:11), mas agora, tendo sido purificados, ele voltará a habitar com eles.
Eles também terão oportunidade de falar com Deus, ouvir a sua voz e manter comunhão com ele, o que será o consolo de suas vidas. Terão os meios de graça. Por meio das mensagens de Deus em seu tabernáculo, eles se tornarão mais sábios e melhores, e todos os seus filhos serão ensinados pelo Senhor. Assim, a relação de aliança deles com Deus se tornará mais forte: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” Eles saberão disso por terem o seu santuário no meio deles e desfrutarão o consolo dessa presença.
Em sexto lugar, tanto Deus quanto Israel serão honrados entre as nações por isso (Ezequiel 37:26). Naquele tempo as nações viam como Israel havia desonrado a sua própria glória pelo pecado, e como Deus também a havia desonrado pelos seus juízos. Mas então, quando Israel for reformado e Deus voltar a eles em misericórdia, até as nações saberão que o Senhor é quem santifica Israel, e que tem sobre eles um direito e um interesse maiores do que sobre os demais povos, porque o seu santuário está e permanecerá no meio deles. Deus tem o propósito de santificar aqueles entre os quais estabelece o seu santuário. Bem-aventurados e santos são os que desfrutam dos privilégios do santuário e mostram sinais claros de que foram santificados, de modo que as nações possam ver que nada menos que a graça onipotente de Deus os tornou santos. Essas pessoas têm o santuário de Deus no meio delas, o reino de Deus dentro delas, nos princípios da vida espiritual, e o terão assim para sempre nas alegrias da vida eterna.
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Deste capítulo
Ezequiel 37:1
"Veio sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos."
Ezequiel 37:2
"E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos."
Ezequiel 37:3
"E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor DEUS, tu o sabes."
Ezequiel 37:4
"Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor."
Ezequiel 37:5
"Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis."
Ezequiel 37:6
"E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor."
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