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Ezequiel 16:44 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este provérbio, dizendo: Tal mãe, tal filha. "

Ezequiel 16:44

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42 Assim satisfarei em ti o meu furor, e os meus ciúmes se desviarão de ti, e me aquietarei, e nunca mais me indignarei.

43 Porquanto não te lembraste dos dias da tua mocidade, e me provocaste à ira com tudo isto, eis que também eu farei recair o teu caminho sobre a tua cabeça, diz o Senhor DEUS, e não mais farás tal perversidade sobre todas as tuas abominações.

44 Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este provérbio, dizendo: Tal mãe, tal filha.

45 Tu és filha de tua mãe, que tinha nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tinham nojo de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi hetéia, e vosso pai amorreu.

46 E tua irmã, a maior, é Samaria, ela e suas filhas, a qual habita à tua esquerda; e a tua irmã menor, que habita à tua mão direita, é Sodoma e suas filhas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O profeta continua mostrando a Jerusalém os seus pecados, comparando-a com lugares que existiram antes dela. Ele prova que ela estava pior do que todos eles, de modo que sua ruína era merecida e completa. Muitas vezes nos avaliamos por comparação e achamos que estamos bem se formos apenas “tão bons” quanto os outros. Podemos até nos sentir seguros se não formos tão maus quanto as piores pessoas ao nosso redor.

Deus, por meio do profeta, primeiro mostra que Jerusalém era tão má quanto sua mãe, isto é, os cananeus amaldiçoados que habitavam a terra antes de Israel. Costuma-se usar um provérbio assim: tal mãe, tal filha (Ezequiel 16:44). Jerusalém era de fato filha de sua mãe, porque os judeus se tornaram semelhantes aos cananeus em temperamento e desejos. O caráter da mãe era de adultério e ódio ao marido e aos filhos, e o mesmo se via na filha. Ela abandonou o guia da sua mocidade e tratou com crueldade os filhos do seu próprio ventre.

Quando Deus trouxe Israel para Canaã, advertiu claramente para que não seguissem as abominações dos povos que lá viviam, porque foram justamente esses pecados que trouxeram juízo sobre eles (Levítico 18:27, 28). Os monumentos da idolatria, e até mesmo os idólatras que restaram, seriam uma tentação constante. Mas Israel aprendeu os seus caminhos e andou em seus passos. Apegou-se tanto aos ídolos de Canaã quanto os próprios cananeus haviam se apegado (Salmo 106:38). Nesse sentido, podia-se dizer com verdade que a mãe deles era heteia e o pai amorreu (Ezequiel 16:45), pois se pareciam mais com essas nações do que com Abraão e Sara.

Em segundo lugar, Jerusalém era pior do que suas irmãs, Sodoma e Samaria, que também eram adúlteras, cansadas do Deus verdadeiro e ávidas por novos deuses e novas modas religiosas. O profeta desenvolve essa comparação para envergonhar Jerusalém até o arrependimento, ou para mostrar que Deus é justo ao julgá-la. Samaria é chamada de irmã mais velha, ou maior, porque era uma cidade e um reino maiores, mais ricos, importantes e mais próximos de Israel. Sodoma é a irmã menor, e suas cidades ao redor são incluídas com ela. Samaria fora destruída pouco tempo antes por causa de sua infidelidade espiritual, enquanto Sodoma havia sido destruída há muito tempo por causa da imoralidade carnal (Judas 1:7).

Jerusalém participava dos pecados de Sodoma, especialmente dos listados em Ezequiel 16:49. Esta era a iniquidade de Sodoma, e se dá a entender que era também a iniquidade de Jerusalém: orgulho, fartura de pão e próspera ociosidade. O pecado mais chocante de Sodoma, a busca de carne estranha, não é mencionado aqui porque já era bem conhecido. Em vez disso, o profeta destaca os pecados que abriram a porta para aquele mal e ajudaram a encher a medida de sua culpa.

O orgulho é o coração se levantando acima de Deus e acima do próximo. Foi o primeiro pecado que transformou anjos em demônios e o jardim do Senhor em cenário de miséria. O orgulho dos sodomitas se manifestou no desprezo pelo justo Ló e na recusa em aceitar sua correção. Esse orgulho os conduziu à destruição. A glutonaria é chamada aqui de fartura de pão. Deus lhes havia mostrado misericórdia, dando-lhes abundância, mas eles pecaram abusando desse dom. Empanturraram-se de comida e bebida e usaram os dons de Deus para alimentar suas concupiscências em vez de sustentar a própria vida.

O terceiro pecado foi a ociosidade, ou abundância de preguiça, aversão ao trabalho e amor ao conforto. A terra deles era fértil, e suas riquezas vinham com facilidade, o que os tornou descuidados e indolentes. Essa preguiça os preparou para os pecados vergonhosos que atraíram sobre eles o fogo do céu. A ociosidade abre a porta para muitos pecados. Os homens de Sodoma, que eram ociosos, eram maus e grandes pecadores contra o Senhor (Gênesis 13:13). Água parada acumula sujeira, e um pássaro imóvel torna‑se alvo fácil para o caçador. Quando Davi ficou em casa, em vez de sair à guerra, viu Bate-Seba. Como diz um antigo provérbio, por que Egisto se tornou adúltero? A resposta é clara: porque estava ocioso.

O quarto pecado foi a opressão. Sodoma não fortaleceu as mãos do pobre e do necessitado. Pode até significar que ela os enfraqueceu e esmagou. No mínimo, era um grande mal que, com tanta riqueza, poder e tempo livre, nada fizesse para aliviar a miséria dos pobres. Quem tem o estômago cheio pode empregar bem o seu tempo ajudando os necessitados, e não precisa ser tão ocioso quanto costuma ser.

Esses eram os pecados de Sodoma, e eram também os pecados de Jerusalém. Seu orgulho, que era a raiz de todo o mal, é mencionado novamente em Ezequiel 16:50. Eles se ensoberbeceram e cometeram horríveis abominações diante de Deus. Costuma-se chegar à grande impiedade passo a passo. Ninguém se torna completamente corrupto de uma vez. Mas, quando o orgulho domina uma pessoa, ela já está a caminho de toda sorte de mal.

Por fim, os pecados de Jerusalém eram ainda piores do que os de Sodoma e Samaria. Sua culpa era mais pesada aos olhos de Deus, seja pela natureza dos pecados, seja pelos privilégios adicionais que ela possuía. Ela não apenas copiou os caminhos delas, mas foi além em maldade (Ezequiel 16:47). Achou pouco fazer o que elas faziam. Zombou delas como pecadoras tímidas e tolas, querendo ser mais ousada, mais hábil e mais arrojada no mal. Quis pecar mais abertamente contra a própria consciência e desafiar a Deus e à religião com maior atrevimento.

Jerusalém era mais refinada e, por isso, pecou com mais arte e sutileza que Sodoma ou Samaria. Tinha também mais riqueza e poder, e seu governo era mais absoluto. Isso lhe dava mais oportunidades de oprimir os pobres e de espalhar influência danosa ao seu redor do que aquelas duas cidades possuíam.

Jerusalém tinha o templo, a arca, o sacerdócio e os reis da linhagem de Davi. Por isso, sua maldade provocava ainda mais a Deus do que os pecados de Sodoma e Samaria, pois Jerusalém tinha maiores privilégios e mais meios de graça. Sodoma não havia procedido como Jerusalém procedera (Ezequiel 16:48). Isso concorda com o que Cristo diz, que será mais tolerável para a terra de Sodoma, no dia do juízo, do que para aqueles que o rejeitaram (Mateus 11:24).

O reino do norte, das dez tribos, também havia sido muito pecador, e ainda assim Samaria não cometeu metade dos pecados de Jerusalém (Ezequiel 16:51). Não cultuou a metade dos ídolos, nem matou a metade dos profetas que Jerusalém matou. Já era mal suficiente que o povo de Jerusalém compartilhasse os pecados de Sodoma, inclusive aqueles que deram a Sodoma o seu nome infame (1 Reis 14:24; 2 Reis 23:7). Mesmo tendo o mar Morto, sinal permanente do pecado e da ruína de Sodoma, fazendo fronteira com a sua terra (Números 34:12), eles não se deixaram advertir. Deus destruiu Sodoma e suas cidades da maneira que escolheu, para que sua queda servisse de exemplo às gerações futuras que vivessem ímpiamente (2 Pedro 2:6).

Por causa disso, Jerusalém acabou, de certo modo, justificando Sodoma e Samaria em comparação com ela mesma (Ezequiel 16:51). Antes, ela desprezava aquelas cidades e as condenava, e em tempos anteriores, quando ainda conservava alguma integridade, de fato as julgava (Ezequiel 16:52). Mas agora, posta ao lado de Jerusalém, Sodoma e Samaria pareciam menos culpadas. Isso não absolve Sodoma, mas condena Jerusalém com ainda mais força, porque Sodoma e Samaria se levantarão em juízo contra ela.

Por esse motivo, Jerusalém deveria ter sentido profunda vergonha. Ela havia julgado suas irmãs e lançado opróbrio sobre elas, mas agora precisava carregar a sua própria vergonha pelos pecados que cometera, agravados pelo fato de serem pecados tão próprios dela (Ezequiel 16:52). Isso pode ser lido como aviso de ruína futura — “tu levarás a tua vergonha” — ou como chamado ao arrependimento — “envergonha-te e reconhece a tua culpa”. Muitas vezes os pecadores começam a deixar o pecado quando realmente se envergonham dele.

Assim, eles iriam para o cativeiro e lá permaneceriam, para que fossem humilhados por tudo o que fizeram, especialmente porque se tornaram conforto e exemplo para Sodoma e Samaria no mal (Ezequiel 16:54). Uma das piores coisas a respeito do pecado é que o nosso pecado pode encorajar outros a pecar. É uma culpa gravíssima consolar os outros naquilo que só lhes causará dor, se não se arrependerem.

Jerusalém também deveria se envergonhar porque, no tempo de seu orgulho, tratara Sodoma com escárnio. “Nem por ouvir falar de tua irmã Sodoma não falavas no dia da tua soberba” (Ezequiel 16:56). Eles agiam como se Sodoma fosse indigna até de ser mencionada, jamais imaginando que a própria Jerusalém viria a ter um nome pior e mais vergonhoso que o de Sodoma. Aqueles que estão no alto ainda podem acabar ao lado daqueles que desprezam. Ou isso pode significar que ignoraram o aviso que a ruína de Sodoma deveria lhes trazer. Se os judeus tivessem falado com seriedade, com frequência, sobre a ira de Deus contra a impiedade de Sodoma, talvez isso os tivesse mantido em temor e impedido de seguir o mesmo caminho. Em vez disso, mantiveram esse aviso à distância e não quiseram ouvi-lo.

Agora Deus declara quais desolações já tinha trazido, e ainda traria, sobre Jerusalém por causa desses pecados, pecados nos quais ela tinha ido além de Sodoma e Samaria. Ela já havia sido envergonhada entre os vizinhos antes mesmo de sua maldade ser plenamente exposta (Ezequiel 16:57). Antes que seu pecado se tornasse aberto e descarado, ela já havia provado o castigo justo de suas luxúrias ocultas, quando foi afrontada pelas filhas da Síria e dos filisteus, e por todos ao seu redor. Isso pode apontar para as invasões nos dias de Acaz, quando a Síria e os filisteus humilharam Judá (2 Crônicas 28:5, 18). Quem se desonra entregando-se às paixões será, com justiça, exposto à desonra diante de seus inimigos.

Também vale notar que Deus primeiro enviou inimigos menos severos para envergonhá-los, antes de enviar inimigos mais fortes para destruí-los. Se um juízo menor produzisse o efeito desejado, Ele não enviaria um maior. “Nisso levaste a tua lascívia” (Ezequiel 16:58). Os que não deixam o pecado por arrependimento e mudança de vida serão levados a carregar o peso de seu pecado em vergonha.

Jerusalém já estava no cativeiro, ou prestes a entrar nele, e Deus trataria com ela como ela havia tratado com Ele (Ezequiel 16:59). Ele a deixaria como ela O havia deixado, e a lançaria fora como ela O havia lançado, porque desprezara o juramento, quebrando a aliança. Isso se refere, muito provavelmente, à aliança que Deus fez com seus pais no monte Sinai, pela qual tomou a eles e aos seus filhos como Seu povo especial. Eles se consolavam pensando que, como Deus continuara a lhes mostrar favor apesar da rebeldia, continuaria a fazê-lo. Mas Deus declara que não: eles tinham quebrado a aliança com Ele e desprezado tanto as promessas quanto as exigências dela. Os que não querem permanecer fiéis a Deus não têm motivo para esperar que Ele continue a reconhecê-los como Seu povo.

O cativeiro e a ruína dos judeus ímpios seriam tão finais e irreversíveis quanto a ruína de Sodoma e Samaria. A maioria dos intérpretes entende Ezequiel 16:53 e 16:55 dessa forma, como advertência.

Quando Deus diz: “Trarei de volta a sorte de Sodoma e Samaria”, e quando elas voltarem ao seu primeiro estado, então também trarei de volta a sorte dos teus cativos no meio delas e, por assim dizer, por causa delas e sob sua sombra e proteção, porque são mais justas do que tu, e então tu voltarás ao teu primeiro estado. Mas Sodoma e Samaria jamais foram restauradas, e nunca retornaram ao seu estado anterior. Assim, Jerusalém — isto é, o povo que ainda restava ali — não deveria esperar isso. Em vez disso, Deus os tiraria dali e os entregaria a todos os reinos da terra, para mal deles (Jeremias 24:9, Jeremias 24:10).

Seria mais fácil os sodomitas se levantarem do mar de sal, e os samaritanos voltarem da terra da Assíria, do que Jerusalém voltar a desfrutar de paz e prosperidade. Para vergonha do povo de Judá, chega a ser consolador para as dez tribos, espalhadas e cativas, ver que as duas tribos, que tinham sido tão más quanto elas, ou piores, também estavam espalhadas e cativas do mesmo modo. Assim, viverão e morrerão, permanecerão e cairão, juntos. Os ímpios de ambos perecerão juntos, e os justos de ambos voltarão juntos.

A lição é clara: os que fazem o que os piores pecadores fazem devem esperar sofrer como eles sofrem. “Seja o meu inimigo como o ímpio.”

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