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Êxodo 32:7 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido, "

Êxodo 32:7

menu_book Versículo no contexto

5 E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e apregoou Arão, e disse: Amanhã será festa ao Senhor.

6 E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se a folgar.

7 Então disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido,

8 E depressa se tem desviado do caminho que eu lhe tinha ordenado; eles fizeram para si um bezerro de fundição, e perante ele se inclinaram, e ofereceram-lhe sacrifícios, e disseram: Este é o teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito.

9 Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui Deus revela a Moisés o que estava acontecendo no arraial enquanto ele estava ausente (Êxodo 32:7, 8). Deus poderia tê-lo informado antes, assim que o povo começou a pecar, e mandá-lo descer imediatamente para deter o mal. Em vez disso, Deus permitiu que o pecado chegasse até esse ponto, por razões sábias e santas, e então enviou Moisés para lidar com a situação. Não é vergonha alguma para a santidade de Deus que ele permita o pecado, pois sabe como contê-lo quando quer e como fazer até mesmo o pecado servir, finalmente, à sua própria glória.

Note o que Deus diz sobre esse pecado. Primeiro: “se tem corrompido”. O pecado é a ruína e a deformação do próprio pecador, e é uma ruína auto‑causada. Cada um é tentado quando é atraído e engodado pela sua própria cobiça. Segundo: “se desviaram do caminho”. O pecado é um desvio do caminho do dever para uma vereda lateral. Eles haviam prometido fazer tudo o que Deus ordenasse e começaram bem, mas agora tinham perdido o rumo.

Em terceiro lugar, eles se desviaram depressa, muito pouco tempo depois de a lei ter sido dada e de terem prometido obediência. Também pouco tempo depois de Deus lhes ter feito tão grandes benefícios e lhes ter prometido bênçãos ainda maiores. Esqueceram-se logo das obras do Senhor. É especialmente grave cair em pecado logo depois de renovarmos nossos compromissos com Deus, ou logo após recebermos dele uma misericórdia especial. Em quarto lugar, Deus declara claramente o que eles fizeram: “fizeram um bezerro e o adoraram”. Aquilo que as pessoas conseguem esconder dos governantes humanos está totalmente descoberto diante de Deus. Ele vê o que ninguém consegue descobrir, e nenhum mal no mundo fica oculto aos seus olhos.

Em quinto lugar, Deus fala como se estivesse pondo o povo de lado: “Teu povo, que fizeste subir do Egito”. É como se dissesse: “Não os reconhecerei como meus, nem terei algo a ver com eles”. Aqueles que se arruinam pelo pecado não apenas envergonham a si mesmos, como ainda fazem com que a bondade de Deus para com eles pareça, aos olhos humanos, algo que terminou em desonra. Em sexto lugar, Deus manda Moisés voltar imediatamente: “Vai, desce”. Moisés deve deixar até mesmo sua comunhão íntima com Deus para cumprir o dever no meio do povo, assim como Josué mais tarde teve de fazer (Josué 7:10). Tudo é belo quando acontece no tempo certo.

Deus também manifesta sua ira contra Israel e sua justiça quando fala em destruí-los (Êxodo 32:9, 10). Ele descreve o verdadeiro caráter deles: são um povo obstinado, de dura cerviz, que não quer se submeter à lei de Deus. Estão dominados, por assim dizer, por um espírito de resistência, contrários ao bem e inclinados ao mal. O Deus justo vê não apenas o que fazemos, mas o que somos. Ele considera a inclinação do coração tanto quanto as ações da vida, e lida conosco levando isso em conta.

Deus então declara o que eles merecem: que sua ira se acenda contra eles e os consuma de uma vez, apagando o seu nome de debaixo do céu (Deuteronômio 9:14). Isso significaria não apenas lançá-los fora da aliança, mas tirá-los do mundo. O pecado nos expõe à ira de Deus; e, se a misericórdia não desviar essa ira, ela nos consumirá como palha seca. Seria justo que Deus deixasse a lei seguir seu curso completo contra os pecadores e os cortasse no próprio ato do pecado.

Deus também diz a Moisés: “Deixa-me”, para impedi-lo de interceder. Moisés não poderia deter a mão de Deus se Deus tivesse decidido, de forma plena e definitiva, destruí-los. Quando Deus se determina a abandonar um povo, nenhuma oração pode impedir isso (Ezequiel 14:14; Jeremias 15:1). Contudo, Deus fala assim para mostrar a grandeza do seu desagrado e utilizando uma forma humana de expressão, como fazem as pessoas quando se recusam a ouvir qualquer pedido em favor daqueles que planejam castigar. Ao mesmo tempo, ele confere honra à oração, mostrando que somente a intercessão de Moisés poderia livrá-los da ruína. Dessa maneira, Moisés se torna um tipo de Cristo, por cuja mediação somente Deus reconciliaria consigo o mundo.

Para destacar ainda mais a intercessão de Moisés, Deus também lhe oferece fazer dele uma grande nação, se ele não interceder por Israel. Deus poderia levantar tal nação dos descendentes de Moisés mais adiante, ou poderia suscitar outro grande povo sob sua liderança. Em qualquer caso, Moisés não sairia perdendo com a destruição de Israel. Se fosse egoísta, poderia ter aceitado a proposta. Em vez disso, ele valoriza mais a salvação de Israel do que a exaltação da própria família. Isso revela o tipo de homem apto para governar outros.

Então Moisés passa a suplicar intensamente a Deus em favor do povo (Êxodo 32:11-13). Ele rogou ao Senhor, seu Deus. Se, por um tempo, Deus não quisesse ser chamado de Deus de Israel, Moisés ainda esperava poder falar com ele como seu próprio Deus. Qualquer acesso que tivermos ao trono da graça deve ser usado em favor da igreja e de nossos irmãos. Moisés se colocou na brecha para desviar a ira de Deus (Salmo 106:23). Ele percebeu a deixa nas palavras de Deus: “Deixa-me”. Embora isso soasse como uma advertência, na verdade era um encorajamento, mostrando quão poderosa é, para com Deus, a oração de fé. Quando não há intercessor, o próprio Deus se admira de que não haja quem interceda (Isaías 59:16).

Moisés ora: “Converte-te do furor da tua ira” (Êxodo 32:12). Ele não nega que Deus esteja irado com justiça. Pede apenas que Deus não se ire a ponto de destruí-los. Em essência, roga que a misericórdia triunfe sobre o juízo e que a sentença de destruição seja transformada em disciplina. Moisés então apresenta vários motivos, não para forçar a vontade de Deus, mas para expressar a própria fé e aquecer o seu coração na oração.

Primeiro, ele apela ao interesse de Deus naquele povo e a tudo o que Deus já tinha feito por eles (Êxodo 32:11). Deus dissera: “teu povo, que fizeste subir do Egito” (Êxodo 32:7), mas Moisés, humildemente, os devolve a Deus: “Eles são o teu povo. Tu és o Senhor e dono deles. Eu sou apenas teu servo. Tu os tiraste do Egito; eu fui apenas o instrumento em tuas mãos”. Tudo aquilo foi realizado para a libertação deles, e somente Deus poderia fazê-lo. Ainda que fossem povo de Deus, o que tornava o pecado mais grave, isso também era motivo para que não fossem destruídos totalmente. Um pai pode, com razão, corrigir o filho, mas é contra a própria natureza de um pai matar o filho. O fato de Deus já ter demonstrado tanta bondade a eles também era um forte argumento: “Tu os tiraste do Egito, embora fossem indignos e lá tivessem servido aos deuses dos egípcios” (Josué 24:15).

Se Deus fizera tudo aquilo por eles, mesmo enquanto pecavam no Egito, iria agora desfazer a obra porque voltaram a pecar de maneira semelhante no deserto?

Moisés também apela à glória de Deus (Êxodo 32:12): “Por que hão de dizer os egípcios: ‘Foi para mal que os tirou’?”. Israel era precioso a Moisés, tanto como seu povo quanto como povo sob o seu cuidado, mas a honra de Deus era ainda mais valiosa para ele. Nada estava mais próximo de seu coração do que a glória de Deus. Se Israel pudesse perecer sem trazer desonra ao nome do Senhor, Moisés poderia suportar isso. Mas ele não suportava ouvir que se falasse mal de Deus; por isso insiste nesse ponto: “Senhor, o que dirão os egípcios?”.

Os olhos dos egípcios e das nações vizinhas estavam voltados para Israel. Pelo modo extraordinário como esse povo tinha começado sua história, esperava-se grandes coisas de seu futuro. Mas, se um povo salvo de forma tão maravilhosa fosse de repente destruído, o que o mundo diria? Os egípcios, que odiavam Israel e o Deus de Israel, diriam que Deus era fraco demais para cumprir o que havia começado ou inconstante demais para levá-lo adiante. Afirmariam que ele tirara o povo, não para oferecer sacrifícios no monte, como fora declarado, mas para que fossem ali imolados.

Eles não levariam em conta a culpa de Israel para justificar a ação de Deus. Ao contrário, teriam prazer em dizer que Deus e seu povo romperam, e que seus próprios desejos se cumpriram. Assim, devemos lembrar: a santificação do nome de Deus, que deve ser nosso primeiro pedido em oração, como na oração do Senhor, também deve ser nosso grande argumento diante de Deus (Salmo 79:9; Jeremias 14:21; Jeremias 33:8-9). E, se quisermos usar isso com confiança como razão para que Deus não nos destrua, devemos usar o mesmo pensamento conosco como motivo para não o ofender: O que dirão os egípcios? Devemos ter cuidado constante para que o nome de Deus e a sua doutrina não sejam blasfemados por nossa causa.

Moisés também apela à promessa de Deus feita aos patriarcas, os primeiros pais de Israel, de que multiplicaria a descendência deles e lhes daria a terra de Canaã por herança. Essa promessa foi confirmada por um juramento, um juramento feito pelo próprio Deus, já que não havia ninguém maior por quem jurar (Êxodo 32:13). As promessas de Deus devem ser nossos argumentos na oração, porque aquilo que ele prometeu é poderoso para cumprir, e sua honra está ligada ao cumprimento de sua palavra. Em essência, Moisés diz: “Senhor, se Israel for eliminado, o que será da promessa? A incredulidade deles tornará inútil a tua promessa? De modo nenhum”. Na oração, devemos buscar toda a nossa esperança em Deus somente.

Então Deus, em sua bondade, abrandou a severidade da sentença e desistiu do mal que havia declarado que faria (Êxodo 32:14). Embora tivesse decidido castigá-los, não os destruiria por completo. Aqui se vê o poder da oração. Deus permite que a oração humilde, confiante e insistente tenha um papel real em sua ação. Também se vê a compaixão de Deus para com pobres pecadores e o quanto ele está pronto a perdoar.

Ele deu provas abundantes, ainda mais firmes que um juramento, de que não tem prazer na morte dos que morrem em seus pecados. Ele não apenas perdoa quando os pecadores se arrependem, mas também adia o juízo e concede tempo quando outros intercedem por eles.

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