Versículo em destaque
Êxodo 23:20 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Eis que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado. "
Êxodo 23:20
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
18 Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão levedado; nem ficará a gordura da minha festa de noite até pela manhã.
19 As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.
20 Eis que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado.
21 Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não o provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebeldia; porque o meu nome está nele.
22 Mas se diligentemente ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que eu disser, então serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários.
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Três promessas graciosas são dadas aqui a Israel, para encorajá-los na obediência e firmá-los nela. Cada promessa vem acompanhada de avisos e deveres. Deus não apenas promete ajuda, ele também mostra como o seu povo deve andar nessa ajuda.
Em primeiro lugar, Deus promete guiá-los e guardá-los no caminho pelo deserto até a terra prometida. Ele diz: “Eis que eu envio um anjo diante de ti” (Êxodo 23:20), e depois chama esse anjo de “meu anjo” (Êxodo 23:23). Alguns entendem que se trata de um anjo criado, um servo da providência divina, enviado para conduzir e guardar o acampamento de Israel, para que ficasse claro que Deus cuidava deles de modo especial. Outros entendem que era o Filho de Deus, o Anjo da aliança, porque se diz que os israelitas no deserto “tentaram a Cristo”, e porque o Filho eterno de Deus podia agir como Mensageiro e Redentor antes da encarnação, assim como ele é chamado de Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
Esse bendito Anjo os guardaria no caminho, embora esse caminho passasse por um deserto e depois por território inimigo. Do mesmo modo, o Israel espiritual de Deus é guardado através do deserto deste mundo e protegido dos ataques do inferno. Ele também os levaria ao lugar que Deus não só planejou, mas preparou para eles. Assim também Cristo preparou lugar para os seus seguidores e os levará em segurança até lá, porque é fiel àquele que o constituiu.
O mandamento ligado a essa promessa é claro: eles deviam ouvir e obedecer a esse Anjo que Deus envia adiante deles (Êxodo 23:21). “Guarda-te diante dele e ouve a sua voz em tudo e não te rebeles contra ele”, porque seria perigoso fazer isso. Cristo é autor de salvação apenas para os que lhe obedecem. A ordem que vem do céu é: “A ele ouvi” (Mateus 17:5). E também somos instruídos a observar tudo o que ele ordenou (Mateus 28:20).
Nossa dependência do poder e da bondade de Deus deve nos tornar cuidadosos em obedecer. É sabedoria temer provocar aquele que nos protege e nos concede o bem, pois, se sua defesa for retirada, estamos perdidos. Devemos, portanto, “guardar-nos diante dele” e tratá-lo com profundo respeito e cuidado. “Teme ao Senhor e à sua bondade.” Cristo será fiel aos que lhe são fiéis e defenderá os que permanecem apegados a ele: “Serei inimigo dos teus inimigos” (Êxodo 23:22). Isso lembra a promessa feita a Abraão: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem.” Deus associa seus próprios interesses e amizades aos interesses e amizades do seu povo.
Em segundo lugar, Deus lhes promete um estabelecimento pacífico em Canaã, a terra em que eles esperavam em breve entrar, embora isso tenha demorado mais do que pensavam (Êxodo 23:24-26). As condições são muito razoáveis. Eles deviam servir ao seu próprio Deus, que é o único Deus verdadeiro, e não aos deuses das nações, que não são deuses coisa alguma. Não deviam apenas recusar-se a adorar esses falsos deuses, mas destruí-los completamente. Isso mostraria o ódio deles à idolatria, a resolução de nunca adorar ídolos e o cuidado de impedir que outros o fizessem. Era como os magos convertidos que queimaram seus livros (Atos 19:19).
As promessas em si são ricas. Deus abençoaria o pão e a água deles, e a sua bênção tornaria o pão e a água mais satisfatórios do que a refeição mais farta sem essa bênção. Ele os manteria saudáveis, seja impedindo as enfermidades, seja tirando-as, de modo que a terra não seria ferida por doenças mortais capazes de destruir povos inteiros. Ele também abençoaria o gado, para que não fosse estéril nem abortasse, o que a Escritura considera um sinal de prosperidade (Jó 21:10). E prolongaria a vida deles, para que chegassem à velhice, e não fossem cortados precocemente por uma morte prematura. Dessa forma, a piedade realmente tem promessas para a vida que agora é.
Em terceiro lugar, Deus promete que eles venceriam e expulsariam seus inimigos, os povos que então habitavam em Canaã e ocupavam a terra que deviam herdar. Deus faria isso eficazmente pelo seu próprio poder (Êxodo 23:27-28). A vitória não seria tanto pela espada e pelo arco de Israel, mas pelo temor que Deus enviaria sobre os cananeus. Embora aqueles povos fossem teimosos e não quisessem deixar a terra, ficariam tão apavorados que não poderiam resistir a Israel. Assim se consumaria a sua ruína. Neles havia mal suficiente para continuar resistindo, mas em Deus há poder suficiente para quebrar a força deles.
Deus diz: “Enviarei o meu terror diante de ti”, e quando o terror vai adiante, logo as pessoas fogem. Até vespas poderiam ser usadas para abrir caminho para Israel. Deus pode se servir de criaturas muito pequenas para castigar os inimigos do seu povo, assim como fez no Egito. Quando ele quer, vespas podem expulsar cananeus tão bem quanto leões (Josué 24:12).
Ele faria isso também gradualmente e com sabedoria (Êxodo 23:29-30), não de uma vez só, mas pouco a pouco. Os cananeus tinham permanecido na terra até que Israel se tornasse um povo, e da mesma forma alguns deles continuariam ali até que Israel se tornasse numeroso o bastante para encher a terra. Isso mostra a sabedoria de Deus no progresso da igreja. Muitas vezes é grande bondade quando inimigos são vencidos pouco a pouco, porque isso nos mantém vigilantes e dependentes de Deus. Da mesma maneira, o pecado é expulso do povo de Deus pouco a pouco. O velho homem é morto, e por isso morre lentamente. Deus também frequentemente retarda bênçãos em sua providência porque ainda não estamos prontos para recebê-las.
Canaã tinha espaço de sobra para Israel, mas Israel ainda não era grande o suficiente para ocupar Canaã. Em Deus não há limitação. Se há limites, o problema está em nós. A terra lhes é prometida em toda a sua extensão (Êxodo 23:31), embora eles só viessem a possuí-la plenamente nos dias de Davi, e pelos seus pecados logo a perderam de novo. O mandamento associado a essa promessa era que não deviam fazer amizade nem laços familiares com idólatras (Êxodo 23:32-33). Idólatras nem sequer deviam morar na terra deles, a não ser que abandonassem a idolatria. Isso preservaria Israel da vergonha do contato íntimo com o falso culto e do perigo de ser arrastado para ele.
Ao conviver com idólatras, o temor e o ódio ao pecado iriam, pouco a pouco, se enfraquecendo. Eles começariam a achar que aquilo era inofensivo e, por amizade, poderiam chegar a demonstrar certa consideração pelos deuses falsos. Assim, passo a passo, seriam levados a cair numa armadilha mortal.
Quem quer se afastar do mal também precisa se afastar de má companhia. É perigoso viver entre pessoas que nos conduzem ao pecado. Os pecados dos outros podem se tornar armadilhas para nós, se não vigiarmos. Devemos sempre reconhecer como nosso maior perigo aquele que tenta nos afastar da obediência a Deus. Por maior que seja a amizade que alegue, quem nos leva ao pecado, na verdade, é nosso pior inimigo.
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Deste capítulo
Êxodo 23:1
"Não admitirás falso boato, e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa."
Êxodo 23:2
"Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito."
Êxodo 23:3
"Nem ao pobre favorecerás na sua demanda."
Êxodo 23:4
"Se encontrares o boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, sem falta lho reconduzirás."
Êxodo 23:5
"Se vires o jumento, daquele que te odeia, caído debaixo da sua carga, deixarás pois de ajudá-lo? Certamente o ajudarás a levantá-lo."
Êxodo 23:6
"Não perverterás o direito do teu pobre na sua demanda."
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