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Êxodo 14:21 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. "

Êxodo 14:21

menu_book Versículo no contexto

19 E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou, e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles.

20 E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era trevas para aqueles, e para estes clareava a noite; de maneira que em toda a noite não se aproximou um do outro.

21 Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas.

22 E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda.

23 E os egípcios os seguiram, e entraram atrás deles todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até ao meio do mar.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos o relato de uma das grandes maravilhas frequentemente mencionadas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento: a divisão do mar Vermelho diante dos filhos de Israel. Esse ato aterrorizou os cananeus, os povos que habitavam a terra prometida a Israel (Josué 2:9, Josué 2:10), e tornou-se cântico de louvor e vitória para os israelitas (Salmo 114:3; Salmo 106:9; Salmo 136:13, Salmo 136:14). Também apontava para o batismo (1 Coríntios 10:1, 1 Coríntios 10:2). A passagem de Israel pelo mar retratava a conversão das almas, e a destruição dos egípcios nele representava a ruína final de todos os que se recusam a se arrepender (Apocalipse 20:14).

Em primeiro lugar, vemos o poder onipotente de Deus no mundo da natureza, quando Ele dividiu o mar e abriu um caminho em meio às águas. Tratava-se de uma baía, golfo ou braço de mar, com cerca de duas ou três léguas de largura, que foi fendido (Êxodo 14:21). O sinal visível foi Moisés estendendo a mão sobre o mar, indicando que o ato veio em resposta à sua oração, para confirmar o seu chamado e para o bem do povo que ele conduzia. O sinal natural foi um forte vento oriental, mostrando que Deus fez isso por seu próprio poder, pois ventos e mares lhe obedecem.

Se algum versículo em Jó aponta para os milagres feitos no livramento de Israel do Egito, é este: Deus “divide o mar com o seu poder” e “com a sua sabedoria fere a Raabe” (Jó 26:12), isto é, o Egito. Deus pode conduzir o seu povo através das maiores dificuldades e abrir caminho onde nenhum parece existir. O Deus da natureza não fica preso às leis da natureza. Quando quer, pode suspendê-las, e então o fogo não queima e a água não corre como de costume.

Em segundo lugar, vemos o favor admirável de Deus para com Israel. Eles passaram pelo mar até a margem oposta, e não, como alguns imaginaram, num círculo para voltar ao mesmo lado (Êxodo 14:22). Caminharam em seco no meio do mar (Êxodo 14:29). A coluna de nuvem, aquela glória do Senhor, se pôs atrás deles, de modo que os egípcios não podiam atacá-los pelo flanco (Isaías 58:8). As águas formavam como um muro à direita e à esquerda. Moisés e Arão provavelmente entraram primeiro naquele caminho jamais pisado, e depois todo o Israel os seguiu.

Aquela marcha por entre as grandes águas tornaria menos assustadora a marcha posterior pelo deserto. Os que tinham seguido a Deus através do mar não precisavam temer segui-lo para onde quer que Ele os conduzisse. Isso aconteceu de noite, e não era uma noite de luar, pois se dava sete dias depois da lua cheia. Assim, não tinham outra luz senão a da coluna de nuvem e de fogo. Isso tornava tudo ainda mais solene e impressionante, mas onde Deus guia, Ele também dá luz. Seguindo a sua direção, o seu povo não fica sem o seu consolo.

Esse feito foi realizado e registrado para encorajar o povo de Deus em todas as épocas a confiar nele em meio às maiores aflições. O que não pode fazer Aquele que fez isto? Que bem recusará Ele àqueles que o temem e o amam, se fez tudo isso por israelitas murmuradores e incrédulos, que ainda assim eram amados por causa de seus pais e por causa do remanescente fiel que havia entre eles? Muito tempo depois, os santos ainda se alegravam nesse evento: “Ele converteu o mar em seco; passaram o rio a pé; ali nos alegramos nele” (Salmo 66:6). Veja também como essa maravilha é usada no Salmo 77:11, Salmo 77:16 e Salmo 77:19.

Em terceiro lugar, vemos a justa e reta ira de Deus contra os seus inimigos e os inimigos do seu povo, os egípcios. Eles foram cegados. No calor da perseguição, seguiram atrás dos israelitas até o meio do mar (Êxodo 14:23). “Por que não ousaríamos fazer o que Israel fez?”, talvez tenham pensado. Faraó tinha visto os magos do Egito realizarem algumas coisas semelhantes às de Moisés por meio de truques, e se lembrava disso, mas se esqueceu de como eles haviam sido totalmente vencidos no final. Os egípcios tinham melhores carros e cavalos, enquanto os israelitas iam a pé. Faraó dissera: “Não conheço o Senhor”, e agora isso se mostrava verdadeiro, pois ele ousou segui-los por aquele caminho.

Nada é mais ousado do que a cegueira. A fúria contra Israel os tornou imprudentes e descuidados. Eles haviam endurecido seu próprio coração por muito tempo, e agora Deus os endureceu para a sua ruína, ocultando deles as coisas que poderiam ter trazido paz e segurança. “Na verdade, é inútil estender-se a rede aos olhos de qualquer ave” (Provérbios 1:17), e ainda assim os egípcios estavam tão cegos que se lançaram na armadilha (Provérbios 7:23). A ruína dos pecadores muitas vezes vem de sua própria presunção, que os impele de cabeça para o abismo. Eles se destroem a si mesmos.

Depois, ficaram perturbados e confundidos (Êxodo 14:24, Êxodo 14:25). Por algumas horas marcharam entre as águas divididas com tanta segurança e confiança quanto Israel, sem duvidar de que logo alcançariam seu alvo. Mas na vigília da manhã, o Senhor lançou um olhar sobre o exército egípcio e os perturbou. Viram ou ouviram algo da coluna de nuvem e de fogo que os encheu de temor e fez com que sentissem a sua condenação antes que ela chegasse. Aqui vemos que o triunfo dos ímpios é breve, e que Deus pode encher os pecadores de pavor e desespero antes de lançá-los à destruição. Ele corta o espírito dos príncipes e é tremendo para os reis da terra.

Eles tinham se gabado e agido como se o dia lhes pertencesse, mas agora estavam perturbados e apavorados, tomados de pânico. Haviam conduzido seus carros furiosamente, mas agora avançavam com lentidão e dificuldade. O caminho se tornava mais fundo, seus corações desfaleciam, suas rodas se soltavam e seus eixos falhavam. Deus pode deter a força dos que perseguem o seu povo. Tinham perseguido Israel como um falcão persegue uma pomba trêmula, mas agora clamavam: “Fujamos da face de Israel”, que se tornara para eles como um tição entre molhos de cereal (Zacarias 12:6). Israel, de repente, tornou-se tão assustador para eles quanto eles haviam sido para Israel. Recusaram-se a deixar Israel em paz, e agora queriam fugir, mas não podiam.

Os homens não aprendem, até ser tarde demais, que aqueles que se metem contra o povo de Deus trazem desgraça sobre si mesmos. Quando o Senhor vier com miríades de seus santos para julgar, os poderosos tentarão em vão esconder-se sob rochas e montes da face de Israel e do Rei de Israel (Apocalipse 6:15). Compare com Jó 27:20 e o que se segue.

Por fim, todos se afogaram. Assim que os filhos de Israel estavam em segurança em terra firme, Moisés recebeu ordem de estender a mão sobre o mar. Esse sinal determinou que as águas se fechassem novamente, como antes se haviam aberto à sua palavra (Êxodo 14:29). Ele assim fez, e imediatamente as águas voltaram e cobriram todo o exército egípcio (Êxodo 14:27, Êxodo 14:28). Faraó e seus servos, que se haviam fortalecido mutuamente no pecado, caíram juntos, e nenhum escapou.

Uma antiga tradição diz que os magos de Faraó, Janes e Jambres, pereceram com os demais, assim como Balaão morreu com os midianitas que havia levado ao erro (Números 31:8). Nesse juízo, Deus puniu os egípcios pelo sangue dos primogênitos que eles haviam afogado. A pena voltou com juros, egípcios adultos em troca de recém-nascidos israelitas. Assim o Senhor mostrou a sua justiça, e o sangue do seu povo se mostrou precioso aos seus olhos (Salmo 72:14).

Deus também acertou contas com Faraó por seu tratamento orgulhoso e insultuoso para com Moisés, mensageiro de Deus. Zombar dos mensageiros do Senhor e tratá-los com desprezo é atrair para si uma ruína irreparável. Deus glorificou a si mesmo humilhando Faraó (Jó 40:12). Faraó, que havia desafiado o seu Criador, seus avisos, suas ameaças e seus juízos, agora jaz debaixo do mar. Era rebelde contra Deus, escravo de suas próprias paixões cruéis, e havia perdido toda verdadeira humanidade, virtude e honra. Tornou-se um sinal permanente da justiça divina, como o governante de que fala Ezequiel, que desceu à cova, embora tivesse atemorizado os poderosos na terra dos viventes (Ezequiel 31:18).

Vemos aqui a atenção que os israelitas deram a essa grande obra, e o bom efeito que ela produziu neles por algum tempo. Eles viram os egípcios mortos na praia (Êxodo 14:30). A providência ordenou que a maré seguinte lançasse os corpos em terra. Isso trouxe ainda maior vergonha sobre os egípcios, pois agora os animais selvagens e as aves de rapina eram, por assim dizer, convidados a se alimentar de seus capitães e homens fortes (Apocalipse 19:17-18). Os egípcios tinham grande cuidado em embalsamar e preservar os seus mortos importantes, mas aqui seus nobres foram tratados com o maior desprezo. Jaziavam em montes, como esterco sobre a terra.

Isso também tinha o propósito de dar aos israelitas um senso mais forte de triunfo e uma gratidão mais profunda por seu livramento, porque o que o olho vê costuma atingir o coração com mais força. A Escritura fala de modo semelhante quando diz que as pessoas olharão para os corpos daqueles que se rebelaram contra Deus (Isaías 66:24). É provável que os israelitas tenham tomado os despojos dos mortos e, como os egípcios haviam quebrado a confiança ao persegui-los para a guerra, as joias que tinham sido “emprestadas” dos seus vizinhos já não estavam sob obrigação de ser devolvidas. Eles podem também ter obtido armas dos egípcios caídos, o que alguns entendem que antes não possuíam. Assim, quando Deus despedaçou as cabeças de Leviatã, ele o deu por alimento ao povo do deserto (Salmo 74:14).

A visão desse grande feito comoveu profundamente o povo. Eles temeram o Senhor e creram no Senhor e em seu servo Moisés (Êxodo 14:31). Ficaram envergonhados de sua desconfiança e de suas murmurações e, nesse estado de espírito mais saudável, não voltariam a desesperar da ajuda do céu, mesmo em grande aflição. Não tornariam a contender com Moisés, nem a falar em voltar para o Egito. Em certo sentido, foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar (1 Coríntios 10:2), porque essa grande obra, realizada por Deus por meio de Moisés, os prendeu à obrigação de seguir sua liderança debaixo de Deus.

Esse acontecimento também fortaleceu a fé deles nas promessas que ainda estavam por se cumprir. Tendo sido tirados do Egito de maneira tão triunfante, não podiam duvidar que Canaã, em breve, seria deles, tendo um Deus assim em quem confiar e um mediador, isto é, alguém que se coloca entre Deus e o povo, para conduzi-los. Ah, se ao menos tivessem conservado para sempre o coração que pareciam ter naquele momento. Quando as misericórdias são recentes, costumam deixar uma marca forte. Mas, em muitos, essa impressão logo se apaga. Enquanto veem as obras de Deus e sentem o benefício delas, temem-no e confiam nele; porém, logo se esquecem de suas obras e então passam a tratá-lo com leveza. Quão bom seria para nós se permanecêssemos sempre nesse mesmo bom estado de espírito.

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