Versículo em destaque
Êxodo 13:17 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E aconteceu que, quando Faraó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte ao Egito. "
Êxodo 13:17
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
15 Porque sucedeu que, endurecendo-se Faraó, para não nos deixar ir, o Senhor matou todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito dos animais; por isso eu sacrifico ao Senhor todos os primogênitos, sendo machos; porém a todo o primogênito de meus filhos eu resgato.
16 E será isso por sinal sobre tua mão, e por frontais entre os teus olhos; porque o Senhor, com mão forte, nos tirou do Egito.
17 E aconteceu que, quando Faraó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte ao Egito.
18 Mas Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto do Mar Vermelho; e armados, os filhos de Israel subiram da terra do Egito.
19 E Moisés levou consigo os ossos de José, porquanto havia este solenemente ajuramentado os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei, pois, subir daqui os meus ossos convosco.
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Aqui vemos, em primeiro lugar, o caminho que Deus escolheu para o seu povo (Êxodo 13:17-18). Ele era o guia. Moisés lhes dava direções, mas apenas à medida que as recebia do Senhor. É preciso lembrar que o caminho do homem não está em si mesmo (Jeremias 10:23). Ele pode traçar planos e tomar decisões, mas, no fim, é Deus quem dirige os seus passos (Provérbios 16:9). O homem pode propor, mas Deus dispõe; por isso, devemos nos submeter ao seu governo e seguir a sua providência.
Havia dois caminhos do Egito até Canaã. Um era a rota curta, subindo pelo norte do Egito até o sul de Canaã, talvez apenas quatro ou cinco dias de viagem. O outro era bem mais longo e atravessava o deserto, e foi este o caminho que Deus escolheu para Israel (Êxodo 13:18). Havia vários motivos para isso. Os egípcios deveriam ser afogados no mar Vermelho. Os israelitas precisavam ser humilhados e provados no deserto (Deuteronômio 8:2). Deus também havia dado a Moisés um sinal na sarça ardente: “Este será o sinal… servireis a Deus neste monte” (Êxodo 3:12). E, como eles tinham repetido tantas vezes a Faraó que precisavam ir três dias de caminho ao deserto para sacrificar, era necessário que marchassem naquela direção, ou pareceriam abertamente enganadores.
Antes de enfrentarem seus inimigos, precisavam de tempo para acertar suas questões com Deus. Tinham de receber leis, estabelecer ordenanças, selar a aliança e confirmar o pacto já prometido. Para isso, precisavam do sossego do deserto, o único lugar de privacidade possível para um povo tão numeroso. A estrada principal não seria apropriada para essas coisas sagradas. Em Deuteronômio 32:10 se diz que Deus os fez rodear, percorrendo centenas de quilômetros em volta. Contudo, o Salmo 107:7 afirma que ele os guiou pelo caminho direito. O caminho de Deus é o caminho certo, mesmo quando parece mais longo. Ainda que nos pareça que ele não conduz seu povo pelo trajeto mais curto, podemos estar certos de que o guia pelo melhor. Isso ficará claro quando chegarmos ao fim da jornada. Não devemos julgar antes do tempo.
Havia também um motivo específico para Deus não os levar pelo caminho mais perto. Essa rota os colocaria, após poucos dias de marcha, diretamente na terra dos filisteus, porque essa parte de Canaã fazia fronteira com o Egito. Mas eles não estavam preparados para a guerra, muito menos para lutar com os filisteus (Êxodo 13:17). Seus ânimos estavam esmagados pela escravidão. Não seria fácil passar, de repente, da fabricação de tijolos para o campo de batalha. Os filisteus eram inimigos ferozes, fortes demais para recrutas inexperientes. Era melhor que primeiro enfrentassem os amalequitas e aprendessem as durezas do deserto, para depois entrarem nas guerras de Canaã. Deus mede as provas de seu povo conforme a sua força e não permite que sejam tentados além do que podem suportar (1 Coríntios 10:13). Ele conhece a nossa estrutura, vê nossa fraqueza e nosso medo, e nos treina com provações menores em vista de provações maiores. Tirou Israel do Egito como a águia que desperta seu ninho e ensina os filhotes a voar pouco a pouco (Deuteronômio 32:11).
Depois de dadas essas ordens, é dito que eles subiram “ordenadamente”, não como uma multidão desorganizada, mas como um exército. Subiram preparados para a jornada (Êxodo 13:18). Alguns pensam que marchavam de cinco em cinco em cada fileira, outros que eram cinco corpos de tropas. De qualquer forma, avançavam como um exército com bandeiras, e isso lhes dava força e honra.
É mencionado também que levaram consigo os ossos de José (Êxodo 13:19). Muito provavelmente levaram também os ossos dos filhos de Jacó, a não ser que, como alguns pensam, estes já tivessem sido levados em particular para Canaã à medida que foram morrendo (Atos 7:16). José havia ordenado de forma especial que, quando Deus visitasse seu povo, levassem seus ossos (Gênesis 50:25-26). Assim, não estavam apenas cumprindo o juramento que os pais haviam feito a José. Estavam também confessando que Deus estava cumprindo a promessa que José lhes fizera, de que o Senhor os visitaria e os tiraria do Egito. E isso fortalecia sua fé e esperança de que ele cumpriria também a outra parte da promessa, levando-os a Canaã. Enquanto vagavam pelo deserto, carregavam esses ossos como lembrete de que o descanso de José viria por fim, e então o deles também.
Diz-se que Moisés tomou pessoalmente esses ossos consigo. Moisés agora era um grande líder, e José também fora um grande homem em seu tempo. No entanto, de José restava apenas uma caixa de ossos secos. Era tudo o que havia sobrado dele neste mundo, e isso podia servir de lembrança a Moisés da sua própria mortalidade. A ele fora dito: “Eu te constituí deus para Faraó” (Êxodo 7:1), mas até ele morreria como qualquer outro homem.
Em segundo lugar, vemos a orientação que receberam durante o caminho. O Senhor ia adiante deles numa coluna (Êxodo 13:21-22). Nas duas primeiras etapas da viagem, bastou que Deus dissesse a Moisés por onde marchar, porque Moisés conhecia a região e a estrada. Mas, ao chegarem à orla do deserto (Êxodo 13:20), precisavam de um guia. E tinham um guia excelente, infinitamente sábio, bondoso e fiel. O Senhor ia adiante deles na shekinah, o sinal visível da presença de Deus, que apontava para Cristo, ou para uma manifestação antecipada do Verbo eterno, que no tempo devido se faria carne e habitaria entre nós. Cristo estava com a igreja no deserto (1 Coríntios 10:9). Agora o Rei ia à frente deles, o Senhor à sua cabeça (Miqueias 2:13).
Aqueles a quem Deus conduz para um deserto ele não deixa ali nem perde ali. Ele os fará atravessá-lo. Moisés e os israelitas piedosos certamente encontravam grande consolo em saber que estavam sob direção divina. Os que são guiados assim não precisam temer perder o caminho, desorientar-se ou ficar às escuras. Não precisam temer assaltos, porque Deus os protege. Os que fazem da glória de Deus o seu alvo, da palavra de Deus a sua regra, do Espírito de Deus o guia de seus desejos e da providência de Deus a direção de seus negócios podem estar certos de que o Senhor vai adiante deles, assim como foi diante de Israel no deserto, ainda que hoje não de forma visível. Devemos viver pela fé.
Eles tinham sinais claros de que Deus ia diante deles. Todos viam um sinal vindo do céu na coluna, que parecia uma nuvem de dia e fogo de noite. O que durante a noite era chama, de dia se apresentava como fumaça. Deus lhes deu essa prova visível de sua presença porque sua fé era fraca, e porque a igreja ainda estava em sua infância espiritual e precisava ser ensinada de modo simples. Mas bem-aventurados os que não viram e creram, confiando na presença graciosa de Deus segundo a sua promessa. Além disso, eles experimentavam efeitos reais e úteis do fato de Deus ir à frente deles nessa coluna.
Por um lado, essa coluna os guiava por um deserto vasto e desolado, sem estrada, sem trilhas e sem placas. Não tinham mapas, nem guias humanos; contudo, quando viajavam, a coluna ia adiante, num passo que podiam acompanhar, e lhes mostrava onde acampar, conforme a perfeita sabedoria de Deus decidia. Isso os livrava de ansiedade e os mantinha seguros, tanto em movimento quanto em repouso.
Em outro aspecto, a coluna os protegia do calor do dia, que em certas épocas podia ser muito intenso. À noite, dava-lhes luz quando precisavam. De todos os modos, tornava o acampamento mais agradável e o deserto menos assustador.
Esses foram milagres constantes, porque a coluna de nuvem não se apartou deles (Êxodo 13:22). Não os deixou nem mesmo quando pareciam precisar menos dela, como ao passarem por regiões habitadas. Também permaneceu com eles quando murmuraram e se rebelaram. Ficou com eles até conduzi-los à fronteira de Canaã. Era uma nuvem que o vento não podia dispersar. Essa misericórdia é mais tarde lembrada com gratidão (Neemias 9:19; Salmo 78:14).
Havia também um sentido espiritual nessa coluna de nuvem e de fogo. Os filhos de Israel foram batizados em Moisés, na nuvem, e alguns entendem que ela até deixava cair orvalho sobre eles (1 Coríntios 10:2). Ao se colocarem sob essa nuvem, mostravam que se submetiam à direção e ao comando de Deus por meio de Moisés. A proteção gera lealdade, e essa nuvem era o sinal do cuidado de Deus; por isso se tornou também o laço de sua obediência. Assim, foram separados e colocados sob esse governo ao entrarem no deserto.
Muitos veem ainda nessa nuvem uma figura de Cristo. A “nuvem” de sua natureza humana ocultava a luz e o fogo de sua natureza divina. Vemo-lo vestido de nuvem, com pés como colunas de fogo (Apocalipse 10:1). Cristo é o nosso caminho, a luz no caminho e o guia ao longo dele.
A nuvem também apontava para a direção e proteção especiais que a igreja de Cristo possui neste mundo. O próprio Deus guarda Israel e não dorme nem se cansa (Salmo 121:4; Isaías 27:3). Há uma defesa em redor de Sião, não apenas em torno de suas assembleias, mas também de cada casa em Sião (Isaías 4:5-6). Na verdade, todo verdadeiro israelita está escondido à sombra das asas de Deus (Salmo 17:8). Até os anjos, cujo ministério foi usado nessa nuvem, são enviados para o bem deles e acampam ao seu redor. Feliz és tu, ó Israel. Quem é como tu, povo assim?
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Deste capítulo
Êxodo 13:1
"Então falou o SENHOR a Moisés, dizendo:"
Êxodo 13:2
"Santifica-me todo o primogênito, o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animais; porque meu é."
Êxodo 13:3
"E Moisés disse ao povo: Lembrai-vos deste mesmo dia, em que saístes do Egito, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos tirou daqui; portanto não comereis pão levedado."
Êxodo 13:4
"Hoje, no mês de Abibe, vós saís."
Êxodo 13:5
"E acontecerá que, quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, e dos heteus, e dos amorreus, e dos heveus, e dos jebuseus, a qual jurou a teus pais que te daria, terra que mana leite e mel, guardarás este culto neste mês."
Êxodo 13:6
"Sete dias comerás pães ázimos, e ao sétimo dia haverá festa ao Senhor."
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