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Eclesiastes 1:12 - Significado e aplicacao
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Traducao: Almeida Corrigida Fiel
" Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. "
Eclesiastes 1:12
Versiculo no contexto
Entender os versiculos ao redor evita interpretacoes incorretas:
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.
Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.
E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.
Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.
Comentario Bible Guided
Salomão já havia declarado, em termos gerais, que tudo é vaidade, e apresentado razões amplas para isso. Agora ele volta-se para a própria experiência, que é a prova mais forte que pode oferecer, e mostra que pôs muitas coisas à prova e as achou vazias. Ele começa pelo que parece mais apto a satisfazer uma pessoa pensante: o conhecimento e o estudo. Se nem mesmo isso pode trazer satisfação duradoura, então nada mais pode.
Primeiro, Salomão nos diz quais oportunidades teve para buscar o conhecimento. Sua alta posição lhe dava todas as vantagens. Ele era rei sobre Israel, um povo admirado por sua sabedoria e entendimento (Deuteronômio 4:6), e reinava em Jerusalém, cidade que então era um grande centro de vida e de saber. Como rei, era tanto sua honra quanto seu dever examinar cuidadosamente os assuntos. Sua riqueza e posição também lhe permitiam fazer de sua corte um lugar de reunião de pessoas instruídas, de modo que ele podia colher conhecimento de muitas fontes.
Ele fala de seu posto de maneira humilde. Não diz: “Eu sou rei”, mas: “Eu fui rei”, como se a honra deste mundo fosse algo que logo passa. Isso está de acordo com o seu argumento, pois a grandeza terrena não dura. Salomão trata sua dignidade como algo já em declínio, porque poder e posição neste mundo não permanecem conosco.
Ele também afirma que se aplicou de todo o coração ao aprendizado. Grandes oportunidades não tornam ninguém sábio se a pessoa não empenha a mente na tarefa. Salomão dispôs o coração para buscar e examinar tudo quanto se pode conhecer por meio da sabedoria (Eclesiastes 1:13). Estudou as coisas que se fazem “debaixo do sol”, isto é, tanto as obras da providência de Deus quanto as realizações da habilidade humana. Olhou para filosofia, matemática, agricultura, comércio, história, leis, costumes e os modos de pensar e agir das pessoas.
Não se limitou a olhar essas coisas por alto. Investigou-as de perto e trabalhou arduamente nelas. Embora fosse príncipe, fez-se um trabalhador nos estudos e não recuou diante de questões difíceis. Fez isso não apenas para satisfazer a própria mente, mas também para se preparar para servir a Deus e à sua geração. E desejava saber se maior conhecimento traria paz ao coração.
Salomão avançou muito nesses estudos. Aprendeu mais do que os que vieram antes dele e não rejeitou o estudo por ser trabalhoso. Contemplou todas as obras feitas debaixo do sol, tudo o que existe no mundo visível, tanto na natureza quanto na arte e na habilidade humanas (Eclesiastes 1:14). Teve verdadeiro prazer naquilo que descobriu e podia dizer que havia aumentado grandemente em sabedoria. Não só adquiriu mais conhecimento para si mesmo, mas também fez mais do que qualquer um antes dele em Jerusalém para promover e honrar o saber.
Isso mostra que governantes devem ser estudantes sérios. Quando Deus concede a alguém amplas oportunidades de adquirir conhecimento, espera que esse dom seja bem aproveitado. É uma bênção quando reis e nobres buscam a sabedoria e o conhecimento útil com o mesmo empenho com que buscam honra e riqueza. Salomão era um juiz adequado dessa questão, porque seu conhecimento não era apenas um acúmulo de ideias. Ele tinha experiência real da sabedoria, do seu valor e do seu uso. O que aprendeu desceu ao coração e se tornou doce para a sua alma (Provérbios 2:10-11; Provérbios 22:18).
Ele se dedicou especialmente ao tipo de sabedoria que orienta a vida diária, porque esse é o tipo mais útil. Queria conhecer as regras da sabedoria e o caminho para obtê-la, e também conhecer a loucura e a insensatez, a fim de evitá-las, corrigi-las e descobrir os seus enganos (Eclesiastes 1:17). Aprendeu com pessoas sábias e também com pessoas tolas. Até o exemplo do preguiçoso e do descuidado lhe ensinou alguma coisa. Assim ele colheu instrução de todos os lados.
Mas o resultado de tudo isso confirmou a mesma verdade que ele já havia declarado: tudo é vaidade. Primeiro, descobriu que a busca do conhecimento é extremamente cansativa. É trabalho penoso tanto para o corpo quanto para a mente (Eclesiastes 1:13). Esse esforço difícil na busca da verdade faz parte do peso que Deus colocou sobre os seres humanos, como lembrança da perda que veio por meio do pecado. Assim como o pão do corpo precisa ser obtido com trabalho, o alimento da alma também precisa ser conquistado com esforço. Se Adão não tivesse pecado, ambos viriam com muito mais facilidade.
Ele também viu que, quanto mais observava as obras humanas, mais vaidade via nelas. De fato, essa visão muitas vezes o perturbava profundamente (Eclesiastes 1:14). Ele tinha observado todo o corre-corre das pessoas e todos os seus esforços, e concluiu que tudo era vaidade e aflição de espírito: algo vazio e, ao mesmo tempo, angustiante. Não era apenas infrutífero, como já tinha dito (Eclesiastes 1:2), mas também penoso e prejudicial.
Alguns entendem essa expressão como “apascentar o vento” (Oséias 12:1). A ideia é a mesma. As coisas que as pessoas fazem neste mundo são, em si mesmas, vazias e frustrantes para quem nelas trabalha. Há tantos planos, tanto esforço, tantas decepções, que com razão se pode chamá-las de “aflição de espírito”, um profundo incômodo interior.
Até mesmo contemplar essas coisas é vazio e frustrante para um observador sábio. Quanto mais vemos do mundo, mais vemos coisas que nos inquietam, e podemos acabar, como Heráclito, olhando para tudo com lágrimas. Salomão, em particular, descobriu que o conhecimento da sabedoria e da loucura era aflitivo (Eclesiastes 1:17). Entristecia-o ver muitos que tinham sabedoria e não a usavam, e muitos entregues à loucura que não lutavam contra ela. Também o afligia perceber quão distante a sabedoria se encontra dos filhos dos homens e ver como a insensatez está fortemente presa ao coração deles.
Além disso, ele descobriu que, uma vez alcançado certo conhecimento, este não podia lhe dar a satisfação que esperava, nem produzir o bem aos outros que ele imaginara (Eclesiastes 1:15). Ele não podia corrigir as muitas misérias da vida humana. “O que é torto não se pode endireitar.” Nosso próprio entendimento é cheio de voltas e difícil de seguir, e temos de fazer longos desvios para chegar à verdade. Salomão pensou que poderia encontrar um atalho, mas não conseguiu. O caminho do saber continua sendo como um labirinto. As mentes e os caminhos humanos são tortuosos e teimosos.
Salomão também pensou que, unindo sabedoria e poder, poderia reformar plenamente o seu reino e endireitar o que encontrasse torto. Ficou desapontado. Toda a filosofia e toda a política do mundo não podem restaurar a natureza humana caída ao seu estado original de retidão. Vemos essa deficiência nos outros e em nós mesmos. O estudo não muda o temperamento natural da pessoa, nem cura hábitos pecaminosos. Não altera a condição deste mundo. Ele continua sendo um vale de lágrimas, e assim permanecerá.
O conhecimento também não supre as muitas faltas da vida humana. O que está faltando não pode ser tirado, por assim dizer, do depósito do saber humano e entregue a nós. As lacunas continuam lá. Mesmo quando fazemos o máximo para melhorar nossos confortos, eles permanecem incompletos e limitados. Nossa falta de conhecimento é tão grande que não pode ser contada. Quanto mais sabemos, mais percebemos o quanto ignoramos. Quem pode compreender plenamente os próprios erros e falhas?
Assim, no conjunto, Salomão concluiu que grandes estudiosos frequentemente se tornam grandes sofredores, porque “na muita sabedoria há muito enfado” (Eclesiastes 1:18). É preciso grande esforço para adquirir conhecimento, e grande cuidado para não perdê-lo. Quanto mais sabemos, mais vemos o que ainda falta conhecer. Isso faz nosso trabalho parecer interminável e também traz de volta muitas de nossas antigas falhas e fracassos, o que aumenta a tristeza.
Quanto mais entendemos as diferentes opiniões e julgamentos das pessoas, mais inseguros podemos ficar sobre o que é certo. Grande parte do estudo lida justamente com essas questões. Aqueles que aumentam em conhecimento veem com mais nitidez as dores deste mundo. Para cada descoberta agradável, podem surgir dez desagradáveis, e assim sua tristeza se amplia.
Ainda assim, não devemos rejeitar o conhecimento útil. Devemos ter paciência para suportar as tristezas que ele traz. Porém, não devemos esperar verdadeira felicidade desse tipo de saber. Ela só se encontra no conhecimento de Deus e no cumprimento fiel do nosso dever para com ele. Quem cresce em sabedoria celestial e numa experiência real dos princípios, do poder e das alegrias da vida espiritual, cresce também em alegria. Essa alegria em breve será consumada em alegria eterna.
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Deste capitulo
Eclesiastes 1:1
"Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém."
Eclesiastes 1:2
"Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade."
Eclesiastes 1:3
"Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?"
Eclesiastes 1:4
"Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece."
Eclesiastes 1:5
"Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu."
Eclesiastes 1:6
"O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos."
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