Versículo em destaque
Deuteronômio 26:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E será que, quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der por herança, e a possuíres, e nela habitares, "
Deuteronômio 26:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E será que, quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der por herança, e a possuíres, e nela habitares,
2 Então tomarás das primícias de todos os frutos do solo, que recolheres da terra, que te dá o Senhor teu Deus, e as porás num cesto, e irás ao lugar que escolher o Senhor teu Deus, para ali fazer habitar o seu nome.
3 E irás ao sacerdote, que houver naqueles dias, e dir-lhe-ás: Hoje declaro perante o Senhor teu Deus que entrei na terra que o Senhor jurou a nossos pais dar-nos.
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Aqui, em primeiro lugar, vemos uma boa obra que Deus ordenou ao povo: todos os anos deviam trazer a ele um cesto com as primícias (Deuteronômio 26:1, 2). Além do molho das primícias que era oferecido pelo país inteiro no dia seguinte à Páscoa (Levítico 23:10), cada pessoa devia trazer um cesto com as primícias por ocasião de Pentecostes, quando a colheita já estivesse concluída. Por isso essa festa também era chamada de festa das primícias (Êxodo 34:22), e era celebrada com ofertas voluntárias (Deuteronômio 16:10).
Os judeus ensinavam que, se as primícias não fossem trazidas exatamente nesse momento, ainda poderiam ser apresentadas em qualquer data posterior, até o inverno. Quando o homem entrava no seu campo ou na sua vinha e via o fruto começando a amadurecer, devia marcar o primeiro e o melhor para as primícias. Trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras estavam incluídos; colocava-se um pouco de cada espécie no mesmo cesto, separados por folhas, e esse cesto era levado ao Senhor no lugar que ele havia escolhido.
Dessa lei podemos aprender várias coisas. Devemos reconhecer Deus como o doador de todos os bens que sustentam e consolam a nossa vida diária e, por isso, honrá-lo com esses mesmos bens. Devemos também negar a nós mesmos. Desejamos com mais ansiedade o primeiro fruto maduro, e quem é exigente quer provar cada fruto assim que aparece. Quando Deus ordenou que esses primeiros frutos fossem separados para ele, ensinou o povo a colocar a sua honra acima dos próprios apetites e prazeres.
Aprendemos ainda a dar a Deus o primeiro e o melhor que temos, porque cremos que ele é o primeiro e o melhor de todos os seres. Aqueles que dedicam a juventude e os melhores anos da vida a Deus lhe trazem as suas primícias, e ele se agrada dessas ofertas. “Lembro-me de ti, da afeição da tua mocidade.”
Em segundo lugar, Deus pôs palavras adequadas na boca do ofertante, para que o ato explicasse a si mesmo e se tornasse um culto racional. O adorador devia começar a falar antes de entregar o cesto ao sacerdote. Depois que o sacerdote colocasse o cesto diante do altar, ele devia continuar ali a sua confissão, como um tributo a Deus, o grande proprietário da terra (Deuteronômio 26:3, 4).
Primeiro, devia dar um testemunho completo sobre a boa terra que Deus lhes havia dado (Deuteronômio 26:3). Em essência, ele declarava: “Agora venho, depois de quarenta anos de peregrinação, ao país que o Senhor jurou dar-nos.” Isso se aplicava especialmente às primeiras gerações que entraram em Canaã, embora se possa supor que, mais tarde, a fórmula usada tenha sofrido alguma adaptação. Quando Deus cumpre suas promessas, ele espera que reconheçamos isso, para que a sua fidelidade seja honrada. É como devolver o documento de dívida, como fez Salomão ao dizer: “Nenhuma palavra falhou de todas as suas boas promessas” (1 Reis 8:56). Os consolos que recebemos no dia a dia são mais doces quando os enxergamos como vindos da promessa de Deus.
Ele devia também lembrar e confessar abertamente o humilde começo da nação à qual pertencia. Por mais grandiosos que agora fossem, o início fora muito pequeno. Essa confissão pública deveria ser preservada por todas as gerações da igreja, para que não se envaidecessem de seus privilégios, mas permanecessem sempre agradecidos ao Deus cuja graça os escolheu quando eram pequenos e os exaltou. Para isso, tinham de reconhecer duas coisas.
Primeiro, deviam confessar a condição humilde do seu antepassado comum: “Um sírio prestes a perecer foi meu pai” (Deuteronômio 26:5). Jacó é chamado de sírio, ou arameu, porque viveu vinte anos em Padã-Arã, suas esposas eram de lá, e todos os seus filhos, exceto Benjamim, nasceram ali. O que fala pode estar se referindo a Jacó propriamente ou ao filho de Jacó que foi o chefe da sua tribo. De qualquer modo, tanto o pai quanto os filhos estiveram mais de uma vez à beira da ruína, por causa da dureza de Labão, da ira de Esaú e da fome na terra que os forçou a descer ao Egito. A versão caldaica diz: “Labão, o sírio, tentou destruir meu pai”, e a árabe acrescenta que ele quase o destruiu.
Segundo, deviam confessar a condição miserável da nação nos seus primeiros tempos. Habitaram no Egito como estrangeiros e ali serviram como escravos (Deuteronômio 26:6), por um longo período. Como a família tinha pertencido antes a outra terra, não podia reivindicar direito a Canaã por posse antiga. Tinham sido pobres, desprezados e oprimidos no Egito. Assim, mesmo agora sendo ricos e fortes, não tinham motivo para orgulho, nem para confiar em si mesmos, nem para se esquecer de Deus.
Ele devia também agradecer a Deus pela sua grande bondade, não apenas para consigo, mas para com todo o Israel. Em primeiro lugar, devia agradecer pela saída do Egito (Deuteronômio 26:7, 8). Essa libertação é descrita como um ato de compaixão, pois Deus viu a sua aflição, e como um ato de poder, pois os tirou de lá com mão poderosa. Foi um grande livramento, que devia ser sempre lembrado, especialmente nessa ocasião. Não tinham motivo para negar a Deus um simples cesto de primícias, pois ele os havia poupado de carregar tijolos para seus senhores cruéis.
Devia também agradecer a Deus por tê-los estabelecido em Canaã: “Ele nos deu esta terra” (Deuteronômio 26:9). Ele não devia agradecer apenas pela própria porção, mas pela terra como um todo, que pertencia a Israel. Não só pela colheita daquele ano, mas pela terra que a produzia. Deus, em sua graça, havia dado aquela terra aos pais e a transmitira aos filhos.
O consolo que desfrutamos nas bênçãos pessoais deve levar-nos a agradecer a Deus pela nossa parte na paz e na abundância públicas. Junto com as misericórdias presentes, devemos bendizê-lo também pelas misericórdias passadas que lembramos e pelas futuras que esperamos.
Por fim, ele devia oferecer o cesto das primícias a Deus (Deuteronômio 26:10). Era como se dissesse: “Trouxe as primícias da terra, como um pequeno pagamento, um aluguel pela terra que me deste.” Tudo o que oferecemos a Deus é, na verdade, o próprio dom dele retornando para ele (1 Crônicas 29:14). Recebendo tanto da sua mão, devemos ponderar com seriedade o que lhe devolveremos. O cesto era colocado diante do Senhor, e os sacerdotes, como recebedores de Deus, tomavam as primícias como parte do seu sustento e salário pelo serviço (Números 18:12).
Terminada a cerimônia, o ofertante devia fazer duas coisas. Primeiro, dar glória a Deus: “Adorarás ao Senhor teu Deus.” As primícias não eram aceitas se não viessem acompanhadas de adoração. Deus busca um coração humilde, reverente e agradecido; sem isso, nada do que colocamos num cesto tem valor. Se alguém desse tudo o que possui apenas para escapar desse dever interior, sua oferta seria totalmente rejeitada.
Segundo, ele devia desfrutar com a sua família o consolo associado a isso: “Te alegrarás por todo o bem” (Deuteronômio 26:11). Deus quer que sejamos alegres, não só no culto público, mas também no uso cotidiano dos seus dons.
Tudo o que Deus nos concede de bom deve ser usado da melhor forma possível, para nosso verdadeiro consolo. E, ao mesmo tempo, devemos sempre conduzir cada riacho de conforto até a sua fonte, que é o próprio Deus, a fonte de toda consolação.
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Deste capítulo
Deuteronômio 26:2
"Então tomarás das primícias de todos os frutos do solo, que recolheres da terra, que te dá o Senhor teu Deus, e as porás num cesto, e irás ao lugar que escolher o Senhor teu Deus, para ali fazer habitar o seu nome."
Deuteronômio 26:3
"E irás ao sacerdote, que houver naqueles dias, e dir-lhe-ás: Hoje declaro perante o Senhor teu Deus que entrei na terra que o Senhor jurou a nossos pais dar-nos."
Deuteronômio 26:4
"E o sacerdote tomará o cesto da tua mão, e o porá diante do altar do Senhor teu Deus."
Deuteronômio 26:5
"Então testificarás perante o Senhor teu Deus, e dirás: Arameu, prestes a perecer, foi meu pai, e desceu ao Egito, e ali peregrinou com pouca gente, porém ali cresceu até vir a ser nação grande, poderosa, e numerosa."
Deuteronômio 26:6
"Mas os egípcios nos maltrataram e nos afligiram, e sobre nós impuseram uma dura servidão."
Deuteronômio 26:7
"Então clamamos ao Senhor Deus de nossos pais; e o Senhor ouviu a nossa voz, e atentou para a nossa miséria, e para o nosso trabalho, e para a nossa opressão."
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