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Deuteronômio 19:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Quando o SENHOR teu Deus desarraigar as nações cuja terra te dará o SENHOR teu Deus, e tu as possuíres, e morares nas suas cidades e nas suas casas, "

Deuteronômio 19:1

menu_book Versículo no contexto

1 Quando o SENHOR teu Deus desarraigar as nações cuja terra te dará o SENHOR teu Deus, e tu as possuíres, e morares nas suas cidades e nas suas casas,

2 Três cidades separarás, no meio da terra que te dará o Senhor teu Deus para a possuíres.

3 Preparar-te-ás o caminho; e os termos da tua terra, que te fará possuir o Senhor teu Deus, dividirás em três; e isto será para que todo o homicida se acolha ali.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Foi dado aos descendentes de Noé o mandamento de que quem derramasse sangue humano teria o seu sangue derramado por mãos humanas, isto é, pelo vingador do sangue (Gênesis 9:6). Aqui, essa regra é aplicada à relação entre o sangue do assassinado e o sangue do homicida. Faz-se uma provisão clara para aquele que mata alguém por acidente, para que não morra por um crime que não foi um ato voluntário, mas um acontecimento fortuito da vida.

O estabelecimento de cidades de refúgio já havia sido ensinado antes (Êxodo 21:13), e a lei sobre elas já fora dada com detalhes (Números 35:10 e seguintes). Aqui ela é repetida, e são dadas orientações em três aspectos. Primeiro, deveriam ser designadas três cidades em Canaã com esse propósito. Moisés já havia separado três cidades no lado leste do Jordão, que ele vira ser conquistado, e agora diz ao povo que, quando estivessem estabelecidos no restante da terra, deveriam separar mais três (Deuteronômio 19:1-3, 7).

A terra devia ser dividida em três distritos, o mais iguais possível, com uma cidade de refúgio próxima ao centro de cada um. Assim, todas as partes do território teriam uma ao alcance. Nisso, Cristo se assemelha a um refúgio que não está longe, que não precisamos alcançar subindo ao céu ou descendo ao abismo. A palavra está perto de nós, e Cristo está na palavra (Romanos 10:8). O evangelho traz a salvação até à nossa porta e ali bate, pedindo entrada.

Para facilitar a fuga daquele que buscava a cidade de refúgio, o caminho até lá devia ser mantido desimpedido. Provavelmente havia estradas elevadas ou trilhas bem marcadas levando a essas cidades. Escritores judeus relatam que, uma vez por ano, os magistrados mandavam mensageiros inspecionar esses caminhos, para ver se estavam em bom estado. Eles removiam pedras de tropeço, consertavam pontes quebradas e, onde duas estradas se encontravam, colocavam um marco com uma placa indicando o caminho certo, gravada com a palavra “Refúgio” em letras grandes. Da mesma forma, ministros do evangelho devem mostrar às pessoas o caminho até Cristo e ajudá-las a fugir para ele pela fé, removendo preconceitos e auxiliando-as a vencer suas dificuldades. Bendito seja Deus, o caminho de santidade é tão claro para quem o busca com sinceridade que até o simples não errará nele.

Em segundo lugar, é explicado o uso dessas cidades (Deuteronômio 19:4-6). É possível que um homem mate o seu próximo sem plano, sem ódio, sem explosão súbita de ira, apenas por acidente, como no caso do ferro do machado que se solta. Esse é o exemplo dado, e todos os casos semelhantes deveriam ser julgados por esse padrão. Isso mostra o quanto a vida humana está exposta diariamente, quantas vezes estamos em perigo e o quanto precisamos estar sempre preparados, com as almas, por assim dizer, sempre em nossas mãos (Eclesiastes 9:12). É um tempo de grande tristeza quando algo assim acontece, não apenas para o que morre, mas também para o que, sem querer, tirou a vida do outro.

Parte-se também do pressuposto de que os parentes do morto estariam inclinados a vingar o sangue, movidos pelo amor ao familiar e pelo zelo pela justiça. A lei não permitia que a morte fosse usada para responder a qualquer outro tipo de injúria ou ofensa, mas ao vingador do sangue se permitia certa consideração quanto ao ardor do seu coração debaixo de provocação tão forte. Ainda assim, se ele matasse o homicida acidental antes que este chegasse à cidade de refúgio, isso não seria considerado homicídio, embora se reconhecesse que aquele homem não era digno de morte. Deus quis, com isso, encher o coração das pessoas com profundo temor do homicídio. Se até quem mata por acidente fica exposto a tal perigo, quanto mais aquele que intencionalmente derrama o sangue do outro, seja por ódio antigo ou por ira súbita. Este deve fugir para a cova, e ninguém o detenha (Provérbios 28:17). E o Novo Testamento ainda fala do homicídio como algo ainda mais grave e perigoso do que esta lei o apresenta, dizendo: “Nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1 João 3:15).

Em terceiro lugar, prevê-se que, se o vingador do sangue fosse irracional a ponto de exigir pagamento por sangue derramado por acidente, a cidade de refúgio protegeria o que matou involuntariamente. Pecados cometidos por ignorância nos expõem à ira de Deus, mas há alívio preparado, se o buscarmos com fé e arrependimento. Paulo, que havia perseguido a igreja, alcançou misericórdia porque agiu por ignorância. E Cristo orou pelos que o crucificaram, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Um terceiro grupo de três cidades deveria ser separado se Deus, mais tarde, ampliasse o território deles e estendesse o alcance de sua religião, para que todos os lugares sujeitos à lei de Moisés nas demais questões também desfrutassem desse benefício da lei (Deuteronômio 19:8-10). Isso aponta, primeiro, para a intenção graciosa de Deus de alargar os limites do povo, como havia prometido a seus pais, se eles não perdessem a promessa por desobediência. Essa condição é cuidadosamente repetida aqui, para que, se a promessa não fosse cumprida, a vergonha recaísse sobre eles, e não sobre Deus. Ele prometeu dar a terra se eles guardassem todos os seus mandamentos, e não de outra forma.

Eles são também instruídos a separar mais três cidades nas novas conquistas. O número indica que o território posterior deveria ser tão extenso quanto o primeiro. Para onde quer que se estendesse o limite de Israel, essa proteção deveria acompanhá-lo, a fim de que sangue inocente não fosse derramado (Deuteronômio 19:10). Embora Deus seja o Salvador e Preservador de todos os homens, e tenha cuidado terno por toda vida, o sangue dos israelitas é especialmente precioso para ele (Salmo 72:14). Ainsworth observa que os próprios escritores judeus reconhecem que, como a condição não foi cumprida, a promessa de fronteiras ampliadas nunca se realizou, de modo que não houve motivo para acrescentar aquelas três cidades de refúgio. Contudo, dizem eles, o santo Deus bendito não ordenou isso em vão, pois, nos dias do Messias, o príncipe, mais três cidades serão acrescentadas às seis. Eles esperam isso de forma literal, mas sabemos que em Cristo isso tem um cumprimento espiritual. Os limites de Israel, no evangelho, foram ampliados conforme a promessa, e em Cristo, o Senhor nossa justiça, há refúgio para todos os que a ele fogem pela fé.

Por outro lado, as cidades de refúgio nunca deveriam se tornar abrigo para o homicida deliberado. Mesmo de lá ele devia ser tirado e entregue ao vingador do sangue (Deuteronômio 19:11-13). Isso mostra que o assassinato voluntário jamais deve ser protegido pelo governante civil. Ele carrega a espada da justiça em vão se permite escapar os culpados de sangue, pois é encarregado de vingá-lo. Em tempos de domínio do papado em certas terras antes da Reforma, algumas igrejas e casas religiosas, como eram chamadas, tornaram-se lugar de segurança para todo tipo de criminoso que ali se acolhia, inclusive assassinos deliberados.

A lei de santuário aponta para uma verdade mais profunda. Em Jesus Cristo não há refúgio para quem continua a pecar de propósito. Se alguém persiste voluntariamente no pecado e segue nele, já não resta sacrifício por esse tipo de rebeldia (Hebreus 10:26).

Os que fogem para Cristo, deixando seus pecados, estarão seguros nele. Mas os que esperam que ele os proteja enquanto permanecem em seus pecados não têm tal promessa. Nem mesmo a própria salvação os salvará, porque a justiça divina os alcançará. Eles não têm direito à proteção que pertence àqueles que verdadeiramente buscam refúgio em Cristo.

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