Versículo em destaque
Deuteronômio 20:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo. "
Deuteronômio 20:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo.
2 E será que, quando vos achegardes à peleja, o sacerdote se adiantará, e falará ao povo,
3 E dir-lhe-á: Ouvi, ó Israel, hoje vos achegais à peleja contra os vossos inimigos; não se amoleça o vosso coração: não temais nem tremais, nem vos aterrorizeis diante deles,
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Neste ponto da história, Israel deve ser visto mais como um acampamento do que como um reino estabelecido. Eles estavam entrando em território inimigo e ainda não haviam tomado posse definitiva da sua própria terra. Mesmo depois de estabelecidos, ainda precisariam defender e ampliar suas fronteiras, de modo que a guerra continuaria fazendo parte da sua vida nacional.
Por isso, Deus lhes deu orientações específicas quanto a assuntos militares. Estes versículos mostram como deviam organizar, conduzir e dispor suas forças. O que chama a atenção é que essa disciplina de guerra não tem um espírito duro e cruel. Sua finalidade é encorajar os soldados e tornar seu dever mais suportável.
Os que estavam prontos para lutar deviam ser fortalecidos, antes de tudo, contra o medo. Moisés dá uma palavra ampla de coragem, que os chefes e oficiais deviam levar a sério: não temer o inimigo, ainda que fosse numeroso e bem equipado com cavalos e carros. Israel não devia recuar da batalha, nem duvidar do resultado.
Havia dois fundamentos firmes para essa confiança, contanto que permanecessem fiéis a Deus e à sua religião. Primeiro, o Senhor, seu Deus, estava com eles, de modo que não corriam o perigo que o medo fazia imaginar. Segundo, eles já tinham visto o poder e a bondade de Deus quando Ele os tirou do Egito, apesar de Faraó e de seu exército. O Deus que os libertou desse inimigo maior não permitiria que inimigos menores anulassem tudo o que Ele já havia feito por eles.
Esse encorajamento devia ser dado de maneira especial por um sacerdote designado para a guerra, a quem os judeus chamavam de “o ungido para a guerra”. Esse título aponta para o nosso próprio Redentor ungido, o Capitão da nossa salvação. Um sacerdote era especialmente adequado para fortalecer o povo, porque seu ofício incluía interceder por eles em oração, e o melhor encorajamento vem das promessas de Deus acolhidas pela fé.
O sacerdote devia dizer-lhes que não tivessem medo, porque o medo enfraquece as mãos ao perturbar o coração. Não deviam deixar que o temor dominasse o espírito, mas que a confiança em Deus os fortalecesse. Ele também devia exortá-los a não agir com pressa, nem para fugir em pânico, nem para avançar de forma descuidada por orgulho. O crente não precisa correr em desespero, mas pode esperar pela ajuda de Deus.
Além disso, ele devia assegurar-lhes que o Senhor estava com eles, para apoiar sua causa justa e lhes dar vitória sobre os inimigos. Quem tem Deus consigo não tem motivo real para temer. O fato de um sacerdote dar esse encorajamento também sugere duas coisas: que exércitos devem ter homens de Deus que orem e falem à tropa, e que os ministros de Cristo devem animar os fiéis em sua luta espiritual contra o mundo e a carne.
Os que não estavam aptos para lutar deviam ser mandados de volta para casa. Alguns eram dispensados por causa de suas circunstâncias externas. Se um homem tivesse construído uma casa nova e ainda não a tivesse consagrado, isto é, ainda não tivesse celebrado a reunião alegre que marcava o início de seu uso, devia voltar e desfrutá-la. Se um homem tivesse plantado uma vinha e ainda não tivesse provado do seu fruto, também devia retornar para gozá-lo. Deus mostrava bondade nessas coisas comuns da vida e não se mostrava um senhor severo.
Se um homem estivesse noivo e ainda não tivesse se casado, também era livre para voltar para casa. Deus não queria que suas guerras fossem travadas por pessoas forçadas contra a própria vontade. Deviam ser voluntários dispostos, como diz (Salmo 110:3): “O teu povo se apresentará voluntariamente”. Também na vida cristã, é necessário deixar de lado todo peso e tudo o que nos torna relutantes ou distraídos.
Escritores judeus afirmam que essa liberdade de voltar para casa se aplicava apenas às guerras que Israel escolhia empreender, e não às guerras diretamente ordenadas por Deus, como contra Amaleque e os cananeus, nas quais todo homem estava obrigado a lutar. Se a razão de um homem para se retirar fosse fraqueza ou medo de coração, ele também recebia permissão para voltar. Gideão usou esse mesmo anúncio para reduzir seu exército, e mais de dois terços dos homens voltaram para casa (Juízes 7:3).
Alguns entendem que essa covardia e desânimo aqui mencionados viriam do terror de uma consciência culpada, que tornaria o homem temeroso de enfrentar a morte e o perigo. Nessa visão, homens de vida solta e desregrada não serviam para ser soldados. Seriam covardes no exército e um peso para ele, trazendo vergonha e problemas ao acampamento. Por isso, aqueles que sabiam estar abertamente culpados eram mandados embora.
Mas parece mais provável que aqui se fale de um temor natural simples. De certo modo, isso era uma bondade para com esses homens, porque eram dispensados e poupados da vergonha e do desgaste. Mais ainda, era bondade para com o restante do exército, porque livrava a tropa de homens inúteis no combate. Também impedia que o medo se espalhasse pelo exército, o que poderia acontecer muito rapidamente.
Por isso a lei diz: “Para que o coração de seus irmãos se não derreta, como o seu coração”. O medo passa de uma pessoa a outra, e em um exército isso pode causar grande dano. É preciso ter cuidado para não absorver o temor daqueles que têm medo (Isaías 8:12).
Depois que todos os covardes fossem dispensados, deveriam ser escolhidos capitães (Deuteronômio 20:9), porque líderes e comandantes precisam de coragem especial. Essa purificação e organização tinham de ser feitas quando o exército fosse inicialmente reunido e ordenado. Os soldados de Cristo também precisam de coragem, para portar-se varonilmente e suportar as aflições como bons soldados, especialmente aqueles que exercem liderança em seu exército.
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Deste capítulo
Deuteronômio 20:2
"E será que, quando vos achegardes à peleja, o sacerdote se adiantará, e falará ao povo,"
Deuteronômio 20:3
"E dir-lhe-á: Ouvi, ó Israel, hoje vos achegais à peleja contra os vossos inimigos; não se amoleça o vosso coração: não temais nem tremais, nem vos aterrorizeis diante deles,"
Deuteronômio 20:4
"Pois o Senhor vosso Deus é o que vai convosco, a pelejar contra os vossos inimigos, para salvar-vos."
Deuteronômio 20:5
"Então os oficiais falarão ao povo, dizendo: Qual é o homem que edificou casa nova e ainda não a consagrou? Vá, e torne-se à sua casa para que porventura não morra na peleja e algum outro a consagre."
Deuteronômio 20:6
"E qual é o homem que plantou uma vinha e ainda não a desfrutou? Vá, e torne-se à sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro a desfrute."
Deuteronômio 20:7
"E qual é o homem que está desposado com alguma mulher e ainda não a recebeu? Vá, e torne-se à sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro homem a receba."
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