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Deuteronômio 15:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Ao fim dos sete anos farás remissão. "
Deuteronômio 15:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ao fim dos sete anos farás remissão.
2 Este, pois, é o modo da remissão: todo o credor remitirá o que emprestou ao seu próximo; não o exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoada.
3 Do estrangeiro o exigirás; mas o que tiveres em poder de teu irmão a tua mão o remitirá.
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Aqui é estabelecida uma lei para socorrer devedores pobres, provavelmente aqueles que não tinham como pagar o que deviam. Cada sétimo ano era um ano de remissão. Nesse ano, a terra descansava do cultivo, os servos eram libertos e o dinheiro emprestado também era liberado. Alguns entendem que isso significava apenas que o credor não podia exigir pagamento naquele ano, já que não havia colheita da terra. Outros entendem que a dívida era cancelada de forma definitiva, e isso parece mais provável, ainda que com certos limites.
Essa lei parece aplicar-se a um devedor israelita, não a um estrangeiro. E também parece visar alguém realmente pobre, que tomou emprestado para necessidades da família, não para negócios ou luxo. A ideia não era que o credor nunca pudesse receber algo se, depois, o devedor viesse a ter condições de pagar. O ponto era que a dívida não poderia ser cobrada por meios legais e forçados. Se o devedor ou seus amigos pudessem pagar, ele ainda deveria agir com honestidade, mas não deveria ser pressionado pela lei.
Uma razão dessa lei era honrar o ano sabático, chamado de remissão do Senhor (Deuteronômio 15:2). Esse ano pertencia a Deus, assim como o sábado semanal pertencia a Deus, para descanso de pessoas, servos e animais. Ao fazer a terra descansar e ao liberar dívidas, Deus os ensinava a confiar no seu cuidado. Esse ano também apontava para a graça do evangelho, quando Deus anuncia o ano aceitável do Senhor e nos concede remissão de nossas dívidas, isto é, o perdão dos pecados. E ensina ainda a perdoar os outros, como nós fomos perdoados por Deus.
Outra razão era impedir que algum israelita afundasse em extrema pobreza, de forma que não houvesse “pobres” entre eles no sentido de pessoas reduzidas a uma miséria humilhante (Deuteronômio 15:4). Deus queria proteger a honra da nação e da religião deles. Ele também lhes deu uma promessa de bênção. Se fizessem o seu dever, Deus supriria o que parecesse perdido ao ajudarem os devedores pobres. Ele abençoaria todas as obras de suas mãos e faria crescer tanto seus bens que eles não sentiriam falta do que haviam liberado.
O Senhor os abençoaria de tal forma que poderiam emprestar a outros, até a muitas nações (Deuteronômio 15:6). Desse modo, as nações se tornariam dependentes deles, como diz a Escritura que o que toma emprestado é servo do que empresta (Provérbios 22:7). Poder emprestar e não precisar tomar emprestado é uma misericórdia de Deus. Isso deve nos levar a usar o que temos para o bem, para não provocarmos a Deus a mudar a nossa condição.
A parte seguinte da lei protege os pobres que tomam emprestado, para que não fossem prejudicados por causa da lei da remissão. Alguém poderia pensar: “Se a dívida será perdida no ano da remissão, é melhor não emprestar nada.” Deus proíbe esse tipo de raciocínio. Ele afirma que sempre haverá pobres que precisarão de ajuda (Deuteronômio 15:7, 11). Nem todos estarão em miséria extrema, mas muitos ainda precisarão tomar emprestado. Assim, sempre haverá espaço para a caridade.
Nesses casos, eles deviam emprestar ou dar conforme a própria capacidade e a necessidade que estivesse diante deles. Não deviam endurecer o coração nem fechar a mão (Deuteronômio 15:7). Uma mão fechada muitas vezes revela um coração endurecido. Se o coração está cheio de compaixão, a liberalidade o acompanhará. Eles não deviam apenas estender a mão um pouco, mas abri-la largamente e emprestar o suficiente para cobrir a necessidade (Deuteronômio 15:8). Muitas vezes, um empréstimo cuidadoso é, em si, uma forma de caridade, porque incentiva o trabalho e a honestidade e pode ajudar o pobre a se reerguer.
Eles também foram advertidos a não deixar que a proximidade do ano da remissão os impedisse de ajudar (Deuteronômio 15:9). Não deviam acolher no coração um pensamento ganancioso e mesquinho: “O ano da remissão está perto, então não vou emprestar, para não perder o que é meu.” Se recusassem ajuda a um irmão pobre, esse irmão poderia clamar ao Senhor, e isso se tornaria pecado para o que se negou a emprestar. A lei alcança o coração, não apenas as atitudes exteriores. Deus vê pensamentos tanto quanto ações.
Um coração que distorce uma boa lei de Deus para transformá‑la em desculpa para o egoísmo é um coração perverso. Eles eram tentados a recusar a caridade de emprestar porque Deus exigia a caridade de perdoar dívidas. Devemos vigiar contra todo pensamento escondido que nos afaste do dever ou nos enfraqueça no cumprimento dele. Quem deseja evitar ações pecaminosas deve também impedir que pensamentos pecaminosos se instalem na mente.
Quando temos oportunidade de emprestar por amor, e não conseguimos confiar totalmente na pessoa que pede, devemos confiar em Deus. Devemos emprestar sem esperar receber algo de volta nesta vida, mas com a esperança de que Deus nos recompensará na ressurreição dos justos (Lucas 6:35; Lucas 14:14).
É algo muito sério quando o pobre clama contra nós, porque Deus ouve esse clamor. Em sua compaixão por eles, Ele acertará as contas com os que os tratam mal. Aquilo que muitas vezes chamamos de prudência pode, na verdade, ser pecado. O homem que se recusou a emprestar porque o ano da remissão se aproximava pensou que estava agindo com sabedoria e que seria elogiado por cuidar bem de si mesmo (Salmo 49:18). Mas Deus declara que ele agiu perversamente e prejudicou seu irmão. Podemos estar certos de que Deus julga com perfeita verdade, e o que Ele chama de pecado certamente trará ruína se não houver arrependimento.
Aqui também há um mandamento para dar com coração disposto: “O teu coração não se entristeça quando lhe deres” (Deuteronômio 15:10). Não se mostre relutante em se separar do seu dinheiro para um fim tão bom, e não pense que foi desperdiçado. Não guarde ressentimento por fazer o bem a seu irmão, nem desconfie do cuidado de Deus, como se fosse perder o que entrega à caridade. Pelo contrário, alegre‑se em saber que está honrando a Deus com o que possui, ajudando outra pessoa e ajuntando para si uma boa recompensa para o futuro. Dê com liberdade, porque Deus ama quem dá com alegria (2 Coríntios 9:7).
Há também a promessa de bênção nesta vida: “Por isso o Senhor teu Deus te abençoará.” Os avarentos dizem que dar é o que arruína a pessoa, mas a caridade alegre produz o contrário. Enche os celeiros de fartura (Provérbios 3:10) e enche a alma de verdadeiro consolo (Isaías 58:10, 11).
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Deste capítulo
Deuteronômio 15:2
"Este, pois, é o modo da remissão: todo o credor remitirá o que emprestou ao seu próximo; não o exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoada."
Deuteronômio 15:3
"Do estrangeiro o exigirás; mas o que tiveres em poder de teu irmão a tua mão o remitirá."
Deuteronômio 15:4
"Exceto quando não houver entre ti pobre algum; pois o Senhor abundantemente te abençoará na terra que o Senhor teu Deus te dará por herança, para possuí-la."
Deuteronômio 15:5
"Se somente ouvires diligentemente a voz do Senhor teu Deus para cuidares em cumprir todos estes mandamentos que hoje te ordeno;"
Deuteronômio 15:6
"Porque o Senhor teu Deus te abençoará, como te tem falado; assim, emprestarás a muitas nações, mas não tomarás empréstimos; e dominarás sobre muitas nações, mas elas não dominarão sobre ti."
Deuteronômio 15:7
"Quando entre ti houver algum pobre, de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na terra que o Senhor teu Deus te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre;"
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