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Daniel 3:8 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Por isso, no mesmo instante chegaram perto alguns caldeus, e acusaram os judeus. "

Daniel 3:8

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6 E qualquer que não se prostrar e não a adorar, será na mesma hora lançado dentro da fornalha de fogo ardente.

7 Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério e de toda a espécie de música, prostraram-se todos os povos, nações e línguas, e adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado.

8 Por isso, no mesmo instante chegaram perto alguns caldeus, e acusaram os judeus.

9 E responderam, dizendo ao rei Nabucodonosor: Ó rei, vive eternamente!

10 Tu, ó rei, fizeste um decreto, pelo qual todo homem que ouvisse o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério, e da gaita de foles, e de toda a espécie de música, se prostrasse e adorasse a estátua de ouro;

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auto_stories Comentário Bible Guided

É notável que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego tenham comparecido a essa grande reunião, mesmo provavelmente sabendo por que ela havia sido convocada. Daniel, ao que tudo indica, estava ausente por causa de suas funções, ou porque o rei lhe permitira ficar afastado, a menos que sua posição no favor do rei fosse tão alta que ninguém ousasse se queixar dele. Mas por que os três companheiros não ficaram escondidos? Muito provavelmente porque desejavam obedecer ao rei em tudo o que fosse possível, mas ao mesmo tempo dar um testemunho público contra aquela idolatria aberta.

Eles não pensavam que bastava simplesmente não se ajoelhar diante da imagem. Como ocupavam cargos oficiais, sentiam-se obrigados a se opor a ela, mesmo sendo o próprio rei, seu senhor, quem havia erguido a imagem de ouro para si e para que outros a adorassem. Então certos caldeus apresentaram ao rei uma acusação contra esses três homens, dizendo que eles não tinham obedecido ao seu mandado (Daniel 3:8). Esses caldeus provavelmente eram alguns dos magos ou astrólogos que, de modo especial, eram chamados de caldeus (Daniel 2:2, Daniel 2:4), e que guardavam ressentimento contra os companheiros de Daniel por causa dele, que os havia superado, e porque esses homens haviam participado da sua promoção.

Esses acusadores tinham recebido, em resposta à oração, a misericórdia que lhes preservou a vida, e ainda assim retribuíram o bem com o mal. Ao amor que lhes fora demonstrado, responderam tornando-se inimigos. Jeremias enfrentou tratamento semelhante, ficando diante de Deus para falar o bem em favor de um povo que depois cavou uma cova para tirar-lhe a vida (Jeremias 18:20). Não devemos nos espantar quando encontramos pessoas ingratas assim. Ou talvez esses homens tivessem inveja das honras dadas aos judeus e quisessem ter a oportunidade de ocupar aqueles cargos. Quem consegue resistir à força da inveja?

Eles se aproximaram do rei com o costumeiro respeito, dizendo: “Ó rei, vive eternamente”, como se buscassem apenas a honra e a segurança dele, quando na verdade o empurravam para um caminho capaz de arruinar a ele e ao seu reino. Recordaram-lhe a lei que ele acabara de promulgar, segundo a qual todos os povos, sem distinção de nação ou língua, deveriam se prostrar e adorar a imagem de ouro. Também lhe lembraram a pena pela desobediência: o infrator seria lançado na fornalha de fogo ardente (Daniel 3:10, Daniel 3:11). Não havia como negar que essa era a lei, embora a questão de ser ela justa ou não fosse outra discussão.

Em seguida, disseram que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não haviam obedecido ao mandado (Daniel 3:12). É provável que Nabucodonosor não tivesse feito essa lei com um plano específico de armar uma cilada para eles, pois, se fosse esse o caso, estaria vigiando-os de perto e não precisaria desse relatório. O que aconteceu é que seus inimigos procuravam um motivo de acusação contra eles e se lançaram avidamente sobre essa oportunidade.

Para agravar ainda mais a situação e atiçar a ira do rei, lembraram-lhe das altas posições que aqueles homens ocupavam. Embora fossem judeus, estrangeiros, cativos, e pertencessem a um povo e a uma religião que muitos desprezavam, o rei os havia colocado sobre os negócios da província da Babilônia. Por isso, a recusa deles parecia aos acusadores especialmente ingrata e afrontosa. Além disso, seria um mau exemplo para os demais, de modo que eles argumentavam que a conduta dos três merecia castigo severo. Quando os príncipes já estão irados contra inocentes, quase nunca faltam vozes ao redor deles para piorar ainda mais a situação.

Os acusadores também sugeriram que a recusa fora deliberada e cheia de desprezo. Disseram, em essência, que aqueles homens não tinham consideração pelo rei, pois não serviam aos deuses dele nem adoravam a imagem de ouro que ele havia levantado. Então os três judeus fiéis foram imediatamente trazidos à presença do rei e interrogados sobre a acusação.

Nabucodonosor explodiu em furor e ordenou que fossem presos (Daniel 3:13). Revela-se aí quão pouca honra havia em seu governo: ele dominava tantas nações, mas não conseguia dominar a si mesmo. Tinha muitos súditos e cativos, mas ele próprio era escravo de suas paixões descontroladas. Quão incapaz era de governar pessoas racionais, se não se deixava governar pela razão. Não tinha motivo para se surpreender com o fato de que aqueles três homens não servissem aos seus deuses, pois sabia muito bem que eles nunca o haviam feito, e que sua fé sempre os impedira disso. Tampouco tinha razão para achar que pretendiam insultar sua autoridade, pois sempre haviam lhe demonstrado respeito e obediência como seu príncipe.

Era especialmente impróprio que ficasse tão irado justamente naquele momento em que estava no auge da dedicação da imagem de ouro. O simples bom senso deveria conter sua ira. A verdadeira devoção acalma o espírito e torna a pessoa mansa e tranquila. A falsa adoração, pelo contrário, atiça paixões, raiva e fúria, e rebaixa as pessoas a algo menos que humano. A ira de um rei é como o rugido de um leão, e a de Nabucodonosor era exatamente assim. Ainda assim, mesmo no calor de sua fúria, os três homens foram trazidos à sua presença e permaneceram ali com firme coragem e resolução inabalável.

O rei então expôs brevemente o caso e perguntou se eles iriam obedecer ou não. Perguntou se era verdade que haviam se recusado a adorar a imagem de ouro quando todos os demais já o tinham feito (Daniel 3:14). Alguns entendem suas palavras como: “Isso foi feito de propósito?” Ele parece querer dizer: “Foi deliberado ou foi apenas um engano?” Lembra-lhes que os sustentara, os criara e apoiara às suas próprias custas. Também menciona a reputação que tinham de homens sábios, como se devessem saber melhor qual era o dever para com o seu príncipe. Então pergunta: “Não servis aos meus deuses, nem adorais a imagem de ouro que levantei?”

A fé firme dos servos de Deus muitas vezes espanta seus inimigos e perseguidores, que acham estranho que eles não corram com eles para o mesmo excesso de pecado. O rei estava disposto a lhes dar outra chance. Se, num primeiro momento, haviam se recusado de propósito, talvez, pensando melhor, mudassem de ideia. Por isso ele repetiu as condições, e agora eles precisavam decidir claramente de que lado estavam (Daniel 3:15). Estava disposto a mandar tocar a música novamente, por causa deles, na esperança de que isso os amolecesse até a obediência. Se se dispusessem a ouvir e adorar a imagem de ouro, a primeira recusa seria perdoada.

O rei deixou claro, porém, que, se ainda assim recusassem, seriam imediatamente lançados na fornalha de fogo ardente. Não lhes daria nem uma hora de prazo. A escolha era simples e cruel: ou se dobravam, ou seriam queimados. Sabendo que eles se firmavam na confiança em Deus, o rei insultou diretamente a Deus, perguntando: “Quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” Parecia ter esquecido o que antes havia confessado, que o Deus deles era “Deus dos deuses e Senhor dos reis” (Daniel 2:47). Os orgulhosos ainda hoje são rápidos em falar como Faraó: “Quem é o Senhor, para que eu ouça a sua voz?”, ou como o próprio Nabucodonosor: “Quem é o Senhor, para que eu tema o seu poder?”

Os três jovens, Hananias, Misael e Azarias, responderam juntos com grande coragem e calma. Muitas vezes os chamamos de “os três jovens”, mas, na verdade, eram homens moços, e se portaram como verdadeiros campeões do reino de Deus. Não atacaram com palavras os que se ajoelharam diante da imagem de ouro, nem correram ao encontro do perigo para se fazerem mártires. Quando a provação chegou a eles, no tempo determinado, permaneceram firmes com coragem constante. O rei fora ousado em fazer o ídolo, mas eles foram igualmente ousados em se opor a ele. Não o chamaram de tirano nem de idólatra, pois a causa de Deus não precisa do furor humano. Em vez disso, responderam com força tranquila e mente resoluta, prontos para sustentar o que haviam declarado.

Demonstraram um nobre desprezo pela morte quando disseram: “Ó Nabucodonosor, não necessitamos de te responder sobre este negócio.” Não se recusaram a responder por um silêncio teimoso. O que queriam dizer é que não havia nada a discutir. A questão já estava decidida, pois ele havia ordenado que pecassem e ameaçado matá-los. Quando o mal é evidente, não há necessidade de discutir com ele. Quem quer evitar o pecado não deve negociar com a tentação. Aquilo que é claramente errado deve ser rejeitado de imediato, com repulsa, sem demora. Como Cristo ensinou, a resposta é: “Arreda-te, Satanás.”

Eles também não precisavam de tempo para formular uma resposta engenhosa. Como testemunhas de Deus, podiam confiar que lhes seriam dadas as palavras certas na hora oportuna (Mateus 10:19). Não tentaram fugir da questão, nem bajularam o rei para adoçá-lo. Sua resposta foi simples e direta. Não começaram com as habituais palavras de cortesia, “Ó rei, vive eternamente”, porque não buscavam o favor dele. Aqueles que fazem do dever sua principal preocupação não precisam se inquietar com o resultado.

A calma deles vinha da fé em Deus e da confiança que tinham nele (Daniel 3:17). Essa confiança lhes permitia encarar a morte sem medo, mesmo uma morte cheia de terror. Confiavam no Deus vivo e, por causa dessa fé, escolheram o sofrimento em vez do pecado. Temeram menos a ira do rei do que creram no Deus invisível (Hebreus 11:25, Hebreus 11:27). Estavam, na prática, declarando que não eram ateus, pois tinham um Deus a quem chamavam de seu e a quem eram leais. Serviam a esse Deus, tinham-se entregado à sua honra e dependiam dele para protegê-los, sustentá-los e recompensá-los.

Estavam também certos de que Deus podia salvá-los da fornalha ardente. Ele podia impedir que fossem lançados ali, ou podia tirá-los de lá vivos. Os servos fiéis de Deus descobrem que ele é plenamente capaz de sustentá-los em seu serviço e dominar todo poder que se levante contra eles. “Senhor, se quiseres, podes” é sempre verdade a respeito dele. Eles ainda tinham razão para esperar que ele os salvaria, porque uma libertação assim honraria o seu grande nome diante de tantos idólatras. E Nabucodonosor o havia desafiado abertamente, perguntando quem poderia livrá-los. Deus às vezes age de modo maravilhoso para calar a blasfêmia do inimigo e também para responder às orações do seu povo (Salmo 74:18-22; Deuteronômio 32:27). Se Deus não os livrasse da fornalha, ainda assim os livraria da mão do rei. Nabucodonosor só poderia torturar e matar o corpo. Depois disso, não teria mais poder algum. Então eles estariam fora do seu alcance, libertos da sua mão. Bons pensamentos sobre Deus e plena confiança de que ele está conosco enquanto lhe permanecemos fiéis nos ajudam a suportar o sofrimento. Se Deus é por nós, não precisamos temer o que o homem pode fazer.

Eles concluíram com uma recusa firme a qualquer tipo de compromisso, acontecesse o que acontecesse (Daniel 3:18). “Mas, se não”, disseram eles, isto é, se Deus não quisesse livrá-los da fornalha, embora soubessem que ele podia, “ainda assim não serviremos aos deuses do rei, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.” Não tiveram vergonha nem medo de confessar sua fé diante do próprio rei. Não cederiam, mesmo que o preço fosse a morte. Se tivessem dado ouvidos à simples razão humana, haveria muito o que dizer para empurrá-los à obediência, especialmente porque a recusa significava enfrentar uma morte tão terrível.

Não estavam sendo chamados a negar o Deus deles, nem a renunciar ao culto que lhe prestavam. Nem sequer lhes pediam para declarar em voz alta que aquela imagem de ouro era um deus. Só lhes mandavam inclinar-se diante dela, e eles poderiam tentar manter, em segredo, a lealdade ao Deus de Israel, detestando por dentro aquela idolatria, como Naamã fez ao se inclinar na casa de Rimom.

Também não estavam sendo puxados para um padrão contínuo de idolatria. Seria apenas um ato, feito em um minuto; depois o perigo passaria, e poderiam, mais tarde, confessar o pecado e lamentá-lo. A ordem vinha de um rei que tinha poder absoluto sobre eles. Estavam debaixo dele não só como súditos, mas como cativos; assim, se obedecessem, seria sob força e pressão, o que poderia parecer uma espécie de desculpa.

O rei também lhes havia feito o bem. Ele os havia educado e lhes dado altos cargos, de modo que a gratidão poderia parecer exigir alguma concessão, ainda que forçada. Estavam ainda em terra estrangeira, para onde haviam sido lançados, e a pessoas assim é quase como se se dissesse: Ide e servi a outros deuses (1 Samuel 26:19). A situação deles se parecia muito com o próprio juízo descrito em Deuteronômio 4:28, onde servir a outros deuses faz parte do castigo. Poderiam se sentir desculpados se seguissem a corrente, quando a corrente era tão forte.

Havia ainda o exemplo dos outros. Não tinham seus reis, príncipes, pais e até sacerdotes levantado ídolos no templo de Deus, se curvado diante deles, construído altares, queimado incenso e oferecido sacrifícios, até mesmo seus próprios filhos? Não tinham as dez tribos adorado, por muitos anos, deuses de ouro em Dã e em Betel? Então, por que esses homens deveriam ser mais rigorosos do que seus pais? O costume humano muitas vezes tenta dar aparência de certo a um comportamento errado, mas isso não o torna certo.

Outro argumento era que ceder poderia preservar-lhes a vida e manter seus cargos. Vivendo, poderiam continuar ajudando seus irmãos em Babilônia, e eram jovens, com um futuro pela frente. Mas um só mandamento de Deus bastava para responder a toda essa forma de raciocínio mundano: “Não te encurvarás diante de imagens, nem as servirás.” Eles sabiam que deviam obedecer a Deus e não aos homens. Preferir sofrer a pecar, e não fazer o mal para que venha o bem. Assim, nenhum desses raciocínios os abalou. Estavam decididos a morrer com integridade, em vez de viver com culpa.

Enquanto seus compatriotas na própria terra estavam escolhendo a idolatria, esses homens, em Babilônia, não se deixaram forçar a ela. Em um país idólatra, tornaram-se ainda mais firmes contra a idolatria. Considerando tudo, a maneira como Deus os guardou desse compromisso pecaminoso foi um milagre de graça tão grande quanto livrá-los da fornalha ardente foi um milagre na ordem da natureza. Esses eram os mesmos homens que, antes, haviam recusado contaminar-se com as iguarias do rei; agora, corajosamente, recusaram contaminar-se com os deuses do rei. Uma lealdade firme e abnegada a Deus nas coisas menores nos prepara para as provações mais difíceis. Por isso é necessário permanecer inabaláveis e nunca, sob pretexto algum, adorar imagens ou fazer paz com os que as adoram.

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