Versículo em destaque
Daniel 12:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. "
Daniel 12:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro.
2 E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.
3 Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente.
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Os profetas costumam fazer isso: quando advertem o povo de Deus sobre tribulações que vêm, ao mesmo tempo lhes anunciam o conforto adequado para enfrentá-las. E o melhor consolo vem de Cristo e da vida futura, porque serve para toda necessidade e tem grande poder. É daí que vem o consolo nesta passagem.
Jesus Cristo se manifestará como protetor e defensor de sua igreja. “Naquele tempo”, quando a perseguição estiver no auge, “se levantará Miguel” (Daniel 12:1). O anjo já havia dito a Daniel que Miguel, o grande príncipe que se levanta a favor do povo de Deus, era um amigo fiel da igreja (Daniel 10:21). Cristo é esse grande príncipe, pois é o Príncipe dos reis da terra (Apocalipse 1:5). Se ele se levanta a favor de sua igreja, ninguém pode se levantar eficazmente contra ela.
Mas o texto não fala apenas de Deus ajudando Israel naquele momento de perigo. Ele aponta também para a obra de Cristo na nossa salvação eterna. O Filho de Deus viria em carne humana e se manifestaria para destruir as obras do diabo. Cristo se levantou a favor de seu povo quando foi feito pecado e maldição por eles, tomando o lugar deles como sacrifício e suportando o que mereciam. E ele continua se levantando a favor deles agora, na sua intercessão, pois vive para sempre para interceder por eles dentro do véu, no santo lugar além do cortinado.
Após a destruição do anticristo, de quem Antíoco foi uma figura, Cristo estará de pé no último dia sobre a terra. Ele aparecerá para o livramento completo de todos os que lhe pertencem. Quando Cristo se manifestar, também dará tribulação aos que atribularam o seu povo. Haverá um tempo de angústia, um sofrimento que a todos ameaça, mas que traz ruína aos inimigos obstinados de Deus, qual nunca houve nação até então. Isso pode se aplicar à destruição de Jerusalém, que Jesus descreveu como uma grande tribulação como nunca houve (Mateus 24:21). Pode também apontar para o juízo final, aquele dia que arde como fornalha e consome os soberbos e todos os que praticam o mal. Para aqueles contra quem o nosso príncipe Miguel se levanta, será um dia de angústia sem igual.
Ele também salvará o seu povo. “Naquele tempo livrar-se-á o teu povo” da destruição que Antíoco havia planejado contra eles, isto é, todos aqueles designados para preservação, os escritos entre os vivos (Isaías 4:3). Quando Cristo vem ao mundo, ele salva o seu Israel espiritual do pecado e do inferno. Na sua segunda vinda, ele completará a salvação de todos os que o Pai lhe deu, todos cujos nomes estão escritos no livro da vida (Apocalipse 20:15). Seus nomes foram escritos ali antes da fundação do mundo, e ainda serão achados ali quando os livros forem abertos no fim.
Também haverá uma ressurreição especial dos que dormem no pó da terra (Daniel 12:2). Quando Deus livra o seu povo da perseguição, é como uma ressurreição. O retorno da Babilônia é apresentado assim, e também o livramento de Antíoco e de outras épocas em que a igreja foi restaurada a uma paz exterior. Era como se a vida tivesse voltado dentre os mortos. Muitos que haviam ficado por muito tempo deitados no pó da vergonha e do sofrimento despertariam, alguns para vida, honra e consolo eternos, mas outros para vergonha e desprezo. Quando as pessoas recebem prosperidade e a usam para voltar ao pecado, essa mesma prosperidade só serve para expô-las e arruiná-las.
Quando o nosso príncipe Miguel se manifestar e o seu evangelho for pregado, muitos que dormem no pó, tanto judeus quanto gentios, serão despertados para professar a fé e sair de sua antiga incredulidade. Contudo, como hipócritas sempre se misturam com os santos verdadeiros, apenas alguns dos que “ressuscitam” para essa nova condição acharão no evangelho vida para a vida. Outros o acharão morte para morte, e o próprio Cristo se tornará causa da queda deles. A rede do evangelho apanha peixes bons e ruins.
Ainda assim, o sentido principal deve ser a ressurreição geral do último dia. “Muitos” dos que dormem no pó despertarão, isto é, uma grande multidão, na verdade, todos. Os próprios judeus entendem esse texto como a ressurreição dos mortos no fim dos tempos. Cristo parece apontar para isso quando fala da ressurreição da vida e da ressurreição da condenação (João 5:29). Paulo também diz que os judeus esperavam uma ressurreição tanto de justos quanto de injustos (Atos 24:15). Isso se encaixa bem com o contexto. Sob a perseguição de Antíoco, alguns abandonaram vergonhosamente a fé, enquanto outros a conservaram com bravura. Para os fiéis, seria difícil aceitar que, passado o temporal, uns não seriam recompensados e outros não seriam punidos. Assim, Deus lhes assegura que ambos serão retribuídos conforme suas obras na ressurreição. O autor de Hebreus diz que os judeus sofredores, torturados sob Antíoco, não aceitaram livramento, porque esperavam uma melhor ressurreição (Hebreus 11:35).
Uma recompensa gloriosa também será dada àqueles que foram sábios no dia da tribulação e angústia e instruíram a muitos. A profecia anterior sobre a perseguição já havia destacado essas pessoas (Daniel 11:33). Eles prestaram grande serviço, embora tenham caído pela espada e pelo fogo. Se não houvesse vida após esta, seriam os mais infelizes de todos. Mas aqui nos é dito que serão recompensados na ressurreição dos justos (Daniel 12:3). Os que são sábios, isto é, os que ensinam com sabedoria e ajudam outros a adquirir sabedoria, resplandecerão como o fulgor do firmamento. Brilharão em glória celestial, a glória do mundo de cima. Os que usam sua sabedoria e ensino para converter muitos à justiça, especialmente muitos, brilharão como as estrelas, para todo o sempre.
Isso ensina que há glória reservada, na vida futura, para todos os santos, para todos os que são sábios quanto à sua alma e quanto à eternidade. A sabedoria de uma pessoa já faz resplandecer o seu rosto agora (Eclesiastes 8:1), mas ele brilhará muito mais naquele estado futuro, onde sua força estará consumada e seu serviço será recompensado.
Quanto mais bem uma pessoa faz neste mundo, especialmente quanto às almas, tanto maior será sua glória e recompensa na vida vindoura. Os que conduzem outros ao que é certo, que desviam pecadores de seus maus caminhos e ajudam a salvar da morte suas almas (Tiago 5:20), participarão da glória das pessoas que ajudaram a conduzir ao céu. Isso será um acréscimo considerável à sua própria honra.
Os ministros de Cristo, aqueles a quem ele mostrou misericórdia, tornou fiéis e frutíferos, e estabeleceu como luzes ardentes e brilhantes neste mundo, resplandecerão com grande brilho no mundo vindouro. Eles brilharão como estrelas. Cristo é o sol, a fonte de toda luz, tanto em graça quanto em glória. Os ministros brilham como estrelas com uma luz que recebem dele, e sua luz é pequena em comparação com a dele. No entanto, para quem é apenas vaso de barro, fraco e simples em si mesmo, essa será uma glória muito maior do que merece.
Eles brilharão como estrelas de diferentes grandezas, uns com menos glória e outros com mais. Mas virá o dia em que as estrelas cairão do céu como folhas no outono. Essas estrelas, porém, resplandecerão para todo o sempre. Nunca se pôrão, nem jamais se escurecerão.
Essa profecia sobre aqueles tempos, embora por enquanto selada, seria muito útil para aqueles que vivessem então (Daniel 12:4). Daniel deve fechar as palavras e selar o livro, porque levaria muito tempo até que essas coisas se cumprissem. Era algum consolo saber que a nação judaica, ainda jovem depois do retorno da Babilônia, pouco numerosa e fraca, enfrentava resistência em sua obra, mas ainda não era perseguida por causa da religião, o que só aconteceria mais tarde, quando estivesse mais firme e madura.
Ele deve selar o livro porque não seria entendido e, por isso, não seria devidamente valorizado, até que as coisas nele escritas acontecessem. Mesmo assim, devia ser guardado com segurança, como um tesouro de grande valor, reservado para as gerações futuras, para as quais seria de grande proveito. Pois muitos correriam de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicaria. Então esse tesouro escondido seria aberto, e muitos o examinariam e cavariam em busca de seu sentido, como quem procura prata. Correriam de um lado para outro para conseguir cópias, compará-las e garantir que fossem verdadeiras e fiéis.
Eles o leriam repetidas vezes, meditariam profundamente sobre ele e o ruminaríam em seu coração. Conversariam a respeito e comparariam observações, para, se possível, alcançar o seu verdadeiro significado. E assim o conhecimento aumentaria. Ao estudar essa profecia no tempo oportuno, seriam levados a pesquisar o restante das Escrituras, e isso muito contribuiria para o seu crescimento em conhecimento útil. Porque então conheceremos, se prosseguirmos em conhecer ao Senhor (Oséias 6:3).
Os que desejam que seu conhecimento aumente precisam trabalhar para isso. Não podem ficar parados em preguiça e vãs aspirações. Devem correr de uma parte para outra, usar todos os meios de aprender e aproveitar todas as oportunidades para corrigir os próprios erros, esclarecer as dúvidas e aperfeiçoar o entendimento das coisas de Deus, para que conheçam mais e conheçam melhor aquilo que já sabem.
Disso podemos esperar duas coisas. Primeiro, as coisas de Deus que agora são obscuras e difíceis de entender um dia serão esclarecidas. A verdade amadurece com o tempo. As profecias das Escrituras serão explicadas pelo seu cumprimento. É para isso que são dadas e é por isso que são preservadas para explicação futura. Elas nos são anunciadas de antemão para que, quando se cumprirem, creiamos.
Em segundo lugar, as coisas de Deus que agora são desprezadas, negligenciadas e tratadas como inúteis um dia serão honradas. Ver-se-á que são extremamente úteis e serão intensamente buscadas. A revelação divina, ainda que por algum tempo seja ignorada, será engrandecida e honrada, especialmente no grande Dia do Juízo, quando os livros forem abertos, e aquele livro entre eles.
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Deste capítulo
Daniel 12:2
"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno."
Daniel 12:3
"Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente."
Daniel 12:4
"E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará."
Daniel 12:5
"Então eu, Daniel, olhei, e eis que estavam em pé outros dois, um deste lado, à beira do rio, e o outro do outro lado, à beira do rio."
Daniel 12:6
"E ele disse ao homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio: Quando será o fim destas maravilhas?"
Daniel 12:7
"E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas."
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