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Daniel 1:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. "

Daniel 1:8

menu_book Versículo no contexto

6 E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias;

7 E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias o de Sadraque, e a Misael o de Mesaque, e a Azarias o de Abednego.

8 E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar.

9 Ora, Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos.

10 E disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; pois por que veria ele os vossos rostos mais tristes do que os dos outros jovens da vossa idade? Assim porias em perigo a minha cabeça para com o rei.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Vemos aqui, para nosso consolo, que Daniel alcançou favor diante do chefe dos eunucos, assim como José alcançou favor diante do carcereiro. Aquele oficial passou a ter afeição por ele. Daniel, sem dúvida, merecia isso por sua habilidade e caráter dócil, e mais tarde é dito que ele era “muito amado” (Daniel 9:23). Ainda assim, o texto afirma que foi Deus quem o levou a alcançar graça diante do chefe dos eunucos, porque ninguém é aceito apenas por seus próprios méritos.

Devemos lembrar que toda boa posição ou respeito que conquistamos é, na verdade, dádiva de Deus. Se temos graça diante das pessoas, foi Deus quem nos colocou ali. É Ele quem dá entendimento e boa vontade ao coração dos outros. Assim se cumpre novamente aquilo que se lê no Salmo 106:46: Deus fez com que tivessem compaixão daqueles que os mantinham cativos. Os jovens precisam aprender que o caminho para serem estimados é serem ensináveis e obedientes.

Daniel também permaneceu firme em sua fé. Seus conquistadores mudaram seu nome, mas não puderam mudar sua natureza. Podiam chamá-lo como quisessem, ele continuava com o coração de um verdadeiro israelita. Ele se aplicou aos estudos com tanto empenho quanto qualquer outro, aprendendo a língua e a literatura dos caldeus, mas se recusou a contaminar-se com as iguarias e o vinho do rei (Daniel 1:8).

Depois de expor seu propósito e as razões para isso aos seus companheiros, eles concordaram com ele, como se vê em Daniel 1:11. Não se tratava de teimosia, mau humor ou vontade de discordar por capricho. Isso vinha de uma consciência esclarecida. A comida podia ou não ser ilícita em si mesma, mas eles viam sérias razões para evitar aquilo.

Em primeiro lugar, foram cuidadosos com a alimentação porque poderia ser pecado comer daquele modo. Às vezes, poderia incluir carnes que a lei proibia, como a carne de porco. Ou temiam que tivessem sido oferecidas a ídolos ou consagradas em nome de algum deus estranho. Os judeus eram separados das demais nações, em boa medida, justamente por suas leis alimentares (Levítico 11:45-46). Esses jovens fiéis, vivendo em terra estrangeira, sentiam que ainda precisavam honrar sua vocação como povo especial de Deus. Embora não pudessem manter seu status de príncipes, não queriam perder sua identidade como israelitas, o que mais valorizavam.

Quando o povo de Deus está em Babilônia, precisa ter cuidado especial para não participar dos pecados de Babilônia. A providência parecia ter colocado aquela comida diante deles. Como cativos, deviam comer o que lhes fosse dado, sem ofender seus senhores. Mas, se uma ordem contraria a lei de Deus, é preciso apegar-se à lei de Deus. Mesmo que a providência pareça dizer: “Mata e come”, a consciência pode e deve responder: “Não, Senhor, nada impuro entrou na minha boca”.

Em segundo lugar, vigiaram a si mesmos porque, mesmo que a comida não fosse pecaminosa em si, poderia levá-los ao pecado. Ao se acostumarem às iguarias, poderiam tornar-se gulosos, amantes do luxo e das delícias de Babilônia. Haviam aprendido a oração de Davi: “Não me deixes comer das suas iguarias” (Salmo 141:4), e a advertência de Salomão: “Não cobices os seus manjares gostosos, porque são comida enganosa” (Provérbios 23:3). Assim, firmaram o coração.

Isso é um grande mérito para qualquer pessoa, e especialmente para os jovens: estar livre do apego aos prazeres do corpo. Não viver desejando essas coisas, nem viver para elas, nem ser governado por elas. Quem busca sabedoria e piedade precisa aprender cedo a dominar o corpo e mantê-lo sujeito.

Em terceiro lugar, entenderam que não era tempo de conforto e luxo, já que Jerusalém estava em angústia e eles mesmos se achavam no cativeiro. Não tinham desejo de beber vinho em taças largas, enquanto se afligiam por causa da tribulação de José. Embora fossem de sangue real, não julgavam apropriado desfrutar das iguarias reais estando tão humilhados. Devemos ser humildes debaixo de providências difíceis. “Não me chameis Noemi”, disse Rute, “chamai-me Mara”, isto é, amarga.

A aflição mostra aqui o seu valor. Jeremias relata que muitos príncipes e grandes de Jerusalém eram corruptos e impuros, chegando a se contaminar com sacrifícios idólatras, enquanto esses jovens no cativeiro não quiseram se contaminar nem sequer com a comida do rei. É muito melhor conservar a integridade em profunda aflição do que conservar o pecado em tempos de facilidade e prosperidade. Daniel estava principalmente preocupado em evitar a contaminação do pecado, e é isso que também devemos temer acima de tudo, mais do que qualquer dificuldade exterior.

Depois de tomar essa resolução, Daniel pediu ao chefe dos eunucos que não o obrigasse a se contaminar. Ele queria não apenas evitar ser forçado, mas também fugir da tentação. Não desejava sequer que a isca estivesse diante de seus olhos, não queria ver as iguarias do rei nem olhar para o vinho quando vermelho na taça. É mais fácil manter a tentação à distância do que deixá-la aproximar-se e lutar com ela na última hora.

Não há uso melhor da graça que temos diante das pessoas do que empregá-la para nos preservarmos do pecado. Foi isso que Daniel fez. Ele pediu ajuda para permanecer limpo diante de Deus.

Deus também aprovou maravilhosamente a atitude de Daniel. Quando ele pediu que não colocassem diante dele a comida e o vinho do rei, o chefe dos eunucos objetou, dizendo que, se Daniel e seus amigos ficassem com aparência pior do que os outros, ele poderia atrair sobre si a ira do rei e até perder a cabeça (Daniel 1:10). Para tranquilizá-lo de que nenhum mal resultaria disso, Daniel sugeriu uma prova.

Ele então se dirigiu ao servo de posto inferior, Melzar, o despenseiro, e disse: “Experimenta-nos por dez dias. Nesse tempo, dá-nos apenas legumes para comer e água para beber, e depois julga por meio do resultado” (Daniel 1:13). Muitas pessoas não acreditam no valor da comida simples e da abnegação, nem em quanto isso contribui para a saúde do corpo, até que provem por si mesmas.

Assim, a prova foi feita. Daniel e seus amigos viveram dez dias apenas com legumes e água, uma dieta simples para jovens de nascimento nobre e educação refinada, alimento que se esperaria que eles recusassem, e não que pedissem. Ao término dos dez dias, foram comparados com os demais jovens, e se achou que tinham melhor aparência, eram mais robustos e com semblante mais saudável do que todos os que comiam das iguarias do rei (Daniel 1:15).

Isso foi, em parte, o resultado natural de uma vida temperante, mas deve ser atribuído sobretudo à bênção de Deus. Ele pode fazer com que o pouco renda muito, e “um prato de hortaliças” ser melhor do que “um boi cevado”. Isso mostra que o ser humano não vive só de pão. Legumes e água podem ser o alimento mais nutritivo quando Deus ordena a sua bênção.

Vemos, então, o que significa conservar-nos puros das manchas do pecado. É esse o caminho para experimentar o consolo e a paz que são “saúde para o umbigo e medula para os ossos”, enquanto os prazeres do pecado levam à ruína e à decadência.

O mordomo também aprovou a conduta deles. Não os obrigou a comer contra a consciência, mas lhes deu legumes e água, conforme pediram (Daniel 1:16). Eles se sustentaram com essa provisão, e temos bons motivos para supor que ninguém lhes invejou isso. Aqui temos um forte exemplo de domínio próprio e contentamento com alimentação simples. Como disse um pensador antigo, “quem vive conforme a natureza nunca será pobre; quem vive conforme a opinião nunca será rico”.

Essa notável simplicidade desses jovens, manifestada ainda nos dias de sua juventude, os preparou de duas maneiras. Primeiro, aptou-os para o serviço importante que viriam a exercer. Mantendo a mente clara e estável, ficaram mais prontos para trabalhos que exigiam reflexão, e pouparam muito tempo e forças para tarefas mais excelentes. Também os ajudou a evitar muitas fraquezas e enfermidades que normalmente resultam de uma juventude vivida em excessos e que, mais tarde, impedem muitos de cumprir os deveres da idade madura.

Em segundo lugar, preparou-os para grandes sofrimentos. Aqueles que se habituaram a suportar durezas e que praticaram a renúncia e a disciplina própria podem mais facilmente enfrentar a fornalha ardente e a cova dos leões, em vez de pecar contra Deus.

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