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Zacarias 13:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Naquele dia, jorrará uma fonte para a casa de Deus e para os habitantes de Jerusalém, que apagará os seus pecados e as suas impurezas. "

Zacarias 13:1

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1 Naquele dia, jorrará uma fonte para a casa de Deus e para os habitantes de Jerusalém, que apagará os seus pecados e as suas impurezas.

2 Naquele dia — oráculo do Senhor —, exterminarei da terra até os nomes dos ídolos; não se falará mais deles. Expulsarei os falsos profetas e todo espírito impuro.

3 Se alguém ainda tentar dar um oráculo, seu pai e sua mãe, que o geraram, o repreenderão: “Você vai morrer, porque diz mentiras em nome do Senhor”. E, quando ele proferir os seus oráculos, eles mesmos, seu pai e sua mãe, que o geraram, o transpassarão.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, o pecado da igreja. Foi para isso que o Filho de Deus se manifestou: para tirar o nosso pecado (1 João 3:5). Ele remove a culpa do pecado pelo sangue da sua cruz (Zacarias 13:1). “Naquele dia”, isto é, na era do evangelho, “haverá uma fonte aberta”. Deus providenciou plena purificação para todos os que verdadeiramente se arrependem e se entristecem por causa dos seus pecados.

Quando o Espírito de graça é derramado e as pessoas passam a prantear por causa de seus pecados, não se lamentam como quem não tem esperança. São perdoadas, e podem sentir em seus corações o consolo desse perdão. Suas consciências são purificadas e aquietadas pelo sangue de Cristo, que nos purifica de todo pecado (1 João 1:7). Cristo foi exaltado para dar tanto arrependimento quanto perdão de pecados, e onde ele concede um, certamente concede o outro.

Essa fonte aberta é o lado traspassado de Jesus Cristo, mencionado logo antes (Zacarias 12:10). Daquele lado saíram sangue e água, ambos para purificação. Os que olham para Cristo, traspassado pelos seus pecados, e choram porque seus pecados o traspassaram, podem também tornar a olhar e se alegrar nele. Agradou ao Senhor ferir essa rocha para que se tornasse para nós uma fonte de água viva.

Vemos aqui quão contaminados estamos. Todos nós. Pecamos, e o pecado é imundícia. Mancha a mente e a consciência, torna-nos odiosos a Deus e deixa-nos intranquilos dentro de nós mesmos. Também nos torna impróprios para o serviço de Deus e para íntima comunhão com ele, assim como os cerimonialmente impuros eram excluídos do santuário. A casa de Davi e os habitantes de Jerusalém estão debaixo do pecado, e o pecado é imundícia. Na verdade, todos nós somos como algo impuro, e merecemos o lugar dos impuros.

Vemos também como podemos ser purificados. Uma fonte foi aberta para que nela nos lavemos, e dela correm rios até nós. Se não formos purificados, a culpa é nossa. O sangue de Cristo, e a misericórdia perdoadora de Deus nesse sangue, conforme revelado na nova aliança, são uma fonte porque contêm uma plenitude inesgotável. Há misericórdia suficiente em Deus, e mérito suficiente em Cristo, para perdoar os maiores pecados e pecadores que venham segundo os termos do evangelho. “E tais fostes alguns de vós; mas haveis sido lavados” (1 Coríntios 6:11). Sob a lei havia a pia de bronze e o mar de bronze para as abluções, mas eram apenas recipientes. Nós temos uma fonte própria, transbordante e sempre fluindo.

É também uma fonte aberta, porque qualquer que quiser pode vir e receber seu benefício. Está aberta, não só para a casa de Davi, mas para os habitantes de Jerusalém, para pobres e ricos, humildes e honrados. Ou está aberta para todos os crentes que, como filhos espirituais de Cristo, pertencem à casa de Davi e, como membros vivos da igreja, são habitantes de Jerusalém. Em Cristo, todos os que creem são justificados, isto é, considerados justos diante de Deus, e lavados de seus pecados em seu sangue, para que se tornem “reis e sacerdotes” para Deus (Apocalipse 1:5, 6).

Ele também tira o poder do pecado pela força de sua graça, inclusive nossos pecados mais queridos. Isso sempre acompanha a primeira obra. Os que são lavados na fonte aberta não são apenas justificados, mas também santificados, isto é, feitos santos. A água veio juntamente com o sangue do lado traspassado de Cristo.

Naquele dia, a idolatria será completamente afastada, e o povo judeu será eficazmente curado de sua tendência a ela (Zacarias 13:2). Deus diz: “Eliminarei da terra os nomes dos ídolos”. O culto aos ídolos de seus pais será tão completamente arrancado que, em uma ou duas gerações, mal se lembrará que tais ídolos existiram entre eles. Ou não serão mais nomeados, ou não o serão com qualquer respeito. Isso cumpre a promessa: “Da sua boca tirarei os nomes dos baalins” (Oséias 2:17).

Isso se cumpriu no profundo ódio aos ídolos que os judeus passaram a ter depois do cativeiro, e que ainda têm até hoje. Também se cumpriu na pronta conversão de muitos a Cristo, por meio da qual deixaram de fazer da lei cerimonial um ídolo, como faziam os judeus incrédulos. E continua se cumprindo sempre que almas são afastadas do mundo e da carne, esses dois grandes ídolos, para se apegarem somente a Deus.

A falsa profecia também chegará ao fim. Deus diz: “Removerei da terra os profetas e o espírito de impureza”. O diabo é um espírito imundo. O pecado e a impureza procedem dele, e ele tem seus próprios profetas, que servem aos seus propósitos e dele recebem suas mensagens. Se o espírito imundo fosse retirado, os profetas não continuariam a enganar como fazem. Se os falsos profetas, que reivindicam falsa autoridade, fossem afastados, o espírito imundo não poderia fazer o mal que faz.

Quando Deus decide silenciar os falsos profetas, expulsa o espírito imundo que agia neles e competia com ele pelo domínio do coração. Quando a igreja judaica estava entregue à idolatria, também admirava grandemente os falsos profetas, que confortavam o povo em seus pecados com promessas de segurança e paz. Mas aqui Deus promete uma mudança abençoada: eles se voltariam fortemente contra os falsos profetas e se empenhariam em limpar a terra deles. Fizeram isso após o cativeiro, até que, em seu zelo cego contra falsos profetas, mataram o próprio Cristo sob essa acusação. Depois disso surgiram muitos falsos cristos e falsos profetas, que enganaram a muitos (Mateus 24:11).

Prediz-se aqui que os falsos profetas, em vez de serem tolerados e favorecidos, seriam trazidos ao justo castigo, até mesmo por seus parentes mais próximos. Isso seria um dos sinais mais claros do forte zelo contra os enganadores (Zacarias 13:3). Quando alguém se levantasse como profeta e falasse mentiras em nome do Senhor, pregando o que afastasse o povo de Deus e o fortalecesse no pecado, até seus próprios pais seriam os primeiros e mais prontos a entregá-lo à justiça, segundo a lei (Deuteronômio 13:6-11). Manifestariam sua indignação e impediriam que ele levasse outros ainda mais para o erro.

Devemos aprender a nutrir profundo ódio e temor por tudo o que possa nos tirar do caminho do dever para veredas tortuosas, como aqueles que “não podem suportar os maus” (Apocalipse 2:2). O zelo santo por Deus e pela piedade nos fará odiar o pecado e temer a tentação especialmente onde naturalmente mais amamos, e onde estamos mais próximos do perigo. É justamente aí que o perigo muitas vezes se encontra, como aconteceu com Adão por meio de Eva e com Jó por meio de sua esposa. E é aí também que é mais digno mostrar zelo, como fez Levi, que, pela causa de Deus, não poupou nem mesmo seus laços familiares (Deuteronômio 33:9). Assim, devemos odiar e deixar até nossos parentes mais próximos quando entram em conflito com o nosso dever para com Deus (Lucas 14:26). A afeição natural, por mais forte que seja, precisa ser governada pelo amor santo.

Os falsos profetas também serão convencidos de seu pecado e loucura e abandonarão suas pretensões (Zacarias 13:4). “Os profetas se envergonharão de cada visão que alegaram ter. Não a repetirão nem a sustentarão. Quererão que seja esquecida e estarão dispostos a confessar que foi uma fraude.”

Isso acontecerá porque Deus, em sua graça, despertará suas consciências e lhes mostrará seu erro. Ou porque os acontecimentos provarão falsas as suas palavras e os desmascararão como mentirosos. Pode ser também porque o povo já não receberá bem suas profecias, mas as desprezará e rejeitará. Quando virem outros envergonhados deles, começarão a se envergonhar de si mesmos. Assim, deixarão de usar o manto de pelos, ou veste áspera, que os verdadeiros profetas costumavam vestir no espírito de Elias, como sinal de renúncia e seriedade.

Esses impostores se vestiam como verdadeiros profetas, mas, uma vez exposta sua loucura, abandonarão tal vestimenta. Não tentarão mais enganar os descuidados por meio da aparência exterior. Uma roupa simples e modesta é boa quando de fato expressa um coração humilde e ajuda a instruir os outros. Mas é má quando esconde um coração orgulhoso e ambicioso e é usada para enganar. Que as pessoas sejam tão boas quanto parecem ser, e não apenas pareçam melhores do que realmente são.

Esse pretendente, como um verdadeiro arrependido, procurará primeiro desfazer o mal que causou. Dirá: “Não sou profeta, como afirmei. Nunca fui escolhido para esse ofício, nunca fui treinado nele, nem contado entre os filhos dos profetas”. E acrescentará: “Sou lavrador, e esse foi o meu trabalho. Nunca fui ensinado por Deus a profetizar, mas por homens a cuidar de gado” (Amós 7:14, 15). Amós também era lavrador antes que Deus o chamasse para ser profeta, mas esse enganador jamais recebeu tal chamado. Os que realmente se entristecem por terem enganado outros serão rápidos em confessar seu pecado e farão o que puderem para corrigir os erros que causaram.

Tal homem também voltará ao trabalho que de fato lhe pertence. Em outras palavras: “Serei lavrador; voltarei à minha vocação e deixarei de me intrometer no que não é meu. Aprendi a cuidar de gado desde a minha juventude, e voltarei a cuidar de gado. Nunca mais vou me colocar como pregador.” Quando percebemos que abandonamos o caminho do nosso dever, precisamos mostrar que o nosso arrependimento é verdadeiro voltando a ele, mesmo que isso seja profundamente humilhante.

Ele também reconhecerá que aqueles que o corrigiram com dureza eram seus amigos, porque o ajudaram a chegar à verdade (Zacarias 13:6). Quando um homem que antes afirmava com confiança ser profeta, de repente passa a dizer: “Não sou profeta”, todos se espantarão. Alguns perguntarão: “Que feridas são essas nas tuas mãos? Como as recebeste? Foste examinado a golpes? Foi isso que te trouxe de volta ao juízo?” O sofrimento muitas vezes aguça o entendimento. “Foste açoitado até confessar a verdade? Foi a vara e a correção que te ensinaram sabedoria?” E ele responderá: “Sim. Essas são as feridas que recebi na casa dos meus amigos, que me amarraram e me trataram com aspereza, como se eu estivesse fora de juízo, e assim me fizeram voltar à razão.”

Isso mostra que os pais que atravessaram com a espada o falso profeta (Zacarias 13:3) não o fizeram antes de terem procurado corrigi-lo. Ele não quis ouvir, e por isso não puderam recuperá-lo. Isso está de acordo com a lei sobre o filho contumaz, cujos pais tinham de tentar discipliná-lo sem êxito antes de o levarem para ser apedrejado (Deuteronômio 21:18,19). Aqui, outro homem foi levado ao arrependimento por meio de açoites, e assim escapou da pena de morte. Ele reconheceu com sinceridade que aqueles que o feriram eram seus verdadeiros amigos, porque tentavam restaurá-lo. “Leais são as feridas feitas pelo amigo” (Provérbios 27:6).

Alguns bons intérpretes observam que isso vem logo depois da menção de que Cristo seria traspassado, e entendem que essas palavras pertencem a esse grande Profeta, e não ao falso profeta mencionado antes. Cristo foi ferido em suas mãos quando foram pregadas na cruz e, depois da ressurreição, ainda trazia as marcas dessas feridas. Nessa leitura, ele explica como as recebeu. Ele as recebeu como alguém tratado como falso profeta, pois os principais sacerdotes o chamaram de enganador e, com essa acusação, buscaram a sua crucificação. E, ainda assim, ele diz que as recebeu na casa de seus amigos, os judeus, que deveriam ter sido seus amigos. Veio para o que era seu e, embora eles se mostrassem seus inimigos, ainda os chamou de amigos, como chamou a Judas: “Amigo, para que vieste?”, porque, mesmo agindo perversamente, contribuíram para que seus sofrimentos se cumprissem. Do mesmo modo, chamou Pedro de “Satanás”, isto é, adversário, porque Pedro tentou desviá-lo daquele sofrimento.

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