Sabedoria 17:1
Na verdade, grandes e impenetráveis são teus juízos, Senhor; por isso, as almas grosseiras caíram no erro.
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20 versículos | Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Na verdade, grandes e impenetráveis são teus juízos, Senhor; por isso, as almas grosseiras caíram no erro.
Por terem acreditado que podiam oprimir a santa nação, os ímpios, prisioneiros das trevas e encarcerados por uma longa noite, jaziam encerrados em suas casas, tentando escapar da tua incessante vigilância.
Depois de imaginarem que, com seus pecados secretos, ficariam escondidos sob o sombrio véu do esquecimento, eles se viram dispersos, como presa de um terrível espanto, e amedrontados por alucinações.
Nem mesmo o canto mais afastado em que se abrigavam os protegia do terror: ruídos aterradores ressoavam ao redor deles, e espectros silenciosos de aspecto lúgubre lhes apareciam.
Nenhuma chama, por mais intensa que fosse, conseguia iluminar. E a luz brilhante dos astros era impotente para clarear essa noite sombria.
Mas, de repente, nada mais lhes aparecia senão uma chama aterradora e, tomados de terror por essa visão fugaz, julgavam aquelas aparições ainda mais terríveis.
A arte dos mágicos mostrou-se ilusória, e essa sabedoria à qual eles pretendiam evidenciou-se vergonhosamente como falsidade.
Aqueles que se vangloriavam de banir das almas doentes o terror e a perturbação eram eles mesmos atormentados por um temor ridículo.
Mesmo quando nada mais grave os aterrorizava, a passagem dos animais e o silvo das serpentes os punham fora de si, e eles morriam de medo. Recusavam-se até mesmo a contemplar aquela atmosfera, da qual nada podia escapar;
porque a maldade, condenada por seu próprio testemunho, é medrosa e, sob o peso da consciência, sempre supõe o pior,
pois o temor não é outra coisa senão a privação dos socorros trazidos pela reflexão,
porque, quanto menor for em sua alma a esperança de auxílio, tanto mais penosa é a ignorância daquilo que se teme.
Durante aquela noite de impotência, saída dos recantos do Hades impotente, eles dormiam o mesmo sono,
agitados, de um lado, pelo terror dos espectros e, de outro, paralisados pelo desfalecimento da alma; pois um pavor repentino e inesperado havia se abatido sobre eles.
E todo aquele que caía sem forças ficava como que preso e encerrado em um cárcere sem ferros.
Fosse ele camponês, pastor ou operário que se afadiga sozinho em seu trabalho, uma vez surpreendido, tinha de suportar a inevitável necessidade, porque todos estavam presos pela mesma cadeia de trevas.
O silvo do vento, o canto harmonioso dos passarinhos nos ramos espessos, o murmúrio da água que corria precipitadamente, o estrondo das rochas que despencavam,
a corrida invisível dos animais que saltavam, os urros dos animais selvagens, o eco que repercutia nas cavidades dos montes: tudo os paralisava de terror.
Enquanto o mundo inteiro era iluminado por uma luz brilhante e se entregava sem obstáculos às suas ocupações,
somente sobre eles se estendia uma noite pesada, imagem das trevas que mais tarde os acolheriam; e eles eram para si mesmos um peso mais insuportável do que essa escuridão.
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