Versículo em destaque
Romanos 8:10 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Ora, se Cristo está em vocês, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito vive pela justificação. "
Romanos 8:10
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
8 Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.
9 Vocês, porém, não vivem segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vocês. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, esse não é dele.
10 Ora, se Cristo está em vocês, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito vive pela justificação.
11 Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos, também dará vida aos corpos mortais de vocês, por meio do seu Espírito que habita em vocês.
12 Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para vivermos segundo a carne.
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Nestes versículos, o apóstolo descreve duas grandes bênçãos que pertencem aos verdadeiros crentes. A primeira é a vida. A felicidade deles não é apenas não serem condenados, mas serem trazidos para uma vida verdadeira e superior, que será sua alegria duradoura (Romanos 8:10, 11). Ele diz: “Se Cristo está em vós”. Se o Espírito está em nós, então Cristo também está em nós. Cristo habita no coração pela fé (Efésios 3:17).
Paulo então mostra o que acontece com o corpo e com a alma daqueles em quem Cristo vive. Não podemos dizer que o corpo não esteja morto em um sentido real. Ele é frágil, mortal e está sempre caminhando para a morte. É uma casa de barro, com o alicerce no pó. A vida que Cristo comprou e prometeu não torna o corpo imortal em seu estado presente. O corpo está morto, isto é, está debaixo de uma sentença de morte. Como dizemos de um condenado, ele já está como morto. No meio da vida, já estamos cercados pela morte. Mesmo que nossos corpos sejam fortes, saudáveis e belos, ainda assim estão como mortos (Hebreus 11:12), e isso por causa do pecado. O pecado é o que mata o corpo. Este foi o primeiro aviso no Éden: “Tu és pó” (Gênesis 3:19). Mesmo sem outro motivo, o cuidado que temos com nossos próprios corpos deveria nos fazer odiar o pecado, pois o pecado é um grande inimigo deles. Até mesmo a morte dos corpos dos crentes continua sendo um lembrete do desagrado de Deus contra o pecado.
Mas o espírito, a alma preciosa, é vida. Já está viva em sentido espiritual e, em um sentido ainda mais profundo, é vida em si. A graça na alma é sua nova natureza. A verdadeira vida do santo está na alma, enquanto a vida do pecador não vai além do corpo. Quando o corpo morre e volta ao pó, o espírito continua sendo vida. Ele não é apenas vivente e imortal, mas cheio de vida. A morte, para os crentes, é apenas a libertação do espírito nascido do céu do peso e do fardo deste corpo, para que fique apto para a vida eterna. Abraão estava morto, e ainda assim Deus era o Deus de Abraão, porque até então seu espírito era vida (Mateus 22:31, 32). Veja também (Salmo 49:15). E isso por causa da justiça.
Aqui, a justiça de Cristo, imputada aos crentes, assegura à alma, a parte melhor, que não morra. A justiça operada neles, a imagem renovada de Deus na alma, preserva essa alma e, pelo propósito de Deus, a eleva na morte, aperfeiçoa-a e a torna apta a participar da herança dos santos na luz. A vida eterna da alma consiste em ver a Deus e desfrutá-lo, e em tornar-se semelhante a Ele. A justiça da santificação, isto é, a mudança santa que Deus realiza em nós, prepara a alma para isso. Lembre-se de (Salmo 17:15): “Eu verei a tua face em justiça”.
Há também vida reservada para o corpo, no final. “Também vivificará os vossos corpos mortais” (Romanos 8:11). O Senhor cuida do corpo. Embora, na morte, ele seja posto de lado como um vaso quebrado, que ninguém mais valoriza, ainda assim Deus “terá saudade da obra de suas mãos” (Jó 14:15). Ele se lembrará da sua aliança com o pó e não perderá nem um grão dele. O corpo será novamente unido à alma e revestido de uma glória adequada a ele. Estes corpos humildes serão transformados em nova glória (Filipenses 3:21; 1 Coríntios 15:42).
Paulo dá dois motivos fortes para crer na ressurreição do corpo. O primeiro é a ressurreição de Cristo: “Aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará”. Cristo ressuscitou como cabeça, primícias e precursor de todos os crentes (1 Coríntios 15:20). O corpo de Cristo esteve no sepulcro sob a culpa de todos os eleitos, que lhe foi atribuída, e Ele rompeu com isso. “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” É pelo poder da ressurreição de Cristo que nós ressuscitaremos.
O segundo motivo é a habitação do Espírito. O mesmo Espírito que agora vivifica a alma em breve vivificará o corpo. É “pelo seu Espírito que em vós habita”. Os corpos dos crentes são templo do Espírito Santo (1 Coríntios 3:16; 6:19). Esses templos podem ser deixados em ruínas por um tempo, mas serão reconstruídos. O tabernáculo caído de Davi será reparado, ainda que grandes montes pareçam impedir. O Espírito, soprando sobre ossos secos e mortos, os fará viver, e os santos verão a Deus até mesmo em sua carne.
Disso, o apóstolo tira uma lição prática: devemos andar não segundo a carne, mas segundo o Espírito (Romanos 8:12, 13). Não devemos viver pelos desejos e ímpetos da carne. Ele dá dois motivos. Primeiro, não somos devedores à carne, nem por parentesco, nem por gratidão, nem por qualquer outro vínculo. Não devemos nenhum serviço às nossas concupiscências. Temos, sim, o dever de cuidar do corpo, alimentando-o e vestindo-o como servo da alma no serviço de Deus, mas nada além disso. Não somos devedores à carne. A carne nunca nos fez tanto bem que tenha direito sobre nós. Está implícito que somos devedores a Cristo e ao Espírito. A eles devemos tudo, tudo o que temos e tudo o que podemos fazer, sob mil vínculos e obrigações. Fomos libertos de tão grande morte a tão grande preço, por isso somos profundamente devedores ao nosso libertador (1 Coríntios 6:19, 20).
Segundo, devemos considerar aonde esse caminho leva. Vida e morte, bênção e maldição, são colocadas diante de nós. Se vivermos segundo a carne, morreremos. Isso significa morte eterna. Agradar a carne, servi-la e ceder a ela arruina as almas. Essa é a segunda morte. Morte, nesse sentido, é a morte da alma. A morte dos crentes é apenas sono. Mas se, pelo Espírito, mortificarmos as obras do corpo, viveremos. É necessário enfraquecer e dominar todos os desejos e paixões carnais, negando a nós mesmos o prazer e o mimo do corpo, e fazer isso pelo Espírito. Não podemos fazê-lo sem o Espírito operar em nós, e o Espírito não o fará sem o nosso esforço. Em resumo, somos trazidos a esta escolha: ou desagradar o corpo, ou destruir a alma.
A segunda bênção é o Espírito de adoção, outro privilégio que pertence aos que estão em Cristo Jesus (Romanos 8:14-16). Todos os que pertencem a Cristo são introduzidos na relação de filhos com Deus. O sinal deles é que são guiados pelo Espírito de Deus, como um aluno é guiado por um mestre, um viajante por um guia, um soldado por um capitão. Não são tocados como animais, mas conduzidos como pessoas que pensam, atraídos com cordas de humanidade e laços de amor. Este é o sinal claro dos verdadeiros crentes: são guiados pelo Espírito de Deus. Tendo confiado nele e se submetido à sua direção, seguem essa direção em obediência e são mansamente conduzidos a toda a verdade e a todo dever.
O privilégio deles é que são filhos de Deus, recebidos no número dos filhos por adoção, e reconhecidos e amados por Ele como seus filhos. E os que são filhos de Deus têm também o Espírito, primeiro para formar neles o espírito de filhos. “Não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor” (Romanos 8:15). Isso pode ser entendido, em primeiro lugar, do espírito de escravidão debaixo do qual a igreja do Antigo Testamento vivia, por causa da escuridão e do temor daquele tempo. O próprio véu mostrava escravidão (2 Coríntios 3:15). Compare com (Romanos 8:17).
O Espírito de adoção não havia sido derramado então de maneira tão plena como agora. Debaixo da lei, a ferida era aberta, mas o remédio era mostrado apenas de forma limitada. Assim, o ponto do apóstolo é que os crentes já não estão debaixo daquela antiga forma de trato, e não receberam um espírito semelhante àquele.
Em segundo lugar, ele fala daquele espírito de escravidão que muitos santos sentiram até mesmo na sua conversão, quando o Espírito colocou com força sobre eles o temor do pecado e do juízo. Isso aconteceu com as pessoas em (Atos 2:37), com o carcereiro em (Atos 16:30) e com Paulo em (Atos 9:6). Nessa fase, o Espírito foi, em certo sentido, um espírito de escravidão para eles. Mas o apóstolo diz: quanto a vocês, isso já passou. Como disse o Dr. Manton, Deus como Juiz usa o espírito de escravidão para nos enviar a Cristo como Mediador, e Cristo então nos manda de volta a Deus como Pai, pelo espírito de adoção.
Um filho de Deus pode recair em temor e começar a questionar se é realmente filho. Mesmo assim, o Espírito bendito não volta a ser um espírito de escravidão, porque, se o fosse, estaria dando um testemunho falso. O que os crentes receberam é o Espírito de adoção. As pessoas podem redigir um documento de adoção, mas só Deus pode dar o espírito de adoção, isto é, a natureza e o coração de filhos.
Esse Espírito opera nos filhos de Deus uma confiança amorosa em Deus como Pai, um deleite nele e uma dependência dele. Uma alma santificada, isto é, um coração tornado santo, traz a imagem de Deus, assim como o filho muitas vezes traz os traços do pai. É por isso que clamamos: “Aba, Pai”. A oração é chamada aqui de clamor, não só porque é intensa, mas porque é natural. Crianças que não sabem falar ainda assim fazem conhecer seus desejos por meio do choro.
O Espírito nos ensina a nos achegarmos a Deus em oração como a um Pai, com confiança santa e humilde. “Aba” é uma palavra siriaca que significa pai, ou meu pai, e “Pai” é a palavra grega. Por que são usadas as duas expressões, “Aba, Pai”? Porque Cristo orou assim em (Marcos 14:36), e porque recebemos o Espírito do Filho. Essas palavras expressam amor urgente e uma fé firme no relacionamento. Crianças pequenas, ao pedirem algo aos pais, muitas vezes mal sabem dizer mais do que “Pai, Pai”, e isso basta.
Essas palavras também mostram que a adoção pertence tanto a judeus quanto a gentios. Judeus podem chamá-lo de Aba em sua própria língua, e gregos podem chamá-lo de Pai na deles, pois em Cristo Jesus não há grego nem judeu. O Espírito também testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus, como Paulo explica em (Romanos 8:16). A primeira obra pertence ao Espírito como aquele que nos torna santos, e esta obra lhe pertence como o Consolador.
Muitos dão a si mesmos uma falsa sensação de paz, mesmo quando Deus não lhes falou de paz. Mas aqueles que são verdadeiramente santificados têm o Espírito de Deus testemunhando com o seu espírito. Isso não significa algum tipo de revelação especial e extraordinária. Significa a obra comum do Espírito, trazendo consolo pelos meios que ele usa e falando paz à alma. Esse testemunho está sempre de acordo com a Palavra escrita e sempre se apoia na santidade, porque o Espírito no coração não pode se contradizer com o Espírito na Palavra. O Espírito não testifica os privilégios de filhos àqueles que não têm a natureza e o comportamento de filhos.
Deste capítulo
Romanos 8:1
"Portanto, de agora em diante, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo."
Romanos 8:2
"A Lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte."
Romanos 8:3
"O que era impossível à Lei, pois a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho em uma carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne,"
Romanos 8:4
"a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito."
Romanos 8:5
"Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito."
Romanos 8:6
"Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz."
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