Versículo em destaque
Romanos 4:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Que vantagem diremos, então, que Abraão, nosso pai segundo a carne, conseguiu? "
Romanos 4:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Que vantagem diremos, então, que Abraão, nosso pai segundo a carne, conseguiu?
2 Pois, se Abraão foi justificado por sua observância, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus.
3 Ora, o que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
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Aqui o apóstolo mostra que Abraão foi aceito por Deus, não pelas obras, mas pela fé. Os judeus, mais do que qualquer outro povo, insistiam que tinham parte na justiça por causa de seus privilégios e de suas boas obras. Por isso Paulo aponta para Abraão, o pai deles, e fala também em seu próprio nome, pois ele mesmo era hebreu de hebreus: “Abraão, nosso pai”. Se a posição de Abraão diante de Deus era tão grande quanto eles alegavam ser a deles por serem seus descendentes, então a pergunta se torna ainda mais importante: o que foi que Abraão alcançou?
As pessoas passam a vida inteira buscando, e na maior parte das vezes correm atrás do vazio. Só quem é justificado diante de Deus pode ser realmente chamado de alguém que encontrou o que importa. Abraão foi como um negociante sábio em busca de boas pérolas, e encontrou aquela pérola de grande valor. Mas o que ele alcançou “segundo a carne”, isto é, por meio da circuncisão, de privilégios externos e de atos exteriores? Paulo chama tudo isso de “carne” (Filipenses 3:3). Teria Abraão alcançado aceitação diante de Deus por meio dessas coisas? Teria sido a obra dele que conquistou o favor divino? Não, de modo nenhum. Paulo demonstra isso de várias maneiras.
Se Abraão tivesse sido justificado pelas obras, então haveria lugar para a vanglória, e a vanglória precisa ser excluída para sempre. Se assim fosse, ele teria do que se gloriar (Romanos 4:2), mas isso não pode ser admitido. Os judeus poderiam dizer: “Mas o nome dele não foi engrandecido?” (Gênesis 12:2), “e ele não poderia se gloriar nisso?” Sim, ele poderia ser honrado entre os homens, mas não poderia reivindicar mérito diante de Deus. O próprio Paulo tinha motivos para se gloriar diante dos homens, e às vezes falou deles, mas sempre com humildade. Porém, diante de Deus ele nada tinha de que se gloriar (1 Coríntios 4:4; Filipenses 3:8-9). O mesmo acontecia com Abraão. Paulo parte do princípio de que ninguém pode reivindicar glória diante de Deus, nem mesmo Abraão, por maior e melhor que fosse. Assim, quem se gloria deve gloriar-se somente no Senhor.
A Escritura também declara claramente que a fé de Abraão lhe foi imputada como justiça. “Pois, que diz a Escritura?” (Romanos 4:3). Em toda controvérsia religiosa, essa precisa ser a pergunta principal. Não é: O que diz este grande homem, ou aquele outro homem piedoso? É: O que diz a Escritura? Devemos recorrer à lei e ao testemunho (Isaías 8:20), pois aí está o recurso final. A Escritura diz que Abraão creu, e a sua fé lhe foi imputada como justiça (Gênesis 15:6). Portanto, ele não tinha motivo de gloriar-se diante de Deus. Foi pura graça o fato de Deus considerar assim. A própria fé não possuía em si mesma toda a natureza formal de justiça, senão na medida em que Deus, graciosamente, resolveu considerá-la dessa forma.
Isso foi dito em Gênesis depois de um ato notável de fé a respeito do filho prometido. É especialmente marcante porque veio após uma dura luta contra a incredulidade. A fé de Abraão se tornou uma fé vitoriosa, que voltava de uma batalha. Não se exige fé perfeita para que alguém seja justificado, isto é, declarado justo diante de Deus. Pode haver fé verdadeira e agradável a Deus, mesmo quando ainda resta certa incredulidade. O que importa é uma fé que prevalece, uma fé que toma a dianteira e domina a incredulidade.
Se Abraão tivesse sido justificado pela fé enquanto obra, então a recompensa lhe seria devida, não dada por graça, e isso é impossível. Paulo afirma isso em Romanos 4:4-5. A recompensa de Abraão era o próprio Deus, como o Senhor acabara de lhe dizer: “Eu sou o teu grandíssimo galardão” (Gênesis 15:1). Se Abraão tivesse conquistado isso por obediência perfeita, o dom de Deus deixaria de ser graça. Abraão poderia então exigir essa recompensa, como um trabalhador exige o salário que ganhou. Mas isso não pode ser. Nenhum ser humano, e muito menos um ser humano culpado, pode tornar Deus seu devedor (Romanos 11:35). Deus quer ter toda a glória da graça livre, graça concedida por causa da própria graça (João 1:16).
Quando Paulo fala daquele que “não pratica”, ele se refere à pessoa que não faz qualquer reivindicação de mérito e não consegue mostrar nenhum valor em suas obras que mereça tal recompensa. Ao contrário, essa pessoa abandona toda pretensão e confia inteiramente na graça gratuita de Deus em Cristo, por meio de uma fé viva, ativa, obediente. Para essa pessoa, a fé é imputada como justiça. Ela é aceita por Deus como o sinal necessário daqueles que serão perdoados e salvos. Deus justifica o ímpio, isto é, a pessoa que antes era ímpia. A impiedade passada não impede a justificação quando a pessoa crê. A expressão de Paulo aponta para “aquele ímpio”, isto é, o próprio Abraão, que antes de sua conversão parece ter estado envolvido na idolatria dos caldeus (Josué 24:2). Assim, não há lugar para desespero. Deus não inocenta o culpado que permanece impenitente, mas, por meio de Cristo, ele justifica o ímpio.
Paulo então acrescenta as palavras de Davi nos Salmos, onde Davi fala do perdão dos pecados, que é uma das partes principais da justificação, e chama bem-aventurado esse homem. Ele não se refere ao homem que não tem pecado algum, ou que não tem pecado digno de morte. Se esse fosse o critério, quem poderia ser bem-aventurado, já que o ser humano é pecador e Deus é santo? Em vez disso, bem-aventurado é o homem a quem o Senhor não imputa o pecado. Tal pessoa não pode dizer: “Eu não sou culpado”, mas pode suplicar por perdão, e essa súplica é aceita (Salmo 32:1-2).
Isso mostra a natureza do perdão. É como cancelar uma dívida ou perdoar um crime. É o encobrimento do pecado, como algo impuro, como a vergonha de uma alma nua. Diz-se que Deus lança o pecado para trás das costas e desvia o rosto dele. Tais expressões mostram que nossa bem-aventurança não está no fato de nunca termos pecado. O pecado continua sendo pecado, mesmo quando coberto. A justificação não significa que seja como se o pecado nunca tivesse acontecido. Antes, significa que Deus não o lança em nossa conta. É isso que Paulo afirma aqui, quando fala de Deus não imputar o pecado (Romanos 4:8). Isso faz da justificação um ato totalmente gracioso. Deus não nos trata com rigorosa justiça, como nossos pecados merecem. Ele não entra em juízo conosco, nem registra minuciosamente nossas iniquidades. Sendo tudo isso graça, a aceitação e a recompensa não podem ser tratadas como salário. É por isso que Paulo conclui que Deus imputa justiça sem as obras.
Paulo também mostra a bem-aventurança do perdão. “Bem-aventurados aqueles” significa que as pessoas perdoadas são as verdadeiramente felizes. Quando a Escritura diz: “Bem-aventurados os que são retos em seu caminho” ou “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”, ela descreve o tipo de pessoa que é bem-aventurada. Mas quando diz: “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas”, ela está indicando em que consiste essa bem-aventurança e de onde ela vem. Os que têm seus pecados perdoados são os únicos verdadeiramente bem-aventurados. O mundo chama de felizes aqueles que têm bens garantidos e nenhuma dívida com os homens. Mas a palavra de Deus diz que felizes são aqueles cujas dívidas para com Deus foram canceladas.
Quão importante, então, é que nossos pecados sejam perdoados. Esse é o fundamento de toda outra bênção. “Assim e assim lhes farei”, diz Deus, “porque serei misericordioso” (Hebreus 8:12).
Deste capítulo
Romanos 4:2
"Pois, se Abraão foi justificado por sua observância, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus."
Romanos 4:3
"Ora, o que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça."
Romanos 4:4
"Ora, ao trabalhador, o salário não é considerado uma gratificação, mas uma dívida."
Romanos 4:5
"Mas, àquele que, sem obra alguma, crê naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é imputada como justiça."
Romanos 4:6
"É assim que Davi proclama bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça independentemente das obras:"
Romanos 4:7
"Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos!"
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