Versículo em destaque
Romanos 15:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Por isso, acolham-se uns aos outros, assim como Cristo nos acolheu para a glória de Deus. "
Romanos 15:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Que o Deus da perseverança e da consolação conceda a vocês o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Jesus Cristo,
6 para que, com um só coração e uma só voz, vocês glorifiquem a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
7 Por isso, acolham-se uns aos outros, assim como Cristo nos acolheu para a glória de Deus.
8 Pois asseguro que Cristo exerceu seu ministério entre os circuncisos para manifestar a veracidade de Deus mediante o cumprimento das promessas feitas aos patriarcas.
9 Quanto aos pagãos, eles só glorificam a Deus por causa de sua misericórdia, como está escrito: Por isso, eu te louvarei entre as nações e cantarei louvores ao teu nome.
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Aqui o apóstolo volta ao apelo dirigido aos cristãos. O que ele diz em Romanos 15:7 é, em essência, o mesmo que já havia dito, mas ele repete porque isso era muito importante para ele. “Recebei-vos uns aos outros” significa acolham uns aos outros com afeto, em comunhão, na convivência diária, conforme as necessidades aparecem. Ele já havia exortado os fortes a acolherem os fracos (Romanos 14:1), e agora estende essa ordem a todos, porque cristãos fracos podem ser tímidos diante dos fortes, assim como cristãos orgulhosos podem ser relutantes em se aproximar dos fracos. Nenhuma dessas atitudes deve ser permitida.
Os cristãos devem acolher-se mutuamente com verdadeiro amor fraternal. Se recebemos Cristo pela fé, então devemos receber todos os cristãos em amor, ainda que sejam pobres, maltratados ou desprezados. Devemos fazer isso mesmo quando isso possa trazer reprovação ou perigo, ou quando eles diferem de nós em questões menos importantes da lei. Mesmo se houver irritações pessoais, essas coisas precisam ser deixadas de lado. O chamado é simples: recebei-vos uns aos outros.
Paulo dá a razão para isso. Cristo já nos recebeu, e o acolhimento manso dele é o nosso exemplo. Se Cristo foi tão bondoso conosco, seremos nós duros com o seu povo? Se ele esteve tão pronto a nos receber, seremos nós lentos em receber nossos irmãos e irmãs? Cristo nos trouxe para o vínculo mais íntimo e querido com ele. Ele nos tomou para o seu rebanho, sua família, a adoção de filhos, um pacto de amizade, até mesmo uma aliança de casamento com ele. Embora fôssemos estranhos, inimigos e pródigos, ele nos trouxe para a comunhão consigo.
As palavras “para glória de Deus” podem se referir tanto a Cristo nos receber quanto a nós recebermos uns aos outros. Em primeiro lugar, Cristo nos recebeu para a glória de Deus. O objetivo do seu acolhimento é que glorifiquemos a Deus neste mundo e sejamos glorificados com ele no mundo vindouro. Quando Cristo nos recebeu, ele tinha em vista a glória de Deus, juntamente com o nosso bem eterno. Ele nos chamou para a glória eterna por meio de Jesus Cristo (João 17:24). Pense no que ele nos recebeu para desfrutar, uma alegria sem medida, e por que o fez, para a glória de seu Pai.
Em segundo lugar, devemos receber uns aos outros para a glória de Deus. Esse deve ser o alvo principal em tudo o que fazemos, e nada contribui mais para isso do que o amor e a bondade daqueles que professam a fé. Paulo acabara de dizer que, com um só ânimo e uma só voz, eles deviam glorificar a Deus (Romanos 15:6). A divergência entre eles era em torno de comida e bebida, surgida da divisão entre judeus e gentios. Para curar essa ruptura, Paulo mostra que Jesus Cristo acolheu tanto judeus quanto gentios. Em Cristo eles são um, uma só nova humanidade (Efésios 2:14-16). Coisas que concordam num mesmo terceiro elemento concordam entre si, e aqueles que concordam em Cristo, o grande centro da unidade, devem ser capazes de concordar entre si.
Paulo fica particularmente tocado por essa união de judeus e gentios em Cristo, e por isso se alonga nesse tema. Cristo recebeu os judeus (Romanos 15:8). Ninguém deve desprezar aqueles que primeiro foram judeus e que ainda, por fraqueza, guardam alguns de seus antigos costumes judaicos. Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, isto é, servo dos judeus. Isso manifestou grande humildade e também honrou seu ministério. Ele mesmo foi circuncidado, submeteu-se à lei e, em sua própria pessoa, anunciou o evangelho aos judeus. Andou entre eles, abençoou-os e se via como enviado primeiro às ovelhas perdidas de Israel. Ele tomou para si a descendência de Abraão (Hebreus 2:16, nota), e por meio deles estendeu, por assim dizer, a mão a toda a raça humana.
Ele fez isso em favor da verdade de Deus. O que pregou a eles era verdadeiro, pois veio para dar testemunho da verdade (João 18:37), e ele mesmo é a verdade (João 14:6). E fez isso também para confirmar as promessas feitas aos pais. A prova mais segura de uma promessa é quando ela é cumprida. Deus havia prometido que na descendência de Abraão todas as nações da terra seriam abençoadas, que de Judá viria Siló, que um dominador sairia de Israel e que a lei sairia de Sião. Muitos acontecimentos entre essas promessas e Cristo pareciam enfraquecê-las, e alguns pareciam até ameaçar a sobrevivência daquele povo. Mas quando o Messias, o Príncipe, apareceu na plenitude dos tempos como ministro da circuncisão, essas promessas foram confirmadas e mostradas como verdadeiras. Em Cristo, todas as promessas de Deus, tanto do Antigo como do Novo Testamento, são “sim” e “amém”.
Se entendermos as promessas feitas aos pais como referindo-se a toda a aliança da graça, que foi dada de forma mais obscura no Antigo Testamento e mais claramente sob o evangelho, então Cristo veio confirmar essa aliança (Daniel 9:27). Ele a confirmou derramando o sangue da aliança.
Cristo também recebeu os gentios. Paulo explica isso em Romanos 15:9-12. O favor de Cristo para com os gentios aparece em trazê-los para que louvem a Deus, o que é a obra da igreja na terra e sua recompensa no céu. O propósito de Cristo era que os gentios também fossem convertidos e unidos aos judeus em seu corpo espiritual, a igreja. Isso é um forte motivo para não menosprezar nenhum cristão por ele ter sido antes gentio, visto que Cristo o recebeu. Cristo convida os gentios e os acolhe.
Paulo descreve a conversão deles assim: eles glorificam a Deus por causa da sua misericórdia. Essa é uma maneira de falar da conversão. Agora eles têm um motivo para louvar a Deus, isto é, a sua misericórdia. Quando lembramos a condição triste e sem recursos do mundo gentílico, o acolhimento deles se mostra ainda mais claramente como um ato de misericórdia do que o acolhimento dos judeus.
Os que um dia foram Lo-Ami, “não meu povo”, também eram Lo-Ruamá, “não compadecida” (Oséias 1:6, Oséias 1:9; Oséias 2:23). A maior misericórdia que Deus pode mostrar a qualquer povo é trazê-lo para uma aliança consigo. É bom lembrar da misericórdia de Deus quando ele nos recebe.
Eles também terão corações que louvam. Eles glorificarão a Deus por causa da sua misericórdia. Pecadores não convertidos nada fazem para trazer glória a Deus, mas a graça que converte, a graça de Deus que volta o pecador para ele, dá à alma o desejo de falar e agir para a sua glória. Deus quis recolher glória de entre os gentios, que por tanto tempo haviam transformado a sua glória em vergonha.
Tudo isso também é cumprimento das Escrituras. O favor de Deus para com os gentios não foi apenas misericórdia, mas também verdade. As promessas não foram dadas diretamente a eles, como foram aos pais judeus, mas muitas profecias falaram deles, de sua chamada para a igreja e de sua união ao povo de Deus. Paulo menciona algumas dessas profecias porque muitos judeus achavam isso difícil de aceitar. Ao remetê-los ao Antigo Testamento, ele tenta suavizar sua aversão aos gentios e aproximar os dois lados.
Primeiro, foi previsto que os gentios ouviriam o evangelho. “Por isso eu te louvarei entre os gentios” (Romanos 15:9), isto é, o nome de Deus seria conhecido e honrado no mundo gentílico, e a graça e o amor do evangelho seriam celebrados ali. Isso vem do Salmo 18:49: “Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações”. Uma explicação agradecida do nome de Deus e uma lembrança pública de suas obras são excelentes meios de levar outros a conhecer e louvar a Deus. Cristo, por meio de seus apóstolos e ministros, enviados para fazer discípulos de todas as nações, de fato confessou o nome de Deus entre os gentios. A exaltação de Cristo, bem como a conversão de pecadores, se manifesta no louvor a Deus.
O ato de Cristo declarar o nome de Deus a seus irmãos é chamado de seu louvor a Deus no meio da congregação (Salmo 22:22). Se essas palavras forem tomadas como palavras de Davi, foram proferidas quando ele já estava velho e próximo da morte, de modo que dificilmente ele mesmo viria a confessar a Deus pessoalmente entre os gentios. Mas quando os salmos de Davi são lidos e cantados entre os gentios para louvor e glória de Deus, pode-se dizer que Davi está confessando a Deus entre os gentios e cantando ao seu nome. Ele foi o suave salmista também dos gentios. A graça que converte faz as pessoas amarem profundamente os salmos de Davi.
Se essas palavras forem tomadas como palavras de Cristo, o Filho de Davi, podem ser entendidas como a sua presença espiritual pela fé no coração de todos os crentes que louvam. Se alguém confessa a Deus entre os gentios e canta ao seu nome, não é, em última análise, apenas essa pessoa que faz isso, mas Cristo e a sua graça nela. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). Da mesma maneira, “eu louvo, mas não eu, e sim Cristo em mim”.
Em segundo lugar, os gentios devem alegrar-se com o povo de Deus (Romanos 15:10). Isso vem do cântico de Moisés em (Deuteronômio 32:43). Perceba que aqueles que são introduzidos no povo de Deus são chamados a se alegrar com o seu povo. Não há alegria maior para qualquer povo do que o evangelho chegar até eles com poder. Alguns judeus ainda mantêm um preconceito contra os gentios e não lhes permitem participar de suas reuniões festivas, porque dizem: “O estranho não participa da sua alegria” (Provérbios 14:10). Mas, como a barreira foi derrubada, os gentios são bem-vindos para se alegrar juntamente com o povo de Deus. Uma vez incorporados à igreja, eles participam de seus sofrimentos e são companheiros na paciência e nas tribulações, e, em troca, participam também da sua alegria.
Em terceiro lugar, eles devem louvar a Deus (Romanos 15:11). “Louvai ao Senhor, vós todos os gentios” vem do (Salmo 117:1). A graça que converte põe as pessoas a louvar a Deus, dá-lhes os motivos mais ricos para o louvor e lhes dá corações dispostos a fazê-lo. Por muitas eras os gentios louvaram seus ídolos de madeira e de pedra, mas agora são trazidos para louvar ao Senhor. Davi, falando pelo Espírito, predisse isso. Quando todas as nações são chamadas a louvar ao Senhor, isso também mostra que elas virão a conhecê-lo.
Em quarto lugar, eles devem crer em Cristo (Romanos 15:12), como está citado em (Isaías 11:10). Primeiro, Cristo é apresentado como o Rei dos gentios. Ele é chamado de raiz de Jessé, isto é, aquele que procede da família de Davi e que dá a essa família vida e força. Compare com (Isaías 11:1). Cristo era Senhor de Davi e, ao mesmo tempo, filho de Davi (Mateus 22:45), porque era tanto a raiz como a geração de Davi (Apocalipse 22:16). Como Deus, Cristo era a raiz de Davi. Como homem, Cristo era a descendência de Davi. Ele é também aquele que se levanta para governar os gentios. Isso esclarece a figura do profeta, que o apresenta em pé como um estandarte para os povos. Quando Cristo ressuscitou dentre os mortos e subiu ao alto, foi para reinar sobre os gentios.
Em segundo lugar, os gentios vêm a ele. “Nele os gentios confiarão.” A fé é a confiança da alma em Cristo e a sua dependência dele. O profeta diz: “A ele recorrerão os gentios.” O caminho da fé é primeiro buscar a Cristo, como o Salvador oferecido a nós, e então, achando-o poderoso e disposto a salvar, confiar nele. Os que o conhecem, confiam nele. Ou, podemos entender essa busca como fruto da confiança: buscando-o em oração e em diligente esforço. Nunca buscaremos verdadeiramente a Cristo enquanto não confiarmos nele. A confiança vem primeiro, e o uso cuidadoso dos meios vem depois.
Sendo judeus e gentios unidos no amor de Cristo, por que não haveriam também de estar unidos em amor uns para com os outros?
Deste capítulo
Romanos 15:1
"Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos que são fracos e não agir a nosso modo."
Romanos 15:2
"Cada um de vocês procure agradar ao próximo, para o bem e a edificação dele."
Romanos 15:3
"Cristo não agradou a si mesmo; pelo contrário, como está escrito: Os insultos dos que te ultrajam caíram sobre mim."
Romanos 15:4
"Ora, tudo o que foi escrito no passado foi escrito para a nossa instrução, a fim de que, pela perseverança e pela consolação dadas pelas Escrituras, tenhamos esperança."
Romanos 15:5
"Que o Deus da perseverança e da consolação conceda a vocês o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Jesus Cristo,"
Romanos 15:6
"para que, com um só coração e uma só voz, vocês glorifiquem a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo."
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