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Romanos 15:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Tenho motivo para me gloriar em Jesus Cristo no que diz respeito ao serviço de Deus. "

Romanos 15:17

menu_book Versículo no contexto

15 Se, em parte, escrevi a vocês com especial liberdade, foi para fazê-los lembrar. E fiz isso em virtude da graça que me foi dada por Deus,

16 de ser ministro de Jesus Cristo entre os pagãos, exercendo a função sagrada do Evangelho de Deus. E isso para que os pagãos, santificados pelo Espírito Santo, sejam uma oferta agradável a ele.

17 Tenho motivo para me gloriar em Jesus Cristo no que diz respeito ao serviço de Deus.

18 Porque eu não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não tivesse realizado por meio do meu ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela palavra e pela ação,

19 pelo poder dos milagres e prodígios e pela virtude do Espírito. Assim, tenho divulgado o Evangelho de Cristo desde Jerusalém e suas terras vizinhas até a Ilíria.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo, neste ponto, passa a falar de si mesmo e do seu trabalho. Depois de mencionar o seu ministério e o seu apostolado, ele mostra o poder desse ofício e o grande êxito que Deus lhe concedeu. Faz isso para encorajar a igreja em Roma. Eles não estavam sozinhos na fé cristã e, embora fossem um pequeno rebanho cercado de muitos idólatras, havia muitos outros que partilhavam da mesma fé, da mesma esperança e da mesma perseverança em Cristo Jesus.

Isso também confirma fortemente a verdade do cristianismo. Ele teve um êxito tão grande e se espalhou por meios tão fracos e improváveis, que muitos foram levados a obedecer a Cristo por meio de uma pregação que, aos olhos do mundo, parecia loucura. Por isso, Paulo relata essas coisas e faz delas o fundamento do seu regozijo, mas não de modo orgulhoso. É um regozijo santo e agradecido, e sempre “em Cristo Jesus”. Assim, ele concentra todo o louvor em Cristo e nos ensina a fazer o mesmo (Colossenses 1:31; Salmo 115:1).

Ele se gloria nas coisas que pertencem a Deus. A conversão de almas é uma dessas coisas, e por isso é assunto apropriado para o louvor de Paulo. Não é assunto da carne. A frase pode ser entendida assim: “Tenho o meu gloriar em Cristo Jesus nas coisas que dizem respeito a Deus”, isto é, nas ofertas apresentadas a Deus, os sacrifícios vivos dos gentios (Romanos 15:16). Paulo quer que eles se alegrem com ele na ampla extensão e no poder do seu ministério.

Ele fala com o mais profundo respeito pelo poder de Cristo e pela eficácia da obra do Espírito, como se toda a honra pertencesse a eles. E insiste na veracidade do que declara (Romanos 15:18): não ousaria falar de coisa alguma senão daquilo que Cristo operou por seu intermédio. Não se gloriaria em obra que não fosse sua, nem tomaria para si o crédito do trabalho de outro homem. Embora escrevesse a pessoas distantes, que talvez não pudessem confrontá-lo, ainda assim diz: “não ouso fazer isso”. O homem fiel não mente, mesmo quando é tentado, e não recua da verdade, mesmo quando é ameaçado.

Ao falar de si, percebemos a constância da sua diligência na obra. Trabalhou mais do que muitos outros. Pregou em muitos lugares, desde Jerusalém, onde a lei havia saído como luz resplandecente, até o território da Ilíria, uma região muito distante de Jerusalém. No livro de Atos lemos sobre suas viagens. Depois de ser enviado a pregar aos gentios (Atos 13), atuou em Selêucia, Chipre, Panfília, Pisídia e Licaônia (Atos 13 e 14). Mais tarde passou pela Síria, Cilícia, Frígia, Galácia, Mísia, Trôade e, então, pela Macedônia e Europa (Atos 15 e 16). Depois disso, esteve ocupado em Tessalônica, Bereia, Atenas, Corinto, Éfeso e regiões vizinhas.

Quem conhece a distância entre esses lugares percebe que Paulo foi um homem muito ativo, correndo a sua carreira como um guerreiro vigoroso. A Ilíria é a região que depois passou a ser chamada de Eslavônia, perto da Hungria; alguns a identificam com a Bulgária, outros com parte da Panônia; em todo caso, muito distante de Jerusalém. Alguém poderia pensar que, tentando fazer tanta coisa, Paulo teria feito tudo de modo superficial. Mas não: ele diz que “plenamente pregou o evangelho de Cristo”. Entregou-lhes a verdade completa e as condições completas do evangelho. Não reteve nada do que eles precisavam saber (Atos 20:27).

A palavra usada indica a ideia de “encher”. Ele “encheu” o evangelho, como uma rede é cheia de peixes numa grande pescaria, ou encheu as pessoas com o evangelho. É isso que o evangelho faz quando vem com poder: ele enche um lugar. Outros tipos de conhecimento são vazios e leves, mas o conhecimento do evangelho enche a alma.

Ele também pregou em lugares onde o evangelho jamais havia sido ouvido (Romanos 15:20-21). Quebrou o solo duro, lançou a primeira pedra em muitos lugares e levou o cristianismo a regiões onde, por muitos anos, só havia idolatria, feitiçaria e toda sorte de culto diabólico. Paulo “quebrou o gelo”, e por isso enfrentou mais dificuldades e desânimos. Os que pregavam na Judeia tinham uma tarefa mais fácil do que Paulo, apóstolo dos gentios, porque entravam num trabalho já começado por outros (João 4:38).

Paulo foi o mais esforçado, chamado à obra mais dura. Havia muitos ensinadores, mas Paulo foi o principal plantador. Muitos regaram, mas ele plantou. Foi o homem ousado que primeiro atacou o “palácio do valente” no mundo gentílico e desferiu os primeiros golpes contra o reino de Satanás ali. Foi Paulo quem se aventurou nesse primeiro assalto, e sofreu muito por isso. Ele menciona isso como prova do seu apostolado, porque os apóstolos foram especialmente destinados a trazer para dentro aqueles que estavam de fora e a lançar o fundamento da nova Jerusalém (Apocalipse 21:14).

Não quer dizer que Paulo nunca tenha pregado onde outros já haviam trabalhado. Ele o fez. Mas, em geral, dedicou-se sobretudo ao proveito daqueles que estavam em trevas, cuidando de não edificar sobre fundamento de outro homem, para que ninguém pudesse, com justiça, acusá-lo de extrapolar o seu chamado. Ele sustenta isso com uma passagem de Isaías 52:15: “Os que não foram anunciados sobre ele o verão”. E, nas palavras do profeta, “o que não tinham ouvido entenderão” vem ao mesmo ponto.

Isso torna ainda mais admirável o êxito da pregação de Paulo. A mudança das trevas para a luz é muito mais visível do que o crescimento posterior dessa luz. E, muitas vezes, o evangelho tem seu maior sucesso quando chega pela primeira vez a um lugar, antes que as pessoas se acostumem a ouvi-lo e se endureçam contra os sermões.

O grande e admirável êxito do seu trabalho foi este: tornou os gentios obedientes. O objetivo do evangelho é levar as pessoas à obediência. Ele não é apenas verdade para ser crida, mas também lei para ser obedecida. Esse era o alvo de Paulo em todas as suas viagens. Não buscava riqueza ou honra, pois, se esse fosse o fim, teria fracassado de forma vergonhosa. Buscava a conversão e a salvação de almas. Isso enchia o seu coração, e para isso trabalhava repetidas vezes.

Como foi realizada essa grande obra? Cristo foi o principal agente. Paulo não diz: “o que eu fiz”, mas “o que Cristo fez por meu intermédio” (Romanos 15:18). Todo bem que fazemos, em última instância, não é obra nossa, mas de Cristo em nós. A obra é dele, e a força é dele. Ele é tudo em todos, e é quem concede poder para todo o nosso agir (Filipenses 2:13; Isaías 26:12).

Paulo aproveita cada oportunidade para dar a Cristo o louvor, de modo que toda a honra vá para ele. Ao mesmo tempo, foi um servo muito ativo. Pregava com palavras e confirmava sua mensagem por meio dos milagres que Deus lhe concedia realizar, ou pelo modo como vivia. Os ministros têm maior probabilidade de ganhar almas quando pregam com a palavra e com a vida, de forma que sua conduta mostre o poder do que ensinam. Isso segue o exemplo de Cristo, que começou “a fazer e a ensinar” (Atos 1:1).

Paulo também agiu “por sinais e prodígios, pelo poder do Espírito de Deus”, isto é, pelo poder demonstrado em milagres e sinais. Esses sinais ajudavam a tornar eficaz a pregação da Palavra, porque eram o meio designado por Deus para convencer as pessoas e o seu selo sobre a mensagem do evangelho (Marcos 16:17-18). O poder do Espírito Santo tornou tudo isso frutífero e lhe deu o êxito desejado (Romanos 15:19).

Isso se deu de duas maneiras. Primeiro, o Espírito Santo operou em Paulo, como nos outros apóstolos, para que pudessem realizar esses milagres. Os milagres eram feitos pelo poder do Espírito (Atos 1:8), de modo que zombar deles é falar contra o próprio Espírito. Segundo, o Espírito operou no coração dos ouvintes, de tal forma que a palavra e os milagres aproveitaram a uns e não a outros. É a obra do Espírito que faz a diferença. Paulo, por maior pregador que fosse, não poderia tornar um só coração obediente, se o Espírito de Deus não acompanhasse o seu trabalho.

Isso é grande consolo para ministros fiéis que se sentem fracos e limitados. O bendito Espírito pode operar por meio de muitos ou por meio daqueles que, aos olhos humanos, parecem nada poder. O mesmo Espírito todo-poderoso que atuou com Paulo muitas vezes manifesta sua força de modo mais claro na fraqueza, e faz brotar louvor da boca de crianças e bebês. Paulo se alegrava nesse êxito da sua pregação. As nações convertidas eram sua alegria e coroa de regozijo. Ele relata isso para que eles se alegrem com ele, estejam mais dispostos a receber as verdades que lhes escreve e honrem aquele a quem Cristo tão claramente honrou.

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