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Romanos 10:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Pois não há distinção entre judeu e grego, porque todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam, "

Romanos 10:12

menu_book Versículo no contexto

10 É crendo de coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à salvação.

11 A Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido.

12 Pois não há distinção entre judeu e grego, porque todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam,

13 porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

14 Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar se não houver quem pregue?

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auto_stories Comentário Bible Guided

O argumento do apóstolo nessas palavras é claro: não há diferença entre judeus e gentios quanto à maneira como Deus aceita as pessoas. Em Cristo, não existe “grego nem judeu” (Colossenses 3:11). Deus não salva alguns por serem judeus, nem rejeita outros por serem gregos. Ele recebe a ambos nos mesmos termos do evangelho.

Paulo dá duas razões para isso. Primeiro, Deus é o mesmo para todos. “Um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos” os que o invocam. Não existe um Deus mais bondoso para com os judeus e outro menos bondoso para com os gentios. Ele é o mesmo Deus de todos os seres humanos, um Pai comum a toda a humanidade.

Quando Deus revelou o seu nome como “Senhor, Senhor Deus, misericordioso e piedoso”, estava mostrando o que ele é para todos os que o buscam. Ele não é apenas bom, mas rico em bondade. Tem o suficiente para suprir a todos, e está pronto para dar. Ele é tanto poderoso quanto disposto. É rico para com todos os que o invocam, generoso em conceder o seu favor a eles.

Ainda assim, há algo que precisamos fazer para desfrutar dessa abundância, e é algo muito simples: devemos invocá-lo. Ele declarou que quer ser solicitado por essas coisas (Ezequiel 36:37). Se algo não vale a pena ser pedido, não vale a pena ser possuído. A oração é simplesmente tirar de sua plenitude à medida que as necessidades surgem.

Em segundo lugar, a promessa é a mesma para todos: “Todo aquele que invocar” o nome do Senhor será salvo (Romanos 10:13). Uma pessoa tanto quanto outra, sem exceção. Paulo afirma que essa ampla promessa a judeus e gentios não deveria causar surpresa, porque o profeta já havia dito isso (Joel 2:32). Aqui, invocar o nome do Senhor abrange toda a religião prática. A vida cristã é uma vida de oração. Significa reconhecer nossa dependência de Deus, entregar-nos inteiramente a ele e esperar tudo dele pela fé. Quem o invocar assim será salvo. É simplesmente pedir e receber.

Paulo então mostra por que o evangelho precisava ser pregado aos gentios, o que irritava os judeus, pois ele era apóstolo deles e também pregava a outros povos. Ele demonstra que os gentios precisavam ouvir a mensagem antes de poderem participar dessa promessa.

As pessoas não podem invocar aquele em quem não creram. Se não creem que ele é Deus, não orarão a ele. De que adiantaria? A fé é absolutamente necessária para a oração. Não podemos orar de modo correto, ou de modo agradável a Deus, sem fé. “É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia” (Hebreus 11:6). Antes que os gentios cressem no Deus verdadeiro, invocavam ídolos, dizendo: “Ó Baal, ouve-nos.”

Eles também não podem crer naquele de quem não ouviram falar. Alguma forma de revelação de Deus precisa chegar até nós antes que possamos recebê-la e concordar com ela. Não nascemos com esse conhecimento. O “ouvir” inclui também a leitura, pois a leitura pode produzir o mesmo resultado, e muitos chegam à fé dessa maneira (João 20:31): “Estas coisas foram escritas para que creiais.” Ainda assim, se menciona o ouvir porque é o modo mais comum e natural de as pessoas aprenderem.

Eles não podem ouvir sem que haja quem pregue. Alguém precisa lhes dizer em quem devem crer. Pregadores e ouvintes pertencem um ao outro. É algo feliz quando ambos se alegram mutuamente: os ouvintes, na habilidade e fidelidade do pregador; o pregador, na prontidão e obediência dos ouvintes.

E ninguém pode pregar se não for enviado, se não tiver tanto a autoridade quanto os dons adequados para a obra. Como um homem pode atuar como embaixador sem ter a comissão e as instruções do rei? Isso mostra que o ministério regular precisa de um envio e ordenação regulares. Deus tem o direito de enviar ministros. Ele é o Senhor da seara; por isso devemos pedir que envie trabalhadores (Mateus 9:38). Só ele pode capacitar homens para o ministério e dar-lhes verdadeira disposição para essa tarefa.

Mas avaliar se um homem é capacitado e verdadeiramente disposto não deve ficar apenas a cargo de seu próprio juízo. A natureza da obra não permite isso. Para a boa ordem da igreja, isso precisa ser examinado e aprovado por um número adequado de homens já nesse ofício, com sabedoria e experiência comprovadas. Eles são os melhores avaliadores, como em outras vocações, e têm autoridade para separar para essa obra aqueles que encontram aptos e dispostos. Dessa forma, a linha do ministério é preservada, para que o nome de Cristo permaneça para sempre e o seu trono subsista enquanto existirem os céus.

Aqueles que são assim separados não apenas podem pregar, eles devem pregar, pois foram enviados.

Paulo também mostra quão bem-vindo o evangelho deveria ser para os que o ouvem, porque ele abre o caminho da salvação (Romanos 10:15). Ele cita Isaías 52:7. Uma passagem semelhante aparece em Naum 1:15 e, se aponta primeiro para a boa notícia do livramento de Israel do cativeiro em Babilônia, vai além disso e aponta para o evangelho, a boa notícia da nossa salvação por meio de Jesus Cristo.

O evangelho é o evangelho da paz. É a mensagem de paz entre Deus e o ser humano. “Paz na terra” (Lucas 2:14). Ou, de forma mais ampla, paz representa todo tipo de bem. É assim que Paulo explica aqui: é “boas novas de coisas boas”. As coisas que o evangelho oferece são verdadeiramente boas, as melhores coisas. A notícia sobre elas é a mais alegre que já foi trazida do céu à terra.

A tarefa dos ministros é pregar esse evangelho e trazer essas boas novas. A palavra usada significa justamente anunciar boas notícias, proclamar paz e coisas boas. Todo bom pregador é um evangelista nesse sentido. Ele não é apenas um mensageiro que traz notícias, mas também um embaixador que fala em nome do Rei. Até os primeiros pregadores do evangelho foram anjos (Lucas 2:13 e seguintes).

Por isso, os ministros deveriam ser queridos pelo povo por causa de sua obra. “Quão formosos os pés” quer dizer: quão bem-vindos eles são. Maria Madalena demonstrou seu amor por Cristo beijando-lhe os pés, e depois segurando-o pelos pés (Mateus 28:9). Quando Cristo enviou seus discípulos, lavou-lhes os pés. Aqueles que anunciam o evangelho da paz devem cuidar para que seus próprios pés, isto é, sua vida e conduta, sejam formosos. Uma vida santa é a formosura dos pés de um ministro. “Quão formosos” eles são aos olhos dos que os ouvem. Os que acolhem a mensagem não podem deixar de amar os mensageiros (1 Tessalonicenses 5:12-13).

Paulo então responde a uma objeção que poderia surgir do fato de o evangelho ter tido pouco sucesso em muitos lugares: “Mas nem todos obedecem ao evangelho” (Romanos 10:16).

Nem todos os judeus creram, e nem todos os gentios creram. Na verdade, a maior parte de ambos ainda vive em incredulidade e desobediência. Isso nos lembra que o evangelho é dado para ser obedecido, e não apenas crido. Não é apenas um conjunto de ideias, mas uma regra de vida.

Essa pequena resposta à palavra já havia sido anunciada pelo profeta: “Quem creu em nossa pregação?” (Isaías 53:1). Muito poucos creram, e isso é especialmente triste quando a mensagem é tão fiel e digna de toda aceitação. Para os ministros de Cristo, é doloroso levar o relatório do evangelho e não ser crido. Quando enfrentamos essa tristeza, é bom levar nossa queixa a Deus: Senhor, quem creu?

Paulo então mostra que a palavra pregada é o meio comum pelo qual a fé é produzida: “A fé é pelo ouvir” (Romanos 10:17). Mesmo que muitos que ouvem não creiam, todos os que creem primeiro ouviram a mensagem. Isso resume o que ele já havia dito em Romanos 10:14. A fé começa, cresce e se fortalece por meio do ouvir. É por isso que a palavra de Deus é chamada de palavra da fé, porque ela tanto cria a fé quanto a alimenta.

Esse ouvir não é ouvir a habilidade humana ou discurso persuasivo, mas ouvir a palavra de Deus como palavra de Deus. Veja (1 Tessalonicenses 2:13). Deus concede a fé, mas a concede por meio da palavra, como instrumento. Assim, os que não querem crer no evangelho, depois de tê-lo ouvido, ficam sem desculpa e precisam atribuir a si mesmos a culpa por sua ruína (Romanos 10:18). Os gentios o ouviram, pelo menos em certa medida: “Por toda a terra saiu a voz deles, e as suas palavras até aos confins do mundo” (Romanos 10:18).

A ordem de Cristo aos apóstolos foi irem por todo o mundo, pregarem a toda criatura e fazerem discípulos de todas as nações. Eles obedeceram a essa ordem com incansável esforço e notável êxito. A própria obra de Paulo alcançou regiões vastas, como se vê em (Romanos 15:19). Mesmo até a Britânia, uma das partes mais distantes do mundo, o evangelho chegou poucos anos depois da ascensão de Cristo. Foi por isso que o dom de línguas foi concedido tão ricamente aos apóstolos (Atos 2). Paulo está claramente se apoiando no (Salmo 19:4), onde o testemunho da criação se estende por toda a terra. Assim como o sol, a lua e as estrelas publicavam a obra da criação, agora os pregadores do evangelho publicam a obra da redenção a todo o mundo.

Os judeus também ouviram a mensagem, e Paulo demonstra isso a partir do Antigo Testamento (Romanos 10:19-21). Ele mostra que eles já deveriam saber que os gentios seriam chamados, tanto pelos escritos de Moisés como pelos de Isaías. Primeiro, ele cita (Deuteronômio 32:21): “Eu vos despertarei ciúmes”. Os judeus não apenas ouviram a oferta, mas viram os gentios a aceitarem e desfrutarem de suas bênçãos, e isso despertou neles ira e inveja. Para os judeus, os gentios eram como o filho mais novo da parábola, recebido de volta depois do arrependimento, enquanto eles invejavam aquele acolhimento (Lucas 15). Os gentios são chamados de “um povo que não era povo” e de “nação insensata”, isto é, não eram o povo que professava pertencer a Deus.

Por mais inteligência e conhecimento humano que um povo tenha, se não é povo de Deus, no fim é insensato. Esse era o estado do mundo gentílico antes, embora Deus os tenha feito seu povo e feito de Cristo a sua sabedoria da parte de Deus. Vemos como isso enfureceu profundamente os judeus (Atos 13:45; 17:5, 13; 22:22). A própria fúria deles fazia parte do juízo anunciado em Deuteronômio. Deus muitas vezes transforma o próprio pecado das pessoas em seu castigo. Ninguém precisa de miséria pior do que ser entregue ao ímpeto violento dos próprios desejos.

Em seguida, Paulo cita (Isaías 65:1-2), onde o profeta fala com grande ousadia, ousadia suficiente para dizer claramente que o seu próprio povo seria rejeitado. Quem quer permanecer fiel precisa de tal coragem. Quem tem o propósito de agradar a Deus não deve temer desagradar as pessoas. Isaías fala com clareza sobre a acolhida graciosa de Deus aos gentios e sobre a resistência teimosa de Israel diante do convite aberto de Deus.

Sobre a bondade de Deus para com os gentios, ele diz: “Fui achado pelos que não me buscavam” (Romanos 10:20). O padrão normal é: buscar e achar; mas essa regra vale para nós, não para Deus. Deus muitas vezes se deixa encontrar por aqueles que não o estavam procurando. A graça é dele, e ele a concede como quer. Ele se antecipa a nós com as mais ricas bênçãos de sua bondade. Assim, revelou-se aos gentios enviando-lhes a luz do evangelho quando ainda seguiam falsos deuses e serviam a ídolos. Não foi esse também o nosso próprio caso? Deus não começou em amor e se fez conhecer a nós quando não o buscávamos? Esse foi realmente um tempo de amor, que deve ser lembrado com profunda gratidão.

Depois Isaías fala da teimosia de Israel, apesar dos convites amáveis e repetidos de Deus (Romanos 10:21). A bondade de Deus para com eles foi grande: “Todo o dia estendi as minhas mãos”. Suas ofertas foram sinceras e urgentes. Ele lhes ofereceu vida e salvação com toda a seriedade possível, mostrando-lhes a bênção que lhes estendia e insistindo nisso. Estender as mãos é o gesto de quem pede para ser ouvido (Atos 26:1) ou busca acolhida (Provérbios 1:24). Cristo foi crucificado com as mãos estendidas, e as mãos abertas de Deus aqui retratam reconciliação, como se dissesse: venham, sejamos amigos novamente. Nosso dever é também estender a mão a ele (2 Crônicas 30:8).

Também é notável a paciência de Deus em fazer essas ofertas: “Todo o dia”. A paciência de Deus para com pecadores obstinados é admirável. Ele espera para ser gracioso. Aqui, esse tempo de paciência é chamado de dia: claro, próprio para a ação, mas limitado, com uma noite ao final. Ele é longânimo, tardio em irar-se, mas não esperará para sempre.

O grande mal deles para com Deus foi este: eram um povo rebelde e contradizente. Em Isaías, uma palavra hebraica é explicada ali por duas ideias: não apenas se recusavam a atender ao chamado de Deus, como também resistiam a ele e contendiam contra ele, o que é bem pior.

Muitos não aceitam uma boa oferta, mas ainda admitem que não têm objeção real a ela. Os judeus incrédulos não pararam aí. Eles se opuseram à mensagem de Deus e chegaram a falar contra ela em blasfêmia. A paciência de Deus para com eles tornava a desobediência ainda mais pecaminosa, porque pecavam contra uma misericórdia muito grande. Ao mesmo tempo, a rebelião deles evidenciava quão graciosa é a paciência de Deus.

É um assombro da misericórdia divina que a bondade de Deus não seja vencida pela maldade humana. E é um assombro da maldade humana que o pecado das pessoas não seja vencido pela bondade de Deus.

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