Versículo em destaque
Romanos 1:8 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vocês, porque a fé de vocês é proclamada em todo o mundo. "
Romanos 1:8
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
6 entre as quais também vocês são os eleitos de Jesus Cristo –,
7 a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados para serem santos: a vocês, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!
8 Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vocês, porque a fé de vocês é proclamada em todo o mundo.
9 Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito, anunciando o Evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como menciono vocês incessantemente em minhas orações.
10 A ele suplico que, se for de sua vontade, finalmente me conceda uma ocasião favorável para visitar vocês.
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Podemos notar primeiro a ação de graças de Paulo por eles (Romanos 1:8). Ele começa dizendo: “Dou graças ao meu Deus”. É bom iniciar tudo louvando a Deus, fazer do louvor o começo e o fim de cada dever, e dar graças em todas as coisas.
A expressão “meu Deus” é uma maneira alegre e confiante de falar. Em toda ação de graças, ajuda lembrar que Deus é o nosso próprio Deus, pois isso torna cada bênção mais doce. Quando podemos dizer: “Ele é meu pela aliança”, seus dons se tornam ainda mais preciosos.
Paulo diz que sua gratidão vem “por Jesus Cristo”. Todos os nossos deveres e atos de adoração só são aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo, incluindo tanto o louvor quanto a oração. Ele acrescenta “acerca de vós todos”, porque devemos demonstrar amor aos nossos amigos não só orando por eles, mas também louvando a Deus por causa deles.
Deus deve receber a glória por todo o consolo que encontramos em nossos amigos. Cada pessoa significa para nós apenas aquilo que Deus faz dela para conosco. Paulo conhecia muitos crentes de Roma apenas de ouvir falar, não por amizade pessoal, e mesmo assim se alegrava sinceramente em seus dons e graças. Quando alguns cristãos romanos se encontraram com ele (Atos 28:15), ele deu graças a Deus por eles e tomou ânimo. Aqui seu verdadeiro amor cristão vai mais longe, e ele agradece a Deus por todos, não apenas pelos que o ajudaram muito em Cristo, como ele cita depois (Romanos 16:3, Romanos 16:6).
Paulo dá graças a Deus porque a fé deles é anunciada. À medida que viajava de lugar em lugar, ele ia ouvindo boas notícias sobre os cristãos em Roma. Ele menciona isso não para inflá-los de orgulho, mas para despertá-los a viverem à altura da reputação que possuíam. Quanto maior é a reputação de alguém quanto à piedade, com mais cuidado essa pessoa deve guardá-la, porque um pouco de loucura pode estragar um bom nome (Eclesiastes 10:1).
A fé deles era conhecida “em todo o mundo”, isto é, por todo o Império Romano. Os cristãos de Roma tinham sido dispersos quando Cláudio expulsou todos os judeus de lá, mas depois retornaram e deixaram um bom testemunho por onde passaram. Seus sofrimentos tiveram um efeito bom e inesperado, pois a perseguição contribuiu para torná-los conhecidos. Tinham um bom nome pelas coisas boas, tanto entre o povo de Deus quanto entre pessoas piedosas em geral. Como os anciãos da antiguidade, alcançaram bom testemunho por meio da fé (Hebreus 11:2).
É algo desejável ser conhecido pela fé. A fé dos cristãos de Roma era comentada não só porque era forte em si mesma, mas também porque se destacava numa cidade como Roma. Roma era como uma cidade edificada sobre um monte, e todos notavam o que acontecia ali. Por isso, aqueles sobre quem muitos olhos estão voltados precisam andar com cuidado, pois tanto suas boas como suas más ações serão comentadas.
Naquele tempo, a igreja em Roma era uma igreja florescente. Mais tarde, porém, sua condição se corrompeu bastante. O ouro que brilhava se tornou opaco, e o ouro mais fino se alterou. Roma então era como uma noiva pura, unida a Cristo e cheia de formosura, mas depois se desviou, agiu traiçoeiramente e abraçou um estranho. Assim, como um antigo livro de piedade mostra por vários exemplos, até a Epístola aos Romanos agora permanece como testemunha contra os próprios romanos. Roma tem pouca razão para se gloriar de seus antigos elogios.
Em seguida Paulo fala de sua oração por eles (Romanos 1:9). Embora fossem uma igreja famosa e florescente, ainda precisavam de oração, pois não haviam chegado à plena maturidade. Paulo menciona isso como prova de seu amor por eles. Uma das maiores bondades que podemos fazer aos nossos amigos, e às vezes a única ao nosso alcance, é encomendá-los ao cuidado amoroso de Deus em oração.
Pelo exemplo de Paulo aprendemos constância na oração. Ele diz que orava “sempre” e “sem cessar”. Seguia a mesma regra que dava aos outros (Efésios 6:18; 1 Tessalonicenses 5:17). Isso não significa que não fizesse outra coisa senão orar, mas que mantinha tempos fixos de oração, frequentes e fiéis.
Aprendemos também caridade na oração. Ele diz: “faço menção de vós”. Embora não os conhecesse bem, ainda assim orava por eles. Não orava apenas pelos santos em geral, mas lembrava de pessoas e igrejas concretas. Às vezes é adequado ser específico em oração por igrejas e lugares, não para informar a Deus, mas para mover o nosso próprio coração. Costumamos estar mais ligados em afeto aos amigos por quem mais oramos.
Sobre isso, Paulo faz um apelo solene àquele que conhece os corações: “Porque Deus, a quem sirvo... me é testemunha”. Era um assunto sério, conhecido apenas de Deus e de seu próprio coração; por isso ele invoca Deus como testemunha. É um consolo poder chamar Deus por testemunha de nossa sinceridade e de nossa obediência constante. Deus vê de modo especial nossas orações secretas, tanto o conteúdo quanto o modo como as apresentamos. Ele vê em secreto (Mateus 6:6). Paulo diz: “a quem sirvo em meu espírito”. Aqueles que servem a Deus com o espírito podem, em humilde confiança, apelar para ele. Os hipócritas, que descansam apenas na religião exterior, não podem fazer isso.
Entre os muitos pedidos que Paulo fazia por eles, um era que pudesse ter oportunidade de visitá-los (Romanos 1:10): “Pedindo... que em algum tempo...”. Sempre que desejamos consolo de qualquer coisa criada, devemos buscá-lo de Deus em oração, pois nossos tempos estão em suas mãos e todos os nossos caminhos debaixo de seu governo. Essas palavras mostram o quanto Paulo desejava essa ocasião. Já havia sido impedido muitas vezes, mas continuava pedindo. Ainda assim, ele submetia o assunto à providência de Deus, pedindo uma boa viagem “pela vontade de Deus”. Em nossos planos e desejos, devemos sempre lembrar de dizer: “Se o Senhor quiser” (Tiago 4:15). Nossas viagens se realizam ou fracassam, trazem consolo ou não, conforme a vontade dele.
Depois Paulo mostra seu forte desejo de vê-los e os motivos disso (Romanos 1:11-15). Ele tinha ouvido tanto acerca deles que queria conhecê-los melhor. Crentes frutíferos são alegria para ministros fiéis, enquanto professos estéreis lhes trazem tristeza. Muitas vezes ele planejou ir, mas foi impedido até então (Romanos 1:13), porque Deus o encaminhava para outros lugares. Outros deveres, especialmente o cuidado por outras igrejas, o detiveram. Paulo fazia primeiro o que era mais necessário, não o que era mais agradável. Esse é um bom exemplo para os ministros, que não devem seguir principalmente suas próprias preferências, mas as reais necessidades das almas que lhes foram confiadas.
Paulo queria visitar os romanos para que fossem fortalecidos (Romanos 1:11): “para comunicar-vos algum dom espiritual”. Ele havia recebido dons espirituais para poder transmiti-los aos outros. Nenhuma mãe cheia de leite desejou mais alimentar o filho do que Paulo desejava prestar ajuda espiritual, isto é, pregar a eles. Um bom sermão é um bom dom, e mais ainda quando é dom espiritual. Seu alvo era “para que sejais confortados” ou estabelecidos. Ele havia elogiado o estado florescente deles, e agora diz que quer vê-los ainda mais enraizados, de modo que, à medida que crescessem para cima nos ramos, crescessem também para baixo na raiz.
Os melhores crentes, enquanto vivem neste mundo abalado, precisam ser cada vez mais firmemente fundamentados. Os dons espirituais são especialmente úteis para fortalecê-los. Quando os obreiros do evangelho ao nosso redor nos edificam, ajudam a firmar nossa fé num mundo em constante agitação.
Paulo também desejava ser consolado, como diz em (Romanos 1:12). Saber que os romanos já cresciam na graça já lhe dava alegria, e ver isso com os próprios olhos o consolaria ainda mais. Ele sabia alegrar-se sinceramente com o fruto do trabalho de outros ministros. A fé que tinham em comum, ou sua mútua fidelidade a Deus, seria grande consolo para ambos os lados. É algo que revigora quando um ministro e seu povo confiam um no outro dessa forma. Os cristãos também se beneficiam de conversar entre si sobre sua vida espiritual. Esse tipo de compartilhamento nos afia, assim como o ferro afia o ferro.
Paulo queria ainda ter algum fruto do seu trabalho entre eles, como diz (Romanos 1:13). O crescimento deles seria um verdadeiro ganho para ele, como fruto que conta para algo duradouro. Ele mantinha a mente voltada para o seu chamado, sabendo que quanto mais bem fizesse, maior seria sua recompensa.
Ele desejava também cumprir seu dever como apóstolo dos gentios, como afirma (Romanos 1:14): “Eu sou devedor”. Seus dons e bênçãos o tornavam devedor, porque eram talentos confiados a ele para a honra de seu Senhor. Devemos lembrar disso sempre que cobiçamos grandes coisas, pois todo dom que recebemos de Deus nos coloca sob responsabilidade. Somos apenas mordomos dos bens do nosso Senhor. Seu ofício também o tornava devedor. Foi chamado e enviado para trabalhar, e havia se entregado a essa obra.
Paulo tinha usado bem os dons que recebera e fizera mais bem do que a maioria, ainda assim chamava a si mesmo de devedor. Mesmo depois de termos feito tudo o que podemos, ainda somos servos inúteis, que nada podem reivindicar como mérito próprio. Ele se via como devedor a gregos e bárbaros, como as palavras seguintes explicam, tanto aos sábios como aos ignorantes. Os gregos achavam que somente eles possuíam sabedoria e desprezavam os demais como incultos. Paulo, porém, se via na obrigação de fazer todo o bem possível a ambos os grupos.
Ele cumpriu essa obrigação tanto em sua pregação quanto em suas cartas, ajustando o ensino a cada tipo de ouvinte. Vemos a diferença entre a mensagem que anunciou em Listra, entre os simples licaônios, e a que anunciou em Atenas, entre os filósofos refinados (Atos 14:15ss.; Atos 17:22ss.). A cada grupo ele deu sua devida porção, como alguém que tem uma dívida para com ambos. Assim, embora fosse um pregador simples, ainda assim tinha sabedoria para falar entre os que já eram espiritualmente maduros (1 Coríntios 2:6).
Por essas razões ele estava pronto, se tivesse oportunidade, para anunciar o evangelho também em Roma (Romanos 1:15). Roma era um lugar público e perigoso, onde o cristianismo enfrentava forte oposição. Mesmo assim, Paulo estava disposto a correr o risco, se Deus o chamasse para lá. Ele estava preparado, com o coração disposto. Não servia por interesse próprio, mas com prontidão e boa vontade. É algo excelente estar pronto para toda oportunidade de fazer o bem ou de receber o bem.
Deste capítulo
Romanos 1:1
"Paulo, servo de Jesus Cristo, escolhido para ser apóstolo, reservado para anunciar o Evangelho de Deus; –"
Romanos 1:2
"este Evangelho Deus havia prometido outrora por meio dos seus profetas na Sagrada Escritura,"
Romanos 1:3
"a respeito de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne,"
Romanos 1:4
"que, segundo o Espírito de santidade, foi estabelecido Filho de Deus no poder por sua ressurreição dentre os mortos;"
Romanos 1:5
"e do qual temos recebido a graça e o apostolado, a fim de levar, em seu nome, todas as nações pagãs à obediência da fé,"
Romanos 1:6
"entre as quais também vocês são os eleitos de Jesus Cristo –,"
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