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Salmos 99:1 - Significado e aplicação

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Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Salmo de ação de graças. Aclamem o Senhor, por toda a terra.

Salmos 99:1

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auto_stories Comentário Bible Guided

O fundamento de toda verdadeira religião é este: o SENHOR reina. Deus governa o mundo pela sua providência, governa a igreja pela sua graça e governa ambos por meio de seu Filho. Não basta crer que o SENHOR vive; é necessário crer também que o SENHOR reina. Essa sempre foi a alegria da igreja de Cristo, e já era a alegria da igreja de Israel: Jeová era o Rei deles.

Dessa verdade vem o chamado: tremam os povos. Primeiro, até o próprio povo desse Rei deveria tremer, porque a era do Antigo Testamento trazia consigo muito temor. No monte Sinai, Israel, e até Moisés, ficaram tomados de medo e tremor. Ali Deus se mostrava terrível em seus santos lugares e, mesmo quando agia em favor do seu povo, fazia coisas grandiosas e temíveis. Mas agora não chegamos a aquele monte que ardia em fogo (Hebreus 12:18). Agora que o SENHOR reina, a terra pode se alegrar. Antes, ele governava mais por meio do santo temor; agora, governa por meio do santo amor.

Em segundo lugar, os inimigos desse reino devem tremer ainda mais. Deus ou os trará à obediência ao seu cetro de ouro, isto é, à sua autoridade real, ou os despedaçará com seu cetro de ferro. O SENHOR reina, ainda que os povos se enfureçam contra isso e gastem suas forças em ira. A fúria deles é inútil. Ele estabelecerá o seu Rei sobre o seu santo monte Sião, apesar de toda oposição (Salmo 2:1-6). No fim, se não antes, ele os fará tremer (Apocalipse 6:15).

O SENHOR reina; comova-se a terra. Os que se submetem a ele serão firmes e não serão abalados (Salmo 96:10), mas os que se opõem a ele serão sacudidos. Céu e terra serão abalados, assim como todas as nações, mas o reino de Cristo é inabalável. O que não pode ser abalado permanecerá (Hebreus 12:27). Nisso há força duradoura (Isaías 64:5).

O reino de Deus, estabelecido em Israel, é o tema do louvor do salmista. Duas coisas são especialmente afirmadas. Primeiro, Deus dirigia o culto do seu povo. Ele está assentado entre os querubins (Salmo 99:1), como em seu trono, para dar lei por meio das mensagens que dali eram transmitidas, e como sobre o propiciatório, para receber orações. Essa era a honra de Israel: a presença especial de Deus, com os santos anjos o servindo, estava no meio deles. O templo era o palácio real, e o Santo dos Santos era a sala de audiência.

O SENHOR é grande em Sião (Salmo 99:2). Ali ele é conhecido e louvado (Salmo 76:1-2), e ali é servido como grande, mais do que em qualquer outro lugar. Ele é exaltado acima de todos os povos ali. Assim como aquilo que é elevado é facilmente visto e contemplado, em Sião as perfeições da natureza de Deus aparecem mais claramente e com mais brilho do que em qualquer outro lugar. Por isso, os que habitam em Sião e ali o adoram devem louvar o seu grande e tremendo nome e dar-lhe a glória que lhe é devida, pois ele é santo. A santidade de Deus torna o seu nome verdadeiramente grande para os seus amigos e verdadeiramente temível para os seus inimigos (Salmo 99:3). É isso que os que estão no céu adoram: Santo, santo, santo.

Em segundo lugar, Deus era tudo em seu governo civil (Salmo 99:4). Em Jerusalém estava o testemunho de Israel, para onde as tribos subiam, e ali havia tronos para juízo (Salmo 122:4-5). O governo deles era uma teocracia, um governo diretamente sob Deus. Deus levantou Davi para reinar sobre eles, e alguns entendem que este salmo foi escrito quando Davi já estava firmemente e pacificamente estabelecido no trono. Ele é o rei cuja força ama o juízo. Sua força vem de Deus, e ele não usa o poder para sustentar a injustiça, como tantos governantes terrenos fazem; ao contrário, ama a justiça. Usa o poder para fazer o que é direito, e o faz com prazer. Nisso ele apontava para Cristo, a quem Deus daria o trono de Davi, seu pai, para que fizesse justiça e juízo. Ele tem poder para esmagar, mas a sua força ama o juízo. Ele não governa com dureza, mas com equilíbrio, sabedoria e ternura.

Israel tinha um bom rei, mas era ensinado a olhar mais alto, para Deus, por quem o rei reinava. Deus estabeleceu a equidade, isto é, deu-lhes as boas leis pelas quais eram governados, e executou juízo e justiça em Jacó. Ele não só aplicou suas próprias leis por meio de seus atos diretos na história, mas também ordenou a justiça entre eles por meio dos magistrados civis, isto é, autoridades públicas, que governavam debaixo dele e, por meio dele, davam sentenças justas. Seus juízes julgavam em nome de Deus, e o juízo deles era o juízo dele (2 Crônicas 19:6).

Reunindo essas duas coisas, vemos a felicidade de Israel acima de qualquer outro povo, como Moisés já havia declarado (Deuteronômio 4:7-8). Deus estava tão perto deles, assentado entre os querubins, e eles possuíam estatutos e juízos tão justos, por meio dos quais a equidade era estabelecida e o próprio Deus reinava em Jacó. A partir disso, o salmista dá uma ordem àquele povo bem-aventurado: Exaltai ao SENHOR nosso Deus e adorai ante o escabelo de seus pés; dai-lhe a glória por esse bom governo de que desfrutais, agora firmemente estabelecido tanto na igreja quanto no Estado (Salmo 99:5).

Quanto maiores são as bênçãos públicas que compartilhamos, mais devemos nos unir em louvor público a Deus. O estabelecimento do reino de Cristo, em especial, deve encher-nos de louvor. Quando nos aproximamos de Deus em adoração, nosso coração precisa estar cheio de pensamentos elevados a respeito dele, e ele deve ser exaltado dentro de nós. Quanto mais nos humilhamos e quanto mais nos abatemos diante de Deus, mais o honramos. Devemos adorar ante o escabelo de seus pés, diante de sua arca, que era como o escabelo do propiciatório entre os querubins; ou devemos nos prostrar no piso dos seus átrios. Temos todo motivo para reverência, porque ele é santo, e a sua santidade deve encher-nos de temor reverente, assim como enche os próprios anjos (Isaías 6:2-3).

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