Versículo em destaque
Salmos 90:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Caiam mil homens à sua esquerda e dez mil à sua direita: você não será atingido.
Salmos 90:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Você não temerá os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia,
6 nem a peste que se propaga nas trevas, nem o mal que grassa ao meio-dia.
7 Caiam mil homens à sua esquerda e dez mil à sua direita: você não será atingido.
8 Porém, você verá com seus próprios olhos, contemplará o castigo dos pecadores,
9 porque o Senhor é seu refúgio. Você escolheu, por asilo, o Altíssimo.
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Moisés já havia descrito a fragilidade da vida humana em geral. Ele disse que as pessoas são como um sono e como a erva do campo. Aqui, porém, ele ensina Israel a confessar diante de Deus a sentença justa de morte que repousava sobre eles de maneira especial, por causa dos seus pecados. A parte que lhes cabia no destino comum de toda a humanidade não era tudo o que tinham de suportar. Eles também viviam e morriam debaixo de claros sinais do desagrado de Deus.
Eles falam por si mesmos: “Nós, israelitas, somos consumidos e angustiados, e os nossos dias têm passado.” São ensinados a admitir que a ira de Deus era a causa de todos os seus males: “Somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados” (Salmo 90:7), e “todos os nossos dias vão passando na tua indignação” (Salmo 90:9). Os sofrimentos do povo de Deus muitas vezes procedem do seu amor, como no caso de Jó. Mas os castigos dos pecadores, e também dos justos quando Deus os corrige por causa do pecado, devem ser vistos como manifestações da ira de Deus. Ele repara nos pecados de Israel e se desagrada profundamente deles.
Somos rápidos demais em pensar na morte apenas como uma dívida à natureza. Mas não é tão simples. Se a natureza humana tivesse permanecido pura e reta, não haveria tal dívida. A morte é uma dívida à justiça e à lei de Deus. O pecado entrou no mundo, e a morte entrou por meio do pecado. Se somos consumidos pela velhice, pela fraqueza ou por uma longa doença, precisamos rastrear isso até a ira de Deus. Se somos abatidos de repente ou de maneira chocante, também isso é fruto da sua ira, que é revelada do céu contra a impiedade e a injustiça dos homens.
Eles também são ensinados a confessar os pecados que provocaram a ira de Deus contra eles: “Diante de ti puseste as nossas iniquidades, os nossos pecados ocultos” (Salmo 90:8). Deus não se irou sem motivo. Ele os havia advertido: “Não me provoqueis, e eu não vos farei mal.” Mas eles o provocaram, e precisavam reconhecer que ele foi justo ao pronunciar uma sentença tão severa. Ele os castigou com justiça por seu desprezo aberto e por seus ousados insultos contra ele. Isso incluía a incredulidade, as murmurações, a desconfiança do seu poder e o desprezo pela boa terra. Esses pecados estavam diante dele quando pronunciou o juízo, acenderam sua ira e impediram que boas coisas lhes fossem concedidas.
Ele também os castigou por seus pecados mais ocultos. “Puseste os nossos pecados ocultos na luz do teu rosto” significa que Deus os descobriu, os trouxe a juízo e fez com que eles enxergassem o que ignoravam. Pecados secretos são conhecidos por Deus e serão julgados. Aqueles que voltam o coração para o Egito, ou erguem ídolos em seu íntimo, serão tratados como rebeldes ou idólatras. Isso mostra a loucura de tentar encobrir o pecado, porque ele não pode ser ocultado de Deus.
Eles são ensinados a se verem como gente que está morrendo e passando, e não como pessoas com longa e feliz vida pela frente. A sentença contra eles não podia ser revogada: “Todos os nossos dias vão passando na tua indignação” (Salmo 90:9). Mesmo que não fossem logo exterminados, gastariam o restante dos seus anos como uma história que se conta. Os trinta e oito anos que depois passaram no deserto quase não foram registrados em detalhes. Quase nada se escreveu sobre o que aconteceu do segundo ano após a saída do Egito até o quadragésimo. O tempo deles após o Egito foi em grande parte desperdiçado, mal merecendo ser chamado de história. Era apenas o tempo correndo, como alguém contando causos. Enquanto eles iam sendo consumidos, outra geração crescia.
Quando saíram do Egito, não havia um só debilitado entre as suas tribos (Salmo 105:37). Agora, estavam fracos. A viva esperança de uma vida próspera e gloriosa em Canaã transformara-se na triste perspectiva de uma longa e vergonhosa morte no deserto. Toda a sua vida agora parecia tão pouco digna de menção quanto um conto de inverno. Isso se ajusta à vida de cada um de nós neste deserto do mundo. Gastamos nossos anos, chegamos ao fim deles, e, por fim, todos se vão como uma história que se conta. Alguns já disseram que é como o bafo no frio que logo desaparece, ou como um pensamento, que se vai quase no instante em que vem, ou como uma palavra falada, que logo se desfaz. A ideia é a mesma: nosso tempo passa depressa e não pode voltar.
O desperdício do nosso tempo, que é nossa culpa e nossa insensatez, deveria nos entristecer. Deveríamos empregar nossos anos com cuidado, diligência e propósito, como quem realiza uma grande obra. Em vez disso, muitas vezes os gastamos de modo descuidado, ocioso e de pouca utilidade, como alguém que apenas conta uma história. Cada ano passa como um conto já narrado. E qual é o comprimento desses anos? Não apenas são vãos, mas poucos: “setenta ou oitenta”, no máximo (Salmo 90:10). Isso pode ser entendido de duas maneiras.
Pode referir-se à vida dos israelitas no deserto. Todos aqueles contados quando saíram do Egito, que tinham mais de vinte anos, deveriam morrer dentro de trinta e oito anos. O censo contava os aptos para a guerra, a maioria provavelmente entre vinte e quarenta anos. Assim, todos morreriam antes dos oitenta, muitos antes dos sessenta, e alguns bem antes disso. Isso era bem mais curto que a vida de seus pais. Mesmo aqueles que chegavam aos setenta ou oitenta anos o faziam debaixo de uma sentença de consumação, sem esperança de entrar na terra prometida. Sua força e sua vida estavam cheias de trabalho e tristeza, que, de outra forma, teriam sido transformados em alegria em Canaã. Veja o que o pecado fez.
Ou essas palavras podem descrever a vida das pessoas em geral desde o tempo de Moisés. Antes dele, era comum que as pessoas vivessem cerca de cem anos, ou até perto de cento e cinquenta. Desde então, setenta ou oitenta anos se tornaram o limite usual, e poucos o ultrapassam, enquanto muitos nem chegam a isso. Consideramos que alguém viveu uma vida humana completa se alcança setenta anos, e quão curto isso é comparado com a eternidade! Moisés foi o primeiro a registrar por escrito a revelação divina, que antes era transmitida por tradição oral. Nessa época, o mundo e a igreja também estavam mais cheios de gente, de modo que já não havia a mesma razão para que as pessoas vivessem tanto tempo como antes.
Se alguns, por serem naturalmente fortes, chegam aos oitenta anos, sua força nessa idade lhes traz pouca alegria real. Apenas prolonga a sua miséria e torna a morte mais demorada e difícil de encarar. Até a força, então, traz trabalho e tristeza, e a fraqueza acrescenta ainda mais. Isso é verdade porque “chegaram os anos de que dizem: não tenho neles contentamento”.
Também se pode entender assim: nossos anos são setenta, e alguns, por causa de sua força, chegam a oitenta. Mas todo o percurso da vida, da infância à velhice, continua cheio de sofrimento e aflição. A vida é trabalho pesado do começo ao fim. Com o suor do rosto comemos o pão, e toda a existência é cansativa e penosa. Depois, mesmo que contemos com muitos anos, a vida pode ser cortada ao meio do caminho, e voamos embora antes do tempo.
Tudo isso tem por objetivo nos ensinar a temer a ira de Deus (Salmo 90:11). “Quem conhece o poder da tua ira?” Ninguém é capaz de compreendê-la plenamente. O salmista fala como alguém que teme a ira de Deus e se espanta com a grandeza do seu poder. Quem pode saber de fato até onde a ira de Deus pode alcançar, ou quão profundamente pode ferir? Os anjos que pecaram aprenderam isso pela experiência, e os perdidos no inferno conhecem-na em toda a sua extensão. Mas quem dentre nós pode apreendê-la ou descrevê-la completamente?
Poucos pensam seriamente nela como deveriam. Quem a conhece de modo tal que esse conhecimento molde sua vida? Aqueles que zombam do pecado e tratam a Cristo com leveza certamente não conhecem o poder da ira de Deus. “Conforme é o teu temor, assim é a tua ira” significa que a ira de Deus é tão grande quanto as pessoas mais sérias e refletidas imaginam que seja. Mesmo quando a temem muito, não a temem mais do que deveriam. Deus não descreveu sua ira nas Escrituras como pior do que ela realmente é. Na verdade, o que será sentido no mundo vindouro é bem pior do que aquilo que neste mundo é apenas temido. Quem dentre nós pode habitar com esse fogo consumidor?
Deste capítulo
Salmos 90:1
"Você que habita sob a proteção do Altíssimo, que mora à sombra do Onipotente,"
Salmos 90:2
"diga ao Senhor: “Tu és meu refúgio e minha cidadela, meu Deus, em quem eu confio”."
Salmos 90:3
"É ele quem livrará você do laço do caçador e da peste perniciosa."
Salmos 90:4
"Ele cobrirá você com suas plumas; sob suas asas você encontrará refúgio. Sua fidelidade lhe será um escudo de proteção."
Salmos 90:5
"Você não temerá os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia,"
Salmos 90:6
"nem a peste que se propaga nas trevas, nem o mal que grassa ao meio-dia."
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