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Salmos 90:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Eles sustentarão você em suas mãos, para que não tropece em alguma pedra.

Salmos 90:12

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esses são os pedidos dessa oração, construídos sobre os pensamentos e confissões que vieram antes. Se alguém está sofrendo, precisa aprender a orar desse modo. Aqui eles são dirigidos a pedir quatro coisas.

Primeiro, eles pedem um uso santo da aflição em que se encontram. Como seus dias haviam sido encurtados, oram: “Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias” (Salmo 90:12). Em outras palavras: “Ajuda-nos a enxergar com clareza quão poucos são os nossos dias e quão pouco tempo temos neste mundo.” É sabedoria contar bem os dias, para não os julgarmos mal, como o homem que planejou para muitos anos e, naquela mesma noite, teve a alma exigida. Precisamos viver com uma consciência constante de que a vida é breve, incerta, e que estamos sempre próximos da morte e da eternidade.

Contar bem os nossos dias significa comparar a obra que temos a fazer com o tempo que temos para fazê-la, e dar a isso a devida atenção. Precisamos de redobrada diligência, porque não temos tempo a desperdiçar. Quem quiser aprender esse modo de pensar precisa pedir a ajuda de Deus. Precisa ir a ele e rogar que o seu Espírito o ensine, o desperte a refletir e lhe dê entendimento. Contamos bem os nossos dias quando esse pensamento conduz o coração à verdadeira sabedoria, isto é, à piedade séria. Ser piedoso é ser sábio. Isso exige atenção cuidadosa, e as reflexões sobre a brevidade da vida e a nossa partida que se aproxima ajudam muito.

Em segundo lugar, eles oram para que Deus afaste deles a sua ira. Mesmo que a sentença já tivesse saído e não pudesse ser revogada, e eles tivessem de morrer no deserto, ainda assim oram: “Volta-te para nós, Senhor. Sê propício, reconcilia-te conosco e mostra que mudaste teu trato para com os teus servos” (Salmo 90:13). Pedem notícias de paz depois de notícias tão pesadas de juízo. “Até quando ficaremos debaixo da tua ira, e quando veremos algum sinal de que fomos restaurados ao teu favor? Somos teus servos, teu povo” (Isaías 64:9). “Quando mudarás teu agir para conosco?”

Deus respondeu a essa oração, e o fez depois do arrependimento deles (Números 14:39-40). No capítulo seguinte, ele deu leis sobre sacrifícios (Números 15:1 e seguintes), o que mostrava que havia se desviado da sua ira contra os seus servos. Pois, se o Senhor tencionasse destruí-los por completo, não lhes teria dado tais ordenanças.

Em terceiro lugar, eles oram por consolo e alegria no retorno do favor de Deus, em (Salmo 90:14-15). Eles pedem a misericórdia de Deus, pois não reivindicam nenhum mérito próprio. “Tem misericórdia de nós, ó Deus” é uma oração à qual todos devemos estar prontos a dizer amém. Peçamos misericórdias matutinas, dons oportunos da bondade divina, para que as ternas misericórdias de Deus venham depressa sobre nós, ainda na manhã da vida, quando somos jovens e fortes (Salmo 90:6). Peçamos a verdadeira satisfação e felicidade, que se encontram somente no favor e na misericórdia de Deus (Salmo 4:6-7). Uma alma graciosa, se puder apenas conhecer a benignidade de Deus, fica plenamente satisfeita com ela.

Duas coisas são apresentadas como base para esse pedido de misericórdia. Primeiro, a misericórdia de Deus seria uma fonte duradoura de alegria futura. “Sacia-nos com a tua benignidade”, eles oram, “para que não apenas tenhamos paz interior, o que não podemos ter enquanto estivermos debaixo da tua ira, mas também para que nos regozijemos e nos alegremos por todos os nossos dias, ainda que tenhamos de passá-los no deserto.” Os que fazem de Deus a sua principal alegria podem ter alegria plena (1 João 1:4), e essa alegria pode permanecer estável mesmo neste vale de lágrimas. Se não se alegram em todos os seus dias, a culpa é deles mesmos, porque a misericórdia de Deus pode dar alegria na tribulação, e nada pode tirar essa alegria.

Segundo, a misericórdia de Deus compensaria as tristezas passadas. “Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste”, eles pedem. “Que os nossos dias de alegria no teu favor sejam tantos quanto foram os dias de dor sob o teu desagrado, e que sejam tão agradáveis quanto aqueles foram sombrios.” O Senhor muitas vezes põe uma coisa em contraste com a outra (Eclesiastes 7:14). “Faze isso também por nós. Temos bebido o cálice de tremor por tempo suficiente. Agora coloca em nossas mãos o cálice da salvação.” O povo de Deus considera o retorno da sua benignidade recompensa suficiente para todas as suas aflições.

Em quarto lugar, eles oram para que Deus, ainda assim, continue a sua obra no meio deles. Pedem, primeiro, que ele torne essa obra visível. “Apareça a tua obra aos teus servos”, dizem. “Seja visto que tens operado em nós, para nos trazeres de volta a ti e nos preparares para ti.” Os servos de Deus não podem trabalhar para ele se ele primeiro não trabalhar neles e por meio deles, dando tanto o querer como o realizar da sua vontade. Então poderemos esperar que os atos da sua providência se manifestem em nosso favor, quando a obra da sua graça for vista em nós. “Apareça a tua obra, e apareça a tua glória nela a nós e à nossa posteridade.”

Quando pedimos a graça de Deus, a sua glória deve ser o nosso alvo. Devemos também olhar para os nossos filhos, para que eles igualmente experimentem a glória de Deus operando neles, transformando-os pouco a pouco à sua imagem. Nessa oração, eles talvez estejam também fazendo distinção entre si e seus filhos, como Deus havia feito recentemente em sua mensagem a eles: “Os vossos cadáveres cairão neste deserto, porém a vossos filhinhos eu os levarei à terra de Canaã” (Números 14:31). Assim, o sentido pode ser: “Senhor, que a tua obra apareça em nós, reformando-nos e concedendo-nos um espírito melhor, e que depois a tua glória apareça a nossos filhos, cumprindo neles a promessa da qual nós perdemos o benefício.”

Em segundo lugar, eles oram para que Deus os ampare e fortaleça no cumprimento da sua parte. “E seja sobre nós a formosura do Senhor, nosso Deus”, dizem. Que fique claro que Deus tem prazer em nós. Alguns entendem isso como um pedido para que Deus conserve entre eles as suas ordenanças e manifeste os sinais da sua presença. Podemos aplicar isso tanto à santidade quanto ao consolo. A santidade é a formosura do Senhor, nosso Deus. Que essa beleza seja vista em tudo quanto falamos e fazemos. Que a graça de Deus em nós, e a luz das boas obras, façam brilhar o nosso rosto. Essa é a beleza que ele coloca sobre nós, e verdadeiramente belos são os que são adornados dessa maneira.

Depois, que o consolo divino encha o coração de alegria e ponha brilho em nosso semblante. Isso também será a formosura do Senhor sobre nós, como nosso Deus. “Confirma sobre nós a obra de nossas mãos.” A obra que Deus realiza em nós (Salmo 90:16) não nos dispensa de empregar nosso melhor esforço em seu serviço e em desenvolver a nossa salvação. Mas, depois de termos feito tudo, precisamos esperar em Deus pelo êxito e pedir que ele abençoe o nosso trabalho, para que alcancemos o que visamos para a sua glória.

Somos tão indignos da ajuda de Deus, e ao mesmo tempo tão incapazes de fazer qualquer coisa duradoura sem ela, que precisamos pedi-la com insistência e continuar pedindo. “Sim, confirma a obra de nossas mãos”, e, para isso, “confirma-nos nela.” Em outras palavras, Deus precisa firmar o nosso coração e fortalecer os nossos esforços, se queremos que a nossa obra permaneça.

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