Versículo em destaque
Salmos 68:22 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Puseram fel no meu alimento; na minha sede, deram-me vinagre para beber.
Salmos 68:22
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
20 Bem vês minha vergonha, confusão e ignomínia. Diante de teus olhos estão os que me perseguem:
22 Puseram fel no meu alimento; na minha sede, deram-me vinagre para beber.
23 Que a sua mesa se torne um laço para eles e uma armadilha para os seus amigos.
24 Que seus olhos se escureçam para não mais ver; que seus passos sejam sempre vacilantes.
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Nestes versículos vemos três coisas.
Em primeiro lugar, há a promessa graciosa que Deus faz de livrar o seu povo e lhe dar vitória sobre os inimigos (Salmo 68:22-23). O Senhor fala a partir de seu próprio propósito amoroso e de sua promessa: “Eu farei grandes coisas por meu povo, como o Deus que o salva” (Salmo 68:20). Deus não frustra aqueles que confiam nele pela fé e o tomam como seu Deus.
Ele promete guardá-los do perigo, como já havia feito antes. “Eu os farei voltar das profundezas do mar”, como fez quando tirou Israel da escravidão do Egito para a liberdade do deserto. “Eu os farei voltar de Basã”, como fez quando tirou Israel das aflições do deserto para a vida estabelecida em Canaã. Basã ficava do outro lado do Jordão, onde Israel lutou contra Seom e Ogue, e dali partiram para entrar em Canaã.
As obras antigas de poder e bondade de Deus devem fortalecer nossa fé em relação ao futuro. O que ele já fez, ele pode tornar a fazer. Ele “tomará nas mãos outra vez a segunda vez” para reunir o remanescente do seu povo (Isaías 11:11). Podemos até ver repetidas as maravilhas de que nossos pais nos contaram.
Mas não é só isso. Ele também lhes dará vitória sobre os inimigos (Salmo 68:23). Seus pés serão banhados, à medida que avançam, no sangue dos inimigos, derramado em grande abundância como água, e as línguas de seus cães o lamberão. Os cães lamberam o sangue de Acabe, e, na ruína do mundo anticristão, o sangue é descrito como chegando até aos freios dos cavalos (Apocalipse 14:20). As vitórias de Davi sobre os inimigos de Israel são anunciadas aqui, mas também apontam para a vitória de Cristo sobre a morte e o sepulcro, para si mesmo e para todos os crentes, na sua ressurreição e na ressurreição deles pelo seu poder. Apontam ainda para a destruição dos inimigos de Cristo e dos inimigos da sua igreja, que serão levados a beber sangue, porque são dignos disso.
Em segundo lugar, vemos o acolhimento que o próprio povo de Deus deve dar a essas brilhantes manifestações de sua graça, tanto em sua palavra como em suas obras. Se ele falou em sua santidade, se declarou que fará o povo voltar de Basã, como devemos responder?
Devemos observar atentamente suas ações (Salmo 68:24). “Eles viram os teus caminhos, ó Deus.” Enquanto outros não atentam para a obra do Senhor nem para a operação de suas mãos, o seu povo vê os caminhos de “meu Deus, meu Rei, no santuário”. Aqui aprendemos três coisas. A fé ativa torna Deus pessoalmente nosso; ele é Deus e Rei, mas também é meu Deus e meu Rei. Os que o tomam como seu podem vê-lo agindo de todas as maneiras como seu Deus e seu Rei, para o bem deles e em resposta às orações.
Aprendemos também onde as obras mais notáveis de Deus são vistas: no santuário, por meio de sua Palavra e de suas ordenanças, e especialmente no meio do seu povo na igreja do evangelho. Ali a sua multiforme sabedoria é manifestada. Essas ações no santuário brilham mais do que o nascer e o pôr do sol e declaram com mais clareza seu eterno poder e divindade.
Aprendemos ainda qual é nosso dever em resposta: notar e reconhecer essas obras. Isto é o dedo de Deus. Certamente Deus está no meio de nós.
Devemos também dar-lhe glória da forma mais sincera e solene. Ao vermos seus caminhos no santuário, aqueles diretamente envolvidos no serviço do templo devem louvá-lo (Salmo 68:25). Os levitas, alguns como cantores e outros como músicos, tinham a visão mais próxima das suas obras no santuário; por isso, deles se esperava que liderassem o louvor. Como era um dia de vitória especial, as jovens, tocando tamborins, também se juntavam para completar a música. Assim também, quando Cristo subiu aos céus, os apóstolos deveriam celebrar e divulgar isso ao mundo inteiro, e até as mulheres que testemunharam deveriam alegrar-se em anunciar o que viram.
Todo o Israel, em sua adoração congregacional, também deve dar glória a Deus. Devem bendizê-lo não apenas no templo, mas nas sinagogas, nas escolas de profetas ou em qualquer ajuntamento que proceda da fonte de Israel, da descendência de Jacó. Como as misericórdias públicas são desfrutadas em conjunto, elas exigem ações de graças públicas, e todos devem unir-se a elas. Da mesma forma, todos os cristãos devem louvar o Messias com culto solene e reunir-se frequentemente com esse propósito.
E aqueles que são mais honrados entre eles, que se destacam em posição e autoridade, devem ir à frente no louvor (Salmo 68:27). O “pequeno Benjamim”, a tribo real no tempo de Saul, é mencionado junto com os príncipes de Judá, a tribo real no tempo de Davi, com seu conselho e seus capitães. No início do reinado de Davi, Judá e Benjamim haviam estado por muito tempo em guerra, mas agora se unem em louvor pela vitória sobre o inimigo comum.
Por que Zebulom e Naftali são mencionados de modo especial? Talvez porque moravam ao norte, mais expostos aos ataques dos sírios e de outros inimigos vizinhos, e portanto deviam ser particularmente gratos por essas vitórias. Há quem dê outro motivo: eram as duas tribos instruídas. De Naftali se diz que “dá belas palavras” (Gênesis 49:21), e de Zebulom, que nele havia os que manejavam a pena do escriba (Juízes 5:14). Esses, especialmente seus príncipes, deviam ser zelosos em louvar a Deus. É grande honra para Deus quando os que são mais elevados em dignidade, poder e reputação lideram outros na adoração e usam sua influência para promover o serviço de Deus. Disso se conclui ainda que, com o tempo, o reino do Messias será submetido por todos os governantes e homens instruídos do mundo.
Em terceiro lugar, devemos buscá-lo e depender dele para completar o que começou (Salmo 68:28). Na primeira parte do versículo, o salmista se dirige a Israel: “O teu Deus ordenou a tua força.” Ou seja, tudo o que é feito a teu favor, e toda força que tens para socorrer a ti mesmo, provém de Deus, do seu poder e da sua graça, e da palavra que ele determinou. Não há razão para temer enquanto se tem uma força que vem por ordem de Deus, nem motivo para se gloriar, pois não há força senão a que vem dele.
Na segunda parte, ele se dirige a Deus, encorajado pela experiência passada: “Fortalece, ó Deus, o que já fizeste por nós.” Senhor, confirma o que ordenaste, cumpre o que prometeste e leva a um fim alegre a boa obra que começaste de modo tão glorioso. Aquilo que Deus realizou, ele fortalecerá. Onde ele concede verdadeira graça, concederá mais graça. Alguns entendem o versículo inteiro como a oração de um crente dirigida ao Messias, a quem Davi chama de Deus, como também faz em (Salmo 45:6, Salmo 45:8).
“O teu Deus”, isto é, Deus Pai, ordenou a tua força. Ele te fortaleceu para si, como o homem da sua destra (Salmo 80:17), e depositou em ti força em nosso favor. Assim oramos para que tu, ó Deus Filho, fortaleças o que fizeste por nós e completes tua obra em nós.
Isso também aponta para o forte convite que Deus dirige aos de fora para que entrem e se juntem ao seu povo, como em (Salmo 68:29-31). Em parte, isso se cumpriu quando muitos gentios se uniram à fé de Israel nos dias de Davi e Salomão. Mas seu cumprimento mais pleno é a conversão dos gentios, das nações, à fé em Cristo, tornando-os coerdeiros e membros do mesmo corpo com o povo de Israel (Efésios 3:6).
Alguns se sujeitarão porque têm medo, como em (Salmo 68:30). Aqueles que se opõem a Cristo e ao seu evangelho, rejeitam o seu domínio, atacam seus pregadores e seguidores e são ferozes e inquietos como um grupo de touros, são alvo deste pedido de repreensão. Isto significa: Senhor, refreia o seu orgulho, acalma o seu ódio e frustra seus planos, até que a consciência deles seja convencida e a providência de Deus os pressione, de modo que, por fim, se submetam trazendo pedaços de prata, contentes em fazer paz com a igreja em quaisquer termos. Até Judas devolveu sua prata, confessando: “Pequei, traindo sangue inocente.” Veja também (Apocalipse 3:9).
Muitos foram poupados da ruína por terem sido assim repreendidos. Mas, se as pessoas ainda se recusarem a se submeter, a oração se torna advertência de que serão dispersas. É o sentido das palavras: “Dispersa os povos que se deleitam na guerra”, os que se comprazem em resistir a Cristo e nunca querem estar em paz com ele. Isso pode referir-se especialmente aos judeus incrédulos, que lutaram contra a semente santa e não quiseram submeter-se, sendo por isso espalhados pela terra.
Davi fora um homem de guerra, mas podia dizer honestamente que nunca amou a guerra ou o derramamento de sangue por si mesmos. Quanto àqueles que amam o conflito e rejeitam a melhor oferta de paz, ele tem certeza de que Deus os dispersará. Pessoas que perdem todo senso de humanidade, e até de dever cristão, por se comprazerem na guerra e na contenda, devem esperar, mais cedo ou mais tarde, ter guerra em excesso (Isaías 33:1; Apocalipse 13:10).
Outros se submeterão de boa vontade, como em (Salmo 68:29) e (Salmo 68:31): por causa do templo de Deus em Jerusalém, reis trarão presentes a ele. Davi fala isso em fé, porque, no seu tempo, o templo ainda não tinha sido construído; apenas seus materiais e planos estavam sendo preparados. Ele quer dizer que há tanta beleza e bênção no templo de Deus, em seu culto, na comunhão com ele e no evangelho de Cristo que saiu de Jerusalém, que até reis desejarão honrá-lo.
Esses presentes serão ricos e dignos de reis, e até reis, que muitas vezes se importam profundamente com honra e status, buscarão o favor de Cristo a grande custo. Eles se oferecerão a Deus como sacrifícios vivos, junto com o melhor que tiverem para dar. Davi menciona o Egito e a Etiópia, duas terras de onde tais visitantes seriam menos esperados (Salmo 68:31). Príncipes sairão do Egito como embaixadores, buscando o favor de Deus e se submetendo a ele, e serão aceitos, porque o Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: “Bendito seja o Egito, meu povo” (Isaías 19:25).
Até a Etiópia, que havia estendido suas mãos contra o povo de Deus (2 Crônicas 14:9), um dia estenderá suas mãos para Deus, em oração, em presentes e em confiança. Isso acontecerá em breve. O chamado é claro: fazer logo as pazes com o adversário. De todas as nações, alguns serão ajuntados a Cristo e pertencentes a ele.
Deste capítulo
Salmos 68:1
"Ao mestre de canto. Segundo a melodia: “Os lírios”."
Salmos 68:2
"Salva-me, ó Deus, porque as águas vão me submergir."
Salmos 68:3
"Estou imerso num abismo de lodo, no qual não há onde firmar o pé. Fui parar em águas profundas; as ondas me encobrem."
Salmos 68:4
"Já cansado de tanto gritar, minha garganta ficou rouca. Meus olhos enfraqueceram enquanto espero meu Deus."
Salmos 68:5
"Mais numerosos que os cabelos de minha cabeça são os que me detestam sem razão. Mais fortes que meus ossos são os meus inimigos injustos. Porventura posso restituir o que não roubei?"
Salmos 68:6
"Tu conheces, ó Deus, a minha insensatez, e minhas faltas não estão ocultas de ti."
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