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Salmos 67:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Cântico.

Salmos 67:1

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auto_stories Comentário Bible Guided

O salmo começa com uma fé firme e calorosa, que logo se eleva em profecia sobre Deus ampliando o seu reino. O salmista primeiro ora pelo bem da igreja já reunida, porque sabe que a própria alegria dele está ligada à alegria do povo de Deus. Nosso Senhor nos ensinou a dizer “Pai nosso”; assim, devemos orar com os outros e pelos outros, e não apenas por nós mesmos.

“Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós” é uma oração riquíssima. Ela começa com a misericórdia, porque toda a nossa verdadeira felicidade nasce daí. Somos pecadores que precisam de perdão, como confessou o publicano: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador” (Lucas 18:13). Somos também necessitados e aflitos, e precisamos que Deus nos levante das nossas angústias.

Em seguida, a oração pede bênção, isto é, que Deus nos dê parte em suas promessas e em todo o bem que elas contêm. Quando Deus nos fala bem, também nos faz bem. Essas palavras são cheias e belas, e não devem ser usadas de forma descuidada ou como mera fórmula de costume.

A última parte pede a luz do rosto de Deus, isto é, o seu favor e o consolo de saber que ele nos ama. Nada mais é necessário para a verdadeira felicidade além de Deus brilhar sobre nós em graça. A ideia também pode ser entendida como “resplandecer conosco”, no sentido de Deus acompanhar nossos esforços e coroá-los com sucesso. Se andarmos com ele pela fé, podemos esperar essa luz.

A partir daí, o salmo se alarga para pedir a conversão dos gentios, das nações não judaicas: “Para que se conheça na terra o teu caminho” (Salmo 67:2). O salmista não ora só por Israel, mas pela humanidade inteira. Esse é o espírito correto da oração: amplo e generoso, como em “santificado seja o teu nome” e “venha o teu reino”. Não perdemos nada quando outros passam a participar da misericórdia, da bênção e do favor de Deus.

Também se pode entender essa oração como um pedido para que Deus trate Israel com especial bondade, de maneira que outras nações sejam atraídas a ele por esse testemunho e digam: “Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” (Zacarias 8:23). Os santos do Antigo Testamento não queriam guardar só para si os privilégios da igreja. Desejavam que o cercado fosse aberto, para que as nações entrassem. Isso era bem diferente do espírito de muitos judeus nos dias de Cristo, que resistiram ao evangelho quando foi anunciado aos gentios.

Essas palavras são ao mesmo tempo oração e profecia. Pedem aquilo que Deus prometeu fazer, o que mostra que as orações da igreja certamente serão atendidas. A primeira coisa pedida em favor dos gentios é a revelação divina, para que o caminho de Deus e a sua salvação sejam conhecidos entre todas as nações (Salmo 67:2). O caminho de Deus é a regra do dever, aquilo que ele requer de nós. A sua salvação é o dom de livramento e vida que é revelado no evangelho.

Se as pessoas conhecem o caminho de Deus e andam nele, também verão a sua salvação (Salmo 50:23). Aqueles que já provaram a bondade dos caminhos do Senhor e o consolo da sua salvação, naturalmente desejam que outros também os conheçam. Todos precisam do caminho de Deus e da salvação de Deus, e há abundância em ambos para todos.

O pedido seguinte é que o culto a Deus seja estabelecido entre as nações, à medida que elas recebem essa revelação (Salmo 67:3, 5). “Louvem-te a ti, ó Deus, os povos” significa: que eles tenham tanto motivo quanto coração para te louvar. O salmista repete isso porque é algo muito caro ao seu coração. Aqueles que amam louvar a Deus também desejam que outros sejam conduzidos a essa mesma alegria, para que Deus receba honra e as pessoas recebam bênção.

Isso implica que o evangelho seja pregado às nações, para que elas tenham forte razão de louvar a Deus, como um nascer de sol após longa noite. Implica também que sejam convertidas e trazidas à igreja, deixando os ídolos mortos para servir ao Deus vivo e verdadeiro. Assim, seus enganos sobre Deus seriam calados, e elas veriam no evangelho que ele é amor em essência e digno de louvor. Implica ainda que sejam reunidas ao culto público, para louvarem a Deus juntas, com um só coração e uma só voz. Onde Deus é honrado abertamente e o seu culto é guardado de modo correto, ali a terra mostra um verdadeiro rosto de religião.

O salmo também pede que o governo de Deus seja aceito com alegria pelas nações: “Alegrem-se e exultem as nações” (Salmo 67:4). A santa alegria faz parte do louvor agradecido. É alegria em Deus, em seu nome e no fato de que ele reina. As nações não convertidas resistem a esse governo, mas o salmo antevê o tempo em que elas se alegrarão porque Deus tomou o seu grande poder e passou a reinar (Apocalipse 11:17, 18).

Que se alegrem, primeiro, porque o reino pertence ao Senhor (Salmo 22:28). Ele governa as nações como Rei absoluto. Pela sua providência, dirige os negócios dos reinos conforme a própria vontade, mesmo quando eles não o conhecem nem o honram. E, no tempo devido, fará de todas as nações seus discípulos pela pregação do evangelho (Mateus 28:19), estabelecendo entre elas o seu reino de graça à medida que o reino do diabo cai. Ele formará um povo voluntário no dia do seu poder, e até os reinos deste mundo se tornarão do Senhor e do seu Cristo.

Devem ainda alegrar-se porque todo julgamento procede do Senhor. “Alegrem-se porque tu julgarás os povos com retidão, porque darás uma lei e um evangelho que são a justa regra de juízo, e porque pronunciarás, segundo essa regra, uma sentença verdadeira sobre todos, sem que haja apelação.” Devemos nos alegrar por não ficarmos entregues ao julgamento uns dos outros, mas termos o próprio Senhor como Juiz, e o juízo dele é sempre verdadeiro.

O salmo então olha adiante, com alegria, para todo o bem que virá quando Deus fizer isso, quando as nações forem convertidas e trazidas a louvá-lo. O mundo de baixo lhes sorrirá, e elas desfrutarão da sua fecundidade (Salmo 67:6). Deus já dava chuva do céu e tempos frutíferos mesmo quando os povos estavam em trevas (Atos 14:17). Mas, uma vez convertidos, o fruto da terra é oferecido a Deus. Seu comer e beber tornam-se, em certo sentido, oferta de manjares e libação ao Senhor nosso Deus (Joel 2:14), e a terra passa a ser fértil para um fim mais excelente. Ela passa a servir melhor ao consolo das pessoas, que em Cristo recebem direito de aliança sobre seus frutos e um uso santo deles. O êxito do evangelho às vezes traz bênçãos exteriores junto com ele, pois a justiça exalta uma nação. Veja Isaías 4:2 e Isaías 62:9.

O mundo de cima também lhes sorrirá, e elas receberão um favor infinitamente melhor: “Deus, o nosso próprio Deus, nos abençoará” (Salmo 67:6). De novo: “Deus nos abençoará” (Salmo 67:7). Há um povo na terra que pode, com bom fundamento, chamar Deus de “nosso”. Os crentes têm motivo para se alegrar no relacionamento que têm com ele e na parte que lhes cabe nele. As palavras são ditas em tom de triunfo: “Deus, o nosso Deus”. Aqueles que, pela graça, podem chamar Deus de seu, podem esperar dele, com confiança humilde, uma bênção. Se ele é o nosso Deus, há de nos abençoar com bênçãos especiais. A bênção de Deus, quando ele é nosso em aliança, adoça todas as alegrias terrenas e as torna verdadeiro consolo. Desfrutamos o fruto da terra como misericórdia real quando, junto com ele, Deus, o nosso Deus, nos concede a sua bênção.

Dessa maneira, o mundo inteiro será levado a seguir esse exemplo. Os confins da terra o temerão, isto é, o adorarão com temor reverente. As bênçãos que Deus nos dá nos chamam não só a amá-lo, mas também a temê-lo, a pensar corretamente sobre ele e a ter medo de pecar contra ele. À medida que o evangelho começa a se espalhar, continuará crescendo até alcançar os confins da terra. O fermento escondido na massa se espalha até levedar tudo. As muitas bênçãos que os membros da igreja podem testemunhar ter recebido convidam outros a se unirem a eles. É algo bom lançar nossa sorte junto com aqueles que são abençoados pelo Senhor.

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