Versículo em destaque
Salmos 55:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Tu conheces os caminhos do meu exílio; recolheste minhas lágrimas em teu cantil; não está tudo escrito em teu livro?
Salmos 55:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 Reúnem-se, armam ciladas, observam meus passos e odeiam a minha vida.
8 Trata-os segundo a sua iniquidade. Ó meu Deus, em tua cólera, prostra esses povos.
9 Tu conheces os caminhos do meu exílio; recolheste minhas lágrimas em teu cantil; não está tudo escrito em teu livro?
10 Sempre que eu te invocar, meus inimigos recuarão: bem sei que Deus está por mim.
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Davi aqui se queixa de seus inimigos. As tramas perversas deles o tinham levado, se não ao fim da fé, pelo menos ao limite de suas forças e de sua razão, e ele ora contra eles movido pelo Espírito de profecia. Devemos notar, primeiro, o tipo de inimigos que ele descreve. Eles eram do pior tipo de pessoas, e suas palavras se aplicam muito bem a Absalão, o filho rebelde de Davi, e aos que o seguiam.
Ele se queixa de Jerusalém, a cidade que de modo estranho se aliou a Absalão e se afastou de Davi. Assim, Davi praticamente não tinha ali em quem confiar, a não ser em seus próprios guardas e servos. Era como se a cidade fiel tivesse se tornado infiel. Davi não soube disso apenas por ouvir dizer; ele viu com os próprios olhos, e isso o entristeceu profundamente. Ele não via na cidade senão violência e contenda (Salmos 55:9). Quando o povo se tornou desleal a Davi, também se tornou duro e agressivo uns com os outros.
Se Davi andasse pelos muros da cidade, veria violência e contenda dando voltas ao seu redor dia e noite, como se guardassem a cidade (Salmos 55:10). Os próprios planos que tinham para fortalecer a cidade estavam baseados em violência e conflito. Já não havia entre eles sinceridade nem amor verdadeiros. Se ele olhasse para o interior da cidade, veria maldade e dano, pessoas prejudicando e perturbando umas às outras. Toda espécie de perversidade estava ali. Engano e mentira não deixavam suas ruas (Salmos 55:11). Isso pode se referir também ao tratamento cruel dado aos amigos de Davi e a todos que continuavam leais a ele. Eles os prejudicavam por meio de astúcia ou força, sempre que podiam.
Que quadro triste de Jerusalém, a cidade real e, mais ainda, a cidade santa. E isso tão pouco tempo depois de ali ter sido estabelecido o trono de julgamento e o testemunho de Israel. É esta a cidade chamada de perfeição de formosura? (Lamentações 2:15). Jerusalém, morada dos sacerdotes de Deus, está assim tão mal instruída? A cidade que Davi edificou pode tornar-se tão ingrata ao próprio Davi, a ponto de se tornar um lugar insuportável para ele viver? Não devemos ficar escandalizados com a corrupção e a desordem na igreja de Cristo aqui na terra. Antes, devemos ansiar pela Nova Jerusalém, onde não haverá violência nem contenda, nenhum dano ou culpa, e nada impuro jamais entrará.
Ele também se queixa de um dos principais líderes da conspiração, um homem que trabalhava ativamente para semear suspeitas, deturpar Davi e seu governo e virar a cidade contra ele. Esse homem acusava Davi de abusar do poder ou de não exercê‑lo bem, o que coincide com a alegação cruel de Absalão: “Também não há ninguém da parte do rei que te ouça” (2 Samuel 15:3). Acusações assim eram espalhadas amplamente entre o povo. Davi parece perguntar quem estava à frente dessa obra: “Não era um inimigo declarado, não era Simei, um dos opositores mais amargos. Se fosse, eu poderia suportar, porque não esperaria coisa melhor dele.” Mais tarde, Davi mostrou paciência debaixo das maldições de Simei. “Não era alguém que dissesse abertamente que me odiava. Se fosse, eu me guardaria e ocultaria meus planos dele, para que não pudesse me trair. Mas eras tu, homem meu igual” (Salmos 55:13).
A paráfrase caldaica afirma que se tratava de Aitofel, e nada, naquela revolta, parece ter ferido mais Davi do que ouvir que Aitofel se unira a Absalão (2 Samuel 15:31). Aitofel tinha sido o conselheiro do rei (1 Crônicas 27:33). Davi, em resumo, diz: “Tu eras meu igual, alguém que eu estimava como a mim mesmo, um amigo chegado como a minha própria alma. Eu partilhava meus segredos contigo, e conhecias o meu pensamento tão bem quanto eu mesmo. Tu eras o meu guia, o homem a quem eu consultava e cujo conselho eu seguia nos meus assuntos. Eu te coloquei à frente do conselho, um dos principais oficiais do reino, meu companheiro íntimo e amigo familiar. E agora é este o homem que me trata com tamanha dureza. Fui bondoso com ele, mas ele se mostrou profundamente ingrato. Confiei nele, mas ele agiu com traição vil. Ele não poderia ter feito nem metade desse mal se eu não lhe tivesse dado tanta honra.”
Isso doeria em qualquer coração honesto, mas não era tudo. Esse traidor tinha aparência de santo, ou nunca teria sido amigo íntimo de Davi (Salmos 55:14). Eles tinham tomado conselho juntos e passado muitas horas conversando sobre coisas religiosas. Dr. Hammond entende que eles iam juntos à assembleia de adoração, e Davi lhe dava a destra de comunhão no culto santo; depois caminhavam juntos para a casa de Deus para participar do serviço público.
Isso nos ensina três coisas. Primeiro, sempre houve e sempre haverá mistura de crentes verdadeiros e falsos na igreja visível. Por muito tempo, pode não se notar diferença entre eles, mas Deus, que conhece o coração, vê. Davi ia à casa de Deus com sinceridade, enquanto Aitofel ia com hipocrisia. O fariseu e o publicano subiram juntos ao templo para orar, mas, em tempo, a diferença entre o genuíno e o falso fica manifesta. Segundo, a sabedoria mundana pode levar uma pessoa muito longe numa profissão pública de religião, enquanto a religião for útil e bem‑vista. Na corte de Davi, ninguém parecia mais devoto do que Aitofel, e mesmo assim seu coração não estava direito diante de Deus. Terceiro, não devemos nos espantar se formos gravemente enganados por pessoas que falam muito de religião e amizade. O próprio Davi, embora muito sábio, foi enganado assim, e isso deve tornar mais suportáveis as nossas próprias decepções.
Então Davi ora contra eles, e devemos tanto respeitar quanto encontrar consolo nessas palavras, como profecias. Mas não devemos simplesmente copiá‑las para nossas orações contra inimigos pessoais. Ele pede, primeiro, que Deus os espalhe, como fez com os construtores de Babel (Salmos 55:9). “Despedaça, Senhor, e divide as suas línguas”, ele diz. Ou seja, quebre os planos deles fazendo‑os discordar e colidir uns com os outros. Envia entre eles um espírito mau, de modo que não se entendam, mas se tornem ciumentos e desconfiados. Deus atendeu essa oração quando tornou insensato o conselho de Aitofel, colocando contra ele o conselho de Husai. Deus muitas vezes destrói os inimigos de sua igreja dividindo‑os. Nenhum povo está mais perto da queda do que aquele que está dividido contra si mesmo. Um reino ou causa divididos em partes não podem permanecer por muito tempo.
Ele também ora para que Deus os destrua, como fez com Datã e Abirão e os que se uniram a eles contra Moisés. A garganta deles era como um sepulcro aberto, e a terra abriu a boca e os engoliu. Naquele tempo, foi um juízo novo da parte de Deus (Números 16:30).
Mas Davi pede que isso volte a acontecer, ou algo semelhante (Salmos 55:15): que a morte se apodere deles por ordem de Deus, e que desçam vivos ao mundo dos mortos, rapidamente. Que sejam mortos, sepultados e totalmente destruídos num instante, “porque há maldade nas suas habitações e no meio deles”. As almas dos pecadores impenitentes descem vivas ao inferno, porque sentem plenamente a sua miséria. Continuam vivas, a fim de continuarem miseráveis.
Essa oração também aponta para a ruína completa, final e eterna de todos os que, em segredo ou abertamente, se opõem e se rebelam contra o Messias do Senhor.
Deste capítulo
Salmos 55:1
"Ao mestre de canto. Conforme: “Muda pomba de longínquas terras”. Cântico de Davi, quando vai para junto dos filisteus, em Get."
Salmos 55:2
"Tem piedade de mim, ó Deus, porque os homens me pisam aos pés; sem cessar, eles me oprimem, combatendo."
Salmos 55:3
"Meus inimigos me espezinham continuamente; são numerosos os que me fazem guerra."
Salmos 55:4
"Ó Altíssimo, quando o terror me assalta, é em ti que ponho a minha confiança."
Salmos 55:5
"É em Deus, cuja promessa eu proclamo, sim, é em Deus que ponho a minha esperança; nada temo: que mal pode me fazer um ser de carne?"
Salmos 55:6
"O dia inteiro, eles me difamam; todos os seus pensamentos são para o meu mal;"
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