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Salmos 5:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Ao mestre de canto. Com flautas. Salmo de Davi. "
Salmos 5:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ao mestre de canto. Com flautas. Salmo de Davi.
2 Senhor, ouve minhas palavras, escuta meus gemidos.
3 Atende à voz de minha prece, ó meu rei, ó meu Deus.
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O título deste salmo não traz nada de incomum, exceto a palavra “Nehilote”, que não aparece em nenhum outro lugar. Alguns pensam, e isso não passa de suposição, que se refira a instrumentos de sopro, assim como se entende que “Neginote” se refira a instrumentos de cordas.
Nestes versículos, Davi olha para Deus como o Deus que ouve orações. Deus é assim desde que os homens começaram a invocar o nome do Senhor, e continua igualmente pronto para ouvir oração hoje. Note como Davi se dirige a ele: “Ó SENHOR” (Salmo 5:1, Salmo 5:3), isto é, Jeová, o autoexistente e plenamente suficiente, a quem devemos adorar. Ele também diz: “meu Rei e meu Deus” (Salmo 5:2), isto é, aquele que escolhi como meu Deus, a quem devo lealdade, e debaixo de cuja proteção me coloquei.
Sabemos que o Deus a quem oramos é Rei e Deus, o Rei sobre todos os reis e o Deus sobre todos os deuses. Mas isso, por si só, não basta. O pensamento mais encorajador na oração, e o maior motivo para orar, é vê-lo como nosso Rei e nosso Deus, aquele a quem devemos obediência especial e de quem esperamos cuidado especial.
Davi primeiro mostra o que está pedindo, e isso pode fortalecer nossa fé e esperança quando oramos. Se oramos com sinceridade e fé, temos razão para esperar três coisas. Primeiro, que Deus atente para a nossa situação, para a forma como a descrevemos, e para os pedidos que fazemos a respeito dela. É por isso que Davi diz: “Dá ouvidos às minhas palavras, ó SENHOR”. Embora Deus esteja nos céus, tem sempre o ouvido aberto à oração do seu povo, e nada o impede de ouvir. As pessoas talvez não nos ouçam, ou se recusem a nos ouvir, mas Deus pode ouvir, e ouvirá.
Em segundo lugar, Davi pede que Deus considere cuidadosamente sua causa e não a despache com uma resposta apressada. Ele diz: “atende à minha meditação”. As orações de Davi não eram só palavras faladas, mas também profundos pensamentos diante de Deus. Assim como a meditação prepara o caminho da oração, a oração é o desfecho adequado da meditação. Meditação e oração devem caminhar juntas (Salmo 19:14). Quando nós mesmos pesamos com seriedade as nossas orações, podemos esperar que Deus também as considere, e atente para aquilo que procede do nosso íntimo.
Em terceiro lugar, Davi espera uma resposta graciosa, a seu tempo. Por isso diz: “Atende à voz do meu clamor” (Salmo 5:2). Sua oração era um clamor, o que mostra forte emoção e urgência. Uma súplica tão intensa, feita por uma pessoa justa, é poderosa e eficaz.
Davi também mostra o que promete de sua parte, para que possa alcançar essa benevolente aceitação. Isso deve nos orientar em nossas próprias orações, porque pedimos e não recebemos quando pedimos mal. Davi faz quatro promessas, e nós deveríamos fazer o mesmo.
Primeiro, ele promete que vai orar. Ele fará da oração um dever sério: “a ti orarei”. Outros podem viver sem oração, mas ele orará. Um rei como Davi ainda precisa ser um mendigo ao trono de Deus. Outros podem dirigir orações a falsos deuses e esperar socorro deles, mas Davi afirma que somente a Deus orará. O fato de Deus estar disposto a ouvir oração deve fortalecer nossa decisão de viver e morrer como pessoas de oração.
Segundo, ele promete orar pela manhã. Sua voz será ouvida então, e sua oração será dirigida então. É como se essa fosse a data nas suas “cartas” para o céu. Isso não significa oração apenas pela manhã, pois ele mesmo diz em outro lugar: “De tarde e de manhã e ao meio-dia orarei”, e ainda: “Sete vezes no dia te louvo”. Mas a oração matinal é certamente nosso dever. Estamos mais aptos a orar quando a mente está mais fresca, desperta e tranquila, depois do sono da noite e antes que os afazeres do dia nos encham o pensamento. Também precisamos orar nesse momento, porque o dia trará perigos e tentações, e precisamos de novos suprimentos de graça, obtidos pela fé e pela oração.
Terceiro, ele promete orar com foco e propósito definido. “Ordenarei a ti a minha oração”, diz ele, como o arqueiro que mira sua flecha no alvo. Devemos nos apresentar diante de Deus com essa mesma firme intenção. É também como endereçar uma carta a um amigo em certo lugar, pois nossas orações precisam ser dirigidas a Deus como nosso Pai que está nos céus. Devemos sempre apresentá‑las por meio do Senhor Jesus, o grande Mediador, aquele que está entre Deus e nós, e assim elas não deixarão de chegar ao seu destino. Todas as nossas orações devem ser dirigidas a Deus, e a sua glória deve ser o alvo mais alto nelas. Que o primeiro pedido seja: “Santificado, glorificado seja o teu nome”; então podemos esperar a mesma resposta graciosa que Cristo recebeu: “Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei”.
Quarto, ele promete esperar com paciência por uma resposta de paz. “E vigiarei”, isto é, ficará atento ao resultado de suas orações e escutará o que Deus, o SENHOR, falará (Salmo 85:8; Habacuque 2:1). Se Deus conceder o que pediu, será agradecido. Se Deus negar, será paciente. Se Deus demorar, continuará orando e esperando sem desanimar. Devemos olhar para cima, ou ficar de prontidão, como quem lançou uma flecha e observa quão perto ela chega do alvo. Perdemos muito consolo na oração porque não atentamos para as respostas de Deus.
Assim, orando e esperando dessa maneira, como o coxo que fitava Pedro e João atentamente (Atos 3:4), podemos esperar que Deus dê ouvidos às nossas palavras e as considere. Podemos nos deixar em suas mãos, como Davi faz aqui. Ele não diz: “Senhor, faze isto ou aquilo por mim”, mas: “Ouve‑me, considera a minha causa e faze nela o que te parecer melhor”.
Davi também contempla Deus como o Deus que odeia o pecado (Salmo 5:4-6). Ele menciona isso tanto como advertência a si mesmo quanto a todos os que oram, para se lembrarem de que o Deus com quem lidamos não é apenas gracioso e misericordioso, mas também puro e santo. Embora esteja pronto a ouvir a oração, se acalentarmos o pecado no coração, ele não nos ouvirá (Salmo 66:18).
Ele também fala isso para fortalecer suas orações contra seus inimigos. Eles eram ímpios e, portanto, inimigos de Deus, pessoas nas quais ele não tem prazer. Isso mostra a santidade da natureza de Deus. Quando Davi diz: “Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade”, quer dizer: “Tu a odeias, porque é totalmente contrária à tua natureza pura, à tua bondade perfeita e à tua vontade santa”.
Mesmo que os ímpios pareçam prosperar, ninguém deve concluir disso que Deus tem prazer na maldade, nem mesmo quando tentam cobri‑la com religiosidade. Alguns chegam a odiar seus irmãos, a expulsá‑los, e depois dizem: “Seja o Senhor glorificado”. Deus não tem prazer na maldade, nem quando ela veste uma máscara religiosa. Assim, os que se alegram no pecado devem saber que Deus não tem prazer neles. E ninguém deve dizer, quando é tentado: “Sou tentado por Deus”, porque Deus não é a fonte do pecado, e o mal não habitará com ele.
Hammond entende que isso talvez se refira à lei de Moisés, que não permitia que estrangeiros perseverando na idolatria permanecessem na terra de Israel.
O ponto seguinte é a justiça do governo de Deus. “Os loucos não pararão à tua vista” quer dizer que não terão o seu favor, não serão recebidos para servir diante dele nem serão achados inocentes no grande dia do juízo. Os praticantes do mal são verdadeiramente insensatos. O pecado é loucura, e os pecadores são os maiores tolos, não tolos feitos por Deus, pois ele não odeia nada do que criou, mas tolos que fizeram de si mesmos, e são esses a quem ele odeia.
Os ímpios odeiam a Deus, e por isso é justo que ele os odeie, e o fim deles será miséria e ruína. “Aqueles que tu odeias, tu destruirás.” Em particular, duas espécies de pecadores estão assinaladas para destruição.
Primeiro, os insensatos, os que falam mentiras e enganam os outros. A Escritura dá peso especial a esse pecado (Apocalipse 21:8): “Todos os mentirosos”, e (Apocalipse 22:15): “Qualquer que ama e comete a mentira”. Nada é mais contrário a Deus do que a mentira, e nada é mais odioso para o Deus da verdade.
Segundo, os cruéis e violentos. “Ao homem sanguinário e fraudulento abominará o SENHOR”, porque a crueldade é tão contrária ao Deus de misericórdia, e a misericórdia é do seu agrado. Mentirosos e homicidas são especialmente semelhantes ao diabo e mostram ser seus filhos. Não é de estranhar, portanto, que Deus os odeie.
Essas eram as marcas dos inimigos de Davi, e pessoas assim continuam sendo inimigas de Cristo e da sua igreja. Estão completamente perdidas para a virtude e a honra, e quanto piores são, tanto mais certo é que a sua ruína virá a seu tempo. Ao entoarmos e orarmos estas palavras, devemos nos despertar à oração, pois não buscaremos o Senhor em vão. Devemos também declarar nosso ódio ao pecado e viver em sóbria expectativa da vinda de Cristo, que será o dia em que os ímpios serão conduzidos à ruína final.
Deste capítulo
Salmos 5:2
"Senhor, ouve minhas palavras, escuta meus gemidos."
Salmos 5:3
"Atende à voz de minha prece, ó meu rei, ó meu Deus."
Salmos 5:4
"É a ti que eu invoco, Senhor, desde a manhã; escuta a minha voz, porque, desde o raiar do dia, te apresento minha súplica e espero."
Salmos 5:5
"Pois tu não és um Deus a quem agrade o mal; o mau não poderia morar junto de ti;"
Salmos 5:6
"os ímpios não podem resistir ao teu olhar. Detestas todos os que praticam o mal,"
Salmos 5:7
"fazes perecer aqueles que mentem; o homem cruel e doloso te é abominável, ó Senhor."
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