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Salmos 4:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Salmo de Davi.
Salmos 4:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Salmo de Davi.
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O título do salmo mostra que Davi o compôs por inspiração divina para ser usado pelo povo de Deus no culto. Em seguida, ele o entregou ao mestre de música, o principal dos cantores, que dirigia aquela adoração. No tempo de Davi, o canto era cuidadosamente organizado, com diferentes grupos de cantores e seus próprios líderes, como se vê em 1 Crônicas 25. Alguns cantavam segundo a direção do rei, alguns acompanhados de harpas para dar graças e louvar ao Senhor, e outros deviam tocar trombetas. Todos foram designados para o canto na casa do Senhor e eram instruídos nos cânticos do Senhor.
Este salmo foi entregue a um desses líderes para ser cantado com instrumentos de cordas, chamados neginote, tocados com as mãos (Habacuque 3:19). Ao que tudo indica, naquele tempo apenas o coro cantava, não toda a congregação. Mas no Novo Testamento todos os cristãos são ordenados a cantar (Efésios 5:19; Colossenses 3:16), e espera-se que o façam de modo apropriado, não exibicionista. Por isso, hoje não há tanta necessidade de instrumentos como havia então. A melodia deve ser feita no coração.
Nestes versículos, Davi fala primeiro com Deus. Quer os filhos dos homens o escutem ou não, ele espera e ora para que Deus o ouça e lhe responda com paz: “Ouve-me quando eu clamar; aceita o meu culto, concede os meus pedidos, julga as minhas causas; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.” Toda resposta favorável que Deus dá às nossas orações procede de sua misericórdia, não do nosso merecimento. “Ouve-me por causa da tua misericórdia” é o melhor fundamento do nosso clamor.
Davi apresenta então duas razões para o seu pedido. Primeiro: “Tu és o Deus da minha justiça.” Deus não é apenas justo em si mesmo, mas é também aquele que lhe dá desejos e ações justas. Pela graça, Deus operou esse bem em Davi e o tornou um homem justo. Assim, Davi pede que Deus o ouça e mostre que a obra que realizou nele é verdadeira. Deus é também o defensor da causa justa de Davi, o protetor de seu nome inocente, aquele em quem ele confia para fazer aparecer a sua justiça como a luz. Quando as pessoas nos condenam injustamente, aqui está o nosso consolo: é Deus quem justifica, isto é, quem declara justo o que crê.
Em segundo lugar, Davi diz: “Na angústia me deste largueza.” Deus havia alargado o coração dele com santa alegria e consolo em meio à pressão, e também havia alargado a sua condição, livrando-o da aflição. Assim, Davi usa essa misericórdia passada como argumento para pedir ajuda presente. O que Deus já fez é um forte estímulo para confiarmos nele novamente, e um bom motivo para orar: “Tu já fizeste isto antes, não o farás de novo? Tu és Deus e não mudas.”
Em seguida, Davi se dirige aos filhos dos homens, isto é, àqueles que ainda são estranhos a Deus e que não querem que o Messias, o Filho de Davi, reine sobre eles. Ele quer convencê-los da loucura do pecado em que vivem. “Ó filhos dos homens”, diz ele, seja referindo-se a homens de alta posição, seja às pessoas em geral, “até quando vocês vão se opor a mim e resistir ao meu governo, seguindo histórias falsas e sem fundamento espalhadas por aqueles que desejam o meu mal?” Em sentido mais amplo, é Deus raciocinando com os pecadores por meio do salmista, chamando-os ao arrependimento. Se continuarem a desprezar a Deus e ao seu culto, e a rejeitar o reino de Cristo e o seu domínio, devem ponderar seriamente o que estão fazendo.
Primeiro, eles se rebaixam. São chamados filhos dos homens, isto é, seres humanos, criaturas nobres, dotadas de razão e entendimento. Portanto, deveriam agir de modo condizente com a sua natureza, e não de forma tola e indigna. Que os filhos dos homens pensem e ajam como homens. Segundo, desonram o seu Criador e convertem a sua glória em vergonha. A honra de Deus é ferida quando os pecadores quebram seus mandamentos, rejeitam sua graça e entregam a criaturas o amor e o serviço que pertencem somente a ele. Os que tratam o nome santo de Deus com descaso, zombam de sua palavra e de suas ordenanças e dizem conhecê-lo, mas o negam na prática, fazem o possível para transformar a sua glória em vergonha.
Terceiro, enganam a si mesmos. Amam a vaidade e buscam a mentira, ou aquilo que acabará se revelando uma mentira. Eles próprios são vazios e falsos e gostam de viver assim. Ou então colocam o coração em coisas que no fim se mostrarão vaidade e engano. Os que amam o mundo e só buscam coisas terrenas amam a vaidade e correm atrás de mentiras. O mesmo acontece com os que vivem pelos prazeres do corpo e pelas riquezas deste mundo, pois essas coisas os abandonarão e arruinarão. “Até quando vocês continuarão assim? Nunca serão sábios para o vosso próprio bem, nunca pensarão no vosso dever e no vosso verdadeiro bem? Quando vão começar?” Deus vê quanto tempo os pecadores seguem desonrando a ele e destruindo a si mesmos.
Davi então mostra o favor especial que Deus tem para com os piedosos, a proteção particular de que eles gozam e os privilégios que recebem. Isso faz parte da advertência aos ímpios. Eles não devem se opor nem perseguir alguém que pertence a Deus, nem esperar derrubá-lo. É perigoso ofender um destes pequeninos que Deus separou para si (Mateus 18:6). Deus considera quem os fere como alguém que toca na menina de seus olhos, e a seu tempo fará com que seus inimigos respondam por isso. Os piedosos têm lugar junto a Deus, ele os ouve, e por isso ninguém deve ousar fazer-lhes mal, pois Deus ouve o clamor deles e defende a sua causa (Êxodo 22:23).
Muitos entendem que Davi está falando aqui de sua própria designação ao trono. Ele é o homem piedoso que o Senhor separou para essa honra, e não a tomou para si à força. Portanto, a oposição à sua pessoa e à sua ascensão era profundamente injusta, porque era, na verdade, lutar contra Deus, e não poderia prevalecer. De modo semelhante, Deus separou para si o Senhor Jesus, esse misericordioso. Os que procuram impedir o avanço dele certamente fracassarão, porque o Pai sempre o ouve.
Ou então pode ser tomado como uma razão para que se tornem piedosos e deixem de seguir o conselho dos ímpios: “Vocês têm corrido atrás da vaidade até aqui; sejam realmente religiosos e serão verdadeiramente felizes aqui e para sempre.” Pois, primeiro, Deus guardará para si o seu próprio povo. O Senhor separou para si o piedoso, cada um deles, em sua escolha eterna, em seu chamado eficaz e nos atos especiais de sua providência e graça. Seu povo é purificado para ele, um povo separado para o seu uso exclusivo.
Os piedosos são os separados e selados de Deus. Ele sabe quem são os que lhe pertencem e os marcou com a sua imagem e o seu nome. Também lhes concede um favor especial. “Eles serão meus”, diz o Senhor, “no dia em que eu fizer as minhas joias.” Os piedosos devem saber disso e nunca se afastar do Deus a quem pertencem. Os ímpios também devem saber, e tomar cuidado para não prejudicar aqueles que Deus protege.
Em segundo lugar, Deus lhes assegurará um lugar junto de si. Davi afirma isso a respeito de si mesmo: “O Senhor ouvirá quando eu clamar a ele.” Consideraríamos uma grande honra ter o ouvido de um governante terreno. Quanto mais vale, então, alcançar o ouvido do Rei dos reis, e em condições tão acessíveis! Que reconheçamos essa verdade e abandonemos as falsas riquezas para o nosso próprio bem.
Ele também os adverte contra o pecado e os exorta a expulsá-lo pelo temor e pela meditação séria: “Irai-vos e não pequeis”, isto é, “tremam e não pequem”, como verte a Septuaginta, e alguns entendem que Paulo tomou daqui essa exortação (Efésios 4:26). “Falai com o vosso coração; sede transformados e, para isso, pensem com seriedade e temam.” Não devemos pecar, desviando-nos do caminho e do alvo. Um bom remédio contra o pecado é o temor reverente. Alguns leem: “Comovei-vos”, o que se opõe à indiferença e à falsa segurança. Mantenham um santo respeito pela glória e majestade de Deus, e um santo horror por sua ira e maldição. Não ousem provocá-lo.
Um bom meio de evitar o pecado e preservar esse santo temor é dedicar tempo a uma conversa séria com o próprio coração. Falem com o coração, pois têm muito o que dizer a ele. Podem falar com ele a qualquer momento, por isso não deixem o assunto passar. A pessoa reflexiva está bem encaminhada a tornar-se sábia e boa. Examinem o coração com uma autoanálise cuidadosa, para conhecê-lo melhor e corrigir o que está errado. Usem o coração para uma meditação solene e piedosa. Que os pensamentos se fixem no que é bom e aí permaneçam.
Davi também indica como fazer isso de maneira adequada. Escolham um momento de silêncio. Façam isso quando estiverem deitados em sua cama. Antes de adormecer, examinem a consciência quanto ao que fizeram naquele dia, sobretudo o que fizeram de errado, para que se arrependam. Se acordarem durante a noite, meditem em Deus e nas coisas que pertencem à sua paz. Davi pôs em prática o que ensina aqui, dizendo: “Quando me deito, lembro-me de ti” (Salmo 63:6). Em especial no leito de enfermidade, devemos considerar os nossos caminhos e falar com o próprio coração sobre eles.
Ele acrescenta: “E calai-vos.” Acalmem-se, dispondo a alma a um estado sério. Quando tiverem feito uma pergunta à consciência, fiquem em silêncio e esperem a resposta. Mesmo em tempos de tribulação, mantenham o espírito calmo e firme.
Ele então os exorta a levar a sério o dever que têm diante de Deus: “Oferecei sacrifícios de justiça”. Não basta apenas deixar de fazer o mal; é necessário aprender a fazer o bem. Aqueles que se voltaram contra Davi e contra o seu governo logo mudariam de mente e retornariam à lealdade, se apenas adorassem a Deus de modo correto. E aqueles que entendem o que está em jogo entre eles e Deus se alegrarão com o Mediador, o Filho de Davi, isto é, aquele que se coloca entre Deus e as pessoas e as reconcilia.
Isso nos chama, em primeiro lugar, a servir a Deus. “Oferecei sacrifícios a ele”: ofereçam a ele, antes de tudo, a si mesmos por inteiro, e depois o melhor de seus sacrifícios. Mas esses sacrifícios devem ser de justiça, isto é, boas obras, todos os frutos de um coração governado pelo amor a Deus e ao próximo, e todas as partes de uma vida piedosa. Isso é melhor do que holocaustos e outros sacrifícios cerimoniais. Que todos os seus atos de culto brotem de um coração sincero. Que todas as suas ofertas ao próximo sejam sacrifícios de justiça. Deus não aceita os sacrifícios dos injustos; eles lhe são abomináveis (Isaías 1:11).
Em segundo lugar, isso nos chama a confiar nele. Primeiro, tome como dever oferecer sacrifícios de justiça, e então você é bem-vindo a confiar no Senhor. Sirva a Deus sem desconfiança e sem medo de sair perdendo por causa disso. Honre-o confiando somente nele, e não em suas riquezas ou na força humana. Confie na sua providência, e não se apoie no próprio entendimento. Confie na sua graça, e não tente estabelecer a sua própria justiça ou capacidade.
Ao cantar estes versículos, devemos pregar a nós mesmos sobre o caráter perigoso do pecado, as promessas vazias do mundo e a grande felicidade do povo de Deus. Devemos também aplicar a nós mesmos os deveres de temer a Deus, falar honestamente com o próprio coração e oferecer sacrifícios espirituais. Ao orar sobre estes versículos, devemos pedir a Deus graça para pensar assim e viver assim.
Deste capítulo
Salmos 4:2
"Quando te invoco, responde-me, ó Deus da minha justiça, tu que na hora da angústia me reconfortaste. Tem piedade de mim e ouve a minha oração."
Salmos 4:3
"Ó poderosos, até quando vocês terão o coração endurecido, no amor das vaidades e na busca da mentira?"
Salmos 4:4
"O Senhor escolheu como eleito uma pessoa admirável; o Senhor me ouviu quando o invoquei."
Salmos 4:5
"Tremam, mas sem pecar; reflitam em seus corações, quando estiverem em seus leitos, e calem-se."
Salmos 4:6
"Ofereçam seus sacrifícios com sinceridade e esperem no Senhor."
Salmos 4:7
"Muitos dizem: “Quem nos fará ver a felicidade?” Faze brilhar sobre nós, Senhor, a luz da tua face."
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