Versículo em destaque
Salmos 49:6 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" E os céus proclamam sua justiça, porque é o próprio Deus quem vai julgar. "
Salmos 49:6
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
4 Do alto, ele convoca os céus e a terra para julgar seu povo:
5 “Reúnam os meus fiéis, que selaram comigo uma aliança pelo sacrifício”.
6 E os céus proclamam sua justiça, porque é o próprio Deus quem vai julgar.
7 “Escutem, ó meu povo, pois eu vou falar: Israel, vou testemunhar contra você. Deus, o seu Deus, sou eu.
8 Não repreendo você por seus sacrifícios, pois seus holocaustos estão sempre diante de mim.
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Nesses versículos vemos um retrato do espírito e da vida das pessoas mundanas, cujo quinhão está todo nesta vida (Salmo 17:14). O salmo parte do pressuposto de que elas têm riquezas e muitos bens, como se observa (Salmo 49:6; Salmo 49:11). Deus muitas vezes entrega as coisas boas deste mundo a pessoas más, que vivem em aberta irreverência e rebelião contra ele. Isso mostra que essas coisas, em si mesmas, não são as melhores, pois, se fossem, Deus as daria em maior medida a seus melhores amigos. Mostra também que não são o melhor para nós, pois, se fossem, aqueles destinados à ruína não seriam tão prósperos, apenas amadurecendo para o juízo por meio do próprio sucesso (Provérbios 1:32).
Uma pessoa pode possuir muito dos bens deste mundo e ainda assim ser melhorada por eles. Pode usá-los para crescer em amor, gratidão e obediência, e fazer muito bem com aquilo que possui, de modo que esses bens produzam fruto em sua conta. Portanto, não são as riquezas em si que tornam alguém mundano, mas o fato de o coração se apegar a elas como se fossem o melhor bem. É assim que as pessoas mundanas são descritas aqui. Confiam na sua fazenda (Salmo 49:6). Dependem dela como sua porção e felicidade, e esperam que as riquezas as protejam de todo mal e lhes provêem todo bem, como se nada mais fosse necessário, nem mesmo Deus. Seu ouro é a sua esperança (Jó 31:24), e por isso se torna o seu deus. Nosso Salvador explica a dificuldade de salvar os ricos dessa maneira: é difícil entrar no reino de Deus para aqueles que confiam nas riquezas (Marcos 10:24; ver também 1 Timóteo 6:17).
Elas também se gloriam nas suas riquezas. Gabam-se da multidão delas, como se fossem sinal seguro do favor de Deus e prova da própria capacidade e esforço, como se as tivessem adquirido por sua própria força. Agem como se as riquezas as tornassem verdadeiramente grandes e felizes, e melhores do que seus vizinhos. Jactam-se de ter tudo o que desejam (Salmo 10:3) e de poder afrontar o mundo inteiro, como a mulher orgulhosa que diz: “Estou sentada como rainha e não verei tristeza”. Dão às suas terras o próprio nome, na esperança de manter viva a sua memória. Ainda que as terras conservem os nomes que receberam, isso é pouca honra; e, com o tempo, as propriedades geralmente mudam de nome quando mudam de donos.
Elas também se iludem, imaginando que seus bens terrenos durarão para sempre (Salmo 49:11). Seu pensamento íntimo é que suas casas permanecerão para sempre, e nisso encontram consolo. Essa é uma ideia profundamente enraizada, voltada e revirada na mente, guardada no esconderijo do coração. A pessoa piedosa pode pensar nas coisas do mundo, mas isso fica na camada superficial de seus pensamentos; seu pensamento íntimo é reservado para Deus e para as coisas celestiais. Já a pessoa mundana pode até ter alguns pensamentos leves e passageiros sobre Deus, mas o pensamento fixo do coração está no mundo. É isso que fica mais perto do seu coração e domina ali.
Isso também significa que elas mantêm esse pensamento escondido. Podem ter vergonha de dizer abertamente que esperam que suas casas durem para sempre, mas, por dentro, é isso que pensam. Se não conseguem se convencer de que viverão para sempre, ainda assim são insensatas o suficiente para imaginar que suas casas e propriedades o farão. E, ainda que durassem, que proveito haveria nisso, uma vez que seus donos já se foram? Mas elas não durarão. O mundo passa, e com ele tudo o que existe nele. O tempo corrói todas as coisas.
Seu caminho é loucura (Salmo 49:13). A vida mundana é uma trilha de grande insensatez. Aqueles que ajuntam tesouros na terra e fixam o coração no que é de baixo agem contra a razão sã e contra o próprio bem verdadeiro. O próprio Deus chamou de insensato o homem que pensou ter bens armazenados para muitos anos, suficientes para satisfazer a sua alma (Lucas 12:19, Lucas 12:20). Mesmo assim, seus filhos muitas vezes aprovam o seu modo de viver, concordam com sua visão, repetem o que disseram, fazem o que fizeram e seguem a mesma carreira de mundanismo. O amor ao mundo corre no sangue. As pessoas o conservam por natureza, até que a graça de Deus as cure.
Para mostrar quão insensatos são os carnais amantes do mundo, o salmo declara que toda a sua riqueza não pode salvar a vida nem da pessoa que lhes é mais querida, nem comprar sequer um pequeno adiamento quando a morte vem reclamá-la (Salmo 49:7-9). Nenhum deles pode, de forma alguma, remir a seu irmão, ainda que esse irmão também seja mundano e oferecesse de bom grado todos os seus bens em troca, esperando obter depois a mesma ajuda. Seus bens não podem servir de preço uns pelos outros. A propriedade de um não pode resgatar a vida de outro. Deus não lhes dá esse valor. Ele fixa o valor real de todas as coisas, e, nos seus registros, esse tipo de pagamento não tem nenhum peso.
A justiça de Deus não aceita riquezas em troca de vida. O Senhor que é dono da vida do nosso irmão também é dono de nossa fazenda, e pode tirar ambos, se quiser, sem cometer injustiça contra nós e sem sofrer perda alguma. Portanto, uma pessoa não pode ser resgate por outra. Não podemos subornar a morte para que nosso irmão continue vivo, muito menos para que viva para sempre neste mundo. Não podemos subornar a sepultura para que ele não veja a corrupção. Todos devemos morrer e voltar ao pó, e não há dispensa dessa batalha. Que loucura, então, é confiar no que não pode sequer adiar a morte de um pai, filho ou amigo que nos seja tão caro quanto a própria alma.
É verdade que a redenção da alma é caríssima e está para sempre além de qualquer pagamento humano. Isto é, quando a vida está escapando, nenhum recurso humano nem preço deste mundo consegue detê-la, e, uma vez que se foi, não pode ser trazida de volta. Mas as palavras vão além disso. Apontam para a redenção eterna que o Messias haveria de realizar, esperança para a qual os crentes do Antigo Testamento olhavam. A vida eterna é joia preciosa demais para ser comprada com as riquezas deste mundo. Não somos resgatados por coisas corruptíveis, como prata ou ouro (1 Pedro 1:18, 1 Pedro 1:19).
Um intérprete erudito aplica (Salmo 49:8; Salmo 49:9) diretamente a Cristo: a redenção da alma será custosa, de altíssimo preço, muito cara. Mas, uma vez consumada, cessará para sempre, porque nunca precisará ser repetida (Hebreus 9:25, Hebreus 9:26; Hebreus 10:12). E ele, o Redentor, viverá para sempre e não verá corrupção. Ressuscitará antes de ver decomposição, e então viverá para todo o sempre (Apocalipse 1:18). Cristo fez por nós o que todas as riquezas do mundo jamais poderiam fazer. Por isso, deve ser mais precioso para nós do que qualquer coisa deste mundo.
Cristo fez por nós o que nenhum irmão ou amigo poderia fazer, nem mesmo o melhor e mais poderoso entre os homens. É por isso que aqueles que amam pai ou irmão mais do que a ele não são dignos dele. Isso também revela a loucura das pessoas mundanas, que trocam as suas almas por coisas que jamais poderiam verdadeiramente comprá-las.
Com toda a sua riqueza, ainda assim não podem se proteger da morte. As pessoas mundanas veem, e isso as perturba, que morrem o sábio, o tolo e o insensato igualmente (Salmo 49:10). Portanto, precisam esperar que chegue também a vez delas. Não encontram motivo sólido para esperar viver para sempre, e assim buscam um consolo tolo, dizendo que, ainda que morram, a casa permanecerá. Alguns ricos são hábeis, até versados em política, mas não conseguem enganar a morte nem escapar do seu golpe, por mais que planejem. Outros são tolos e insensatos; podem fazer pouco bem, talvez também pouco mal, mas isso não os desculpará. A morte os alcançará igualmente, assim como alcança os sábios que usaram sua habilidade até para fazer o mal. Ou podemos entender os sábios e tolos como os piedosos e os ímpios: os piedosos morrem, e a morte é o seu livramento; os ímpios perecem, e a morte é a sua ruína. Em qualquer dos casos, deixam suas riquezas para outros.
Eles não podem ficar com suas riquezas, e elas não lhes comprarão nem um pequeno adiamento da morte. Esse é um pretexto fraco, mesmo que em algum momento tenha sido usado como se pudesse ajudar (Jeremias 41:8). Não podem levar seus bens consigo, mas são obrigados a deixá-los para trás. E tampouco podem saber quem os desfrutará depois que se forem. Devem deixá-los para outros, mas não sabem para quem: talvez para um tolo (Eclesiastes 2:19), talvez para um inimigo.
Assim como as riquezas não os ajudarão na hora da morte, a honra também não ajudará (Salmo 49:12). Um homem pode chegar ao mais alto posto de poder e desfrutar de tudo o que o mundo pode conceder. Pode parecer grande e feliz, cercado de todas as vantagens que deseja. Ainda assim, não permanece. Sua honra não dura; é como uma sombra que passa. Ele mesmo não permanece, e nem sequer fica pela noite. Este mundo é como uma hospedaria, e sua estada é tão breve que mal merece ser chamada de pernoite. Há pouco descanso nessas coisas. Ele está aqui apenas de passagem, por um momento muito curto.
Ele é como os animais que perecem. Isso quer dizer que ele precisa morrer com a mesma certeza que eles, e a sua morte põe fim ao seu lugar neste mundo do mesmo modo que acontece com eles. Seu corpo se desfará como o deles. E, como observa o Dr. Hammond, as maiores honras e riquezas, quando mal adquiridas por um pai, muitas vezes nem chegam a passar para nenhum de seus filhos. Como os animais que morrem e nada deixam para seus filhotes além do mundo aberto em que terão de viver, assim também ele pode deixar sua riqueza imediatamente para outros, ainda que nunca tenha pensado em ajuntar para eles.
A condição deles depois da morte será muito pior. O mundo que amam tanto não os salvará da morte. Pelo contrário, só os afundará mais profundamente no inferno (Salmo 49:14). Como ovelhas, são postos na sepultura. Sua prosperidade apenas os alimentou como ovelhas para o matadouro (Oséias 4:16), e então a morte vem e os encerra na sepultura como ovelhas gordas num curral, esperando o dia da ira (Jó 21:30). Muitos deles, como rebanhos de ovelhas que morreram de doença, são lançados à cova. Ali a morte se alimentará deles, a segunda morte, o verme que nunca morre (Jó 24:20). Suas consciências culpadas, como abutres, continuarão a devorá‑los, repetindo aquelas palavras: “Filho, lembra‑te” (Lucas 16:25). A morte irá zombar deles e triunfar sobre eles, como no caso da queda do rei da Babilônia, quando o além se agitou debaixo dele (Isaías 14:9). Um santo pode enfrentar a orgulhosa Morte e perguntar: “Onde está o teu aguilhão?” Mas a morte perguntará ao pecador orgulhoso: “Onde estão a tua riqueza, o teu esplendor?” Quanto mais a prosperidade o tiver engordado, mais a morte se alimentará dele.
Na manhã da ressurreição, quando muitos dos que dormem no pó da terra despertarem (Daniel 12:2), os retos terão domínio sobre eles. Os justos não apenas serão ressuscitados para a mais alta honra, enquanto os ímpios serão cobertos de eterna vergonha e desprezo, elevados ao céu enquanto os ímpios afundam no mais profundo inferno, mas também se assentarão com Cristo no juízo deles e glorificarão a justiça de Deus em sua perdição. Quando o rico no inferno implorou que Lázaro lhe trouxesse uma gota de água para refrescar a língua, ele reconheceu que aquele homem reto tinha domínio sobre ele. As virgens néscias também reconheceram que as prudentes levavam vantagem e que dependiam delas quando clamaram: “Dai‑nos do vosso azeite.” Isso deve consolar quando os retos agora muitas vezes gemem debaixo da opressão e os ímpios parecem dominar sobre eles. Chegará o dia em que a situação será revertida (Ester 9:1), e os retos terão o domínio. Devemos julgar as coisas agora como elas se mostrarão então.
E o que acontecerá com toda a beleza dos ímpios? Lamentavelmente, será toda destruída na sepultura, onde terão sua morada. Tudo o que valorizavam em si mesmos, e tudo o que lhes trazia louvores dos outros, era apenas emprestado e passageiro. Era como pintura e verniz, e eles ressuscitarão em sua verdadeira feiúra natural. A beleza da santidade é diferente. É a única beleza que a sepultura, que destrói toda outra forma de beleza, não consegue tocar nem ferir. A beleza deles se desfará, e a sepultura, ou o inferno, será a casa de cada um. E que beleza pode existir ali, onde só há trevas densas para sempre?
Deste capítulo
Salmos 49:1
"Salmo de Asaf. O Senhor Deus falou e convocou toda a terra, desde o levante até o poente."
Salmos 49:2
"Do alto de Sião, ideal de beleza, Deus refulgiu:"
Salmos 49:3
"nosso Deus vem vindo e não ficará calado. Um fogo abrasador o precede; ao seu redor, uma furiosa tempestade."
Salmos 49:4
"Do alto, ele convoca os céus e a terra para julgar seu povo:"
Salmos 49:5
"“Reúnam os meus fiéis, que selaram comigo uma aliança pelo sacrifício”."
Salmos 49:7
"“Escutem, ó meu povo, pois eu vou falar: Israel, vou testemunhar contra você. Deus, o seu Deus, sou eu."
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