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Salmos 31:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" não queira ser sem inteligência como o cavalo, como o muar, que só ao freio e à rédea submetem seus ímpetos; de outro modo, não chegam perto de você.” "

Salmos 31:9

menu_book Versículo no contexto

7 Tu és meu asilo, das angústias me preservarás e me envolverás na alegria de minha salvação.

8 “Vou ensinar você — dizes —, vou mostrar a você o caminho que deve seguir; vou instruir você, fixando em você os meus olhos:

9 não queira ser sem inteligência como o cavalo, como o muar, que só ao freio e à rédea submetem seus ímpetos; de outro modo, não chegam perto de você.”

10 São muitos os sofrimentos do ímpio. Mas quem espera no Senhor, sua misericórdia o envolve.

11 Ó justos, alegrem-se e regozijem-se no Senhor. Exultem todos vocês, retos de coração.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nos versículos anteriores, Davi havia apelado para a justiça de Deus e lembrado a sua íntima relação com o Senhor e a dependência que tinha dele. Aqui ele apela para a misericórdia de Deus e apresenta a profundidade do seu sofrimento, como alguém que, justamente por estar tão abatido, se mostra apto a receber misericórdia. Em outras palavras, ele diz: “Tem misericórdia de mim, Senhor, porque estou angustiado e preciso da tua misericórdia” (Salmo 31:9).

A aflição de Davi havia deixado uma marca profunda em seu coração e o tornado um homem de dores. A tristeza era tão grande que parecia consumir sua alma e desgastar sua vida, e ele vivia suspirando (Salmo 31:9, 10). Nisso ele aponta para Cristo, que conheceu de perto a dor e muitas vezes chorou. Davi provavelmente tinha um temperamento naturalmente alegre e forte, mas as provações o haviam abatido tanto que era como se já tivesse chorado até quase perder os olhos e suspirado até quase perder o fôlego.

Isso serve de alerta para os que são animados e despreocupados. Eles não devem fazer pouco caso da dor nem tratá-la como algo que jamais enfrentarão. Deus pode humilhar até essas pessoas, se elas se recusarem a se tornar sérias por caminhos melhores.

Seu sofrimento também afetou o corpo. Ele diz que suas forças fraquejavam, seus ossos se consumiam, e tudo isso acontecia por causa do seu pecado (Salmo 31:10). Quanto a Saul e à contenda com ele, Davi podia dizer com razão que não tinha feito mal. Mas, como aflição vinda da parte de Deus, ele reconhece humildemente que a merecia e que o pecado era a raiz de sua dor. A culpa do pecado o feria mais profundamente do que todas as aflições externas.

Seus amigos também esfriaram para com ele. Ele se tornara um espanto para os seus conhecidos, e, quando o viam, fugiam dele (Salmo 31:11). Não ousavam abrigá-lo, ajudá-lo nem sequer serem vistos com ele, porque Saul o havia marcado como traidor e fora da lei. Eles tinham visto quanto o sacerdote Aimeleque sofreu por ter ajudado Davi, ainda que o tenha feito sem saber de tudo, e por isso se mantinham à distância. Embora não pudessem negar que Davi fora tratado injustamente, faltava-lhes coragem para ficar ao seu lado.

Ele diz que foi esquecido, como morto que já não é lembrado, e tratado como um vaso quebrado (Salmo 31:12). Aqueles que antes lhe davam honra, quando ele tinha prestígio na corte, agora o evitavam, depois que caiu em desgraça, ainda que essa desgraça fosse injusta. O mundo está cheio desses “amigos de tempo bom”, que só permanecem em tempos de conforto. Os que perdem posição não devem se espantar se forem abandonados. Devem, isso sim, assegurar-se de ter um Amigo no céu que não falha.

Seus inimigos também o julgaram de forma errada. Eles não o teriam perseguido daquele modo se antes não o tivessem pintado como um homem perverso. Ele se tornara opróbrio entre todos os seus inimigos, especialmente entre os vizinhos (Salmo 31:11). Alguns que tinham visto sua integridade e sabiam, em consciência, que ele era reto, foram justamente os mais prontos em falar contra ele, esperando ganhar o favor de Saul. Assim, ele ouviu a calúnia de muitos, e cada um tinha uma pedra para lhe atirar, porque o medo dominava por toda parte. Ninguém ousava recusar-se a participar da acusação pública, pois quem não se juntasse àquela pressão era visto como contrário a Saul. Dessa forma, muitas vezes os melhores recebem os piores nomes da parte daqueles que pretendem tratá-los da pior maneira.

A própria vida de Davi estava em perigo, e ele vivia em constante risco. O temor o cercava de todos os lados, e ele sabia que seus inimigos não queriam apenas perturbá-lo ou tirar-lhe a liberdade. Eles queriam a sua vida (Salmo 31:13). Sua vida era preciosa e útil, e Israel devia muito ao bem que ele já havia feito, mas, mesmo assim, era caçada. De modo semelhante, mais tarde, fariseus e herodianos conspiraram contra Cristo, e o alvo deles era sempre tirar-lhe a vida. Tal é o ódio e a crueldade da descendência da serpente.

Ainda assim, Davi mantinha confiança em Deus no meio de toda essa tribulação. Tudo ao redor parecia escuro e ameaçador, como se o empurrasse para o desespero. Contudo, ele diz: “Eu confiei em ti, Senhor” (Salmo 31:14), e isso o impediu de afundar. Seus inimigos podiam tirar-lhe o bom nome entre os homens, mas não podiam arrancar-lhe o consolo em Deus, porque não tinham poder para afastá-lo da confiança em Deus.

Ele encontrou consolo em duas verdades, e levou ambas diante do Senhor. Primeiro: “Tu és o meu Deus.” Ele havia escolhido Deus como seu, e Deus havia prometido ser o Deus dele. Se Deus é nosso, e podemos dizer isso de verdade pela fé, ainda possuímos algo quando todo o resto se perde. Davi podia dizer: “Tu és o meu Deus”, e isso lhe dava um lugar aonde recorrer em busca de ajuda. Quem pode apresentar essa súplica não precisa se acanhar na oração, porque, se Deus nos tomou por seu povo, fará tudo o que a sua promessa abrange.

Segundo: “Os meus tempos estão em tuas mãos.” Junto com a primeira afirmação, isso completa o consolo. Se Deus tem nossos tempos em suas mãos, ele pode nos socorrer. Se ele é o nosso Deus, ele nos socorrerá. O que, então, pode de fato nos desencorajar? É grande sustento para os que pertencem a Deus saber que seus tempos estão em suas mãos e que ele os ordenará para o melhor. Isso é verdade para todos os que também entregam o espírito em suas mãos, como Davi fizera antes (Salmo 31:5). Deus pode prolongar a vida ou encurtá-la, torná-la amarga ou doce, segundo o seu sábio querer. Todos os nossos tempos, isto é, todos os acontecimentos da vida e o momento em que ocorrem, estão sob o governo dele. Não estão em nossas próprias mãos, nem nas mãos de amigos ou inimigos. O caminho do homem não está em si mesmo, e o juízo de cada pessoa vem de Deus.

Por isso, Davi não tenta dizer a Deus o que fazer em sua oração; ele se submete a Deus. É como se dissesse: “Senhor, os meus tempos estão em tuas mãos, e me alegro que estejam aí. Não poderiam estar em mãos melhores. Seja feita a tua vontade.”

A partir dessa fé e confiança, Davi ora para que Deus o livre das mãos de seus inimigos (Salmo 31:15) e o salve (Salmo 31:16), tudo por causa da misericórdia de Deus, não por qualquer mérito próprio. Alguns entendem o versículo como dizendo que as nossas oportunidades estão nas mãos de Deus, e, se assim for, isso significa que ele conhece o melhor e o devido tempo para o nosso livramento. Devemos estar dispostos a esperar por esse tempo. Quando Davi teve Saul em seu poder na caverna, os homens que estavam com ele disseram: “Este é o dia em que Deus te entrega o teu inimigo” (1 Samuel 24:4). Mas Davi não quis aproveitar aquela oportunidade de modo pecaminoso. Em essência, ele reconheceu que o tempo certo do livramento ainda não havia chegado, pois tinha de vir sem pecado. Ele preferiu esperar, porque o tempo de Deus é sempre o melhor tempo.

Ele pede também que, no presente, Deus lhe dê o consolo do seu favor, como em (Salmo 31:16): “Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo.” Ele pede sinais claros do favor de Deus, porque isso alegraria o seu coração em meio a toda a tristeza.

Pede ainda que suas orações sejam atendidas e que sua esperança em Deus não termine em vergonha, como em (Salmo 31:17): “Não seja eu confundido, Senhor, pois te tenho invocado.” Ele havia invocado o Senhor e confiava que Deus nunca mandou seu povo buscá-lo em vão nem esperar em vão.

Depois, ele pede que a vergonha e o silêncio recaiam sobre os ímpios, especialmente sobre seus inimigos. Eles tinham certeza de que iriam triunfar sobre Davi e derrubá-lo, então ele suplica que o Senhor confunda essa confiança, frustrando-lhes os planos, como aconteceu com os que se opuseram à reconstrução do muro de Jerusalém e perderam a coragem quando a obra foi concluída (Neemias 6:16). Que sejam silenciados pela morte.

A morte porá fim à fúria e aos gritos dos perseguidores cruéis, algo que nem a razão consegue conter. No sepulcro, os ímpios cessam de perturbar. De modo especial, Davi ora, ou talvez prediz, o silenciar daqueles que difamam o povo de Deus.

Ele diz: “Emudeçam os lábios mentirosos”, porque falam coisas ásperas e soberbas contra o justo (Salmo 31:18). Essa é uma boa oração, e com frequência temos motivo para apresentá-la. Os que se levantam contra o céu geralmente zombam dos herdeiros do céu. Crentes sérios e fiéis são alvo de palavras em toda parte.

Eles falam com grande maldade, desejando ferir e esperando causar dano real. Falam também com grande falsidade, pois são lábios mentirosos, ensinados pelo pai da mentira e a serviço da sua causa. E falam com escárnio e desprezo, como se os justos, a quem Deus honrou, fossem as pessoas menos dignas deste mundo.

Parece até que consideram não ser pecado contar uma mentira deliberada, se isso ajudar a atiçar o ódio ou o desprezo contra uma pessoa de bem. Por isso clamamos: “Ouve-nos, ó nosso Deus, pois estamos em desprezo.”

Podemos orar com fé, porque esses lábios mentirosos serão silenciados. Deus tem muitos meios de fazer isso. Às vezes, ele desperta a consciência dos que caluniam o seu povo e muda-lhes o coração. Outras vezes, por sua providência, ele torna claramente falsas as acusações e faz aparecer a justiça dos seus servos.

Mesmo assim, virá um dia em que Deus desmascarará a falsidade de todas as palavras duras pronunciadas contra o seu povo e julgará os ímpios por causa delas (Judas 1:14-15). Então essa oração será plenamente respondida, e devemos ter esse dia em vista quando a entoarmos.

Também devemos nos comprometer a, fazendo o bem sempre que possível, emudecer a ignorância das pessoas insensatas (1 Pedro 2:15).

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