Versículo em destaque
Salmos 31:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
De Davi. Hino. Feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido.
Salmos 31:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 De Davi. Hino. Feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido.
2 Feliz o homem a quem o Senhor não atribui falta e em cujo coração não há dolo.
3 Enquanto permaneci calado, meus ossos se mirraram entre contínuos gemidos.
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Fé e oração precisam andar juntas. Se alguém crê, ore: crendo, fala com Deus; e, orando, creia, porque a oração da fé é a que prevalece. Vemos as duas coisas aqui. Davi, em angústia, clama com grande fervor por ajuda e livramento.
A oração alivia o espírito sobrecarregado. Ela faz chegar as misericórdias prometidas e fortalece e consola muito a alma enquanto ela espera por elas. Davi pede primeiro que Deus o livre (Salmo 31:1). Ele quer sua vida guardada da maldade de seus inimigos e deseja que cesse o ataque deles contra ele. Pede a Deus que o socorra não só por misericórdia, mas também por justiça, como o justo Juiz entre ele e seus perseguidores injustos, que incline o ouvido para ouvir seus clamores e o liberte (Salmo 31:2). É um ato de graça Deus atentar para a causa até mesmo dos maiores e melhores dentre os homens. Ele se inclina para isso. O salmista também pede um livramento rápido, pois, se a ajuda demorar demais, sua fé pode fraquejar.
Se Deus não o tirar logo da tribulação, Davi pede para ser guardado no meio dela. “Sê a minha firme rocha”, imóvel e segura como uma fortaleza natural, e “a minha casa forte”, uma fortaleza construída com arte, tudo para sua segurança. Assim também podemos orar para que a providência de Deus preserve nossa vida e nossos consolos, e para que, pela sua graça, aprendamos a nos sentir seguros nele (Provérbios 18:10).
Como sua situação é difícil, tanto em dever quanto em sabedoria, Davi pede direção divina: “Guia-me e encaminha-me” (Salmo 31:3). Ele deseja que Deus dirija seus passos e seu espírito, para que não faça nada ilícito ou injusto, nada contra a consciência, nem nada tolo ou descuidado contra o seu próprio melhor interesse. Aqueles que realmente desejam seguir a direção de Deus podem pedir essa direção com confiança.
Como seus inimigos não são apenas cruéis, mas também astutos, Davi pede que Deus frustre seus planos contra ele (Salmo 31:4). “Tira-me da rede que ocultamente me armaram”, e livra-me do pecado, da angústia e da morte em que esperam me enredar.
Nessa oração, Davi também glorifica a Deus reiterando sua confiança e dependência nele. Essa confiança dava ânimo às suas súplicas e o preparava para receber as misericórdias que pedia (Salmo 31:1). “Em ti, SENHOR, confio”, diz ele, não em si mesmo, não em sua própria força, nem em qualquer criatura. “Nunca me deixes confundido”, isto é, não permitas que eu seja frustrado em nenhum bem que prometeste e pelo qual tenho esperado em ti.
Ele havia escolhido Deus como seu protetor, e Deus havia prometido ser isso para ele (Salmo 31:3). “Tu és a minha rocha e a minha fortaleza”, diz ele, por aliança e por adesão de fé a essa aliança. Por isso pede: “Sê tu a minha firme rocha” (Salmo 31:2). Os que verdadeiramente reconhecem o SENHOR como seu podem esperar a bênção de tê-lo de fato por seu, pois a relação de Deus conosco traz tanto o título quanto o benefício. “Tu és a minha força” (Salmo 31:4). Se Deus é a nossa força, ele colocará a sua força em nós e também agirá com a sua força por nós.
Davi também entrega sua alma a Deus de modo especial (Salmo 31:5). “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito.” Se ele se considera um homem prestes a morrer, essas palavras significam que ele devolve a Deus a alma que está partindo, àquele que a deu. Na morte, o espírito volta para Deus. Os homens só podem matar o corpo, mas Davi confia que Deus redimirá sua alma do poder da sepultura (Salmo 49:15). Ele está disposto a morrer, se Deus assim quiser, e deixa sua alma nas mãos do SENHOR, porque grande é a sua misericórdia. Nosso Senhor Jesus tomou essas palavras na cruz ao entregar o seu espírito. Ele fez de sua alma uma oferta, um sacrifício voluntário pelo pecado, e livremente deu a sua vida em resgate. O exemplo de Estêvão nos ensina, na hora da morte, a olhar para Cristo à direita de Deus e entregar-lhe nosso espírito: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito.”
Mas Davi também deve ser visto aqui como um homem em profunda aflição. Então sua principal preocupação é com a sua alma, seu espírito, sua parte melhor. Nossas aflições exteriores deveriam nos levar a cuidar mais, e não menos, de nossas almas. Muitos pensam que, quando estão tomados pelos cuidados deste mundo, podem se dispensar de pensar em suas almas. Mas quanto maior o perigo de nossa vida e de nossos interesses terrenos, com mais cuidado devemos guardar a alma, para que, ainda que o homem exterior se corrompa, o interior não sofra perda (2 Coríntios 4:16), e possamos ganhar nossas almas mesmo quando não conseguimos preservar mais nada (Lucas 21:19).
Ele crê que a melhor coisa que pode fazer por sua alma é colocá-la nas mãos de Deus. Ele havia pedido para ser tirado da rede da tribulação exterior (Salmo 31:4), mas não insiste nisso. Seja feita a vontade de Deus. Assim, deixa essa petição em segundo plano e entrega seu espírito, sua vida interior, aos cuidados de Deus. Em outras palavras: “Senhor, aconteça o que acontecer com o meu corpo, que vá bem com a minha alma.” Esta é a sabedoria e o dever de toda pessoa: entregar solenemente o espírito nas mãos de Deus, para ser moldado pela sua graça, dedicado à sua honra, usado em seu serviço e preparado para o seu reino.
O que nos anima a entregar nosso espírito a Deus é que ele não só o criou, mas também o remiu. As libertações especiais do povo de Deus no Antigo Testamento apontavam para a nossa redenção por Jesus Cristo (Gênesis 48:16). A redenção da alma é tão preciosa que teria se perdido para sempre, se Cristo não a tivesse assumido. Mas, ao redimir nossas almas, ele adquiriu um novo direito sobre elas, o que deve nos mover a entregá-las a ele como coisa sua. Ele também demonstrou grande amor e cuidado por elas, o que nos encoraja a confiá-las a ele, para que sejam guardadas para o seu reino celestial (2 Timóteo 1:12). “Tu me remiste, SENHOR Deus da verdade” significa: “Redime-me segundo a tua promessa, pois és fiel a ela.”
Davi então se afasta de todos os aliados que confiam na força humana (Salmo 31:6). “Aborreci aqueles que se entregam à vaidade enganosa”, isto é, para alguns, os idólatras que buscam socorro em falsos deuses, que não passam de vaidade e mentira. Para outros, inclui os astrólogos e os que lhes dão ouvidos. Davi rejeitava encantamentos e adivinhações. Não consultava, nem sequer dava atenção, a presságios, vísceras de animais, sinais de sorte ou de azar. Tudo isso são vaidades enganosas. Não apenas se abstinha deles, mas detestava a prática ímpia dos que os usavam. Ele confiava somente em Deus, e não em qualquer criatura.
Sua posição na corte ou no campo, seus lugares de refúgio ou defesa, até mesmo a espada de Golias, seriam vaidades enganosas se ele confiasse nelas. Ele não podia descansar em nenhuma dessas coisas; por isso, confiava somente no SENHOR (Salmo 40:4; Jeremias 17:5). Davi então consola a si mesmo com a esperança em Deus, e essa esperança o torna não apenas calmo, mas alegre (Salmo 31:7).
Tendo confiado na misericórdia de Deus, ele se alegrará e exultará nela. Os homens não estimam realmente sua esperança em Deus se não encontram nela alegria suficiente para superar as tribulações e acalmar a tristeza.
Ele também fortalece essa esperança lembrando-se da bondade de Deus para com ele, tanto recentemente quanto no passado, e menciona isso para dar glória a Deus. Aquele que já o livrou antes o livrará de novo. Deus havia atentado para a sua aflição e para cada parte dela. Também havia visto o estado do seu espírito e os pensamentos do seu coração debaixo daquela aflição.
O olhar de Deus está voltado para nossa alma quando estamos em angústia. Ele vê se temos sido humilhados pelo pecado, se estamos nos submetendo à sua vontade e se a aflição nos tem tornado melhores. Se uma alma, enquanto abatida pelo sofrimento, tem se elevado a Deus em adoração sincera, ele o sabe.
Deus também o havia livrado de Saul, até mesmo quando Saul parecia tê-lo encurralado em Queila (1 Samuel 23:7). Ele podia dizer: “Tu não me entregaste nas mãos do inimigo, mas deste espaço livre a meus pés, para que eu ande seguro” (Salmo 31:8). Quando Cristo tomou estas palavras na cruz (Salmo 31:5), isso nos ajuda a aplicar tudo isso a ele. Ele confiou em seu Pai, foi sustentado e livrado por ele e, porque se humilhou, foi sobremaneira exaltado.
É apropriado lembrar disso quando cantamos estes versículos. E isso também nos leva a agradecer a Deus pela ajuda graciosa que já conhecemos em nossas próprias tribulações e a nos encorajar a confiar nele para o futuro.
Deste capítulo
Salmos 31:2
"Feliz o homem a quem o Senhor não atribui falta e em cujo coração não há dolo."
Salmos 31:3
"Enquanto permaneci calado, meus ossos se mirraram entre contínuos gemidos."
Salmos 31:4
"Pois, dia e noite, tua mão pesava sobre mim; minhas forças se esgotavam as forças como nos ardores do verão."
Salmos 31:5
"Então eu te confessei o meu pecado e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: “Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniquidade”. E tu perdoaste a pena do meu pecado."
Salmos 31:6
"Assim também todo fiel recorrerá a ti no momento da necessidade. Quando transbordarem muitas águas, elas não chegarão até ele."
Salmos 31:7
"Tu és meu asilo, das angústias me preservarás e me envolverás na alegria de minha salvação."
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