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Salmos 30:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Em tuas mãos entrego meu espírito; livra-me, ó Senhor, Deus fiel.

Salmos 30:6

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nestes versículos são descritos três estados diferentes pelos quais Davi passou, em ordem, e como o coração dele se moveu para Deus em cada um. No primeiro, vemos o tipo de atitude que muitas vezes temos com muita facilidade. Nos outros dois, vemos o que deveríamos ser.

Primeiro, Davi tinha desfrutado de um longo período de prosperidade, e então se tornou descuidado e confiante demais de que aquilo duraria. “Na minha prosperidade”, diz ele, quando eu estava saudável e Deus me tinha dado descanso de todos os meus inimigos, “eu dizia: Não vacilarei jamais” (Salmo 30:6-7). Ele tinha vencido claramente seus inimigos e ocupava um lugar forte no coração do povo. Sua mente estava firme e seu corpo, forte; por isso pensou que sua boa condição estivesse estabelecida como um monte. No entanto, ele não atribui isso à própria sabedoria ou força. Ele diz: “Senhor, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha” (Salmo 30:7).

Ele não trata essa prosperidade como se fosse o próprio céu, como as pessoas mundanas costumam fazer. Ele a chama apenas de “minha montanha”. Continuava sendo terra, apenas um pouco mais elevada do que o nível comum. Ele pensava que o favor de Deus manteria aquilo para sempre. Talvez imaginasse que, como já havia sofrido tanto no começo da vida, aquilo era toda a sua porção de aflição. Ou talvez pensasse que, já que Deus lhe tinha dado tantos sinais de favor, nunca mais se desviaria dele.

É muito comum que, quando a vida está indo bem, imaginemos que sempre continuará assim. Pensamos: “Amanhã será como hoje.” É como supor que o tempo limpo, uma vez vindo, nunca mais vai mudar. Mas nada é mais certo do que o fato de que a vida muda. Quando percebemos que nossas expectativas estavam erradas, devemos olhar para trás com vergonha daquela confiança descuidada, como Davi faz aqui. Isso nos torna mais sábios da próxima vez e nos ajuda a desfrutar a prosperidade sem nos agarrar a ela como se nunca pudesse passar.

Então, de repente, veio a aflição, e Davi se voltou para Deus em oração, pedindo socorro com urgência. Sua montanha foi abalada, e ele foi abalado com ela. Quando estava mais seguro de si, era na verdade quando estava menos seguro. “Tu encobriste o teu rosto, e fiquei conturbado” (Salmo 30:7). Davi continuava enxergando a mão de Deus em cada mudança de sua vida. Assim como ele atribuía sua prosperidade ao favor de Deus, agora entendia sua aflição como resultado de Deus esconder o rosto. Se Deus esconde o rosto de um homem piedoso, ele certamente ficará perturbado, ainda que nenhum outro problema venha. Quando o sol se põe, a noite inevitavelmente vem. Nenhuma lua ou estrela consegue manter o dia.

Quando sua montanha foi abalada, Davi levantou os olhos acima dela e orou. A oração é socorro para toda dor, e ele a usou desse modo. “Está alguém entre vós aflito? Ore.” Mesmo Deus tendo escondido o rosto, Davi ainda orou. Se Deus, em sabedoria e justiça, se volta de nós, seria tolo e errado que nós nos voltássemos dele. Em vez disso, devemos aprender a orar no escuro (Salmo 30:8). “A ti, Senhor, clamei!” Parece que a retirada de Deus tornou ainda mais fervorosas as orações de Davi.

Somos informados do que ele pediu, e percebe-se que ele guardou boa memória de suas súplicas. Primeiro, ele argumentou que Deus nada ganharia com sua morte. “Que proveito há no meu sangue?” Ele quer dizer que estava disposto a morrer se sua morte pudesse realmente servir a Deus ou ao seu povo, como Paulo depois fala de se derramar como oferta (Filipenses 2:17). Mas Davi não via que bem poderia resultar de morrer em doença, como poderia ter sido o caso, em vez de morrer com honra em batalha. Em essência, ele está perguntando: “Senhor, deixarás que um dos teus se perca inutilmente, sem que a tua glória aumente ao poupá-lo?” (Salmo 44:12).

Ele também alega que a honra de Deus pareceria sofrer se Davi morresse. “Louvartê-á o pó?” A alma que volta para Deus o louvará e continuará a louvá-lo. Mas o pó que volta à terra não pode louvá-lo, nem falar da sua verdade. A obra da casa de Deus não pode ser feita pelos mortos. No sepulcro não há plano nem atividade, pois é terra de silêncio. As promessas da aliança de Deus não podem ser cumpridas pelo pó. Davi está dizendo: “Senhor, se eu morrer agora, o que será da promessa que fizeste a mim? Quem anunciará então a tua verdade?” As melhores orações são as que recorrem à honra de Deus. Pedimos corretamente pela vida quando pedimos viver para louvá-lo.

Ele também ora por misericórdia e auxílio. “Tem misericórdia de mim”, ele diz, e: “Senhor, sê o meu ajudador” (Salmo 30:10). São essas as duas grandes necessidades que podemos levar com ousadia ao trono da graça: perdão do pecado e socorro em tempo oportuno (Hebreus 4:16).

Em tempo, Deus o livrou das suas aflições e restaurou-lhe a antiga prosperidade. Suas orações foram respondidas, e seu pranto foi transformado em dança (Salmo 30:11). A ira de Deus durou só um momento, e o choro de Davi apenas por uma noite. O pano de saco que ele tinha vestido em humilde submissão à providência de Deus foi tirado. Sua tristeza foi aliviada, seus temores silenciados, o consolo voltou, e ele foi vestido de alegria. A alegria tornou-se seu adorno e sua força, como se o envolvesse como um cinto.

A queda repentina de Davi, passando da prosperidade para a aflição, nos ensina a nos alegrar nos bons tempos sem presunção, porque não sabemos quão perto pode estar a dificuldade. Da mesma forma, seu retorno repentino à prosperidade nos ensina a chorar sem desesperar, porque não sabemos quão rápido a tempestade pode passar e o vento se tornar favorável de novo. Mas como ficou o espírito de Davi depois dessa mudança tão feliz? Ele mesmo nos diz.

Suas queixas foram transformadas em louvor. Ele entendeu que Deus o revestiu de alegria para que fosse o doce salmista de Israel, Davi, o grande cantor de Israel (2 Samuel 23:1). Sua “glória”, isto é, sua língua ou mesmo sua alma, deveria cantar louvores a Deus. Nossa língua é de modo especial a nossa glória, e é usada de forma mais apropriada quando louvamos a Deus. Nossa alma é a glória mais elevada que temos acima dos animais, e também deve ser usada para bendizer o Senhor e fazer-lhe música em salmos. Aqueles que foram preservados de ficar em silêncio no sepulcro não devem ficar em silêncio na terra dos viventes. Devem ser zelosos, constantes e públicos em louvar a Deus.

Esses louvores foram destinados a continuar para sempre. “Eu te louvarei para sempre” expressa ao mesmo tempo uma santa decisão e uma santa esperança. Davi pretendia continuar louvando a Deus até o fim da vida, e esperava nunca ficar sem novos motivos para isso. Ele também olhava adiante para o lugar onde o louvor nunca terá fim. Bem-aventurados os que habitam na casa de Deus; eles o louvarão continuamente.

Assim, precisamos aprender a nos ajustar às muitas maneiras pelas quais Deus lida conosco. Precisamos saber viver em falta e em abundância. Devemos ser capazes de cantar tanto da misericórdia quanto do juízo, e dar graças a Deus por ambos.

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