Versículo em destaque
Salmos 3:4 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Mas tu és, Senhor, para mim um escudo; tu és minha glória, tu levantas a minha cabeça. "
Salmos 3:4
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
2 Senhor, como são numerosos os meus perseguidores! É uma turba que se dirige contra mim.
3 Uma multidão inteira grita a meu respeito: “Não, não há mais salvação para ele em seu Deus!”.
4 Mas tu és, Senhor, para mim um escudo; tu és minha glória, tu levantas a minha cabeça.
5 Apenas elevei a voz para o Senhor, ele me responde de sua montanha santa.
6 Eu, que tinha me deitado e adormecido, levanto-me, porque o Senhor me sustenta.
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Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
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Davi havia se despertado, apesar da fúria de seus inimigos, para lançar mão de Deus como sendo o seu Deus. Assim, quando tudo ao seu redor parecia desanimador, ele encontrou consolo ao olhar para cima, para o Senhor. Agora ele olha para trás, lembrando com alegria o bem que recebeu ao confiar em Deus, e olha para frente com confiança em um bom desfecho para a escuridão da angústia que enfrentava.
Ele primeiro se lembra do consolo de ter comunhão com Deus e da ajuda que veio do favor divino. Isso pode ter sido em algum livramento anterior, ou já dentro da própria aflição que ele estava vivendo. Davi passou por muitas dificuldades e foi muitas vezes abatido até o chão, mas ainda assim descobriu que Deus era plenamente suficiente para ele. Ele recorda com alegria que a angústia sempre o levava à oração, e que, em cada perigo, conseguia voltar-se para Deus, erguer o coração e até levantar a voz. É uma lembrança consoladora para o tempo de tribulação: “com a minha voz clamei ao Senhor”.
Atribulação e a tristeza nos fazem bem quando nos empurram para a oração. Elas nos movem não só a falar com Deus, mas a clamar a Ele, como quem está realmente levando tudo a sério. Deus entende o coração mesmo quando nenhuma voz é ouvida, como com Ana (1 Samuel 1:13). Ele não dá valor às orações vazias, nem às orações gritadas apenas para impressionar os outros (Isaías 58:4). Mas, quando a voz está cheia de sentimento verdadeiro porque o coração está cheio de desejo, Deus se inclina e leva em conta o fato de termos clamado a Ele com a nossa voz.
Davi também se lembra de que Deus sempre lhe respondeu. Quando diz que Deus o ouviu do seu “santo monte”, quer dizer que o Senhor respondeu do céu, o lugar alto e santo, e também, na época, da arca em Sião, de onde Deus dava resposta aos que o buscavam. Quando Davi fugiu de Absalão, mandou Zadoque voltar com a arca para a cidade (2 Samuel 15:25), porque sabia que Deus não estava preso à arca. Mesmo longe, pela fé, ele ainda podia receber respostas de paz do santo monte. Nada pode bloquear o fluir da graça de Deus para nós, nem impedir a sua graça de operar em nós. A arca da aliança estava em Sião, e todas as respostas às nossas orações vêm por meio das promessas dessa aliança. Cristo foi estabelecido como Rei no monte santo de Sião (Salmo 2:6), e por meio dEle, a quem o Pai sempre ouve, nossas orações também são ouvidas.
Davi ainda se lembra de como esteve seguro e tranquilo sob o cuidado de Deus. “Deitei-me e dormi” pode se referir à misericórdia comum do sono de cada noite, pelo qual devemos agradecer a Deus todas as manhãs, em particular e em família. Muitos não têm um lugar seguro para deitar, ou temem os inimigos se o fizerem. Outros conseguem deitar, mas não dormir, por causa da dor, do medo ou da inquietação da mente. Alguns dormem e nunca mais acordam. Mas nós nos deitamos, dormimos e acordamos para um novo dia, porque o Senhor nos sustém, tão certamente como nos dá o alimento. Estamos seguros sob a sua proteção e repousando sob a sua boa providência.
Essas palavras também podem descrever o coração calmo de Davi em meio ao perigo. Ele havia orado, entregando a si mesmo e a sua causa nas mãos de Deus, e sabia que o Senhor o guardaria. Assim, o seu coração ficou firme, e ele conseguiu descansar. A deslealdade do filho, a revolta dos súditos, a traição de amigos, o perigo de morte, o cansaço da fuga e a incerteza do resultado não lhe tiraram o sono. O Senhor o sustentou pela sua graça e pelo consolo do seu Espírito. É grande misericórdia quando a aflição não nos amedronta a ponto de nos impedir de comer ou dormir em paz.
Alguns escritores cristãos antigos também veem nessas palavras uma referência à ressurreição de Cristo. Em seu sofrimento, Cristo ofereceu fortes clamores e foi ouvido. Assim, embora tenha se deitado e dormido na morte, despertou ao terceiro dia, porque o Senhor o sustentou para que não visse corrupção.
Davi se lembra ainda de quantas vezes Deus quebrou a força e os planos perversos de seus inimigos. Deus os feriu na face, os calou, os envergonhou e tirou-lhes o poder de fazer o mal que intentavam. Ele lhes quebrou os dentes. Saul e os filisteus, que muitas vezes pareciam prestes a devorar Davi, não puderam executar os seus planos. Os dentes cerrados ou afiados contra o povo de Deus serão quebrados. Quando os inimigos da igreja parecem ameaçadores, ajuda recordar quantas vezes Deus já quebrou o poder deles antes. O braço do Senhor não enfraqueceu. Ele pode calar suas bocas e amarrar-lhes as mãos.
Agora Davi olha para o futuro com confiança. Tendo-se colocado debaixo da proteção de Deus e já provado tantas vezes a sua bênção, os seus medos se calam. Com santa coragem, ele despreza as ameaças vazias de seus inimigos. “Não terei medo de dez milhares de pessoas”, diz ele, venham de fora como invasores ou se levantem de dentro do reino como rebeldes, acampando-se ao seu redor por todos os lados ou parecendo estar em vantagem. Ninguém parecia menos seguro do que Davi naquele momento, já que os inimigos eram muitos, determinados e estavam por toda parte. No entanto, ninguém estava mais guardado. Ele não teria medo, porque eles não poderiam realmente lhe causar dano, e, portanto, não precisavam amedrontá-lo.
Davi continua agindo com prudência, mas não permite que o medo governe o seu coração. Ele não vai se perturbar, nem desconfiar de Deus, nem duvidar de um bom fim. Quando disse a Zadoque para levar a arca de volta à cidade, ele falou com incerteza sobre o desfecho e, como um penitente humilde, declarou: “Eis-me aqui, faça de mim como bem lhe parecer” (2 Samuel 15:26). Mas agora fala como um crente fortalecido, sem temor quanto ao que virá. A entrega disposta à vontade de Deus é o caminho para se alcançar uma confiança calma em Deus.
Sua oração também é despertada e fortalecida por essa confiança.
Ele cria que Deus era o seu Salvador e, ainda assim, orava. Na verdade, orava justamente por causa dessa confiança: “Levanta-te, Senhor, salva-me, Deus meu!” As promessas de salvação não substituem a nossa oração por essa salvação. Deus declarou que quer ser buscado pelas coisas que prometeu conceder.
Sua fé então sobe até a plena confiança. Ele começou o salmo falando da força e do ódio de seus inimigos, mas termina alegrando-se no poder e na graça de seu Deus. Agora ele enxerga mais a seu favor do que contra si, como indica o versículo final do salmo. Ele fundamenta sua confiança em duas grandes verdades e nelas encontra consolo.
Primeiro, a salvação pertence ao Senhor. Ele tem poder para salvar, por maior que seja o perigo. É seu direito salvar quando todo outro socorro e livramento falham. E é também sua vontade, seu modo de agir e sua promessa para com os que lhe pertencem. A salvação deles não vem de si mesmos, mas do Senhor. Assim, todos os que têm o Senhor como seu Deus, dentro dos termos da nova aliança, estão certos da salvação, porque o Deus que é seu Deus é o Deus que salva.
Segundo, a sua bênção está sobre o seu povo. Ele não só tem poder para salvá-los, como também revelou seu propósito bondoso e gracioso para com eles. Em sua palavra, Ele pronunciou uma bênção sobre o seu povo, e somos chamados a crer que essa bênção de fato repousa sobre eles, ainda que não haja sinais visíveis disso. Podemos, portanto, concluir que o povo de Deus, ainda que outros zombem deles e os julguem mal, é certamente abençoado por Ele. Deus concede bênção real, e pode também ordenar que a bênção venha.
Deste capítulo
Salmos 3:1
"Salmo de Davi, quando fugia de Absalão, seu filho."
Salmos 3:2
"Senhor, como são numerosos os meus perseguidores! É uma turba que se dirige contra mim."
Salmos 3:3
"Uma multidão inteira grita a meu respeito: “Não, não há mais salvação para ele em seu Deus!”."
Salmos 3:5
"Apenas elevei a voz para o Senhor, ele me responde de sua montanha santa."
Salmos 3:6
"Eu, que tinha me deitado e adormecido, levanto-me, porque o Senhor me sustenta."
Salmos 3:7
"Nada temo diante desta multidão de povo, que de todos os lados se dirige contra mim."
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