Versículo em destaque
Salmos 2:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Vou proclamar o decreto do Senhor. O Senhor me disse: “Você é meu filho; eu hoje gerei você. "
Salmos 2:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Dirigindo-se a eles com cólera, ele os aterroriza com o seu furor:
6 “Sou eu — diz — quem me consagrei um rei em Sião, minha montanha santa”.
7 Vou proclamar o decreto do Senhor. O Senhor me disse: “Você é meu filho; eu hoje gerei você.
8 Peça-me, e eu lhe darei por herança todas as nações; você possuirá os confins do mundo.
9 Você as governará com cetro de ferro; você as pulverizará como um vaso de argila”.
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Já ouvimos o que os reis da terra dizem contra o reino de Cristo e como aquele que está assentado nos céus lhes responde. Agora ouvimos o que o próprio Messias diz em defesa de seu governo. O que ele declara não pode ser anulado por nenhum poder terreno.
Em primeiro lugar, o reino do Messias repousa sobre um decreto, uma decisão eterna de Deus Pai. Não foi um plano repentino nem um experimento. Nasceu do propósito sábio e da vontade firme de Deus antes que o mundo existisse, e nada pode mudá-lo. Alguns entendem esse decreto como uma ordem; outros, como uma aliança, isto é, um acordo sagrado entre o Pai e o Filho acerca da redenção dos seres humanos. É como a aliança que Deus fez com Davi e sua casa (Salmo 89:3).
O Senhor Jesus muitas vezes apontou para esse decreto como a regra de tudo o que fazia. “Esta é a vontade daquele que me enviou” (João 6:40). “Recebi este mandamento de meu Pai” (João 10:18; João 14:31). Toda a sua missão se apoiava naquilo que o Pai o havia designado para realizar.
Em segundo lugar, esse decreto é proclamado de modo suficientemente claro para todos os que são chamados a se submeter a este Rei. E também deixa sem desculpa aqueles que se recusam a deixá-lo reinar sobre eles. O decreto esteve oculto por um tempo, como algo que o Pai disse ao Filho antes de suas obras começarem. Mas agora foi anunciado pela fiel testemunha que esteve no seio do Pai desde a eternidade e veio ao mundo para dá-lo a conhecer (João 1:18).
A fonte de todo o ser é certamente a fonte de toda autoridade. Assim, o Messias recebe seu direito de reinar de Jeová, por cuja palavra todas as coisas foram feitas e são governadas. Cristo apresenta uma dupla base para seu reino.
Primeiro, ele tem um título por direito de nascimento: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Salmo 2:7). O apóstolo usa este versículo para mostrar que Cristo tem um nome superior ao dos anjos (Hebreus 1:5). Ele é Filho de Deus, não por adoção, mas como o Filho unigênito do Pai (João 1:14). O Pai quer que isso seja anunciado ao mundo como a razão pela qual Cristo é constituído Rei sobre o monte santo de Sião. Isso significa que ele tem pleno direito de governar e plena aptidão para essa grande obra.
Por ser o Filho de Deus, ele tem a mesma natureza que o Pai. Nele habita toda a plenitude de Deus, com sabedoria, poder e santidade infinitos. O mais alto governo da igreja é muito grande para qualquer simples criatura. Só pode exercê‑lo aquele que é um com o Pai, aquele que estava com ele desde a eternidade e conhecia todos os seus desígnios (Provérbios 8:30). Ele é também o Filho amado, em quem o Pai tem todo o seu prazer. E porque o Pai ama o Filho, entregou todas as coisas em suas mãos (João 3:35; João 5:20).
Como Filho, ele é o herdeiro de todas as coisas. Visto que o Pai fez os mundos por meio dele, segue‑se que também os governa, pois ele é a eterna Sabedoria e a eterna Palavra. Se Deus lhe diz: “Tu és meu Filho”, é justo que cada um de nós lhe diga: “Tu és meu Senhor, meu Rei.”
Para tornar ainda mais clara essa filiação, o versículo acrescenta: “hoje te gerei”. Isto aponta tanto para sua geração eterna, sua eterna condição de Filho, quanto para a prova disso na sua ressurreição dentre os mortos. O apóstolo aplica também estas palavras à ressurreição de Cristo (Atos 13:33). Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e, desse modo, o declarou Filho de Deus com poder (Romanos 1:4). Ele é o primogênito dentre os mortos, o primeiro a ressurgir para essa nova vida (Apocalipse 1:5; Colossenses 1:18).
Logo após sua ressurreição, Cristo entrou no exercício pleno de seu reino mediador, isto é, o reino que exerce como aquele que se coloca entre Deus e os seres humanos para reconciliá‑los. Foi então que disse: “Todo o poder me foi dado”. Ele tinha especialmente esse reino em vista quando ensinou seus discípulos a orar: “Venha o teu reino”.
Em segundo lugar, Cristo tem um título por acordo, fundamentado em promessa de aliança (Salmo 2:8, 9). Em resumo, o acordo é este: o Filho deve assumir o ofício de intercessor, aquele que roga em favor de outros, e, com essa condição, receberá a honra e o poder de Rei universal. Ver Isaías 53:12. “Ele será sacerdote no seu trono, e conselho de paz haverá entre ambos” (Zacarias 6:13).
O Filho deve pedir. Isso mostra que ele voluntariamente tomou uma posição inferior à do Pai ao assumir a natureza humana. Como Deus, era igual ao Pai em poder e glória, e nada tinha a pedir. Isso também destaca a satisfação que ele ofereceu, isto é, o pagamento pleno pelo pecado, que dá força à sua intercessão. Ele pagou o preço sobre o qual se apoia essa grande reivindicação (João 17:4, 5). Quando o Filho pede as nações por herança, ele busca não apenas a própria honra, mas o bem delas nele. Por isso continua a interceder por elas, vive sempre para interceder, e assim pode salvar totalmente.
O Pai lhe concederá mais do que metade do reino; dará o próprio reino. Aqui se promete, primeiro, que o seu governo será universal. “Pede‑me, e eu te darei as nações por herança”; não apenas os judeus, entre os quais a igreja estivera por muito tempo limitada, mas também os gentios, isto é, as demais nações. Aqueles que estão nas partes mais remotas da terra, incluindo nosso próprio povo, serão sua possessão, e ele terá muitos súditos dispostos e fiéis entre eles. Os cristãos batizados pertencem ao Senhor Jesus. Eles são, para ele, um nome e um louvor. O Pai os entrega ao Filho quando seu Espírito e sua graça os levam a se submeter ao jugo do Senhor Jesus.
Isto já foi parcialmente cumprido. Grande parte do mundo gentio recebeu o evangelho quando ele foi primeiramente anunciado, e o trono de Cristo foi estabelecido onde antes estava o assento de Satanás. Mas será cumprido muito mais plenamente quando os reinos deste mundo se tornarem do Senhor e do seu Cristo (Apocalipse 11:15). Quem verá Deus realizar isso?
Em segundo lugar, seu governo será vitorioso. “Tu os esmigalharás com vara de ferro” (Salmo 2:9), isto é, aqueles que se opõem ao seu reino. Isso se cumpriu em parte quando a nação judaica, permanecendo em incredulidade e hostilidade ao evangelho de Cristo, foi destruída pelo poder romano. Esse poder é apresentado em Daniel 2:40 como pés de ferro, e aqui como vara de ferro.
Essa promessa teve outro cumprimento quando o poder das nações pagãs foi quebrado e a fé cristã foi estabelecida. Mas só se cumprirá plenamente quando todo principado, domínio e poder contrários forem finalmente abatidos (1 Coríntios 15:24; Salmo 110:5-6).
Percebe‑se quão poderoso é Cristo e quão fracos são seus inimigos diante dele. Ele tem uma vara de ferro para despedaçar aqueles que se recusam a se sujeitar ao seu jugo suave. Diante dele, são como vaso de oleiro, quebrado de repente e por completo, sem conserto possível (Apocalipse 2:27). “Tu os quebrarás” significa: “Ser‑te‑á permitido fazer isso”. Nações cairão antes que a igreja do evangelho deixe de ser edificada e estabelecida. “Visto que foste precioso aos meus olhos, também foste honrado, e eu te amei; darei homens por ti” (Isaías 43:4). E também significa: “Terás poder para fazê‑lo. Ninguém poderá resistir‑te, e levarás isso a cabo com eficácia.” Os que não se curvarem serão quebrados.
Ao lidar com este salmo, convém honrar a Cristo como o eterno Filho de Deus e nosso Senhor legítimo. E é apropriado encontrar consolo nessa promessa e apresentá‑la a Deus em oração, pedindo que o reino de Cristo seja ampliado, firmado e vitorioso sobre toda oposição.
Deste capítulo
Salmos 2:1
"Por que as nações se tumultuam? Por que os povos tramam conspirações vãs?"
Salmos 2:2
"Os reis da terra se levantam juntos, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo."
Salmos 2:3
"“Quebremos seu jugo — disseram eles — e lancemos para longe de nós as suas cadeias!”"
Salmos 2:4
"Aquele, porém, que habita nos céus ri; o Senhor os reduz ao ridículo."
Salmos 2:5
"Dirigindo-se a eles com cólera, ele os aterroriza com o seu furor:"
Salmos 2:6
"“Sou eu — diz — quem me consagrei um rei em Sião, minha montanha santa”."
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