Versículo em destaque
Salmos 103:6 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Tu a tinhas coberto com o manto do oceano; as águas ultrapassavam as montanhas.
Salmos 103:6
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
4 fazes dos ventos os teus mensageiros e dos relâmpagos flamejantes, teus ministros.
5 Fundaste a terra sobre bases sólidas, que são eternamente inabaláveis.
6 Tu a tinhas coberto com o manto do oceano; as águas ultrapassavam as montanhas.
7 Mas, diante da tua ameaça, elas se afastaram; ao estrondo do teu trovão, estremeceram.
8 As montanhas se elevaram, os vales foram sulcados nos lugares que tu lhes destinaste.
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Até aqui, o salmista vinha olhando principalmente para suas próprias experiências e usando-as como combustível para o louvor. Agora ele olha ao redor e percebe também a bondade de Deus para com os outros. Devemos nos alegrar com essas bênçãos e dar graças por elas, porque todos os santos se alimentam à mesma mesa e participam dos mesmos dons.
Deus é verdadeiramente bom para todos (Salmo 103:6). Ele executa o que é justo e reto, não apenas em favor do seu próprio povo, mas de todos os que estão oprimidos. Mesmo na providência comum, isto é, no governo diário que Deus exerce sobre o mundo, ele se levanta em favor dos inocentes maltratados. De um modo ou de outro, ele defenderá os feridos e se oporá aos seus opressores. É honra para ele abater os orgulhosos e socorrer os desamparados.
Ele é de modo especial bom para Israel, para todo verdadeiro israelita, isto é, para todo aquele que tem um coração limpo e sincero. Ele se revelou a nós e nos mostrou a sua graça. Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés e, por meio de Moisés, manifestou os seus feitos aos filhos de Israel, não só pelas obras poderosas daquele tempo, mas também pelos escritos de Moisés às gerações posteriores. A revelação divina, o fato de Deus se dar a conhecer, é um dos primeiros e maiores dons concedidos à igreja, porque Deus nos traz de volta para si mostrando quem ele é, e por meio desse conhecimento nos dá todos os outros bens. Ele nos deu a conhecer tanto seus feitos como seus caminhos, isto é, quem ele é e como trata as pessoas, para sabermos tanto o que pensar dele quanto o que esperar dele. Ou, como alguns explicam, seus caminhos são seus mandamentos, a vereda em que ele quer que andemos, e seus feitos, ou desígnios, são suas promessas e propósitos a nosso respeito. Em tudo isso, Deus lida conosco de forma aberta e justa.
Ele nunca tem sido duro ou severo para conosco, mas sempre terno, cheio de compaixão e pronto a perdoar. Esta é a sua natureza. O Senhor é misericordioso e compassivo; foi assim que se fez conhecer a Moisés no monte Horebe, quando proclamou o seu nome (Êxodo 34:6-7), em resposta ao pedido de Moisés: “Mostra-me o teu caminho, para que eu te conheça” (comparar com Salmo 33:13). A resposta de Deus, em essência, é: “Meu caminho é perdoar o pecado”. Ele é longânimo. Não é rápido em notar cada falha com intenção de castigar, nem se apressa em se aproveitar de nós. Suporta por muito tempo aqueles que o provocam continuamente, retarda o juízo para dar espaço ao arrependimento e não executa depressa a sentença da sua lei. Ele só poderia ser tão paciente por ser riquíssimo em misericórdia, verdadeiramente o Pai das misericórdias.
Também não fica irado para sempre. Ele não repreenderá perpetuamente, embora nós o ofendamos continuamente e mereçamos correção. Ele pode mostrar seu desagrado pelas aflições na providência e pelas repreensões da nossa consciência, e isso traz dor real. Ainda assim, ele terá compaixão e não nos deixará para sempre na dor e no medo, nem mesmo por causa dos nossos pecados. Depois do espírito de escravidão, ele concede o espírito de adoção, a doce certeza de que somos seus filhos. Quão diferentes de Deus são aqueles que vivem sempre a repreender, aproveitando toda ocasião para censurar e nunca sabem a hora de parar. O que seria de nós se Deus lidasse assim conosco? Ele não conservará para sempre a sua ira contra o seu povo, mas os ajuntará com misericórdias eternas (Isaías 54:8; Isaías 57:16).
Podemos dizer pela nossa própria experiência que ele não nos tratou segundo os nossos pecados. A Escritura fala muito da misericórdia de Deus, e todos nós podemos confirmá-la pelo que já vivemos. Se ele não fosse um Deus paciente, já estaríamos no inferno há muito tempo. Ele não nos recompensou segundo as nossas iniquidades. Não nos aplicou os juízos que merecíamos, nem tirou todos os consolos que havíamos perdido pelo pecado. Isso deve nos levar a odiar mais o pecado, e não menos, pois a paciência de Deus tem por objetivo conduzir-nos ao arrependimento (Romanos 2:4).
Ele perdoou os nossos pecados, não apenas a minha iniquidade (Salmo 103:3), mas também as nossas transgressões (Salmo 103:12). Devemos tomar consolo nessa misericórdia para nosso próprio coração, mas também dar glória a Deus pela bênção que outros recebem por ela. Sua misericórdia é sem medida. Tão alto como os céus estão acima da terra, assim é a sua misericórdia elevada acima dos méritos dos que o temem. A distância é tão grande que, na prática, não há comparação. As melhores obras do dever humano não podem merecer nem o menor sinal do favor de Deus como algo devido, por isso todos os descendentes de Jacó devem reconhecer que são menores do que a menor de todas as suas misericórdias (Gênesis 32:10). E essa misericórdia é mostrada aos que o temem, não aos que o tratam com leviandade. É preciso temer o Senhor e a sua bondade.
Seus perdões são plenos, e isso mostra quão rica é a sua misericórdia. Tão longe como o oriente está do ocidente, assim ele afasta de nós as nossas transgressões, de modo que nunca mais serão lançadas em nossa conta nem se erguerão contra nós em juízo. Os pecados dos que creem não serão mais lembrados. Não serão trazidos de volta contra eles. Serão procurados e não achados. Se de fato nos desviamos deles, Deus os perdoa plenamente.
Ele também teve piedade das nossas dores (Salmo 103:13-14). Compadece-se dos que o temem, isto é, de todos os que verdadeiramente lhe pertencem e podem sofrer muito neste mundo, não só por terem nascido em meio às aflições, mas também por terem nascido de novo para uma vida de fé. Isso pode incluir ainda aqueles que ainda não receberam o espírito de adoção, mas já tremem à sua palavra; ele também se compadece deles (Jeremias 31:18, 31:20). Ele se compadece como um pai se compadece dos filhos e lhes faz o bem sempre que precisam. Deus é Pai para os que o temem e os reconhece como seus filhos, por isso lida com eles com ternura, como faz um pai. Um pai se compadece dos filhos que são fracos de entendimento e os instrui, compadece-se quando são teimosos e os suporta, compadece-se quando estão doentes e os consola (Isaías 66:13), compadece-se quando caem e os ajuda a se levantar, compadece-se quando erram e, quando se submetem, os perdoa, e compadece-se quando são maltratados e lhes faz justiça. Assim o Senhor se compadece dos que o temem.
Ele faz isso porque conhece a nossa estrutura. E bem a conhece, pois foi ele quem nos fez. Tendo formado o homem do pó, lembra-se de que somos pó, não só por constituição, mas também pela sentença que sobre nós foi proferida: “Pó és”. Ele leva em conta a fraqueza do nosso corpo e a loucura da nossa alma, quão pouco podemos fazer, e exige de nós apenas o que de fato podemos dar. Também sabe quão pouco podemos suportar e regula seus tratos conosco de acordo com isso. Em tudo isso, sua compaixão fica claramente visível.
Ele também manteve firme a sua misericórdia da aliança e, por meio dela, providenciou socorro para a nossa fraqueza (Salmo 103:15-18). Aqui se mostra quão breve é a vida humana e quão incerto é o seu tempo.
A vida dos grandes e dos bons é assim também, e nem a grandeza nem a bondade mudam essa realidade. A vida do homem é como a erva, que brota da terra, se eleva um pouco e logo seca e volta ao chão (Isaías 40:6-7). Mesmo em seu melhor estado, a vida é pouco mais que a erva. Floresce por algum tempo e parece vistosa, mas ainda é como a flor do campo, que murcha juntamente com a erva.
Uma flor de jardim costuma ser mais estimada e pode durar mais, por estar protegida por muros e ser cuidada por um jardineiro. Mas a flor do campo, que é a imagem usada aqui, não só é fraca e de curta duração por si mesma, como também está exposta a ventos frios, pode ser pisada e comida pelos animais. Assim é a vida humana. Ela se consome por si só e ainda pode ser abreviada por muitos perigos repentinos.
Quando a flor está no seu melhor estado, um vento silencioso passa sobre ela e já não existe. Ela pende, perde as pétalas, mingua até o chão, e o lugar que se orgulhava dela já nem a reconhece mais. Assim é o homem. Deus vê isso e tem compaixão de nós. Nós também devemos considerar isso e responder com humildade, desligando-nos mais deste mundo e voltando-nos com mais seriedade para o mundo vindouro.
A misericórdia de Deus para com seu povo é diferente. Ela dura mais do que a vida deles e se estende para além do estado presente (Salmo 103:17-18). Aqueles que recebem essa misericórdia são os que temem a Deus, isto é, os que são verdadeiramente piedosos de coração e de vida. Vivem pela fé, guardando a aliança de Deus. Apropriaram-se dessa aliança e a conservam firmemente, porque a estimam como seu tesouro, sua porção e sua vida. E também vivem em obediência, lembrando-se dos seus mandamentos para os praticar. Se não obedecem aos seus mandamentos, então não estão de fato guardando a sua aliança.
Somente aqueles que levam a sério os mandamentos de Deus desfrutarão plenamente dos benefícios de suas promessas. As pessoas de boa memória aqui não são apenas as que conseguem repetir as palavras de Deus, mas as que as recordam para obedecer a elas e serem guiadas por elas (Salmo 111:10). A misericórdia que pertence a essas pessoas dura mais do que a vida delas na terra. Por isso, não precisam se inquietar se a sua vida for curta, porque nem mesmo a morte interromperá a sua bem-aventurança. A misericórdia de Deus é melhor do que a vida, porque sobrevive à própria vida.
Isso é verdade em relação às suas almas, que nunca morrem. A misericórdia do Senhor está sobre elas de eternidade a eternidade, desde o seu propósito eterno, antes que o mundo existisse, até a glória que virá quando este mundo tiver passado. Elas são escolhidas para essa herança (Efésios 1:11) e aguardam a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, que conduz à vida eterna. Também é verdade em relação a seus filhos, que serão preservados ao longo das gerações (Salmo 102:28). A sua justiça, isto é, a fidelidade da sua promessa, permanecerá sobre os filhos dos seus filhos, se estes seguirem a fé de seus pais e também guardarem a sua aliança. Então a sua misericórdia continuará sobre eles, até mil gerações.
Deste capítulo
Salmos 103:1
"Bendize, ó minha alma, o Senhor! Senhor, meu Deus, tu és imensamente grande! De majestade e esplendor te revestes,"
Salmos 103:2
"envolto em luz como em um manto. Tu estendeste o céu como um pavilhão,"
Salmos 103:3
"acima das águas fixaste tua morada. Das nuvens fazes teu carro, andas sobre as asas do vento;"
Salmos 103:4
"fazes dos ventos os teus mensageiros e dos relâmpagos flamejantes, teus ministros."
Salmos 103:5
"Fundaste a terra sobre bases sólidas, que são eternamente inabaláveis."
Salmos 103:7
"Mas, diante da tua ameaça, elas se afastaram; ao estrondo do teu trovão, estremeceram."
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