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Provérbios 8:22 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" O Senhor me criou como primícia de suas obras, desde o princípio, antes do começo da terra. "

Provérbios 8:22

menu_book Versículo no contexto

20 Sigo o caminho da justiça, no meio da senda da equidade.

21 Deixo meus haveres para os que me amam e acumulo seus tesouros.

22 O Senhor me criou como primícia de suas obras, desde o princípio, antes do começo da terra.

23 Desde a eternidade fui formada, antes de suas obras dos tempos antigos.

24 Ainda não havia abismo quando fui concebida, e as fontes das águas ainda não tinham brotado.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Parece muito claro que aqui quem fala é uma pessoa sábia e divina. Não se trata apenas de um atributo interior de Deus, porque a Sabedoria é retratada com palavras e ações pessoais. Essa pessoa divina e sábia só pode ser o próprio Filho de Deus, já que outras partes da Escritura dizem as mesmas coisas sobre ele, e a própria Escritura deve esclarecer a Escritura.

Se Salomão tivesse a intenção apenas de exaltar a sabedoria como um dos atributos de Deus e de exortar as pessoas a buscarem essa sabedoria, o Espírito Santo o conduziu além disso. Como muitas vezes aconteceu com Davi, suas palavras se elevam a um nível que só se encaixa no Filho de Deus. Assim, estes versículos nos conduzem a grandes verdades sobre Cristo, e toda a revelação de Deus é a revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu. Aqui nos é mostrado quem ele é, no plano eterno de Deus, como o Mediador, aquele que põe Deus e os homens em relacionamento.

A melhor explicação destes versículos está no início do Evangelho de João, especialmente nos quatro primeiros versículos, onde se diz: “No princípio era o Verbo”. Contemplando o Filho de Deus, vemos primeiro a sua pessoalidade e o seu ser distinto. Ele é um com o Pai e da mesma natureza divina, e, ao mesmo tempo, é pessoa distinta. O Senhor o possuiu (Provérbios 8:22), ele foi constituído (Provérbios 8:23), ele foi gerado (Provérbios 8:24, Provérbios 8:25) e estava ao lado de Deus (Provérbios 8:30). Ele é a imagem exata do ser do Pai (Hebreus 1:3).

Vemos também a sua eternidade. Ele foi gerado pelo Pai, pois o Senhor o possuiu como seu próprio Filho, seu Filho amado, e o colocou em seu seio, figura de amor íntimo. Ele foi trazido à luz como o unigênito do Pai, e tudo isso antes que o mundo existisse, o que aqui é repetido com grande ênfase. O Verbo é eterno e teve existência antes do mundo e antes do tempo começar; logo, ele é desde a eternidade. O Senhor o possuiu no princípio de seu caminho, isto é, em seus planos eternos, pois estes precedem suas obras.

Esse caminho, na verdade, não teve início, pois os propósitos de Deus em si mesmo são eternos como ele. Mas Deus nos fala em linguagem humana. A Sabedoria diz: “Desde a eternidade fui estabelecida” (Provérbios 8:23). No conselho eterno de Deus, o Filho foi designado e honrado como a sabedoria e o poder do Pai, sua luz e sua vida, e tudo no que diz respeito à criação e à redenção. As muitas formas de dizer isso aqui se assemelham muito às expressões com que a Escritura descreve a própria eternidade de Deus, como em: “Antes que os montes nascessem” (Salmo 90:2).

Ele existia antes da terra, que foi feita “no princípio”, antes que o homem fosse criado. Assim, o segundo Adão, Cristo, existia antes do primeiro Adão, pois o primeiro foi feito da terra, mas o segundo tem seu ser antes da terra e não é da terra (João 3:31). Ele foi antes de o mar ser formado (Provérbios 8:24), antes que as grandes águas fossem ajuntadas, antes que qualquer fonte brotasse, e antes daquele abismo sobre o qual o Espírito de Deus se movia quando o mundo visível foi criado (Gênesis 1:2).

Ele também foi antes dos montes, das colinas eternas (Provérbios 8:25). Elifaz perguntou a Jó, para mostrar como Jó pouco conhecia dos planos de Deus: “Porventura nasceste tu primeiro que Adão? Ou foste formado antes dos outeiros?” (Jó 15:7). A resposta é não. Mas, antes dos montes, o Verbo eterno já havia sido gerado. Ele era antes das regiões habitadas do mundo, onde os homens trabalham a terra e desfrutam de seus frutos (verso 26). Era antes dos campos nas planícies e vales, que os montes resguardam como muralhas, e antes que o pó do mundo fosse formado em qualquer sentido. Ele era antes do homem, que foi formado do pó da terra e é pó, embora seja a parte principal do pó, pó vivificado e refinado. O Verbo eterno existia antes do homem, pois nele estava a vida dos homens.

Vemos também o seu papel na criação do mundo. Ele não apenas existia antes do mundo, mas estava presente quando o mundo foi feito, não como mero espectador, e sim como arquiteto. Deus humilhou Jó perguntando: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? (...) Quem lhe pôs as medidas?” (Jó 38:4). Seria Jó esse Verbo e sabedoria eternos que dirigiram aquela grande obra? Não, ele era “de ontem”. Mas aqui o Filho de Deus, aludindo claramente a esse tipo de desafio, declara que tomou parte naquilo que Jó não podia pretender ter visto nem feito: a criação do mundo. Por meio dele Deus fez o mundo (Efésios 3:9; Hebreus 1:2; Colossenses 1:16).

Quando Deus disse: “Haja luz”, no primeiro dia, e a luz surgiu por sua palavra, essa Sabedoria eterna era esse Verbo todo-poderoso. “Então eu estava ali”, diz ele, “quando ele preparava os céus”, a origem daquela luz, que aqui é o que é, mas lá é substancial. No segundo dia, ele estava ativo quando Deus estendeu o firmamento, essa vasta expansão, e o colocou como um círculo sobre o abismo (Provérbios 8:27), cobrindo-o de todos os lados como um dossel ou cortina.

Isso também pode significar a disposição exata e o plano pelo qual Deus formou todas as partes do universo, como o construtor marca sua obra com linha e compasso. Nada, no trabalho concluído, se afastou do plano formado na mente eterna. Ele também atuou na obra do terceiro dia, quando as águas acima dos céus foram ajuntadas ao estabelecer as nuvens lá no alto, e as águas debaixo dos céus foram ajuntadas ao fortalecer as fontes do abismo, que fazem sair essas águas (Provérbios 8:28). Ele também limitou o mar dentro de seus limites (Provérbios 8:29).

Isso mostra a honra da Sabedoria eterna. Por isso Deus se prova ser Deus muito digno de ser temido (Jeremias 5:22), porque pôs a areia por limite ao mar, para que a terra seca permanecesse acima das águas e continuasse adequada para a habitação humana. Assim ele estabeleceu os fundamentos da terra. Quão apropriado é o Filho de Deus para ser o Salvador do mundo, já que foi seu Criador.

Por fim, vemos o grande prazer do Pai nele, e o prazer dele no Pai (Provérbios 8:30). “Então eu estava com ele, como o seu aluno” — ou, como um que é criado com ele. Assim como foi eternamente gerado pelo Pai, também foi eternamente educado com ele em conselho. Isso mostra, em primeiro lugar, o amor infinito do Pai pelo Filho, que por isso é chamado o Filho do seu amor (Colossenses 1:13). E mostra também o entendimento mútuo e o pleno acordo entre eles quanto à obra da redenção humana, que o Filho assumiria. O conselho de paz estava entre ambos (Zacarias 6:13).

Ele foi, por assim dizer, o discípulo do Pai, treinado desde a eternidade para a obra que executaria no tempo, quando chegasse a plenitude dos tempos. Nessa obra ele esteve sob o cuidado e o apoio especiais do Pai, “o meu servo, a quem sustenho” (Isaías 42:1). Ele fazia o que via o Pai fazer (João 5:19), agradava a seu Pai, buscava a sua glória e cumpria tudo segundo o mandamento que recebeu do Pai, como alguém criado com ele.

Ele foi sempre o prazer do Pai, “o meu eleito, em quem se compraz a minha alma” (comparar com Isaías 42:1), e também sempre se alegrava perante ele. Isso pode se referir ao gozo infinito que as pessoas da bendita Trindade têm umas nas outras, o que faz parte da bem-aventurança do próprio ser de Deus. Ou pode se referir ao prazer que o Pai tomou na obra do Filho quando este fez o mundo, pois Deus viu tudo quanto o Filho fez, e eis que era muito bom, o que lhe agradou. Então o Filho também se alegrou diante dele na beleza e na ordem de toda a criação (Salmo 104:31).

Também pode se referir à alegria que tiveram um no outro em relação à grande obra da redenção humana. O Pai se deleitou no Filho como Mediador, isto é, aquele que se coloca entre Deus e os homens, e se agradou do que o Filho se propôs a fazer (Mateus 3:17). Por isso o Pai o amou, porque ele se dispôs a dar a vida pelas ovelhas. Confiou-lhe a obra, certo de que ele a cumpriria plenamente e não recuaria.

O Filho também sempre se alegrou perante ele, tendo prazer em fazer a sua vontade (Salmo 40:8). Ele se prendeu à sua tarefa, plenamente satisfeito com ela, e, quando chegou o tempo, disse: “Eis que venho para fazer, ó Deus, a tua vontade, como no rolo do livro de mim está escrito.” Isso mostra a disposição voluntária com que assumiu a obra da salvação.

A Sabedoria também teve um gracioso interesse pela humanidade (Provérbios 8:31). Ela não tanto se alegrou com os ricos produtos da terra ou seus tesouros escondidos, mas com as regiões habitadas do mundo, pois as suas delícias eram com os filhos dos homens. Isso é verdade não só na criação do homem, quando Deus disse com especial satisfação: “Façamos o homem” (Gênesis 1:26), mas também na redenção e salvação do homem. O Filho de Deus foi designado, antes que o mundo existisse, para essa grande obra (1 Pedro 1:20).

Um remanescente dos filhos dos homens foi dado a ele, para ser conduzido por sua graça à sua glória, e eram nesses que ele se deleitava. Sua igreja era a parte habitada de sua terra, preparada para ele, de modo que o Senhor Deus pudesse habitar até mesmo entre aqueles que haviam sido rebeldes. Ele se alegrou nisso quando olhou adiante e viu a sua descendência.

Mesmo sabendo todas as dificuldades que viriam, o serviço e o sofrimento que teria de suportar, ainda assim contemplou tudo isso com a maior satisfação, porque o desfecho seria a glória de seu Pai e a salvação daqueles filhos dos homens que lhe foram dados. Isso nos encoraja plenamente a nos achegarmos a ele e a confiarmos nele por todas as bênçãos que a sua grande obra se propôs a conceder.

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