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Provérbios 8:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Por acaso, a Sabedoria não clama, e a inteligência não eleva a sua voz? "

Provérbios 8:1

menu_book Versículo no contexto

1 Por acaso, a Sabedoria não clama, e a inteligência não eleva a sua voz?

2 No cume das montanhas ela se coloca e também nas encruzilhadas dos caminhos.

3 Ergue sua voz na entrada das torres, junto às portas, nas proximidades da cidade.

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auto_stories Comentário Bible Guided

A vontade de Deus, tal como é revelada para a nossa salvação, aparece aqui como algo fácil de conhecer e entender. Isso significa que ninguém pode se justificar pela ignorância ou por uma crença errada. Também é mostrada como algo digno de ser bem recebido, de modo que ninguém pode se desculpar por descuido ou incredulidade.

As coisas que Deus revela são fáceis de conhecer porque pertencem a nós e aos nossos filhos (Deuteronômio 29:29). Não precisamos subir ao céu nem descer ao abismo para encontrá-las (Deuteronômio 30:11). Em parte, a própria criação já torna Deus conhecido (Salmo 19:1), a consciência também fala, e a ordem moral impressa em nós aponta o que é certo e o que é errado. Mas Deus tornou tudo isso ainda mais claro por meio de Moisés e dos profetas; por isso, é preciso que as pessoas os ouçam.

Os mandamentos da Sabedoria podem ser conhecidos porque são proclamados abertamente. Provérbios pergunta: “Porventura não clama a Sabedoria?” Ela de fato clama em alta voz e não se cala (Provérbios 8:1; Isaías 58:1). Ela levanta sua voz como alguém que fala com seriedade e quer ser ouvido. Jesus também se pôs em pé e clamou ao povo (João 7:37), e os levitas leram em voz alta as bênçãos e maldições (Deuteronômio 27:14). Até o coração das próprias pessoas, às vezes, fala alto por meio da voz da consciência.

Essas verdades também são proclamadas em lugares altos (Provérbios 8:2). A Sabedoria se coloca nas alturas, onde muitos podem ouvi-la. Deus deu a lei no monte Sinai, e Cristo a explicou em seu sermão no monte. Se recusamos a revelação de Deus, estamos nos afastando daquele que fala desde o céu, que é o lugar mais alto de todos (Hebreus 12:25). A fala secreta pertence ao erro e ao pecado, mas a sabedoria fala às claras e não tem nada a esconder.

A Sabedoria também é anunciada em lugares públicos, onde as multidões se reúnem. Jesus ensinou nas sinagogas e no templo, onde os judeus sempre se ajuntavam (João 18:20). Todo aquele que passa, seja qual for sua posição ou condição, pode aprender o que é bom e o que o Senhor exige, se estiver disposto a ouvir. A voz da Sabedoria se destina a todas as pessoas, e “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

A verdade de Deus também é colocada justamente onde mais se precisa dela, nas encruzilhadas da vida. Ela é publicada nos caminhos, nos cruzamentos, onde os viajantes precisam de direção. Ali, quando as pessoas estão incertas, podem ouvir a voz atrás de si dizendo: “Este é o caminho” (Isaías 30:21). O insensato não sabe o caminho para a cidade (Eclesiastes 10:15), por isso a Sabedoria está pronta para guiá-lo. Ela se coloca às portas, na entrada da cidade, pronta para ajudá-lo a encontrar a vereda certa (1 Samuel 9:18).

A Sabedoria chega até a seguir as pessoas até suas casas e chamá-las à porta, falando paz sobre o lar. Se ali houver um filho da paz, essa paz permanecerá. Os ministros de Deus são chamados a dar testemunho tanto em público quanto de casa em casa. E a própria consciência da pessoa também a acompanha com advertências por onde quer que vá, pois ela carrega consigo sua mente e seu coração.

Essas palavras são dirigidas aos seres humanos: não a anjos, não a demônios e não aos animais. Os anjos não precisam dessa instrução, os demônios estão além dela, e os animais não podem recebê-la. Mas as pessoas precisam, porque são ensinadas mais do que os animais e feitas mais sábias do que as aves dos céus. Por isso a Sabedoria diz: “A vós, ó homens, clamo” (Provérbios 8:4). Essa palavra é para todos: não só para judeus, não só para nobres, não só para estudiosos, mas também para os menores e mais simples dentre os homens.

As coisas reveladas também são dignas de serem conhecidas. Têm grande valor. Provérbios as chama de “coisas excelentes” e até de “coisas de príncipe” (Provérbios 8:6). Elas servem para o mais humilde entre nós, e ainda assim alegram o maior dos homens. São divinas e celestiais, e, em comparação com elas, todo outro tipo de conhecimento se parece com brincadeira de criança. Tudo o que diz respeito ao Deus eterno, à alma imortal e à vida eterna há de ser excelente de fato.

Além disso, são perfeitamente justas e retas. Provérbios diz que são “coisas retas” e todas em justiça, sem nada de torto ou perverso nelas (Provérbios 8:6, 8). Tudo o que Deus revela está de acordo com a luz da natureza e a completa. Não há nada de áspero, humilhante ou irracional nos mandamentos de Deus. Todos os seus preceitos, acerca de todas as coisas, são retos.

Essas verdades também são totalmente confiáveis. A Sabedoria declara: “A minha boca falará a verdade” (Provérbios 8:7). Ela fala toda a verdade e nada além da verdade, pois seu ensino é um testemunho para o mundo. Cada palavra de Deus é verdadeira. Não há artifício enganoso nela, e Deus não nos ilude nem mesmo quando nos diz o que é para o nosso bem. Cristo é a testemunha fiel e é a própria verdade. Mentir é maldade e abominação para os seus lábios. Por isso, a mentira deve ser odiosa para nós também e estar longe da nossa fala, assim como está longe da fala de Deus.

Essas palavras são profundamente agradáveis para quem as recebe da maneira certa. Isso inclui pessoas que se conhecem bem, não estão cegas pelo mundo ou pela carne, não são governadas pelo preconceito e são ensinadas por Deus. Inclui também aqueles cujo entendimento ele abriu, que buscam sinceramente o conhecimento, se esforçam por ele e já encontraram algo dessa verdade na sua busca. Para tais pessoas, todas essas coisas são claras e não difíceis de entender. Se a Escritura parece trancada e selada, o problema está em quem não quer aprender.

Se as boas novas estão encobertas, estão encobertas para os que se perdem. Mas, para aqueles que se desviam do mal, isso é entendimento, e para os que têm o bom senso que vem da obediência a Deus, todas essas coisas são claras. O caminho da fé é como uma estrada larga, na qual até viajantes simples, embora chamados de tolos, não errarão (Isaías 35:8). Por isso é grande injustiça para com homens e mulheres comuns negar-lhes o acesso à Escritura, alegando que não podem entendê-la. A Escritura é clara para o povo simples.

Essas palavras são todas corretas e não difíceis de aceitar. Aqueles que sabem discernir entre o bem e o mal concordam de bom grado que os mandamentos da Sabedoria são retos. Assim, deixam-se governar por eles sem murmurar nem discutir.

De tudo isso, o escritor conclui que o verdadeiro conhecimento dessas coisas, aquele que nos transforma à sua semelhança, deve ser estimado acima de todas as riquezas deste mundo (Provérbios 8:10, Provérbios 8:11). “Aceitai a minha instrução, e não a prata.” A instrução precisa ir além de alcançar nossos ouvidos, deve ser acolhida. Devemos permitir que ela deixe sua marca em nós e nos submeter a ela.

Isso significa escolher a verdadeira fé acima das riquezas. Se temos o conhecimento e o temor de Deus em nosso coração, somos de fato mais bem-aventurados e melhor preparados para todas as áreas da vida do que se possuíssemos grandes quantidades de prata e ouro. A própria Sabedoria é melhor do que rubis e deve ser assim avaliada. Ela traz melhor recompensa, oferece melhor porção e, quando aparece na nossa maneira de viver, é melhor adorno do que as joias mais finas.

Qualquer coisa que pudéssemos desejar das riquezas deste mundo, mesmo que a alcançássemos, ainda seria indigna de ser comparada com os benefícios que acompanham a piedade sincera. Devemos também estar mortos para as riquezas deste mundo, a fim de nos dedicarmos com mais proximidade e empenho à obra da fé. Precisamos receber a instrução como a coisa principal e, então, ficar contentes, venhamos ou não a receber prata. Não devemos tratar a prata como nossa verdadeira porção ou recompensa, como fez o homem rico que, em sua vida, recebeu os seus bens.

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