Versículo em destaque
Provérbios 8:12 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Eu, a Sabedoria, sou amiga da prudência e possuo uma ciência profunda. "
Provérbios 8:12
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
10 Recebam a instrução, e não o dinheiro. Prefiram a ciência ao ouro fino,
11 pois a Sabedoria vale mais que as pérolas, e joia alguma pode igualá-la.
12 Eu, a Sabedoria, sou amiga da prudência e possuo uma ciência profunda.
13 O temor do Senhor é o ódio ao mal. Orgulho, arrogância, caminho perverso e boca mentirosa: eis o que eu detesto.
14 Meu é o conselho e o bom êxito; minha é a inteligência, minha é a força.
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Aqui, sabedoria significa Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. É Cristo na Palavra e Cristo no coração; não apenas Cristo revelado a nós, mas Cristo revelado em nós. É a Palavra de Deus, todo o alcance da revelação divina, e é Deus, o Verbo, em quem toda revelação divina se concentra. É também a alma moldada pela Palavra, Cristo formado dentro de nós, a verdadeira religião em sua pureza e poder.
Coisas admiráveis são ditas aqui sobre essa pessoa excelente e esse dom excelente. A sabedoria divina dá às pessoas uma mente bem formada, como diz (Provérbios 8:12): “Eu, a Sabedoria, habito com a prudência”. Não é esperteza mundana nem política carnal, essa sabedoria terrena e inferior, mas verdadeira discrição. Esse tipo de sabedoria ajuda a pessoa a organizar bem a sua vida, entender o seu caminho e escolher o que é útil em cada situação. É a sabedoria da serpente, não apenas para se preservar do mal, mas para fazer o bem da melhor maneira.
A sabedoria habita com a prudência porque a prudência nasce da verdadeira religião e acrescenta beleza a ela. Com a ajuda das Escrituras, as pessoas descobrem modos mais sábios de entender a providência de Deus, resistir às ciladas de Satanás e fazer o bem em seu tempo, muito além do que filósofos ou estadistas conseguiram por si mesmos. Podemos aplicar isso também ao próprio Cristo: Ele habita com a prudência, pois toda a sua obra é a sabedoria de Deus oculta em mistério, e nela Deus nos concedeu sabedoria e prudência em abundância.
Cristo encontrou o grande plano da salvação humana, e isso lhe custou caro. Ele nos salvou por sua satisfação, isto é, por sua obra expiatória que satisfez as exigências da justiça de Deus. Nós havíamos encontrado muitos caminhos para nossa própria ruína, mas Ele encontrou um único caminho para nossa restauração. A aliança da graça é ordenada com tanta sabedoria em cada detalhe, que somos levados a reconhecer que quem a estabeleceu habita com a prudência.
A verdadeira religião também dá bons corações, como mostra (Provérbios 8:13). O temor do Senhor, que é a sabedoria já recomendada, ensina a odiar todo pecado, porque desagrada a Deus e destrói a alma. “O temor do Senhor é aborrecer o mal”: aborrecer o mau caminho, odiar o pecado como pecado e, portanto, detestar todo caminho de falsidade. Onde existe temor reverente de Deus, existe também horror ao pecado, porque o pecado é inteiramente mal.
Ela nos ensina especialmente a odiar o orgulho e as paixões desordenadas, dois pecados comuns e perigosos. Presunção, orgulho e arrogância são pecados que Cristo odeia, e todos os que têm o Espírito de Cristo também os odeiam. Muitas vezes os detestamos nos outros, mas devemos detestá-los em nós mesmos. Deus também odeia a boca perversa, irritadiça e azeda, porque ela combate a paz entre as pessoas, e por isso nós também devemos odiá-la. Isso honra a verdadeira religião, pois, embora ela seja muitas vezes acusada injustamente, nada lhe é mais contrário do que o orgulho e a paixão descontrolada, e nada ela nos ensina de modo mais claro a abominar.
A sabedoria também exerce grande influência na vida pública e no bom governo das sociedades, como ensina (Provérbios 8:14). Cristo, como Deus, possui tanto força quanto sabedoria, pois a sabedoria e o poder pertencem a Ele. Como Redentor, Ele é a sabedoria de Deus e o poder de Deus. Para todos os que lhe pertencem, Deus o fez força e sabedoria, para que conheçamos nosso dever e o cumpramos. Ele é o maravilhoso Conselheiro, e concede a graça que é a única verdadeira sabedoria. Ele é o próprio entendimento, e dá força a todos os que se fortalecem nele.
A verdadeira religião oferece o melhor conselho nos casos difíceis e ajuda a tornar claro o caminho correto. Onde ela está presente, ali há entendimento e força. Ela será tudo o que precisamos tanto para servir quanto para sofrer. Quando a Palavra de Deus habita ricamente numa pessoa, torna-a completa e perfeitamente habilitada para toda boa palavra e obra. Reis, príncipes e juízes precisam de sabedoria e força mais do que a maioria, porque devem exercer fielmente a responsabilidade que lhes foi confiada e tornar-se bênção para o povo que governam.
Por isso a Sabedoria diz: “Por mim reinam os reis” (Provérbios 8:15, Provérbios 8:16). O governo civil é uma instituição divina, e os que exercem autoridade recebem sua comissão de Cristo. Isso faz parte de seu ofício real: por meio dele reinam os reis, pois o seu poder provém daquele a quem todo juízo foi entregue. Eles reinam por Ele, e por isso devem reinar para Ele.
Quaisquer dons que os governantes tenham para governar, devem-nos à graça de Cristo. Ele lhes dá o espírito de governo, e eles não têm habilidade nem princípios de justiça senão o que Ele lhes concede. “A sentença divina está nos lábios do rei”, e os reis são para o seu povo aquilo que Ele os faz ser. A religião também é um grande apoio ao governo civil. Ela ensina aos súditos o seu dever, o que torna mais fácil aos reis governá-los. Ensina também o dever dos reis, para que governem como convém e decretem justiça, governando no temor de Deus. Aqueles que são governados pela religião são os que governam bem.
A sabedoria também torna verdadeiramente felizes todos os que a recebem e abraçam. Serão felizes no amor de Cristo, porque Ele diz: “Eu amo aos que me amam” (Provérbios 8:17). Os que amam sinceramente o Senhor Jesus Cristo serão amados por Ele com um amor especial e distinto. Ele os amará e se manifestará a eles.
Serão igualmente felizes no êxito de sua busca por Ele. Os que o buscam de madrugada, isto é, com diligência, em primeiro lugar e desde a juventude, o encontrarão. Cristo será deles, e eles serão de Cristo. Ele jamais manda alguém buscá-lo em vão.
Serão felizes ainda nas riquezas deste mundo, ou em algo muito melhor. Receberão tantas riquezas e tanta honra quanto a sabedoria infinita julgar adequado conceder-lhes (Provérbios 8:18). Estão com Cristo, que possui esses dons para dar, e se Ele nos dará ou não tais coisas deve ser deixado a seu critério. A religião às vezes contribui para que a pessoa se torne próspera e respeitada neste mundo, concedendo-lhe boa reputação, o que pode ampliar seus recursos.
As riquezas que a Sabedoria concede a seus amigos têm duas características especiais. Primeiro, são riquezas com justiça, adquiridas honestamente, não por fraude nem opressão, mas por meios lícitos, e usadas de maneira generosa, pois a esmola é chamada de justiça. Aqueles que obtêm bens pela bênção de Deus sobre o seu trabalho e têm coração disposto a fazer o bem com eles possuem riquezas e justiça. Segundo, são riquezas duradouras. As riquezas obtidas por meios vãos logo se dissipam, mas as riquezas adquiridas de modo correto permanecem, e podem ser deixadas a filhos e netos. O que é bem empregado em piedade e caridade está aplicado no melhor rendimento e permanecerá. Os amigos feitos por meio das riquezas de injustiça, quando estas falharem, nos receberão nos tabernáculos eternos (Lucas 16:9). Isso será encontrado depois de muitos dias, porque esses dias são os dias da eternidade.
Se alguém não recebe riquezas e honra neste mundo, o que recebe pela sabedoria é ainda muito melhor. A Sabedoria diz: “Meu fruto é melhor do que o ouro, e o que produzo é mais valioso do que a prata fina” (Provérbios 8:19). Seu fruto vale mais do que o melhor ouro, porque rende mais e dura mais. Até mesmo a sua renda, aquilo que dela provém dia a dia, é melhor do que a prata mais refinada.
Os crentes são também felizes agora na graça de Deus, e essa graça os guia no caminho certo (Provérbios 8:20). Este é um dos dons da sabedoria que são melhores do que o ouro ou o ouro refinado. Ela nos conduz pelo caminho da justiça, mostra-nos essa vereda e vai adiante de nós nela. Mantém-nos no meio da estrada correta e nos preserva de nos desviar para qualquer lado. Como diz o antigo provérbio, a virtude está no meio. Cristo, por seu Espírito, guia os crentes em toda a verdade, de modo que andam em justiça e seguem o Espírito.
Serão também felizes na glória de Deus na vida futura (Provérbios 8:21). A sabedoria guia nas veredas da justiça não apenas para conservar seus amigos em obediência, mas também para lhes dar uma herança duradoura e encher os seus tesouros. As coisas deste mundo não podem fazer isso, e nada menos do que Deus e o céu é capaz disso. A felicidade dos que amam a Deus e se entregam ao seu serviço é real e satisfatória.
Essa felicidade é substancial, ou seja, sólida e permanente, não depende de confortos exteriores. As coisas espirituais e eternas são as únicas verdadeiramente reais. A alegria em Deus é alegria verdadeira, bem fundamentada e forte. As promessas de Deus são a sua garantia, Cristo é o fiador que assegura o que foi prometido, e ambos são fundamentos firmes para a esperança. Eles herdam substância, isto é, sua herança futura é real e duradoura, um peso de glória (Hebreus 10:34).
Ela também é satisfatória. A recompensa não apenas enche as mãos, mas enche os tesouros. Não apenas sustenta a vida, mas enriquece de verdade. As coisas deste mundo podem até encher o estômago de uma pessoa (Salmo 17:14), porém não conseguem encher os tesouros da alma, porque não podem garantir bens duradouros, nem sequer por muitos anos. Alguém pode perdê-los antes do anoitecer.
Mas Deus, Cristo e o céu podem encher a alma tanto quanto ela pode ser preenchida. Nas promessas da Sabedoria, os crentes têm bens guardados, não para alguns dias ou anos, mas para a eternidade. Por isso, o fruto dela é melhor do que o ouro.
Deste capítulo
Provérbios 8:1
"Por acaso, a Sabedoria não clama, e a inteligência não eleva a sua voz?"
Provérbios 8:2
"No cume das montanhas ela se coloca e também nas encruzilhadas dos caminhos."
Provérbios 8:3
"Ergue sua voz na entrada das torres, junto às portas, nas proximidades da cidade."
Provérbios 8:4
"“É a vocês, ó homens, que eu apelo; minha voz se dirige aos filhos dos homens."
Provérbios 8:5
"Ó simples, aprendam a prudência; adquiram inteligência, ó insensatos."
Provérbios 8:6
"Prestem atenção, pois! Anuncio a vocês coisas magníficas; de meus lábios só sairá retidão,"
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