Versículo em destaque
Filipenses 2:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum estímulo caridoso, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, "
Filipenses 2:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum estímulo caridoso, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão,
2 completem a minha alegria, permanecendo unidos. Tenham o mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos.
3 Não façam nada por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade ensine vocês a considerar os outros superiores a vocês mesmos.
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O apóstolo continua neste capítulo de onde havia parado no anterior, dando mais orientações sobre o dever cristão. Ele exorta com força os crentes a terem um só modo de pensar e um espírito humilde, seguindo o exemplo do Senhor Jesus, o grande modelo de humildade e amor.
Em primeiro lugar, podemos notar o grande mandamento do evangelho que nos é imposto: amar uns aos outros. Esta é a lei do reino de Cristo, a lição de sua escola e a marca de sua família. Paulo descreve isso em Filipenses 2:2 como ter o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, o mesmo ânimo e um só sentimento. Somos concordes quando temos o mesmo amor. Os cristãos devem ser um em afeto, ainda que não consigam concordar em todos os pontos de julgamento. Esse tipo de amor está sempre ao nosso alcance, é sempre nosso dever, e é o melhor caminho para nos aproximar também no entendimento.
Ter o mesmo amor significa que o amor que somos chamados a demonstrar aos outros, os outros também devem demonstrar a nós. O amor cristão deve ser recíproco. Ame, e você será amado. Ser de um só ânimo e de um só sentimento significa não agir uns contra os outros nem correr atrás de interesses separados, mas concordar nas grandes coisas de Deus e preservar a unidade do Espírito apesar das diferenças menores.
Paulo insiste nesse dever de modo muito intenso, porque sabe como isso mostra claramente se a nossa fé é verdadeira e quanto contribui para preservar e edificar o corpo de Cristo. Ele apresenta vários motivos para o amor fraternal.
Primeiro, se há algum conforto em Cristo, então a experiência desse conforto deve se manifestar em amor uns pelos outros. A doçura que encontramos nos ensinos de Cristo deve adoçar o nosso espírito. Se esperamos conforto em Cristo, precisamos amar uns aos outros, caso contrário ficaremos decepcionados. E se não encontrarmos conforto em Cristo, onde mais o buscaremos? Os que pertencem a Cristo têm nele um forte e duradouro consolo (Hebreus 6:18; 2 Tessalonicenses 2:16) e, por isso, devem amar-se mutuamente.
Segundo, se há alguma consolação de amor, seja no amor de Deus para conosco, no nosso amor para com Deus ou no amor dos irmãos para conosco, então devemos ser concordes. Se já experimentamos essa consolação, ou desejamos experimentá-la, e se realmente cremos que o amor é uma graça consoladora, então devemos crescer nesse amor.
Terceiro, se há comunhão do Espírito, isto é, uma real comunhão com Deus e com Cristo por meio do Espírito, e uma verdadeira comunhão entre os crentes porque são movidos pelo mesmo Espírito, então devemos ser unidos no modo de pensar. O amor cristão e a concordância entre os irmãos ajudam a preservar a nossa comunhão com Deus e uns com os outros.
Quarto, se há entranháveis afetos e compaixões em Deus e em Cristo para conosco, então devemos ser compassivos uns para com os outros. Se esperamos a compaixão de Deus para nós, precisamos demonstrar compaixão entre nós. Se a misericórdia realmente pertence aos seguidores de Cristo, se todos os que são santificados têm um espírito de santa piedade e misericórdia, então isso deve aparecer claramente em nossa convivência.
Esses são argumentos fortes. Deveriam bastar para amolecer o coração mais duro e acalmar o mais inflamado.
Paulo acrescenta ainda outro motivo, a saber, o conforto pessoal que isso traria a ele: “completai o meu gozo”. É motivo de grande alegria para os ministros quando veem o povo vivendo em amor e unidade. Paulo havia sido instrumento para conduzir esses crentes à graça de Cristo e ao amor de Deus. Por isso, ele diz, em essência: se vocês receberam algum proveito da participação no evangelho, se ele trouxe algum consolo ou benefício, então completem a alegria deste pobre ministro que o anunciou a vocês.
Ele também apresenta alguns meios práticos para promover essa unidade. Não devemos fazer nada por contenda ou por vanglória, como está em Filipenses 2:3. Não há inimigo maior do amor cristão do que o orgulho e as paixões desordenadas. Quando fazemos algo com o propósito de enfrentar ou contrariar os irmãos, isso é contenda. Quando fazemos para nos exibir, isso é vanglória. Ambos destroem o amor e despertam ira que não condiz com o evangelho. Cristo veio para pôr fim à inimizade, portanto os cristãos não devem viver em espírito de oposição. Cristo veio para nos humilhar, de modo que não devemos viver em orgulho.
Devemos também, em humildade, considerar os outros superiores a nós mesmos. Isso significa ser rigoroso com as próprias falhas e generoso ao julgar as falhas alheias. Devemos perceber rapidamente nossos próprios defeitos, mas estar prontos a relevar os defeitos dos outros e a fazer julgamentos justos e caridosos a respeito deles. Devemos valorizar o bem que vemos nos outros acima do bem que enxergamos em nós mesmos, porque conhecemos melhor a nossa própria fraqueza e pecado.
Somos ainda chamados a cuidar dos interesses alheios, não por curiosidade imprópria, nem por espírito de julgamento, nem por intromissão indevida na vida dos outros, mas por amor cristão e simpatia. “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:4). Um espírito egoísta arruína o amor cristão. Não devemos olhar apenas para a nossa própria honra, conforto e segurança, mas também para as dos outros. Devemos nos alegrar com o sucesso alheio tão verdadeiramente quanto com o nosso. Precisamos amar o próximo como a nós mesmos e considerar a situação dele como se fosse nossa.
Em seguida, Paulo volta-se para o modelo do evangelho que devemos seguir, o exemplo do Senhor Jesus Cristo: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Filipenses 2:5). Os cristãos precisam ter a mente de Cristo. Se queremos o benefício de sua morte, devemos nos assemelhar à sua vida. Se não temos o Espírito de Cristo, não pertencemos a ele (Romanos 8:9). E qual foi o sentimento de Cristo? Ele foi profundamente humilde, e isso é o que especialmente precisamos aprender dele. “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). Se fôssemos humildes, também seríamos unidos. E se fôssemos parecidos com Cristo, certamente seríamos humildes.
Devemos andar no mesmo espírito e seguir as mesmas pisadas do Senhor Jesus. Ele se humilhou para sofrer e morrer por nós, não apenas para satisfazer a justiça de Deus e pagar o preço da nossa redenção, mas também para deixar um exemplo a ser imitado. Aqui o apóstolo apresenta tanto as duas naturezas quanto os dois estados do nosso Senhor Jesus. É apropriado que, ao mencionar Cristo e o sentimento que houve nele, ele se alongue em uma descrição mais completa de sua pessoa. Este é um assunto precioso, e um ministro do evangelho não foge do seu chamado quando fala sobre ele.
Primeiro, vemos as duas naturezas de Cristo, sua natureza divina e sua natureza humana. Sua natureza divina é descrita assim: “que, sendo em forma de Deus” (Filipenses 2:6), isto é, ele participava da natureza divina como o Filho eterno e unigênito de Deus. Isso está de acordo com (João 1:1), que declara que no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus. É a mesma ideia de ser a imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15) e o resplendor da glória de Deus e a expressa imagem do seu Ser (Hebreus 1:3). Ele não considerou usurpação ser igual a Deus, ou seja, não se via como alguém culpado de tomar para si o que não lhe pertencia, nem de se apossar de um direito alheio. Ele dizia: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30).
Para qualquer pessoa ou criatura simples, seria o mais alto tipo de roubo reivindicar igualdade com Deus ou dizer que é uma só coisa com o Pai. Isso seria roubar de Deus, não os dízimos e as ofertas, mas os direitos que pertencem à sua natureza divina (Malaquias 3:8).
Alguns entendem “sendo em forma de Deus” como referência às manifestações de Cristo em majestade e glória divina aos patriarcas e aos judeus no Antigo Testamento. Essa aparição gloriosa era muitas vezes chamada de glória, ou Shekinah, a presença especial de Deus. A palavra é usada de modo semelhante na versão grega do Antigo Testamento e no Novo Testamento. Ele apareceu aos dois discípulos “em outra forma” (Marcos 16:12) e foi transfigurado diante deles (Mateus 17:2).
A expressão “não teve por usurpação ser igual a Deus” também pode significar que ele não agarrou essa glória de modo ganancioso, nem procurou retê-la de forma orgulhosa. Ele deixou de lado a majestade exterior de sua anterior manifestação enquanto esteve na terra. Essa é provavelmente a ideia principal da expressão usada aqui, ainda que haja divergências quanto ao seu exato sentido.
Sua natureza humana vem em seguida. Ele foi feito em semelhança de homens e achado na forma de homem. Ele foi verdadeiro e realmente homem, participante de carne e sangue como nós, e apareceu na natureza e vida de um homem. Ele assumiu a natureza humana voluntariamente, por seu próprio ato e consentimento. Isso não podemos dizer de nossa própria natureza humana, pois não escolhemos recebê-la. Dessa maneira, ele esvaziou a si mesmo, pondo de lado as honras e a glória do mundo superior e da sua forma anterior, e revestindo-se da condição humilde da vida humana. Em tudo foi semelhante a nós (Hebreus 2:17).
Aqui vemos os dois estados de Cristo: humilhação e exaltação. Na sua humilhação, Ele não apenas tomou a semelhança e aparência de homem, mas também a forma de servo, isto é, colocou-Se no lugar de alguém humilde. Ele não foi somente o Servo de Deus, aquele que o Pai escolheu; veio também para servir às pessoas e viveu entre elas como quem serve, num lugar de humildade e necessidade. Talvez alguém pensasse que, se o Senhor Jesus se fizesse homem, viria como um príncipe e apareceria em esplendor. Mas aconteceu exatamente o contrário: Ele tomou a forma de servo.
Foi criado em um lar pobre e, muito provavelmente, trabalhou com José, o que era tido por seu pai, em seu ofício. Toda a sua vida foi marcada por humildade, condição baixa, pobreza e vergonha aos olhos do mundo. Não tinha onde reclinar a cabeça, vivia de dádivas de outros, era o homem de dores e experimentado nos sofrimentos, e não se apresentava com glória exterior ou qualquer sinal especial que o distinguisse dos demais homens. Essa foi a humilhação de sua vida.
Mas o ponto mais baixo de sua humilhação foi a sua morte na cruz. Ele tornou-Se obediente até à morte, e morte de cruz. Não apenas sofreu, mas obedeceu de forma voluntária. Obedeceu à lei debaixo da qual Se colocou como Mediador, aquele que se coloca entre Deus e os homens, e por essa lei estava obrigado a morrer. “Tenho poder para dar a minha vida e poder para tornar a tomá-la; este mandamento recebi de meu Pai” (João 10:18). “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4:4).
Dá-se um peso especial ao modo como Ele morreu, porque tudo nisso foi humilhante. Foi morte de cruz, uma morte maldita, dolorosa e vergonhosa. A lei declarava maldito todo aquele que fosse pendurado num madeiro. Era uma morte cheia de dor, com o corpo pregado pelas mãos e pelos pés e pendendo com todo o peso sobre a cruz. Era também a morte de um criminoso e de um escravo, não de um homem livre, e era pública, exposta à vista de todos. Tal foi a humilde condescendência do bendito Jesus.
Segue-se a sua exaltação: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente”. Sua exaltação foi a recompensa de sua humilhação. Porque Ele Se humilhou, Deus O exaltou, e O exaltou grandemente. Isso elevou a sua pessoa inteira, tanto a natureza humana quanto a divina, pois Paulo fala dEle como estando em forma de Deus e também em forma de homem. Quanto à natureza divina, isso só pode significar o reconhecimento público de seus direitos, ou a manifestação da glória que Ele tinha junto ao Pai antes que o mundo existisse (João 17:5), não a aquisição de uma nova glória. Nesse sentido, até mesmo o Pai é dito como sendo exaltado.
Mas a exaltação própria recai sobre sua natureza humana, que é a parte capaz de ser exaltada, ainda que unida para sempre à natureza divina. Aqui, sua exaltação é mostrada em honra e poder. Em honra, Ele recebeu um nome que está acima de todo nome, um título de dignidade acima de todas as criaturas, tanto homens quanto anjos. Em poder, todo joelho deve se dobrar diante dEle. Toda a criação deve ser sujeita a Ele: as coisas nos céus, na terra e debaixo da terra, isto é, os habitantes do céu e da terra, vivos e mortos.
“Ao nome de Jesus” não significa apenas o som da palavra, mas a autoridade de Jesus. Todos devem prestar-Lhe honra solene. E toda língua deve confessar que Jesus Cristo é o Senhor. Toda nação e língua deve reconhecer abertamente o domínio universal do Redentor exaltado, e que todo o poder no céu e na terra Lhe foi dado (Mateus 28:18). Observa-se assim a extensão do reino de Cristo: alcança céus e terra, e todas as criaturas em ambos, anjos e homens, mortos e vivos.
Tudo isso redunda em glória para Deus Pai. Glorifica o Pai quando as pessoas confessam que Jesus Cristo é o Senhor, porque é vontade do Pai que todos honrem o Filho como honram o Pai (João 5:23). Toda honra dada a Cristo traz honra ao Pai. “Quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou” (Mateus 10:40).
Deste capítulo
Filipenses 2:2
"completem a minha alegria, permanecendo unidos. Tenham o mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos."
Filipenses 2:3
"Não façam nada por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade ensine vocês a considerar os outros superiores a vocês mesmos."
Filipenses 2:4
"Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, mas os dos outros."
Filipenses 2:5
"Dediquem uns aos outros a estima que se deve em Cristo Jesus."
Filipenses 2:6
"Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus,"
Filipenses 2:7
"mas aniquilou a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se semelhante aos homens."
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