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Miqueias 6:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" A voz do Senhor eleva-se contra a cidade — é sabedoria temer o nome de vocês. Ouça, tribo; ouça, assembleia da cidade. "

Miqueias 6:9

menu_book Versículo no contexto

7 Por acaso, agradará ao Senhor com milhares de carneiros ou com milhões de torrentes de óleo? Eu lhe sacrificarei, pela minha maldade, o meu primogênito, o fruto das minhas entranhas, por meus próprios pecados?”

8 Já lhe foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de você: que pratique a justiça, que ame a bondade e que ande com humildade diante do seu Deus.

9 A voz do Senhor eleva-se contra a cidade — é sabedoria temer o nome de vocês. Ouça, tribo; ouça, assembleia da cidade.

10 Ainda haverá na casa do ímpio tesouros mal adquiridos e um efá diminuído e maldito?

11 Pode-se ser inocente com balanças falsas e com um saco cheio de pesos enganosos?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Deus já lhes havia mostrado como era necessário fazer o que é justo. Agora ele lhes mostra com que clareza eles tinham procedido mal. Como não quiseram resolver a questão do modo correto, ele continua a denúncia contra eles.

Primeiro, note como a acusação é apresentada em (Miquéias 6:9). Deus fala à cidade, a Jerusalém e Samaria, por meio de seus servos, os profetas, que deviam clamar sem poupar. A voz dos profetas é, na verdade, a voz do Senhor clamando à cidade e ao campo. A sabedoria também clama (Provérbios 8:1). Quando o pecado de uma cidade clama até Deus, a voz de Deus clama contra essa cidade. E quando os juízos de Deus estão próximos, sua voz primeiro adverte a cidade. Ele avisa antes de ferir, porque não tem prazer na perdição de ninguém.

Alguns reconhecem que é Deus quem está falando. “O que é sábio verá o teu nome.” Quando a voz de Deus vem a nós, podemos ver o seu nome nela, isto é, reconhecer quem ele é pelo que ele diz. Muitos não veem isso porque não prestam atenção. Deus fala uma vez, e outra vez, e eles não atentam (Jó 33:14). Mas os sábios, sim, prestam atenção. Eles entendem e aproveitam bem essa voz. É verdadeira sabedoria ver o nome de Deus na voz de Deus e aprender quem ele é a partir do que ele diz. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”, e o conhecimento do Santo traz entendimento.

A voz de Deus também traz uma palavra para todos: “Ouvi a vara, e quem a ordenou.” Ouça a vara antes que ela venha, enquanto ainda está à distância, antes que você a veja e sinta. Deixe-se mover a encontrar-se com o Senhor no caminho de seus juízos. Ouça a vara quando ela já chegou e você sente a dor dela. Preste atenção ao que ela lhe diz, aos avisos, correções e chamados ao arrependimento que ela traz. Toda vara tem uma voz, e devemos ouvir a voz de Deus na disciplina de Deus. Isso só acontece quando olhamos para aquele que a enviou. Toda vara é ordenada: o tipo de aflição, onde cairá, por quanto tempo permanecerá. Em toda angústia Deus faz o que já foi determinado para nós (Jó 23:14), e precisamos ouvir o que ele nos fala por meio dela. “Ouve isto, e considera-o bem, para teu proveito” (Jó 5:27). Os ministros de Deus existem para explicar a providência e ajudar o povo a aprender as lições que ela ensina.

Em seguida, note os fundamentos da acusação e de que eles são acusados. Primeiro, são acusados de injustiça, pecado contra a segunda tábua da lei de Deus, aquela que trata do nosso relacionamento com o próximo. Ainda haverá, no meio deles, sinais e instrumentos de engano? Depois de todos os modos pelos quais Deus procurou ensiná-los a fazer o que é certo, ainda lidarão de forma desonesta? Parece que sim (Miquéias 6:10). E Deus os considerará limpos? Não. Esse é um pecado que não combina com nenhuma pretensão de pureza. Aqueles que são desonestos em seus negócios não trazem as marcas de filhos de Deus, e nunca serão tidos por puros, por mais religiosos que pareçam. Não se deixe enganar: Deus não se deixa escarnecer.

Quando alguém é suspeito de furto ou fraude, a justiça pode mandar vasculhar a casa. Aqui, é como se Deus mesmo revistasse as casas desses cidadãos. Ali ele encontra “tesouros de impiedade”, muita riqueza, mas riqueza obtida de maneira má e, portanto, sem perspectiva de prosperar. Tesouros conquistados pela injustiça não aproveitam. Ele encontra uma medida pequena, com a qual vendiam aos pobres e os enganavam. Ele encontra balanças fraudulentas e um saquinho com pesos falsos; assim, fingindo pesar com honestidade e dar ao comprador o que era justo, na verdade causavam grande prejuízo (Miquéias 6:11). Os que tinham riqueza e poder os usavam para oprimir outros e arrancar-lhes o que podiam. Os ricos entre eles estavam cheios de violência, tanto no sentido de que suas casas estavam cheias de bens adquiridos pela violência, como no sentido de que seus corações se inclinavam a ainda mais violência. Mesmo os que não tinham grande riqueza ainda buscavam meios de enganar aqueles com quem lidavam. Falavam mentiras; se não podiam usar a força, usavam o engano. Não hesitavam em dizer mentiras deliberadas para obter vantagem em uma negociação. Alguns entendem também que isso inclui falar falsamente sobre Deus, dizendo: “O Senhor não vê; o Senhor abandonou a terra” (Ezequiel 8:12).

Em segundo lugar, são acusados de idolatria. “Os estatutos de Onri são observados, e toda a obra da casa de Acabe.” Onri e Acabe, reis de Israel, foram ambos ímpios. A maldade especial que instituíram por lei foi a idolatria, o culto a falsos deuses. Onri andou no caminho de Jeroboão e no seu pecado de provocar o Senhor com ídolos (1 Reis 16:26, 31). Acabe introduziu o culto a Baal. Esses reinados tinham ocorrido muitos anos antes da época de Miquéias, mas o mal que estabeleceram ainda continuava. Seus estatutos ainda eram guardados, suas obras ainda eram praticadas. Os príncipes e o povo ainda seguiam seus planos, usavam os mesmos métodos e se guiavam pelas mesmas políticas.

Isso mostra como o pecado se mantém de geração em geração. O pecado é como uma raiz amarga, plantada rapidamente e difícil de arrancar. Os pecados de tempos passados costumam ser transmitidos e deixados como herança aos tempos futuros. Aqueles que fazem leis corruptas e introduzem costumes corruptos podem estar acumulando problemas para filhos que ainda nem nasceram. E esse mal não é menos pecaminoso, nem menos ofensivo a Deus, nem menos perigoso para os pecadores, por ter apoio de leis reais, de grandes exemplos e de longa tradição. Mesmo que a idolatria seja ordenada pelos estatutos de Onri, louvada pela casa de Acabe e defendida como costume antigo, ainda assim desagrada a Deus e destrói Israel. Nenhuma lei e nenhum costume podem se opor ao mandamento de Deus.

Em terceiro lugar, vem o juízo pronunciado contra eles. Visto que são culpados desses pecados, a sentença é que a própria desgraça com que Deus os havia ameaçado cairia sobre eles. “Portanto, também eu te enfraquecerei, ferindo-te.” Assim como eles feriram o pobre com a vara da opressão, Deus os feriria do mesmo modo, até que se tornassem doentes com os ganhos injustamente acumulados. Tinham engolido riquezas, mas seriam obrigados a vomitá-las de novo (Jó 20:15). Este é o castigo: o que possuem não lhes trará consolo. Não lhes fará bem algum.

Tinham ajuntado mais do que o suficiente, mas, quando o possuíssem, ainda assim não seriam satisfeitos. Riqueza adquirida por fraude e opressão não pode ser guardada nem desfrutada com verdadeira paz. O alimento não os sustentaria. Comeriam, mas não se saciariam, seja porque o alimento não se digere sem a bênção de Deus, seja porque alguma doença faria com que a fome nunca se acalmasse.

Alguém pode ter em abundância os bens deste mundo e ainda assim não se satisfazer (Eclesiastes 5:10; Isaías 55:2). A terra deles também não lhes serviria de proteção. “A tua humilhação estará no meio de ti” significa que seriam arruinados por problemas internos, com desordem suficiente dentro de suas próprias fronteiras para derrubá-los, ainda que nenhum exército estrangeiro os atacasse. Deus pode fazer uma nação cair pelo mal que já está dentro dela, como se um fogo queimasse em seu próprio coração.

Eles também não conseguiriam preservar seus bens dos inimigos, nem recuperar o que perdessem. Poderiam agarrar o que estava prestes a ser tirado, mas não o reteriam. Tentariam salvar esposas e filhos, que lhes eram tão queridos, mas mesmo assim eles iriam para o exílio. O que mais nos é caro é muitas vezes o que primeiro perdemos, e o que mais amamos é frequentemente o que menos segurança tem.

O que escapasse de um inimigo seria entregue a outro. Deus tem muitas flechas em sua aljava; se uma não atinge o pecador, a próxima o alcançará. Também aquilo por que tinham trabalhado lhes escaparia das mãos. Semeiam, mas não colhem, porque a colheita seria destruída, tomada pelos inimigos ou deixada para trás quando fossem levados cativos.

Pisariam as azeitonas, mas não se ungiriam com o azeite; pisariam as uvas, mas não beberiam o vinho. Muitas coisas podem acontecer entre o copo e os lábios. É doloroso ser frustrado depois de duro trabalho e não desfrutar o fruto do próprio esforço. Esse é o castigo justo para os que frustram o desígnio de Deus para eles e não correspondem ao cuidado que ele lhes dispensou. A lei já advertira sobre isso (Levítico 26:16; Deuteronômio 28:30, 38), e também Isaías (Isaías 62:8, 9).

Por fim, tudo o que possuíam lhes seria tirado. Seriam postos em desolação por causa de seus pecados e se tornariam lugar de ruína e escárnio (Miquéias 6:13, 16). O pecado torna uma nação desolada. Quando um povo outrora famoso e próspero é devastado, alguns se espantam e se entristecem, enquanto outros zombam de sua queda. Então eles carregam a vergonha de terem sido conhecidos como o povo de Deus.

Ser o povo de Deus de nome e em profissão exterior já tinha sido uma honra para eles, enquanto permaneceram fiéis ao seu dever e viveram em seu amor. Os vizinhos viam isso como um grande privilégio. Mas agora eles se arruinaram pelo pecado, e os juízos de Deus deixaram a terra deles desolada. Aquele mesmo título agora só aumenta a vergonha deles.

Os inimigos dirão: “Estes são o povo do Senhor” (Ezequiel 36:20). Se pessoas que professam a religião se arruinam a si mesmas, a sua ruína será a mais vergonhosa de todas. No último dia, elas ressuscitarão para vergonha e desprezo eternos.

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