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Isaías 1:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ouçam a palavra do Senhor, príncipes de Sodoma; escute a lição de nosso Deus, povo de Gomorra: "

Isaías 1:10

menu_book Versículo no contexto

8 Sião está só, como uma choupana em uma vinha, como uma choça em um pepinal, como uma cidade sitiada.

9 Se o Senhor dos exércitos não nos tivesse deixado alguns da nossa linhagem, teríamos sido como Sodoma e teríamos nos tornado como Gomorra.

10 Ouçam a palavra do Senhor, príncipes de Sodoma; escute a lição de nosso Deus, povo de Gomorra:

11 “De que me serve a multidão das vítimas de vocês?” — diz o Senhor. “Já estou farto de holocaustos de cordeiros e da gordura de novilhos cevados. Eu não quero sangue de touros e de bodes.

12 Quando vocês vêm se apresentar diante de mim, quem reclamou isto de vocês: atropelar os meus átrios?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, Deus os convoca, ainda que eles o tenham invocado em vão, para ouvirem a sua palavra (Isaías 1:10). O título que ele lhes dá é impressionante: “vós poderosos de Sodoma; ... povo de Gomorra”. Isso mostra como teria sido justo Deus tratá‑los como Sodoma e Gomorra em ruína, já que se tornaram semelhantes a essas cidades no pecado (Isaías 1:9). O povo de Sodoma era mau e grandemente pecador diante do Senhor (Gênesis 13:13), e Judá se parecia muito com eles. Quando os governantes são corruptos, não surpreende que o povo também o seja.

O profeta repreende abertamente os líderes, chamando‑os de príncipes de Sodoma, porque não sabia falar lisonjas. A tradição judaica diz que depois ele foi acusado por isso e morto como alguém que teria amaldiçoado os deuses e falado contra o governante de seu povo. A exigência de Deus é muito razoável: “Ouvi a palavra do Senhor, ... dai ouvidos à lei do nosso Deus”. Eles deviam prestar atenção ao que Deus dizia e tratar a sua palavra como regra para a vida.

Deus, então, com justiça recusa ouvir suas orações ou aceitar o culto deles: seus sacrifícios e holocaustos, a gordura e o sangue (Isaías 1:11), sua presença nos átrios (Isaías 1:12), suas ofertas, incenso e reuniões solenes (Isaías 1:13), suas luas novas e festas fixas (Isaías 1:14), e até mesmo suas orações mais fervorosas (Isaías 1:15). Tudo isso é rejeitado porque suas mãos estão cheias de sangue. Muitos são estranhos ao poder da verdadeira religião, até inimigos dela, mas são zelosos pela sua forma externa. Esse povo levava sacrifícios ao altar do Deus de Israel, não a deuses falsos. Trazia muitas ofertas, tantas quantas a lei pedia e talvez até mais.

Eles não levavam animais fracos ou defeituosos, mas animais bem nutridos e as partes gordas, o melhor que tinham. Não mandavam outros em seu lugar, mas iam pessoalmente se apresentar diante de Deus. Observavam os lugares e tempos certos: os átrios do Senhor, as luas novas, os sábados e as festas determinadas. Parece até que convocavam reuniões extras de culto. Também oravam, e oravam com frequência, pensando ser ouvidos pela quantidade de palavras. Estendiam as mãos como se estivessem profundamente intensos na oração. Pela aparência externa, pareciam um povo devoto.

Mas o coração deles estava vazio de verdadeira devoção. Iam para comparecer diante de Deus, ou, como indica o sentido, para serem vistos diante dele. Paravam na casca externa da religião e se preocupavam principalmente em aparecer. Não iam além do que o olhar humano podia perceber. Ao mesmo tempo, suas mãos estavam cheias de sangue. Eram culpados de homicídio, roubo e opressão, fingindo agir em nome da lei e da justiça. O povo derramava sangue, e os governantes não castigavam. Os governantes derramavam sangue, e o povo os apoiava, como os anciãos de Jezreel apoiaram Jezabel na morte de Nabote. Aos olhos de Deus, o ódio no coração também é homicídio; assim, quem odeia o seu irmão, na prática, tem as mãos cheias de sangue.

Quando as pessoas estão debaixo dos juízos de Deus, muitas vezes correm para os deveres religiosos com mais rapidez do que abandonam seus pecados. A terra deles estava devastada e as cidades queimadas (Isaías 1:7), e isso os levou a trazer sacrifícios e ofertas com mais regularidade do que antes. Era como se esperassem subornar o Todo‑Poderoso para que tirasse o castigo, deixando‑os continuar em seus pecados. “Quando os matava, então o buscavam” (Salmo 78:34). Na angústia, “te buscaram” (Isaías 26:16). Muitos estão dispostos a abrir mão dos sacrifícios, mas não estão dispostos a abrir mão dos seus pecados.

O culto caro e impressionante de pessoas ímpias, sem verdadeira mudança de coração e de vida, não agrada em nada a Deus. As Escrituras mostram de muitas formas que a obediência é melhor do que o sacrifício. Na verdade, sacrifício sem obediência é vazio, insultante e provocador para Deus. A maneira como Deus aqui diminui o valor do culto cerimonial também aponta para o que aconteceria depois, quando a morte de Cristo poria fim a esses rituais. O que então foi colocado de lado, mais tarde seria abolido. “Sacrifício e oferta, e oração por meio deles, não quiseste; então eu disse: Eis‑me aqui, venho.”

Seus sacrifícios são descritos como inúteis e vazios. “De que me serve a multidão de vossos sacrifícios?”, pergunta Deus (Isaías 1:11). São ofertas vãs (Isaías 1:13). “Em vão me adoram” (Mateus 15:9). A atenção que davam às ordenanças de Deus era esforço desperdiçado e não trazia bom resultado. Não era considerada dever e obediência verdadeiros a Deus, porque eles não tinham a Deus em vista quando traziam essas ofertas. Além disso, Deus não está se dirigindo aqui aos obedientes, mas àqueles cujas mãos estavam cheias de sangue e que permaneciam impenitentes.

As ofertas deles também não alcançavam o favor de Deus. Ele não se agradava do sangue de seus sacrifícios porque não era honrado por meio deles. E eles não obteriam alívio algum da parte dele. Oravam, mas Deus não os ouvia, porque alimentavam o mal no coração (Salmo 66:18). Ele não os livraria, porque suas muitas orações não vinham de um coração íntegro. Todo o serviço religioso deles não lhes trazia nenhum bem.

Mais do que isso, o culto deles era odioso e ofensivo a Deus. Ele não apenas se recusava a aceitá‑lo, como o detestava. “São sacrifícios de vocês, não meus. Estou cansado disso.” Ele não precisava deles (Salmo 50:10). Não os queria. Já tinha deles o bastante, mais do que o suficiente.

O comparecimento deles nos átrios de Deus é chamado de pisar, ou esmagar, os átrios. Até mesmo a presença deles no culto era tratada como afronta a Deus. Seu incenso, por mais perfumado que fosse, era detestável, porque era queimado em hipocrisia e com intenções perversas.

Ele não suportava as assembleias solenes deles. A reunião em si não era má, mas o modo como a conduziriam a tornava pecaminosa. Alguns entendem isso como “aborrecimento”, uma provocação a Deus, pois tratavam as coisas santas como se fossem comuns. “A minha alma as aborrece”, é o sentido do que Deus declara. “São para mim um peso, estou cansado de suportá‑las.”

Deus nunca se cansa de ouvir as orações dos retos, mas logo se cansa dos sacrifícios caros dos ímpios. Ele desvia os olhos das orações deles, porque as rejeita e está irado contra eles. Isso mostra, primeiro, quão odioso o pecado é para Deus. É tão odioso que torna até orações e culto algo detestável para ele. E mostra, segundo, que a religião falsa é pecado em dobro. A hipocrisia no culto está entre as coisas mais ofensivas para o Deus do céu.

Jerônimo aplica isso aos judeus do tempo de Cristo. Eles alegavam grande zelo pela lei e pelo templo, mas tornaram a si mesmos e todo o seu culto detestáveis a Deus. Fizeram isso enchendo as mãos com o sangue de Cristo e de seus apóstolos, e assim completaram a medida de seus pecados.

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