Versículo em destaque
Mateus 9:27 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Quando Jesus partiu dali, dois cegos o seguiram, gritando: “Filho de Davi, tem piedade de nós!”. "
Mateus 9:27
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
25 Tendo a multidão saído, ele entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou.
26 Essa notícia se espalhou por toda a região.
27 Quando Jesus partiu dali, dois cegos o seguiram, gritando: “Filho de Davi, tem piedade de nós!”.
28 Jesus entrou numa casa, e os cegos se aproximaram dele. Disse-lhes: “Vocês creem que eu posso fazer isso?” — “Sim, Senhor” —, responderam eles.
29 Então ele tocou nos olhos deles, dizendo: “Que seja feito a vocês segundo a fé de vocês”.
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Nestes versículos vemos mais dois milagres realizados juntos pelo nosso Salvador. O primeiro é o dom da visão concedido a dois cegos (Mateus 9:27-31). Cristo é a fonte tanto da luz quanto da vida. Ao ressuscitar mortos, ele mostra ser o mesmo que, no princípio, soprou vida no homem. Ao dar vista aos cegos, mostra ser o mesmo que, no princípio, ordenou que a luz brilhasse nas trevas.
Percebe-se, em primeiro lugar, com quanta urgência aqueles cegos se aproximaram de Cristo. Ele saía da casa do chefe e ia em direção à sua hospedagem, e esses cegos o seguiam, clamando repetidas vezes, como pedintes costumam fazer (Mateus 9:27). Aquele que cura enfermidades com tanta facilidade, de forma tão completa e sem cobrar nada, inevitavelmente será muito buscado. De certa forma, ele já era conhecido como alguém que curava os olhos.
Note-se também o título que eles lhe dão: “Filho de Davi, tem compaixão de nós”. A promessa de que o Messias viria da linhagem de Davi era bem conhecida, e por isso o Messias era muitas vezes chamado de Filho de Davi. Naquele tempo, em geral, esperava-se que ele estivesse para aparecer. Aqueles cegos sabiam disso, admitiam e proclamavam pelas ruas de Cafarnaum que o Messias havia vindo, e que era ele. Isso torna ainda maior o pecado e a insensatez dos principais sacerdotes e fariseus, que o negaram e se opuseram a ele. Eles não podiam vê-lo nem ver seus milagres, mas a fé vem pelo ouvir. Os que são privados da visão física ainda podem, pela graça de Deus, ter o entendimento aberto para enxergar as grandes coisas de Deus, que ficam ocultas aos sábios e entendidos.
Observe-se o pedido deles: “Tem compaixão de nós.” Estava profetizado que o Filho de Davi seria misericordioso (Salmo 72:12-13), e nele resplandece “a entranhável misericórdia do nosso Deus” (Lucas 1:78). Quaisquer que sejam nossas necessidades e fardos, nada mais precisamos para sustento e socorro além de uma parte na misericórdia do nosso Senhor Jesus. Quer ele nos cure ou não, se tiver misericórdia de nós, isso nos basta. Quanto à forma exata que sua misericórdia assume, podemos deixá-la com segurança à sua sabedoria. Eles não falaram cada um por si, dizendo “tem compaixão de mim”, mas juntos disseram: “tem compaixão de nós”. Isso é adequado para os que estão debaixo do mesmo sofrimento, pois devem unir-se nas mesmas orações por alívio. Companheiros de dor devem ser companheiros de súplica. Em Cristo há suficiência para todos.
Perceba também a persistência deles em pedir. Eles o seguiam, clamando. Parece que ele não lhes respondeu de imediato, porque queria pôr à prova a fé deles, que ele sabia ser forte. Também queria estimular ainda mais suas orações e fazer com que suas curas fossem mais valorizadas, por não serem sempre concedidas ao primeiro pedido. Assim ele nos ensina a perseverar na oração, a não desanimar, a esperar pela resposta e a acompanhar a providência, mesmo quando parece ignorar ou contrariar nossas súplicas. Cristo não quis curá-los ali, em público, na rua, porque tencionava manter essa cura em âmbito mais reservado (Mateus 9:30). Mas, quando entrou em casa, eles o seguiram e chegaram até ele. A porta de Cristo está sempre aberta para os que creem e continuam a pedir com insistência. Talvez parecesse ousadia entrar na casa atrás dele, quando ele desejava recolher-se, mas nosso Senhor Jesus é tão benigno que eles não foram mais ousados do que bem-vindos.
Então Cristo deles extraiu uma confissão de fé. Quando se aproximaram pedindo misericórdia, ele perguntou: “Credes vós que eu posso fazer isto?” A fé é a grande condição para receber as bênçãos de Cristo. Quem deseja a misericórdia de Cristo deve confiar firmemente em seu poder. Aquilo que lhe pedimos que faça, precisamos estar plenamente certos de que ele é capaz de fazer. Eles tinham seguido a Cristo e clamado a ele, mas a questão principal era: “Vocês creem?” A natureza pode tornar alguém insistente, mas só a graça pode produzir fé. Bênçãos espirituais são recebidas apenas pela fé. Eles já tinham demonstrado crer em Cristo como o Filho de Davi e em sua misericórdia, mas agora Cristo requer também uma confiança explícita em seu poder. “Vocês creem que eu posso fazer isto”, isto é, dar vista aos cegos, assim como cura coxos e ressuscita mortos? É bom que a fé seja específica, aplicando o poder e as promessas gerais de Deus às nossas necessidades particulares. Se todas as coisas cooperam para o bem, esta necessidade também cooperará para o bem.
Quando Cristo lhes pergunta se creem que ele pode fazer aquilo, pergunta mais do que se ele poderia orar a Deus como um profeta e ser ouvido. Ele está perguntando se creem que ele pode fazê-lo por seu próprio poder. Isso aponta para a fé nele não apenas como Filho de Davi, mas como Filho de Deus. Abrir os olhos aos cegos é um poder peculiar de Deus (Salmo 146:8); ele é quem faz o olho que vê (Êxodo 4:11). Jó foi “olhos para o cego”, isto é, ajudava os cegos como alguém que podia ver por eles (Jó 29:15), mas não podia dar-lhes a visão. A mesma pergunta alcança a nós: cremos que Cristo é capaz de nos socorrer pelo poder de seus méritos e intercessão no céu, por seu Espírito e graça no coração e por sua providência e governo no mundo? Crer no poder de Cristo não é apenas admitir que ele existe, mas apoiar-se nesse poder e tirar coragem dele.
Eles responderam prontamente, sem hesitação: “Sim, Senhor”. Embora ele os tivesse deixado esperando e não os tivesse ajudado de imediato, consideraram isso honestamente como sabedoria, não fraqueza. Continuaram a confiar em sua capacidade. As riquezas de misericórdia armazenadas no poder de Cristo são distribuídas e operam em favor dos que nele confiam (Salmo 31:19).
Então Cristo os curou, tocando-lhes os olhos (Mateus 9:29). Fez isso para fortalecer a fé que havia provado pela demora, e para mostrar que ele dá vista às almas cegas mediante a obra de sua graça junto com a palavra, como se aplicasse colírio espiritual aos olhos. Ele vincula a cura à fé deles: “Seja-vos feito segundo a vossa fé”. Quando pediram a cura, ele primeiro examinou a fé deles (Mateus 9:28), perguntando: “Credes vós que eu posso fazer isto?” Ele não perguntou se tinham dinheiro para pagar, nem se sua reputação se tornaria mais respeitável depois da cura. Perguntou sobre a fé. Agora que eles tinham declarado abertamente essa fé, fez a bênção depender dela. Em outras palavras, ele diz: “Eu sei que vocês creem, e o poder em que confiam será exercido a favor de vocês.” Isso mostra que ele conhece a sinceridade da fé deles e a aprova. Isso é grande consolo para os verdadeiros crentes, porque Jesus Cristo conhece a sua fé e se agrada dela. Mesmo que seja fraca, mesmo que outros não a percebam, mesmo que eles próprios a questionem, ele a conhece.
Jesus também fez da fé uma condição. Em essência, ele diz: “Se vocês creem, receberão o que estão pedindo.” Os que se aproximam de Cristo são tratados segundo a sua fé, não segundo a imaginação ou a aparência exterior, mas segundo a fé real. Os incrédulos não podem esperar favor algum de Deus, mas os verdadeiros crentes podem estar certos de toda a graça oferecida no evangelho. Nosso consolo cresce ou diminui conforme a força da nossa fé, e não somos limitados em Cristo senão quando limitamos a nós mesmos.
Jesus também ordenou que guardassem o fato em sigilo, dizendo: “Vede que ninguém o saiba” (Mateus 9:30). Deu esse mandamento para ensinar humildade. No bem que fazemos, não devemos buscar nossa própria glória, mas somente a de Deus. Devemos nos preocupar mais em ser úteis do que em ser notados, como dizem os provérbios sobre a conduta sensata e prudente (Provérbios 20:6; Provérbios 25:27). Assim Cristo age em harmonia com a própria regra que ensinou: “não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”.
Alguns entendem que Jesus também manteve esse milagre em reserva para mostrar seu desagrado em relação ao povo de Cafarnaum, que tinha visto tantos sinais e mesmo assim não creu. Quando Cristo cala aqueles que deveriam proclamar suas obras, isso é um juízo sobre um lugar ou um povo. É justo que Cristo retenha provas para aqueles que obstinadamente as rejeitam, e esconda a luz dos que fecham os olhos contra ela.
Ele também procedeu com prudência para preservar a si mesmo, pois quanto mais era celebrado, mais os governantes judeus se tornariam desconfiados de sua influência entre o povo. Um comentarista observa ainda outro motivo plausível, de grande importância. Jesus às vezes ocultava seus milagres e depois ordenava que ninguém contasse sua transfiguração, porque não queria alimentar a ideia equivocada, tão espalhada entre os judeus, de que o Messias seria apenas um rei terreno. Essa falsa esperança poderia levar o povo a tentar fazê-lo rei à força, como de fato tentaram (João 6:15). Depois de sua ressurreição, que comprovou plenamente sua missão, o seu reino espiritual foi estabelecido, aquele perigo passou, e suas obras puderam ser anunciadas a todas as nações. Observa-se ainda que os milagres que Jesus realizou entre gentios e entre os gadarenos foram permitidos ser divulgados, porque ali não existia o mesmo perigo.
Mas a honra é como uma sombra: foge de quem a persegue e segue quem dela foge (Mateus 9:31). Aqueles homens divulgaram a fama de Jesus por toda parte. O zelo deles foi maior que a prudência. O alvo era bom, mas eles agiram contra uma ordem clara, por isso sua atitude não pode ser justificada. Sempre que dizemos que buscamos a glória de Deus, precisamos ainda assim verificar se nossas ações estão de acordo com a vontade de Deus.
Em seguida vem a cura de um mudo endemoninhado. Sua condição era muito triste. Nesse caso, o demônio o tinha tornado incapaz de falar (Mateus 9:32). Isso mostra a miséria do mundo e as muitas formas que o sofrimento pode assumir. Mal acabamos de ver dois cegos, encontramos um homem mudo. Como devemos ser agradecidos a Deus pela visão e pela fala. Isso também mostra o ódio de Satanás contra a humanidade e as muitas maneiras pelas quais ele causa dano.
O silêncio deste homem vinha da possessão demoníaca, mas era melhor não poder falar do que falar como fizeram aqueles endemoninhados que disseram: “Que temos nós contigo?” (Mateus 8:29). Entre as duas coisas, é melhor ter um demônio silencioso do que um que blasfema. Quando o diabo toma posse de uma alma, essa alma se torna muda para o que é bom, calada na oração e no louvor, coisas que o diabo odeia. Esse pobre homem foi levado a Cristo, e Jesus acolheu não apenas os que vinham por sua própria fé, mas também os que eram trazidos pela fé de seus amigos. Embora os justos vivam para sempre pela sua própria fé, Deus pode conceder misericórdias temporárias por causa da fé daqueles que intercedem por eles.
Trouxeram-no exatamente quando o cego estava saindo. Vê-se como Cristo era incansável em fazer o bem, com uma obra graciosa sucedendo à outra. Nele há misericórdia sobre misericórdia armazenada. Ela pode fluir continuamente, mas nunca se esgota.
A cura foi imediata. Quando o demônio foi expulso, o mudo falou (Mateus 9:33). As curas de Cristo vão à raiz. Ele remove a causa, e o efeito desaparece. Ele abre os lábios quebrando o poder de Satanás na alma. Na santificação, isto é, no processo de tornar o crente santo, ele cura as águas más lançando sal na fonte. Quando Cristo, por sua graça, expulsa o diabo de uma alma, o mudo fala logo em seguida. Quando Paulo foi convertido, ele começou a orar.
A multidão se maravilhava, e com razão. Embora poucos cressem, muitos se espantavam. As pessoas costumam ser mais rápidas em sentir admiração do que qualquer outra resposta. Já estava previsto que o cântico novo da nova aliança seria entoado por causa das obras maravilhosas (Salmo 98:1). Eles diziam: “Nunca se viu tal coisa em Israel”; e, nesse sentido, em nenhum outro lugar se tinha visto tanta misericórdia. Israel já tinha conhecido homens que operavam milagres, mas Cristo os superou a todos. Os milagres de Moisés diziam mais respeito a Israel como nação, enquanto os de Cristo tocavam diretamente em pessoas individuais.
Os fariseus, porém, blasfemaram (Mateus 9:34). Quando não puderam negar a evidência tão clara desses milagres, afirmaram que as obras vinham do diabo. “Ele expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios”, disseram, fazendo uma acusação de maldade indizível. Ouviremos mais sobre isso adiante, junto com a resposta de Cristo (Mateus 12:25). Aqui podemos ver como os homens maus vão de mal a pior (2 Timóteo 3:13), e como esse avanço é ao mesmo tempo o seu pecado e o seu castigo. As reclamações anteriores contra Cristo – por perdoar pecados (Mateus 9:3), por comer com publicanos e pecadores (Mateus 9:11) e por não jejuar (Mateus 9:14) – eram odiosas, mas ao menos fingiam algum zelo por santidade ou devoção. Já essa acusação exala apenas malícia, mentira e ódio infernal. É pensamento puramente demoníaco, e foi tratado, com justiça, como imperdoável. Como o povo se admirava, os fariseus precisavam dizer algo para diminuir o milagre, e isso era tudo o que conseguiam dizer.
Deste capítulo
Mateus 9:1
"Jesus tomou novamente a barca, atravessou o lago e foi para a sua cidade."
Mateus 9:2
"Então lhe apresentaram um paralítico deitado numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: “Meu filho, coragem! Seus pecados lhe são perdoados”."
Mateus 9:3
"Ao ouvirem isso, alguns escribas murmuraram entre si: “Este homem blasfema”."
Mateus 9:4
"Jesus, conhecendo os pensamentos deles, perguntou-lhes: “Por que vocês pensam mal em seus corações?"
Mateus 9:5
"O que é mais fácil dizer: Seus pecados lhe são perdoados, ou: Levante-se e ande?"
Mateus 9:6
"Ora, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar pecados: Levante-se — disse ele ao paralítico —, pegue a sua maca e volte para sua casa”."
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