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Mateus 9:18 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ele ainda falava quando se apresentou um chefe da sinagoga. Prostrou-se diante dele e lhe disse: “Senhor, minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe as mãos, e ela viverá”. "

Mateus 9:18

menu_book Versículo no contexto

16 “Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha, porque arrancaria uma parte da roupa, e o rasgão ficaria pior.

17 Tampouco se coloca vinho novo em odres velhos; caso contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas o vinho novo é colocado em odres novos, e assim tanto um como o outro se conservam.”

18 Ele ainda falava quando se apresentou um chefe da sinagoga. Prostrou-se diante dele e lhe disse: “Senhor, minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe as mãos, e ela viverá”.

19 Jesus se levantou e foi seguindo-o com seus discípulos.

20 Então uma mulher atormentada havia doze anos por um fluxo de sangue aproximou-se dele por trás e tocou a borda do manto.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos duas histórias unidas: a ressurreição da filha de Jairo e a cura da mulher com fluxo de sangue, que acontece enquanto Jesus está a caminho da casa de Jairo. Mateus coloca a cura da mulher no meio da outra história, quase como um parêntese. Os milagres de Cristo vinham um após o outro, bem próximos, porque fazer a obra daquele que o enviou era o seu trabalho cotidiano.

Ele foi chamado para essas boas obras enquanto ainda falava as palavras anteriores, respondendo às objeções dos fariseus, quando ainda estava dizendo estas coisas (Mateus 9:18). Podemos pensar que essa interrupção foi bem-vinda. Ela rompeu um debate desagradável e, embora discussões às vezes sejam necessárias, um homem piedoso ficará contente em interrompê-las para se dedicar a uma obra de adoração ou de misericórdia.

Vemos aqui a aproximação do chefe a Cristo (Mateus 9:18). Um certo chefe, isto é, um chefe da sinagoga, veio e o adorou. Será que algum dos líderes havia crido nele? Sim, aqui está um, um líder religioso, cuja fé expôs a incredulidade dos outros. Esse chefe tinha uma filha de cerca de doze anos, que acabara de morrer, e essa perda em sua família o moveu a ir até Cristo. Quando a aflição chega, devemos ir até Deus. A morte de nossos parentes deve nos impelir a Cristo, que é a nossa vida. É bom quando qualquer coisa nos leva a isso.

Quando a aflição entra em nosso lar, não devemos ficar apenas atônitos. Como Jó, devemos nos prostrar e adorar. Observe a humildade dele nesse pedido. Ele mesmo foi apresentar o seu rogo, não enviou um servo. Não é vergonha para os maiores governantes virem pessoalmente ao Senhor Jesus. Ele o adorou, prostrou-se diante dele e lhe prestou toda a devida reverência. Os que desejam misericórdia de Cristo precisam primeiro dar honra a Cristo.

Observe também a fé dele. “Minha filha faleceu agora mesmo”, disse ele, e embora para qualquer outro curador já fosse tarde demais, para Cristo não era tarde demais. Nenhum remédio terreno pode ajudar depois da morte, mas Cristo é médico mesmo depois da morte, porque ele é a ressurreição e a vida. “Vem, impõe-lhe a tua mão, e ela viverá.” Isso estava além do poder da natureza, pois, uma vez perdida, a vida não volta por si mesma. Mas estava totalmente dentro do poder de Cristo, porque ele tem a vida em si mesmo e dá vida a quem quer.

Hoje, Cristo normalmente age por meios comuns, por meio da natureza e não contra ela. Por isso, não podemos fazer exatamente este mesmo pedido em fé agora. Enquanto há vida, há esperança e espaço para oração. Mas quando nossos amigos estão mortos, a questão está decidida. Nós iremos até eles, mas eles não voltarão até nós. Contudo, enquanto Cristo esteve na terra operando milagres, uma confiança assim não apenas era permitida, como também digna de grande louvor.

Em seguida, vemos a prontidão de Cristo em ir com ele (Mateus 9:19). Jesus imediatamente se levantou, deixou a companhia em que estava e o seguiu. Ele estava disposto não só a ressuscitar a menina, mas também a honrar o chefe indo até sua casa para fazer isso. Ele nunca disse à descendência de Jacó: “Buscai-me em vão.” Ele se recusou a ir com o oficial do rei que disse: “Senhor, desce, antes que meu filho morra” (João 4:48-50), mas foi com esse chefe da sinagoga, que disse: “Senhor, vem, e minha filha viverá.”

Cristo usou modos diferentes em seus milagres, e isso provavelmente correspondia aos diferentes corações das pessoas que vinham até ele. Ele sabia o que havia no homem e sabia exatamente como tratar cada um. Quando Jesus foi com o chefe, seus discípulos foram junto. Ele não os levou para exibição, para fazer espetáculo, mas para que fossem testemunhas de seus milagres. Depois, eles proclamariam a sua doutrina e precisavam ver suas obras.

Agora vem a cura do fluxo de sangue da pobre mulher. Chamo-a de pobre não apenas porque sua condição era triste, mas porque ela havia gasto tudo o que tinha com médicos e nada melhorara. Isso agravou sua miséria em dois sentidos. Primeiro, ela antes era bem provida e agora estava esvaziada. Segundo, gastou seus recursos tentando recuperar a saúde e, mesmo assim, não a recuperou. Estava enferma com um fluxo de sangue contínuo havia doze anos (Mateus 9:20). Essa doença a consumia e enfraquecia o seu corpo. Também a tornava cerimonialmente impura, de modo que ela era excluída dos átrios do templo. Ainda assim, isso não a impediu de ir a Cristo.

Ela veio a Cristo e recebeu misericórdia no caminho, enquanto ele seguia com o chefe cuja filha havia morrido. Isso serviria para encorajar o chefe e ajudá-lo a continuar confiando no poder de Cristo. Cristo é tão cheio de graça que considera a fraqueza dos que creem e os encontra em sua necessidade.

Observe a grande fé dessa mulher em Cristo e em seu poder. Pela natureza de sua enfermidade, a modéstia não lhe permitia falar abertamente com Cristo pedindo cura, como outros faziam. Mas, por um impulso especial de fé, ela creu que ele tinha tanto poder transbordante para curar, que até tocar em sua roupa a curaria. Talvez houvesse alguma mistura de imaginação em sua fé, pois ela não tinha exemplo desse modo de se aproximar de Cristo, a menos que estivesse pensando no morto que reviveu ao tocar nos ossos de Eliseu (2 Reis 13:21). Contudo, seja qual for a fragilidade de seu entendimento, Cristo se agradou em ignorá-la e aceitar a sinceridade e a força de sua fé. Ele sabe receber o mel junto com o favo (Cantares 4:11).

Ela creu que seria curada se ao menos tocasse na orla de sua veste, na beira de sua roupa. Há poder em tudo o que pertence a Cristo. O santo óleo que ungia o sumo sacerdote descia até a barra de suas vestes (Salmo 133:2). Há tal plenitude de graça em Cristo que, dele, todos nós podemos receber (João 1:16).

Agora observe a bondade de Cristo para com essa mulher. Ele não reteve o seu poder curador, embora pudesse fazê-lo. Permitiu que essa mulher tímida recebesse a cura sem que ninguém soubesse, ainda que ela não pudesse imaginar que ele não soubesse. Ela já se dispunha a ir embora, pois tinha alcançado o que desejava, mas Cristo não quis deixá-la sair tão discretamente. Ele queria não apenas demonstrar o seu poder na cura, mas também sua graça no consolo e na honra pública daquela mulher. O triunfo de sua fé se tornaria o seu louvor.

Ele se voltou para procurá-la (Mateus 9:22) e logo a encontrou. Isso é grande estímulo para cristãos humildes. Aqueles que se escondem dos homens são conhecidos de Cristo. Ele vê suas orações silenciosas ao céu, mesmo quando são as mais secretas. Então ele encheu o coração dela de alegria, dizendo: “Filha, tem bom ânimo.” Ela talvez temesse ser repreendida por ter vindo em segredo, mas, em vez disso, é confortada.

Ele a chama de filha, falando com a ternura de um pai, assim como havia chamado o paralítico de “filho” (Mateus 9:2). Cristo tem consolo preparado para as filhas de Sião aflitas de espírito, como Ana estava (1 Samuel 1:15). Mulheres crentes são filhas de Cristo, e ele se agrada de assumi-las como suas.

Ele diz para ela ter bom ânimo. Se Cristo a chama de filha, ela tem forte razão para se encorajar. O consolo do povo de Deus repousa na sua adoção, no fato de serem recebidos como filhos de Deus. Quando Cristo diz: “Tem bom ânimo”, sua palavra traz consolo consigo, assim como sua palavra: “Sê curado”, traz cura. É vontade de Cristo que o seu povo seja consolado, e ele tem o direito de ordenar paz a corações perturbados, criando o fruto dos lábios: paz (Isaías 57:19).

Ele também honra a fé dela. De todas as graças, a fé é a que mais honra dá a Cristo; por isso, ele especialmente honra a fé em retribuição. “A tua fé te salvou.” Assim, ela recebeu um bom testemunho por meio da fé. E, entre os crentes, Cristo muitas vezes dá a maior honra aos mais humildes. É o que faz aqui com essa mulher, que tinha mais fé do que ela mesma percebia.

Ela tinha forte motivo para se alegrar, não só porque foi curada, mas porque sua fé a curou. Em certo sentido, isso quer dizer que foi curada espiritualmente. A fé trouxe o perdão do pecado e a obra da graça em sua alma. Podemos ser profundamente consolados em bênçãos terrenas quando elas vêm acompanhadas de bênçãos espirituais como essas. Comida e vestes são mais doces quando, pela fé, somos alimentados com o pão da vida e vestidos com a justiça de Jesus Cristo. Descanso e sono são mais doces quando, pela fé, descansamos em Deus e vivemos em paz nele. Saúde e prosperidade são mais doces quando, pela fé, nossa alma também está próspera e saudável (Isaías 38:16, 17).

A cura física dessa mulher também foi fruto de fé, da fé dela mesma, e isso a tornou uma cura verdadeiramente feliz. Alguns que foram libertos de demônios foram ajudados pelo poder soberano de Cristo, e alguns pela fé de outros, como em (Mateus 9:2). Mas aqui Cristo diz: “A tua fé te salvou”. As bênçãos temporais se tornam consolações verdadeiras para nós quando as recebemos pela fé. Se, ao buscarmos misericórdia, oramos crendo, nos firmamos na promessa de Deus, dependemos dela, desejamos a misericórdia para a glória de Deus, nos sujeitamos à vontade de Deus e percebemos nosso coração dilatado em fé, amor e obediência, então podemos dizer, com razão, que a recebemos pela fé.

Quando Jesus chegou à casa do chefe (Mateus 9:23), viu a multidão e os tocadores de instrumentos fazendo alvoroço. A casa estava em confusão, como acontece sempre que a morte entra numa família. Os cuidados práticos que surgem nesse momento, especialmente quando é preciso sepultar o morto com respeito e tirá-lo da vista, às vezes ajudam para que a tristeza não domine por completo. Os vizinhos haviam se juntado para lamentar a perda, consolar os pais e auxiliar no funeral, que entre os judeus não costumava ser muito adiado.

Os músicos estavam ali, conforme o costume dos gentios, tocando melodias fúnebres para aprofundar a tristeza e atiçar o pranto. Assim, alimentavam um pesar que tende a ultrapassar os limites. O costume pagão torna o luto mais pesado, enquanto o cristianismo procura suavizá‑lo. Ou talvez os músicos buscassem distrair a família e animá‑la, mas canções para um coração quebrado podem ser como vinagre em ferida aberta. Os pais, que sentiam a perda mais profundamente, permaneciam calados, enquanto o povo e os músicos, cuja tristeza era em parte apenas exterior, enchiam a casa de barulho. O pranto mais ruidoso nem sempre é o mais verdadeiro. A dor mais sincera muitas vezes se esconde. Esse detalhe é mencionado para mostrar que, no juízo de todos, a menina estava realmente morta.

Jesus repreendeu aquele barulho e confusão, dizendo: “Retirai‑vos”, “Dai lugar”. Quando a tristeza do mundo toma conta, às vezes é difícil para Cristo e para o consolo dele entrarem. Aqueles que se endurecem no luto e, como Raquel, recusam ser consolados, precisam ouvir Cristo dizer aos seus pensamentos agitados: “Dai lugar”. Dai lugar à Consolação de Israel, que traz um consolo forte, suficiente para vencer a confusão e a dor, se for acolhido no coração. Jesus então apresenta a razão pela qual não deviam continuar afligindo a si mesmos e uns aos outros: “A menina não está morta, mas dorme”.

Isso era especialmente verdadeiro em relação a essa menina, que estava prestes a ser ressuscitada. Ela estava de fato morta, mas não para Cristo, que sabia o que faria e o que podia fazer. Ele havia determinado tornar a morte dela semelhante a um sono. Há pouca diferença entre sono e morte, exceto quanto à duração. Nesse sentido, a morte é apenas um sono bem curto, como uma noite de descanso. Deus vivifica os mortos e pode falar das coisas que ainda não são como se já fossem (Romanos 4:17).

Em sentido mais amplo, isso se aplica a todos os que morrem, especialmente aos que morrem no Senhor. A morte é um sono. Em toda nação e língua, as pessoas usam essa palavra mais branda para falar do que é terrível e inevitável. Mesmo de reis ímpios se diz que dormiram com seus pais, e daqueles que ressuscitarão para vergonha e desprezo eterno, que dormem no pó da terra (Daniel 12:2). Isso não significa que a alma durma. A alma continua ativa. Quem descansa no túmulo, imóvel e em silêncio, oculto na escuridão, é o corpo. O sono é uma morte curta, e a morte é um sono longo.

Mas a morte dos justos é de modo especial semelhante a um sono (Isaías 57:2). Eles dormem em Jesus (1 Tessalonicenses 4:14). Descansam do trabalho e do peso deste dia, e descansam na esperança de um despertar alegre, na manhã da ressurreição. Então acordarão revigorados, acordarão para uma nova vida, acordarão para serem ricamente vestidos e coroados, e acordarão para nunca mais dormir.

Isso também deve suavizar nosso luto quando nossos queridos partem. Não devemos dizer: “Eles se perderam”, pois apenas nos antecederam. Não devemos dizer: “Foram abatidos”, pois apenas adormeceram. O apóstolo Paulo chama de loucura pensar que os que dormem em Cristo pereceram (1 Coríntios 15:18). Devemos, portanto, dar lugar ao consolo que a aliança da graça, a promessa salvadora de Deus, traz da vida futura e da glória que há de ser revelada.

Poderia alguém imaginar que uma palavra tão consoladora, saída da boca do Senhor Jesus, fosse recebida com zombaria, como foi? “Riram‑se dele.” Essas pessoas moravam em Cafarnaum e conheciam o caráter de Cristo. Sabiam que ele nunca falava de maneira leviana ou tola, e tinham visto dele muitos feitos poderosos. Assim, se não entendiam o que ele queria dizer, ao menos deveriam ter se calado e esperado para ver o resultado. As palavras e obras de Cristo podem ser difíceis de entender, mas isso não é motivo para desprezá‑las. Devemos honrar o mistério dos ditos de Deus, mesmo quando parecem contrariar o que julgamos conhecer melhor.

Até mesmo essa zombaria serviu para confirmar o milagre, pois a morte dela era tão evidente que dizer o contrário soava absurdo. As pessoas foram colocadas para fora antes que Jesus trouxesse a menina de volta à vida (Mateus 9:25). Zombadores que riem do que é alto demais para seu entendimento não são testemunhas adequadas das maravilhas de Cristo, cuja glória não está na exibição, mas no poder. O filho da viúva de Naim e Lázaro foram ressuscitados em público; já essa menina foi ressuscitada em particular. Cafarnaum já havia tratado com pouca seriedade o milagre menor de curar doenças, por isso não foi considerada digna de ver o milagre maior de restaurar a vida. Essas pérolas não deviam ser lançadas diante de quem as pisaria.

Cristo entrou e tomou a menina pela mão, como quem a desperta e ajuda a levantar‑se, em harmonia com a própria figura que fizera dela como alguém que dorme. O sumo sacerdote, que apontava para Cristo, não podia aproximar‑se de um morto (Levítico 21:10–11), mas Cristo tocou a morta. O sacerdócio levítico, o sacerdócio do Antigo Testamento ligado à lei de Moisés, tinha de deixar o morto em sua impureza e manter distância, porque não podia ajudá‑lo. Cristo, porém, tem poder para ressuscitar os mortos; por isso é superior a qualquer impureza e não teme tocá‑los. Ele a tomou pela mão, e a menina se levantou. O milagre foi realizado de forma fácil e plena, não por meio de oração como Elias e Eliseu oraram (1 Reis 17:21; 2 Reis 4:33), mas por um simples toque. Eles agiram como servos; ele agiu como o Filho, como Deus, aquele a quem pertence o poder sobre a morte.

Jesus Cristo é Senhor sobre as almas. Ele as chama para fora, e as chama de volta, quando e como lhe agrada. Almas mortas não são levantadas para a vida espiritual a menos que Cristo as tome pela mão. Isso acontece no dia do seu poder. Se ele não nos ergue, continuamos onde estamos.

O milagre logo se tornou conhecido em toda parte, embora tivesse sido realizado em particular (Mateus 9:26). A sua fama correu por toda aquela região. As obras de Cristo muitas vezes são mais comentadas do que consideradas e colocadas em prática. Aqueles que apenas ouviram relatos dos milagres de Cristo também ficaram responsáveis diante deles, tanto quanto as testemunhas oculares. Hoje não vimos os milagres de Cristo, mas temos um registro fiel deles. Com base nesse testemunho, somos obrigados a receber o seu ensino. Bem‑aventurados os que não viram e creram (João 20:29).

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