Versículo em destaque
Mateus 8:5 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Jesus entrou em Cafarnaum. Um centurião veio até ele e lhe fez esta súplica: "
Mateus 8:5
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
3 Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: “Eu quero, seja curado”. No mesmo instante, a lepra desapareceu.
4 Jesus então lhe disse: “Veja que não diga isso a ninguém. Vá, porém, mostrar-se ao sacerdote e ofereça o dom prescrito por Moisés como testemunho de sua cura”.
5 Jesus entrou em Cafarnaum. Um centurião veio até ele e lhe fez esta súplica:
6 “Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito”.
7 Jesus lhe disse: “Eu irei e o curarei”.
Explore estudos bíblicos guiados
Sessões estruturadas com notas, perguntas e insights de orientadores
As Bem-Aventuranças (5 Dias)
Cinco encontros curtos com as bênçãos de Jesus e o caráter do reino de Deus.
Prévia da sessão 1:
Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
6 min
Salmos de Consolo (5 Dias)
Cinco encontros curtos nos Salmos, pensados para dias pesados em que há pouco tempo e pouca energia.
Prévia da sessão 1:
O Cuidado do Pastor
5 min
Crie uma conta grátis para salvar notas, acompanhar progresso e desbloquear todas as sessões
Criar conta grátisComentário Bible Guided
Temos aqui o relato de Cristo curando o servo de um centurião que sofria de paralisia. Isso aconteceu em Cafarnaum, onde Jesus estava morando naquele tempo (Mateus 4:13). Cristo andava por toda parte fazendo o bem, mas também fazia o bem onde morava. Todo lugar para o qual ele ia ficava melhor por causa da sua presença.
As pessoas com quem Cristo lida aqui são, em primeiro lugar, o centurião, um oficial do exército romano, provavelmente comandante dos soldados que estavam de guarnição em Cafarnaum. Embora fosse um militar, e a vida militar muitas vezes deixe pouco espaço para a religião, ele era um homem piedoso, e de maneira bem notável. Deus tem o seu povo em todos os tipos de pessoas. Nenhuma ocupação ou posição na vida pode servir de desculpa para a incredulidade ou para uma vida sem Deus.
Apesar de ser um soldado romano, vivendo entre os judeus como parte do domínio romano sobre eles, Cristo ainda assim lhe mostrou favor. Nisso, Cristo nos ensina a fazer o bem até mesmo aos inimigos e a não alimentar ódios nacionais desnecessários. Embora ele fosse gentio e não judeu, Cristo o recebeu. Jesus não saía viajando para cidades gentias, pois a terra de Canaã ainda era a terra de Emanuel, Deus conosco (Isaías 8:8). Mas ele aceitava pedidos que vinham de gentios. Assim começavam a cumprir-se as palavras de Simeão, de que Cristo seria luz para os gentios e também glória para Israel.
Mateus coloca essa cura logo depois da cura do leproso, que era judeu, e isso é significativo. Cristo tocou e curou pessoalmente o leproso judeu, porque ele mesmo pregava aos judeus. Mas curou o servo gentio à distância, porque não ia pessoalmente aos gentios. Em vez disso, enviava a sua palavra e os curava, e dessa forma o seu poder aparecia ainda mais claramente.
Em segundo lugar, temos o servo do centurião, aquele que estava doente. Aqui também vemos que Deus não faz acepção de pessoas. Em Cristo Jesus não há circuncisão nem incircuncisão, não há escravo nem livre. Cristo está tão pronto a curar um pobre servo quanto um rico senhor. Ele mesmo assumiu a forma de servo, para honrar a condição mais baixa.
Nesse relato, vemos uma impressionante troca de graça entre Cristo e o centurião. Primeiro, vemos a graça do centurião se voltar para Cristo. Pode vir alguma coisa boa de um soldado romano? Venha e veja. Encontramos muita coisa boa nesse centurião, e ele se destaca como exemplo.
Note-se a maneira respeitosa com que ele se aproxima de Jesus Cristo. Isso mostra uma visão piedosa de Jesus, como alguém capaz e disposto a socorrer os que sofrem. Ele veio suplicar, diferente de Naamã, o sírio, outro oficial militar, que se aproximou de Eliseu mais como homem de posição, exigindo cura e cuidando de sua própria dignidade. Este centurião veio humildemente, como quem pede um favor. Ele viu mais em Cristo do que os outros viam à primeira vista. Viu o suficiente para honrá-lo, embora outros enxergassem apenas um homem sem aparência impressionante.
Embora fosse oficial e provavelmente ocupasse um lugar elevado na cidade, deixou de lado os pensamentos sobre sua posição quando veio a Cristo. Veio rogando. As pessoas mais importantes precisam vir como mendigos quando tratam com Cristo. Ele também chamou Jesus de Senhor, reconhecendo sua autoridade e deixando o caso em suas mãos. Não fez um pedido longo e formal. Sabia que estava falando com um médico sábio e gracioso, e que bastava expor a necessidade. Quando confessamos com sinceridade nossas necessidades e enfermidades espirituais, Deus não deixa de responder com paz.
O centurião também mostrou um amoroso cuidado para com seu servo. Muitos vieram a Cristo por seus filhos, mas aqui é o único caso, neste contexto, de alguém que vem por um servo. “Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico.” Senhores devem se importar com seus servos quando eles sofrem. O servo estava com paralisia, impedido de trabalhar e em condição difícil de suportar. O centurião não o mandou embora, nem o desprezou. Ele buscou a melhor ajuda que poderia encontrar. O servo não poderia ter feito mais pelo senhor do que o senhor fez aqui pelo servo.
Os servos do centurião eram obedientes a ele, e aqui vemos uma das razões. Ele era bondoso com eles, e isso tornava a obediência deles mais pronta. Assim como não devemos ignorar as queixas de nossos servos, também não devemos ignorar suas aflições quando Deus os atinge com doenças ou sofrimentos. Somos feitos da mesma substância, pelas mesmas mãos, e estamos no mesmo nível diante de Deus. Não devemos tratá-los como se fossem animais.
Ele não recorreu a feiticeiros nem adivinhos em busca de ajuda. Foi a Cristo. Como a paralisia é uma doença que, em geral, a habilidade humana não pode curar, o fato de ele ter vindo a Cristo é um forte sinal de fé no poder de Cristo. Ele também descreveu a condição do servo com profunda compaixão. Disse que ele estava terrivelmente atormentado. Por ser jovem, o corpo lutava mais contra a doença, o que tornava o sofrimento ainda maior. Devemos ter essa mesma preocupação pelas almas de nossos filhos e servos quando estão espiritualmente enfermos, frios e impotentes. Devemos trazê-los aos meios que Deus usa para dar cura e vida.
Vemos também a grande humildade e o auto-rebaixamento do centurião. Depois que Cristo mostrou que estava disposto a ir e curar o servo, o centurião falou com ainda mais humildade. Corações humildes costumam se tornar ainda mais humildes quando Cristo lhes mostra bondade. Suas palavras foram: “Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu telhado” (Mateus 8:8). Isso mostra baixos pensamentos a respeito de si mesmo e elevados pensamentos a respeito de Jesus.
Ele não diz: “O meu servo não é digno”, mas: “Eu não sou digno”. O centurião era um grande homem e, no entanto, confessa sua indignidade diante de Deus. A humildade cai muito bem para pessoas de alta posição. Cristo não tinha, naquele momento, uma aparência exteriormente impressionante no mundo, mas o centurião, vendo nele um profeta e mais do que um profeta, tratou-o com grande honra.
Devemos valorizar e honrar o que vemos de Deus mesmo em pessoas que, quanto à condição exterior, parecem muito inferiores a nós. O centurião veio a Cristo com um pedido, e por isso falou com grande humildade. Quando chegamos a Cristo, e a Deus por meio de Cristo, devemos nos abaixar no sentimento da nossa própria indignidade. Somos criaturas pequenas e pecadoras, incapazes por nós mesmos de fazer algo para Deus, de receber algo dele, ou de lidar com ele de qualquer forma.
Observe agora a grande fé dele. Quanto mais humildes somos, em geral, mais fé temos. Quanto menos confiança colocamos em nós mesmos, mais forte se torna a nossa confiança em Jesus Cristo. Ele creu não só que Cristo podia curar o seu servo, mas que podia fazê-lo à distância. Não seria necessário toque físico, como é comum nas curas, nem contato direto com o doente. A cura podia ser realizada sem que médico e paciente se encontrassem.
Mais adiante lemos sobre pessoas que trouxeram um paralítico a Cristo com grande esforço e o colocaram aos seus pés. Cristo louvou a fé deles como fé ativa. Este centurião não trouxe o seu servo a Cristo, e Cristo louvou a sua fé como fé que confia. A verdadeira fé é aceita por Cristo, ainda que se manifeste de maneiras diferentes. Cristo faz o julgamento mais bondoso possível sobre as diferentes formas pelas quais as pessoas buscam a religião, e nos ensina a fazer o mesmo.
O centurião creu em algo que é certamente verdadeiro: o poder de Cristo não tem limites. Por isso, a distância não significa nada para ele. O espaço não pode impedir aquele que enche todos os lugares de conhecer ou agir. “Porventura sou eu Deus de perto somente, diz o Senhor, e não também Deus de longe?” (Jeremias 23:23).
Ele também creu que Cristo podia curar com uma palavra, não enviando remédio, muito menos usando algum tipo de encanto. Ele disse: “Dize somente uma palavra, e o meu servo sarará.” Ao dizer isso, reconhecia o poder divino de Cristo e sua autoridade sobre todas as criaturas e sobre todas as forças da natureza. É esse poder que lhe permite fazer o que quiser no reino da natureza. No princípio, ele estabeleceu esse reino por uma palavra todo-poderosa, quando disse: “Haja luz.”
Entre nós, dizer e fazer são duas coisas diferentes. Com Cristo não é assim. Por isso ele é chamado de Braço do Senhor, porque é o Verbo eterno. Quando a Escritura diz: “Aquecei-vos e fartai-vos” (Tiago 2:16), e “sede curados”, a própria palavra traz calor, fartura e cura. O centurião explicou a sua fé no poder de Cristo apontando para a autoridade que ele próprio tinha, como centurião, sobre seus soldados, e como senhor sobre seus servos. Ele podia dizer a um: “Vai”, e ele ia.
Todos estavam sob o seu comando, de modo que ele podia executar ordens à distância por meio deles. Sua palavra era lei para eles. Um soldado bem treinado sabe que a ordem de um oficial não é para ser discutida, mas obedecida. Da mesma forma, Cristo pode falar, e está feito. Ele tem esse poder sobre qualquer doença do corpo. O centurião tinha autoridade sobre seus soldados, embora ele mesmo estivesse debaixo de autoridade e não fosse o comandante supremo. Cristo tem poder infinitamente maior, porque é o Senhor soberano sobre tudo e sobre todos.
Seus servos eram rápidos em obedecer até ao menor sinal da sua vontade. Assim devemos ser servos de Deus. Precisamos ir e vir ao seu mandado, segundo as orientações da sua Palavra e a direção da sua providência. Devemos correr quando ele nos envia, voltar quando ele nos chama de volta e fazer o que ele designa. Devemos perguntar: “Que quer o meu Senhor de seu servo?” Quando a vontade dele se choca com a nossa, a dele deve vir em primeiro lugar, e a nossa deve ceder.
Do mesmo modo, as enfermidades do corpo são servas de Cristo. Elas nos alcançam quando ele as envia. Elas nos deixam quando ele as chama de volta. Elas afetam nosso corpo e nossa alma apenas do modo que ele determina. Isso consola todos os que pertencem a Cristo, em favor de quem o seu poder está agindo. Toda doença tem a permissão dele, cumpre a sua ordem, está debaixo do seu controle e precisa servir aos propósitos da sua graça. Os que pertencem a Cristo não precisam temer a enfermidade, nem o que ela pode fazer, quando a enxergam na mão de um Amigo tão bondoso.
Aqui também vemos a graça de Cristo para com este centurião, pois ele concede graça aos que são cheios de graça. Cristo respondeu imediatamente. O centurião apenas começara a explicar a situação do seu servo, e estava para pedir a cura, quando Cristo o interrompeu com estas palavras consoladoras: “Eu irei e o curarei” (Mateus 8:7). Ele não disse: “Eu irei vê-lo”, o que já o mostraria como Salvador bondoso. Ele disse: “Eu irei e o curarei”, o que o mostra como Salvador poderoso, onipotente. Era uma grande promessa, mas não maior do que ele podia cumprir, pois há cura sob suas asas, e a sua vinda traz cura.
Aqueles que realizavam milagres por um poder que lhes fora dado não falavam com este tipo de certeza. Cristo falava assim, porque agia pelo seu próprio poder e com autoridade. Se um ministro é chamado para ver um amigo enfermo, ele só pode dizer: “Irei e orarei por ele.” Cristo diz: “Eu irei e o curarei.” É uma misericórdia que Cristo possa fazer por nós muito mais do que nossos ministros podem. O centurião pediu a cura do seu servo, e Cristo prometeu fazer ainda mais do que ele pediu ou esperou. Cristo muitas vezes vai além das esperanças dos pobres suplicantes.
Também vemos aqui a humildade de Cristo, pois ele se dispôs a visitar um simples soldado. Ele não quis descer para ver o filho doente de um oficial importante, quando este insistiu para que descesse (João 4:47-49). Mas ofereceu-se para ir até um servo doente. Assim ele demonstrou consideração pela condição humilde do seu povo e concedeu mais honra à parte que parecia menos honrada. A humilde disposição de Cristo em vir até nós deveria tornar-nos ainda mais humildes diante dele. A sua bondosa condescendência para conosco deve levar-nos a nos humilhar mais profundamente em sua presença.
Cristo louvou a fé do centurião, e a partir disso aproveitou para dizer uma palavra bondosa sobre os pobres gentios (Mateus 8:10-12). Percebemos quanto uma fé forte e que nega a si mesma pode alcançar de Jesus Cristo, até em questões que dizem respeito a muitas pessoas. Quanto ao próprio centurião, Cristo fez mais do que aprová-lo e aceitá-lo, o que é a honra de todos os verdadeiros crentes. Ele também o admirou e o elogiou, o que é uma honra especial concedida a grandes crentes, como se disse de Jó, que não havia outro semelhante a ele sobre a terra.
Cristo o admirou, não por sua posição, mas por sua graça. Quando Jesus ouviu aquilo, maravilhou-se. Isso não significa que a notícia fosse nova para ele, pois ele conhecia a fé do centurião, já que ele mesmo a havia concedido. Antes, a fé era tão grande, rara e excelente, que Cristo falou dela como algo admirável. Ele fez isso para nos ensinar o que devemos admirar. Devemos valorizar a santidade e os adornos que são preciosos aos olhos de Deus, e não a ostentação e o brilho deste mundo. As maravilhas da graça devem impressionar-nos mais do que as maravilhas da natureza ou da providência, e o crescimento espiritual mais do que qualquer sucesso terreno. Devemos dizer que os ricos em fé, e não os ricos em ouro e prata, é que alcançaram a verdadeira glória.
Tudo o que é admirável na fé de alguém precisa redundar em glória para Cristo, pois ele em breve será admirado em todos os que creem. Ele é quem fez coisas maravilhosas neles e por eles. Cristo também elogiou esse homem no que disse à multidão que o seguia. Alguns crentes são publicamente reconhecidos por Cristo neste mundo, por meio de seus atos fortes e claros em favor deles. Todos os crentes serão confessados por ele no mundo vindouro.
“Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.” Isso honrou o centurião, um oficial romano que não era filho de Abraão segundo a carne, mas era herdeiro da fé de Abraão. Cristo encontrou essa fé nele. A lição é que Cristo está à procura de fé, e onde quer que ela seja encontrada, ainda que seja pequena como um grão de mostarda, ele a percebe. Ele não havia encontrado fé tão grande, levando em conta todas as circunstâncias e em proporção à ajuda que esse homem recebera. A pobre viúva foi considerada como tendo dado mais do que todos, por causa do seu coração (Lucas 21:3). Embora o centurião fosse gentio, ainda assim foi louvado. Não devemos negar a alguém o devido elogio só porque está fora do nosso grupo. Devemos estar prontos a dar-lhe a honra que merece.
Ao mesmo tempo, isso foi uma vergonha para Israel, a quem pertenciam a adoção, a glória, as alianças e toda ajuda e estímulo para a fé. Quando o Filho do Homem vier, encontrará pouca fé e, por causa disso, encontrará tão pouco fruto. A forte fé de algumas pessoas, que tiveram pouquíssimas ajudas para suas almas, tornará ainda mais grave a culpa e a ruína de muitos outros. Estes receberam abundância de meios de graça, mas não os aproveitaram bem. Cristo disse isso diante dos que o seguiam, se de algum modo pudesse despertá-los para um santo ciúme, como Paulo fala em fazer (Romanos 11:14). Eram descendentes de Abraão; portanto, não deviam permitir que um gentio os ultrapassasse, especialmente na própria graça pela qual Abraão era conhecido.
Cristo então aproveitou aquele momento para comparar judeus e gentios, e disse duas coisas que deviam surpreender aqueles que tinham aprendido que a salvação vem dos judeus. Primeiro, muitos gentios seriam salvos (Mateus 8:11). A fé do centurião era apenas uma amostra da futura conversão dos gentios e um sinal de sua acolhida na igreja. Jesus falou disso muitas vezes. Ele o afirmou com plena confiança, porque conhecia todos os homens. Nada poderia agradá-lo mais, nem irritar mais os judeus. Até mesmo uma insinuação como essa deixou furiosa a gente de Nazaré (Lucas 4:27).
Cristo aqui nos dá uma ideia de quem será salvo. Muitos virão do oriente e do ocidente. Ele já havia dito que poucos encontram o caminho da vida (Mateus 7:14), e ainda assim aqui diz que muitos virão. Eles são poucos em cada época e em cada lugar, mas quando forem todos reunidos, serão muitíssimos. Agora vemos apenas uma pessoa aqui e ali sendo trazida à graça, mas logo veremos o Autor da salvação conduzindo muitos filhos à glória (Hebreus 2:10). Ele virá com dezenas de milhares de seus santos (Judas 1:14), com uma grande multidão que ninguém pode contar (Apocalipse 7:9), com nações de salvos (Apocalipse 21:24).
Eles virão do oriente e do ocidente, de lugares muito distantes entre si, e no entanto todos se encontrarão à direita de Cristo, o centro da sua unidade. Deus tem o seu remanescente em todo lugar, desde o nascer do sol até o seu ocaso (Malaquias 1:11). Ele ajuntará os escolhidos desde os quatro ventos (Mateus 24:31). Estão espalhados pela terra como semente em cada parte do campo. O mundo gentio está em vista de modo especial aqui. Eles estiveram por muito tempo fora da promessa, e ainda assim Deus já podia ter alguns seus, escondidos entre eles naquele tempo, como teve nos dias de Elias em Israel (1 Reis 19:14). Logo depois, grandes multidões afluíram para a igreja (Isaías 60:3-4). Quando chegarmos ao céu, sentiremos falta de muitos que pensávamos que iriam para lá, e encontraremos muitos que jamais esperávamos.
Cristo também mostra como será a própria salvação. Eles virão, e virão juntos, para Cristo (2 Tessalonicenses 2:1). Alguns serão introduzidos no reino da graça na terra, na aliança de graça feita com Abraão, Isaque e Jacó. Serão abençoados com o crente Abraão, e essa bênção alcança os gentios (Gálatas 3:14). É isso que faz de Zaqueu um filho de Abraão (Lucas 19:9). Outros serão introduzidos no reino da glória no céu. Virão de boa vontade, como pombas que voam de volta às suas janelas. Assentar-se-ão para descansar de seu trabalho, tendo concluído a obra do dia. Assentar-se sugere permanência. Enquanto estamos em pé, ainda estamos em movimento, mas onde nos sentamos, tencionamos permanecer. O céu é um descanso duradouro, uma cidade que permanece para sempre. Assentar-se-ão como os que são honrados num trono (Apocalipse 3:21) e também como convidados num banquete, que é a figura aqui. Isso indica ao mesmo tempo plena provisão e comunhão livre e íntima (Lucas 22:30).
Eles se assentarão com Abraão. Pessoas que nesta vida estiveram tão distantes no tempo, no lugar ou na condição externa se encontrarão todas no céu: antigos e recentes, judeus e gentios, ricos e pobres. O rico, no inferno, vê Abraão, mas é Lázaro quem se assenta com ele e reclina sobre o seu peito. A santa comunhão faz parte da alegria do céu. Aqueles que na terra pareciam os mais desconhecidos, que vieram dos confins do mundo, compartilharão a glória com os patriarcas mais ilustres.
Em segundo lugar, muitos dos judeus pereceriam (Mateus 8:12). É proferida uma sentença surpreendente: “os filhos do reino serão lançados fora”. Os judeus que continuam se recusando a crer, embora tenham nascido como filhos do reino, serão cortados da igreja visível. O reino de Deus, que eles reivindicavam como próprio, lhes será tirado, e eles se tornarão um povo que já não alcança misericórdia (Romanos 11:20; Romanos 9:31). No último dia, de nada adiantará ter sido chamado filho do reino, seja como judeu, seja como cristão. As pessoas serão julgadas pelo que de fato são, e não pelo nome que carregaram. Se forem filhos de verdade, então são herdeiros; mas muitos são apenas filhos em profissão externa e por pertencerem a uma família, não de fato, e perderão a herança.
Nascer de pais crentes nos torna filhos do reino quanto à posição externa. Mas, se descansarmos nisso e não tivermos mais nada que apresentar para o céu, seremos lançados fora. É assim também com o castigo dos que praticam o mal: serão lançados nas trevas exteriores, a escuridão daqueles que estão fora da igreja, como os gentios estiveram em outros tempos. Os próprios judeus foram lançados nessas trevas, e em algo ainda pior. Foram cegados, endurecidos e tomados de espanto, como o apóstolo mostra (Romanos 11:8-10). Um povo cortado da igreja e entregue a juízos espirituais já se encontra em profunda escuridão; mas isso aponta, ainda mais, para o estado dos pecadores condenados no inferno, do qual essa escuridão é um triste começo. Serão lançados para longe de Deus e de todo consolo verdadeiro, e lançados nas trevas.
No inferno há fogo, mas não há luz. É treva completa, a mais densa escuridão, sem rastro nem esperança de claridade, nem sequer o menor raio. Essa escuridão procede de estarem excluídos do céu, a terra da luz. Os que estão de fora se encontram nas regiões das trevas.
Mas isso não é o pior. Haverá também choro e ranger de dentes. No inferno haverá profunda tristeza, com lágrimas que não trazem alívio. A dor da alma continuará consumindo os perdidos para sempre, enquanto sentem a ira de Deus. Haverá também grande indignação. Pecadores perdidos rangerão os dentes em despeito e amargura, cheios do furor do Senhor. Verão a felicidade de outros com inveja, e olharão para trás, com terror, para a oportunidade que tiveram de ser felizes, oportunidade agora perdida para sempre.
Ele cura o servo. Cristo não só elogiou este centurião, mas lhe concedeu exatamente o que ele pediu, como verdadeira resposta (Mateus 8:13). Observe-se o que Cristo lhe disse: “Seja feito contigo como creste”. O servo recebeu cura para a doença; mas o senhor recebeu algo ainda maior: a aprovação de sua fé. Cristo muitas vezes dá respostas consoladoras àqueles que oram intercedendo por outros. É uma bondade de Deus para conosco quando ele nos ouve em favor de alguém. Deus restaurou a sorte de Jó quando este orou por seus amigos (Jó 42:10).
Foi uma grande honra quando Cristo, por assim dizer, deu a este centurião um cheque em branco: “Seja feito como você creu”. Que mais ele poderia desejar? Todavia, essa mesma palavra vale para todos nós: “Creia, e você receberá. Somente creia”. Aqui vemos tanto o poder de Cristo quanto o poder da fé. Assim como Cristo pode fazer tudo o que quer, assim também um crente vivo pode receber de Cristo tudo o que pede. O azeite da graça continua se multiplicando até que os vasos da fé se esgotem.
O resultado dessa palavra foi imediato. A oração da fé é uma oração eficaz, e sempre foi e sempre será assim. A cura repentina mostra que se tratou de um milagre, e o fato de ter ocorrido ao mesmo tempo que a palavra de Cristo mostra que o milagre lhe pertence. Ele falou, e assim se fez. Isso confirmou sua autoridade soberana, que seu poder alcança longe.
Um médico erudito observou que as doenças que Cristo curou foram em sua maioria as mais difíceis de tratar por meios naturais, especialmente a paralisia. Ele escreveu que todo tipo de paralisia, sobretudo quando prolongada, é ou incurável, ou muito difícil de tratar, mesmo em crianças. Costumava dizer que todas as doenças trazidas a Cristo para cura pareciam ser do tipo mais resistente e desesperador.
Deste capítulo
Mateus 8:1
"Depois que Jesus desceu da montanha, uma grande multidão o seguiu."
Mateus 8:2
"Eis que um leproso se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, podes curar-me”."
Mateus 8:3
"Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: “Eu quero, seja curado”. No mesmo instante, a lepra desapareceu."
Mateus 8:4
"Jesus então lhe disse: “Veja que não diga isso a ninguém. Vá, porém, mostrar-se ao sacerdote e ofereça o dom prescrito por Moisés como testemunho de sua cura”."
Mateus 8:6
"“Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito”."
Mateus 8:7
"Jesus lhe disse: “Eu irei e o curarei”."
Oração diária
Receba uma reflexão bíblica diária por e-mail
Comece cada manhã com um versículo, uma oração e um próximo passo simples.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.
Bible Guided oferece orientação baseada na fé e deve complementar, não substituir, apoio terapêutico profissional.