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Marcos 2:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum, e souberam que ele estava em casa. "

Marcos 2:1

menu_book Versículo no contexto

1 Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum, e souberam que ele estava em casa.

2 Reuniu-se uma multidão tão grande que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía.

3 Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Depois de passar algum tempo pregando pelos povoados da região, Jesus voltou para Cafarnaum, que era a base do Seu ministério. É como se Ele tivesse retornado esperando que a agitação em torno dEle tivesse diminuído. Mas, assim que se soube que Ele estava em casa – provavelmente na casa de Pedro, ou em alguma residência alugada – as pessoas imediatamente acorreram ao lugar.

Elas não esperaram que Ele aparecesse na sinagoga, como se esperaria no sábado. Em vez disso, logo se juntou uma grande multidão ao redor dEle. Onde está o Rei, ali se forma a corte; onde está Siló, o Enviado prometido por Deus, ali o povo se reúne. Quando temos oportunidade de cuidar da alma, não devemos desperdiçar o tempo. Um chamava o outro: “Venha, vamos ver Jesus”, até que a casa ficou pequena demais para conter todos.

Era uma cena abençoada ver o povo acorrendo à casa de Cristo como nuvens que se ajuntam no céu, ainda que fosse uma casa simples e pobre, e como pombas voando para as suas janelas. Jesus os recebeu da melhor maneira que aquela casa permitia, e de modo melhor do que qualquer outro poderia receber. Ele lhes pregava a palavra (Marcos 2:2). Muitos provavelmente tinham vindo apenas em busca de cura física, e outros apenas por curiosidade, para ver quem era aquele homem. Mas, uma vez que os tinha reunidos, Ele os ensinou.

Embora a sinagoga estivesse aberta para Ele nos horários apropriados, Jesus não via problema em pregar dentro de uma casa em um dia comum da semana, ainda que alguns pudessem considerar aquele um lugar e um momento estranhos para pregar. “Bem-aventurados vós que semeais junto a todas as águas” (Isaías 32:20). Devemos aproveitar toda oportunidade aberta para fazer bem às almas.

Então trouxeram a Ele um pobre paralítico, buscando ajuda. O homem tinha paralisia, uma enfermidade que, neste caso, parece tê-lo deixado totalmente incapaz, de modo que quatro homens precisavam carregá-lo em uma cama, quase como se fosse um esquife. A necessidade de ser carregado mostrava a miséria da vida humana. O cuidado daqueles que o levavam mostrava a bondade que devemos ter para com o próximo em aflição, pois não sabemos quão cedo a mesma aflição pode cair sobre nós.

Esses amigos ou parentes cheios de cuidado pensaram que, se conseguissem levá-lo até Cristo uma única vez, não teriam que carregá-lo mais. Por isso, quando não conseguiram passar pela multidão na porta, descobriram o telhado bem acima de onde Jesus estava (Marcos 2:4). Não é necessário supor que Jesus estivesse pregando em um andar superior. A casa pode simplesmente ter sido tão pequena e simples, condizente com a condição humilde em que Ele vivia, que nem sequer tivesse um andar de cima. Assim, aqueles homens subiram com o paralítico até o telhado, retiraram algumas telhas e o desceram na cama, por meio de cordas, para dentro da casa, bem onde Cristo pregava.

Isso revelou tanto a fé quanto o zelo com que se achegaram a Jesus. Mostrou que eram resolutos e não voltariam para casa sem receber uma bênção. Quando Jacó lutou com Deus, disse: “Não te deixarei ir se me não abençoares” (Gênesis 32:26). O mesmo espírito se vê aqui.

Então Jesus dirigiu uma palavra bondosa àquele homem. Ele viu a fé deles, talvez com mais clareza do que a fé do próprio paralítico, já que a enfermidade o impedia de agir livremente em fé. Quando curou o servo do centurião, Jesus ressaltou a fé do centurião porque ele não trouxe o servo até Jesus, mas confiou que Ele podia curar à distância. Aqui, Jesus elogia a fé dos amigos, porque eles enfrentaram tantos obstáculos para levar o doente até Ele. A verdadeira fé e a fé forte podem se manifestar de maneiras diferentes. Às vezes, vencem as objeções da razão; outras vezes, vencem as objeções do que os olhos veem. De qualquer modo que a fé apareça, Jesus Cristo a acolhe e aprova.

Jesus disse: “Filho, perdoados estão os teus pecados.” Essa palavra “Filho” é cheia de ternura. Ela revela cuidado e afeição de Pai. Cristo recebe os verdadeiros crentes como filhos. Aqui está um filho, e mesmo assim enfermo de paralisia. Ainda assim, “Deus vos trata como a filhos.”

A bênção é riquíssima: “Perdoados estão os teus pecados.” O pecado é a causa principal de todas as nossas dores e enfermidades. Jesus quis desviar os pensamentos daquele homem da doença, que era apenas o resultado, e levá-los ao pecado, que era a causa, para que ele se preocupasse mais em ver o pecado perdoado. Deus tira o aguilhão e a amargura da enfermidade quando perdoa o pecado. A recuperação da saúde é uma grande misericórdia quando vem acompanhada do perdão (Isaías 38:17; Salmo 103:3). Para remover o efeito, é preciso tratar a causa. O perdão atinge a raiz de todas as enfermidades, e ou as cura, ou muda o sentido que elas têm.

Os escribas, mestres e intérpretes da lei, contestaram o que Jesus disse, e sua objeção mostra o quanto eram incoerentes. O ensino deles era verdadeiro em si mesmo: é blasfêmia qualquer simples criatura reivindicar poder para perdoar pecados, porque isso pertence só a Deus (Isaías 43:25). Mas o uso que fizeram dessa verdade foi errado, porque vinha da ignorância e do ódio a Cristo. É verdade que ninguém pode perdoar pecados, senão Deus somente; mas é falso concluir daí que Cristo não podia perdoar, visto que Ele já havia demonstrado ter poder divino.

Jesus, em Seu espírito, sabia que eles raciocinavam assim dentro de si. Isso mostra que Ele é Deus, e confirma o que ainda precisava ser demonstrado: que tinha autoridade para perdoar pecados. Ele sonda os corações e conhece o que há nas pessoas (Apocalipse 2:23). Os direitos de Deus não se dividem: aquele que conhece os pensamentos também pode perdoar pecados. Isso torna a graça de Cristo ainda mais admirável, porque Ele conhece os pensamentos das pessoas e, portanto, sabe mais do que qualquer um pode saber sobre elas, inclusive o quão graves são seus pecados e todos os seus detalhes, e ainda assim está disposto a perdoar.

Então Jesus provou Seu poder de perdoar pecados demonstrando Seu poder de curar o paralítico (Marcos 2:9-11). Ele não reivindicaria fazer uma coisa se não pudesse fazer a outra. “Para que saibais que o Filho do homem, o Messias, tem na terra poder para perdoar pecados”, Ele disse ao paralítico: “A ti te digo: levanta-te, toma o teu leito.” Isso por si só já era uma prova adequada, porque Ele não poderia ter curado a doença, que era o efeito, se não pudesse tirar o pecado, que era a causa. Também combinava com o que Ele queria ensinar, pois a cura de enfermidades é uma figura do perdão de pecados. O pecado é a doença da alma, e quando é perdoado, é curado. Aquele que, com uma palavra, pôde realizar o sinal, certamente pode realizar a realidade que o sinal representa.

Era também uma prova adequada para aquele tipo de audiência.

Os escribas religiosos, de mente terrena, seriam mais tocados por uma prova visível do perdão – como um corpo restaurado – do que por uma lição espiritual mais profunda. Por isso, cabia perguntar o que era mais fácil dizer: “Estão perdoados os teus pecados” ou “Levanta-te e anda”? A remoção do castigo mostrava o perdão do pecado. Se Jesus podia ir tão longe ao curar, certamente podia completar toda a obra. Veja (Isaías 33:24).

O enfermo foi curado, e a multidão se impressionou profundamente com isso, como se lê em (Marcos 2:12). Ele não apenas se levantou da cama sentindo-se um pouco melhor. Levantou-se completamente curado e, para mostrar que sua força fora totalmente restaurada, tomou o leito, que agora só atrapalhava, e saiu andando à vista de todos. Todos se admiraram, e com razão, e glorificaram a Deus. Diziam: “Nunca vimos tal coisa.” As obras de Cristo eram sem igual. Quando contemplamos o que Ele faz ao curar almas, devemos dizer o mesmo: nunca vimos coisa semelhante.

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